domingo, outubro 29, 2006

Vale a pena ler...

No DN de hoje:
"Já quase todos ouviram a história: o pai deixou a filha à porta de uma loja chinesa e aguardou no estacionamento. Após uma longa espera, procurou-a no interior da casa comercial, mas ninguém a tinha visto.(...)E o que há, afinal, de verdade nesta história? Nada. Estamos perante um mito urbano, sustentado num rumor." Ler o artigo na íntegra clicando no link.
O melhor antídoto para o medo do outro é o conhecimento de nós mesmos. Nunca ter medo de olhar para dentro e ver o pior.Sobrevive-se. Isso e uma boa mente crítica. Devíamos exercitar o nosso espírito crítico como fazemos com o corpo, todos os dias meia-hora. Lá se iam os boatos, as manipulações de invejosos e grupúsculos radicais e com eles o mal que provocam.
E já agora, quando recebo mails que não interessam nem ao menino Jesus apago-os. É trigo limpo, acaba-se logo ali o efeito dominó.

sábado, outubro 28, 2006

Bom fim de semana!

* Foto da Pastelaria Fabrice Collignon

"Mira,Gengis, castañas del Caurel, del país de los bosques, hervidas en nébeda y anís. Eres niño, Gengis, los perros del viento aúllan, la noche temblequea en el candil y los mayores andan encorvados por el peso del invierno. Pero aparece tu madre, Gengis, y posa en el centro de la mesa la fuente de las castañas hervidas, criaturas envueltas en trapos calientes, una vaharada animal que reblandece los huesos. (...) Y ahora, Gengis, dijo el doctor Da Barca cambiando de tono como un comediante, vamos a bañar esas castañas con crema de chocolate. (...)

(...)A que tiene cara de mejor salud?, dijo el doctor Da Barca. Es cierto eso que dice el refranero, que de ilusión también se vive. Es la ilusión, que le hace subir la glucosa.

Gengis Khan salió de la hipnosis despertado por su proprio eructo de placer."

In El Lápiz del carpintero de Manuel Rivas.

Deixo-vos esta guloseima:-)


sexta-feira, outubro 27, 2006


Eu sou uma gota de mercúrio
do mercúrio
do grande magma
Sou uma gotinha que se desprende, desprendeu afastou e seguiu o seu caminho
Gota de mercúrio sou e como sou moldei-me, esgueirei-me deslizei para longe
Sempre gota de mercúrio, reflectindo o caminho por onde sigo
Quem sou eu? Sou do grande mercúrio que me veio recordar de que matéria sou feita,

Como me atraiu e me fundi nele

Do grande mercúrio me solto outravez e vou para longe, gota de mercúrio refundida,
...e posso ir longe, afasto-me porque sei de que sou feita...


Eu sou uma caixa de ressonância. Um tambor, o ventre duma guitarra, a espiral dum búzio.
E não tenho fôlego
... andava e não tinha lá.

Andava num grito rouco.

A caixa soou e eu enchi-me de sopro e atravessou-me a voz
Uma voz que não a minha, a voz dela, que foi a nossa

Soltou-se a água, a corrente do rio,
levou-me os demónios numa enxurrada
trouxe-me descanso tépido,
como um duche contínuo depois dum dia difícil
como um banho sem fim ao sabor do ondular do mar num dia fácil.


E eu que andava a ferro e fogo,
E eu que andava a cinzento, preto e vermelho reganhei as minhas côres
Todas as côres

Eu sou uma gota de mercúrio ... do mercúrio
...e posso ir pelo mundo fora porque sei de que sou feita.


Obrigada à Mariza e aos seus músicos pelo concerto de quarta-feira.

