quinta-feira, junho 30, 2011

Orgãos de desinformação social

É assim que deviam chamar-se os nossos jornais e telejornais. Tendo em conta o que vou lendo sobre a proposta da Comissão europeia de criar um novo imposto, fica aqui uma explicaçãozinha simples de Ana Gomes no Causa Nossa:

"Quem deve pagar a crise?

A SIC NOTÍCIAS noticiava ontem que a Comissão Europeia propõe um novo imposto europeu sobre "transações entre os 27 Estados Membros".
Mas esquece-se de acrescentar uma palavrinha fundamental: "financeiras".'.
Sim, porque é de cobrar impostos sobre as transações financeiras que estamos a falar. De fazer os bancos, seguradoras, "hedge funds" e outros fundos, com mais ou menos fundo, e todos os que ganham dinheiro à conta de terem dinheiro, pagar uma percentagem ínfima do que ganham para ajudar a UE a ajudar os Estados que mais precisam - como Portugal - a recuperar da crise, relançando o crescimento económico e gerando emprego.
Trata-se de uma proposta há muito apoiada no Parlamento Europeu e em particular pela família socialista.
É deprimente ver a SIC NOTÍCIAS e outros media portugueses embarcarem imediatamente numa campanha para indispor os cidadãos contra a Europa, sugerindo que a proposta da Comissão vai sobrecarregá-los com mais um imposto, em tempos de tão dura crise.
Porque não é nada disso, muito pelo contrário.
Trata-se de fazer pagar pela crise os seus principais causadores.
"
Os jornais desinformam e curiosamente a favor dos interesses financeiros, dando a sensação que se indignam pelos cidadãos...haja desfaçatez!

terça-feira, junho 28, 2011

Encubadora

Andar pelo facebook, blogues,Tedtalks e outras "cibercoisas" e descobrir leituras, links para artigos, teses, opiniões que de outra forma jamais conheceria. Somos milhares, milhões. Esta semente vai germinar. We are living in interesting times.

segunda-feira, junho 27, 2011

Legenda dos tempos que correm

Buying Time

sexta-feira, junho 24, 2011

Um conselho...

...a quem anda a respirar de alívio: comecem a respirar fundo , como se fossem mergulhar.

quinta-feira, junho 23, 2011

Algo me diz...

...que doravante Portugal "vale a pena", "é capaz", " a crise é tremenda", "os mercados são dificéis e terão de ser acalmados", "Portugal dará o seu melhor como sempre acontece em tempos de crise", "sim, somos capazes!".

Sim, algo me diz que doravante os jornais, tvs e discursos serão pautados por estas mensagens que ainda ontem (quase literalmente) eram sacrilégio, falar mentira aos portugueses, iludir a realidade, enveredar por optimismos cegos, etc...

Que seja pelo bem do país e sinceramente que seja verdade. Mas no campo do jogo sujo ninguém lhes leva a palma.

Durão Barroso assegura mesmo hoje no JN:
"Durão Barroso realçou que a "cooperação próxima [entre Portugal e a Comissão] pode fazer diferença" e deixou votos "sinceros de sucesso" ao Governo e a Portugal."
Ouviram mercados? Ouviram portugueses? Ainda bem.

O ovo e a galinha

São os governos ou candidatos a governantes que são populistas e demagógicos e seduzem os eleitorados nesse sentido ou são os eleitorados que são demagógicos e populistas e levam os governantes ou candidatos a governantes a optar por esse discurso para lhes sacarem o voto de que precisam para governar?

Um pouco dos dois? Mais um, mais o outro?

O que é certo é a comunicação social: cada vez mais superficial e sensacionalista e menos dada à reflexão e à investigação. É o milho que alimenta a galinha e o ovo.

sábado, junho 11, 2011

Nunca gostei de hienas

Nunca tive pachorra para moralistas, por definição falsos, nem para linchamentos.
Subscrevo totalmente este texto:


"senhor primeiro ministro cessante

Quase toda a gente sabe que a palavra linchar deriva do facto de ter existido um americano chamado Lynch que, por inerências genéticas e conjunturais, preconizava, praticava e (talvez isto seja o mais abjecto desta historieta) encorajava o acto de enforcar outrem - sem outra demora que não fosse o passar da corda por cima do galho mais à mão (mas, ainda assim, "sem pé" para outrem) e a construção do laço "justiceiro". Lynch era adepto fervoroso duma espécie de justiça rápida - o que é muito diferente (embora eu não espere que a maior parte das pessoas que me leu até aqui seja sensível à diferença e, já agora, nem a esta diferença nem a nenhuma outra) duma rapidez justa.


Em Portugal (dispenso-me de falar doutros países, há tipos com blogues noutros países e eles que escrevam sobre isto se quiserem), para os portugueses, o acto de linchar é uma espécie de refeição ao meio da manhã que se toma em grupo. Em cardume, em manada, em matilha. Não sei o substantivo colectivo que define uma resma de hienas, que seria o mais adequado para o que quero dizer, de maneira que vou inventar uma palavra para isso: putedo.


Ora o putedo, em se apanhando diante dum alvo erecto, rosna baixo a olhar os passarinhos que esvoaçam. Em o alvo se abaixando para qualquer coisa (ou por qualquer coisa), rosna alto e começa a mirar as próprias fezes. Em apanhando o alvo um bocadinho de cócoras, para apanhar qualquer coisa que lhe caiu, começa a rodeá-lo e a guinchar risadas funâmbulas, com as supracitadas fezes já na boca. Metade do putedo agride já o alvo, com as gengivas fétidas onde desabundam dentes e progride a piorreia. Se o alvo cai, matam-no com a rapidez lenta dos vagares vorazes. E não o comem logo por ser carne fresca.


O putedo é cobarde e, como convém aos cobardes, abundante.


O putedo é um grupo de acólitos de Lynch fora do tempo mas que marcha em passo concertado. O putedo lincha, embora queira deixar no ar a ideia de que apenas putifica (e putificar é uma palavra putificante, ou seja, bastante parecida com purificante - do ponto de vista do crescente putedo que se guindou a analista do léxico e das coisas todas).


Repugna-me muito o que tenho lido e escutado - de Mena Mónica e Barreto, de Pilatos e Caifás, de Caius Detritus (leia-se Mário Crespo) e