quarta-feira, outubro 25, 2006

O Saguim

Sentada, totalmente parada... entenda-se sem me poder mexer, sem poder sair dali.Encalacrada, esforço-me por ouvir o que me chega aos ouvidos, esforço-me por cumprir a razão de ser da minha presença ali. Olho em frente, fixo os olhos num qualquer horizonte imaginário, busco refúgio na janela para a imensidão que é a minha mente. ...E ele nada, não ...não se cala. Enche o ar de entulho, enche-me a cabeça de ruído...se me interessásse alguma coisa, procuro, sim, vejam bem, ainda me esforço, procuro um só assunto que me interesse, como um botão raro na feira da ladra. Não, não há nada. ...e ele continua, mexe-se, remexe-se, fala, fala, fala...meu Deus os minutos, as horas, as horas...
Olho-o atraiçoada pela minha incapacidade de ser simplesmente bruta. E ele alimenta-se do meu olhar, mesmo de tédio, é pão para a sua boca, é néctar para o seu sorvedouro de atenção.
Olho-o outravez e vejo...sim vejo finalmente, é curioso, com tanto chinfrim ainda não o tinha realmente visto. Ali está ele, um verdadeiro saguim. Pequenino, muito pequenino, de boquita fina e olhinhos nervosos e pedintes. Faz uma graça e para à espera dos aplausos.Gaba-se e espera.Vangloria-se e espera. Dá uma cambalhota e espera. Diz uma graça e espera. Coça a cabeça e espera. Canta uma música e espera olhando-nos parasita, atenção, atenção, dêem-me atenção. Vejo-o num palco correndo atrás do holofote. De casaquinho vermelho e chapéuzinho na cabeça, aí está ele a correr atrás do holofote que teimosamente se desvia mal ele chega.
Olho o relógio ostensivamente, mergulho a cabeça no livro enquanto não chega a minha vez de cumprir com as minhas funções profissionais. E ele nada...fala e fala, e canta e queixa-se e pergunta...os minutos meu Deus, as horas, as horas...
Tenho de me lembrar de passar a andar com amendoíns no bolso. Tenho de me lembrar de me treinar a atirá-los bem longe. Para a próxima atiro-lhos e ele que os vá catar para outro lado...

terça-feira, outubro 24, 2006

Antónimos ...


...antónimo de hoje em Bruxelas

"A manhã, quente e abafada, completamente estática, ardendo em clarabóias e, para fora da vila, ao longo da longa estrada, dói no olhar e na memória, clara como página sem nada".
In Trilogia Lusitana de Almeida Faria.

quarta-feira, outubro 18, 2006

5 dias para descobrir...



Até Terça... :-)

segunda-feira, outubro 16, 2006

Presunção e água benta...

...pois é, este ditado aplica-se a todos nós, se bem que...Se bem que há profissões em que a presunção é "mortal" e a humildade "vital" para um bom desempenho. Imaginemos as profissões que lidam com a linguagem. Em que , por exemplo a língua portuguesa é a matéria que se manipula diariamente. Com ela se veícula uma mensagem, até mesmo quando se respeitam os seus silêncios. Sem ela nada se transmite, tudo é bruma e águas turvas...embora por vezes quem fala quer é bruma e águas turvas, mas isso é outra história.


A língua é uma matéria difícil porque os significados são convenções que evoluem com os tempos. Porque a mesma língua pode ser falada em regiões diferentes, por povos diferentes com pronúncias e vocabulário diferentes. Quem lida com ela com proximidade deve respeitá-la, amá-la até. Estas profissões costumam ser ingratas. Nunca se sabe tudo duma língua e quem pode jurar que nunca se engana, que nunca tem uma dúvida ou dá um erro? A ambição perfeccionista é por conseguinte fonte de frustração embora sedutora e necessária.
Só com humildade perante o carácter hercúleo da expressão "domínio de uma língua" se pode almejar o constante aperfeiçoamento e correcção. Caso contrário os erros perpetuam-se e cai-se mesmo na tentação de tomar por certo o que está errado.
Com o blog voltei à língua escrita. Por estranho que pareça, andei afastada da escrita regular da minha língua durante anos embora seja obrigada a fala-la diariamente. Possivelmente por pendor perfeccionista, acho que para aprender é necessário estar atento ao erro e sobretudo reconhece-lo, para corrigi-lo. Por estas páginas virtuais me apercebi do enferrujamento em que andava a minha ortografia, dando por vezes erros de palmatória. Que vergonha. Mas só assim os pude detectar. Aliás, nunca mais verei os erros crassos da comunidade imigrante da mesma forma. Sobretudo porque estão menos apetrechados do que eu para fazer face à intrusão da/s línguas estrangeiras que nos vão servindo de segunda casa.
E assim chego aquilo de que vos queria aqui falar. É que numa profissão em que a língua é fundamental há que não temer o dicionário. O dicionário, esse livro que alguns parecem votar a um esquecimento oportunista. Os mesmos, sim esses mesmos, que com grande desfaçatez e autoridade roubada aos decibéis mais acentuados corrigem e se riem do que está certo, sem pestanejar. Será esta a altivez dos ignorantes?... Mas não, não tenham medo do dicionário que ele não morde, não há memória de tal fenómeno. Nem hesitem em gastar-lhe os cantos. Tenham orgulho no seu ar manipulado e usado. É bom sinal. Não o queiram com ar de enciclopédia decorativa brilhante e imaculada.
Estas palavras serão lidas por quem já sabe e pensa assim. Elas nunca atingirão os neurónios úteis daqueles que delas carecem. Entenda-se, não é que não as tenham já ouvido. Acontece porém que mal o fonema ingenuamente atravessa o tímpano e acciona o impulso nervoso que o traduzirá em sentido num dos tais neurónios, surge no canal transmissor um muro de arrogância e presunção que lhe impõe um forçado ricochete, obrigando-o a sair pelo ouvido contrário. Entram por um e saem por outro...
Há pessoas demasiado cheias de insegurança de si mesmas para deixar entrar a dúvida sã e o conhecimento.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Bom fim de semana!

*Foto da Pastelaria Fabrice Collignon
Ando a ler...
"Hay un aforismo célebre según el cual la gallina no es más que el instrumento que utiliza el huevo para reproducirse." retirado do articonto El huevo y la gallina do livro Articuentos de Juan José Millás.
Serei eu a utilizar o blog e a net para escrever o que tenho de expulsar para alivio da minha mente propensa a excesso de deambulações ou será o blog e a net a utilizarem-me para existirem... e assim andamos os três a mando e desmando dos meus pensamentos ...ou será o contrário?
Deixo-vos esta guloseima...

quinta-feira, outubro 12, 2006

Olhar para o futuro...

...olhar para o futuro? (eu de olhar perdido) Sim, quando se projecta no futuro, o que vê?...não...não sei...vejo o que vejo agora (levanto os ombros). No futuro não posso ver o que vejo agora, no futuro não serei eternamente assim. (...não sei...). "Olhar par o futuro" ficou-me porém numa qualquer ante-câmara do cérebro, escondida, à espreita do momento certo.
"Olhar para o futuro" assomou de novo, alguns meses passados. O insconsciente agradecido propulsou esta frase despoletando o despertar graças ao acaso oportuno que me trouxe às mãos a revista Science et Vie (nº 1067) onde leio que os Aymara,povo andino, vêem o futuro para trás, para trás das costas digamos assim. Encho-me de espanto, de maravilha, perante a possibilidade única de olhar a vida com olhos de criança outravez. Durante alguns segundos vejo o futuro pela primeira vez como estando atrás. E tem lógica, tudo tem a sua lógica, claro, muito própria. O futuro é o que não se sabe e vê, está atrás onde não o conseguimos ver. Vivemos portanto virados para a frente, para o passado e presente.
...viro-me do avesso...viro-me e experimento o futuro atrás das costas. Não é difícil, e não o vejo, ali de facto, sem esforço não o vejo. Ando sem olhar para trás, esperando aquilo em que vou tropeçar. E quando tropeço vejo o presente, já à minha frente. Até aqui tudo bem.
"Olhar o futuro"... como olho o futuro? Não à frente nem atrás...esforço... como é que eu faço? Pausa. Fecho os olhos. Sim, o meu futuro é para dentro. Algures no cume do lobo frontal, quase na fronteira com o parietal. Eu projecto-me no futuro dentro de mim a 3 dimensões. Projecto e mais tarde encontro o que projectei estilhaçado... pedaços maiores ou menores no presente. Encontro a minha visão 3D entre os retalhos incontroláveis do real. Mas lá estão, os meus desejos de mim alterados pela realidade indiferente,feita de acasos e força irreductível.
E nisto estou eu, nesta divagação enquanto pouso a revista...

terça-feira, outubro 10, 2006

O meu para-brisas, a caminho do Luxemburgo...

... conta-me as estações do ano que se vão sucedendo.
No Verão são insectos de tamanho e côres variados que se esmagam involuntariamente (penso eu) deixando-o como um campo de batalha. Perninhas minúsculas num mar viscoso e indecifrável. Às vezes adivinho uma asinhas.
Agora... são as folhas amareladas que esvoaçam à minha passagem e que por segundos se prendem num qualquer obstáculo.

Soubesse eu mais de zoologia ou de botânica e até vos diria umas frases sobre a riqueza da fauna e flora que atravesso sem dó.

Mas não sei.

Quem quer ser famoso?

A comunicação do futuro acontece já hoje e passa pela You-tube. You-tube que acaba de ser comprada pelo Google.
Estes são os tempos em que falamos de casa para o mundo. Talvez não saibam, ou talvez sim, no you-tube já há estrelas. Estou a pensar no caso da lonelygirl15, transmissão supostamente espontânea de uma rapariga que relatava as suas aventuras de adolescente fechada em casa por pais ultra-puritanos. Um êxito! De tal forma que a rapariga em questão já tem contractos em Hollywood. E nem imaginam o burburinho e vento de revolta dos fãs quando descobriram que era tudo uma ficção.

Também há um holandesazita que canta divinamente e que tem audiências de fazer inveja a muita wannabe pop star. Tudo sentadinha no seu quarto em frente ao computador.

E as reportagens bombásticas dos vários canais de tv, sobretudo americanos.

Eu confesso que a onda de fãs de ilusionistas é a que mais me faz rir. Existe já uma corrente paralela de quem parodia os ditos ilusionistas. No Japão são doidos por isto.

Um mundo inteiro que se desvenda. Com uma simples webcam, do seu quarto para o mundo.

E tudo isto vale mais de mil milhões de euros. A comunicação social ultra democratizada, a criatividade ao alcance de todos. Quem quer ser famoso, por aqui por favor...

segunda-feira, outubro 09, 2006

Rendez-vous à Paris...


...este fim-de-semana. Com Sol e calorzinho. Sim, Paris é o Sul, fica a Sul? Não sei, mas para mim já é o Sul, com sol e tudo.
Para casamento num "péniche" no canal, para ver a filha recém-nascida dum casal. E ali para os lados de Montparnasse, lá dei umas voltas, muito bobo, eu um pouco, os outros muito, por todo o lado. Bobo, sim, que é assim que se lhes chama. O Renaud que vos diga, que ele sabe bem. (o que eu queria era por a música aqui no blog, mas não sei fazer isso...zut).

sexta-feira, outubro 06, 2006

Gata borralheira...

*foto Ladurée


A luz está a meio gás, o ar molhado.Brrrrrrr...quero dormir até Abril. Mas não, quero pão de ló, pães quentes, chá, galões, serões debaixo de cobertores. O estômago é uma caldeira que implora lenha avidamente. Banhos de imersão.
Desconfiei quando me cheguei gulosamente ao bico do fogão enquanto a água aquecia e eu lia. Desconfiei quando me meti na cama para ler o dia todo, todinho...e quando me enrosquei mais em ti...
Com as esplanadas já não quero nada. Venham os espaços fechados, aveludados, aquecidos, aconchegados. E as sessões contínuas de cinema.
Espreito os passos no passeio com ar de gato incomodado enquanto a chuvinha me borrifa.
Amarelos, verdes velhos e laranjas esbatem-se na minha janela. O meu mundo volta-se para dentro.
É Outono.
Bom fim de semana!

quinta-feira, outubro 05, 2006

Comparação dos sistemas judiciários na Europa

No Le Monde de hoje.

Dizem-me brando...

...sim brando. Às vezes inseguro, ingovernável. Oiço: simpático, talvez servil. Dizem-me assim e eu oiço... sorrio e também fico calado. Não me conhecem, não, não me conhecem. E por isso não me amam e até me desprezam. Eu percorro o caminho que posso, o que vou podendo e sei.

Dizem-me brando, eu digo: até onde quero. Sim, a minha paciência é grande...também tenho medo. Às vezes tenho medo e levo tempo a dizer ... chega! Mas eu digo chega, acabo sempre por dizer chega. Acham sempre inesperado... são cegos ou talvez simplesmente imbecis. Eu digo sempre chega quando estou pronto.

5 de Outubro.

Vale a pena ler e descobrir

O blog Manandre e o post de ontem:Portugal as ideias.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Aquilo que eu não digo e vocês não sabem...

... que eu acho que sei, mas não tenho a certeza, que escondo aqui e revelo ali, quando quero e às vezes quando não... . É assim que vou tentar dar seguimento ao repto que me lançou a Pitucha de dizer 6 coisas de mim que não deveria saber. Ou será que é "que vocês não deveriam saber" ? Esta trás água no bico;-) mas ainda assim aqui vai:

1- Tenho um interesse irresistível por mim, ou seja, acho sempre que sei pouco e andarei a vida toda a desvendar-me;

2-Gosto de prescrutar os outros, de os desvendar e às vezes é uma invasão,

3-Sou de paixões, muito de livros, muito de blog, muito de culinária, muito de política, muito de línguas...

4-Preciso de estar só a intervalos regulares;

5-Fio-me antes de mais na minha intuição embora disfarçe;

6- Tenho a arrogância de desprezar os arrogantes.

Deixo aqui o desafio à Nokas e ao Raimundo Narciso... e a quem quiser continuar.

terça-feira, outubro 03, 2006

Perder a inocência no século XXI

Chegar a um jantar oficial em plena Lapónia e ser recebida pelo Pai Natal que espeta a cada mulher minimamente jovem um valente beijo na boca e depois se esfrega nas bochechas, abraçando com veemência os corpos apanhados à traição. Tudo isto perante o ar atónito, primeiro, e depois de horror das "eleitas". Bieerrrrccc!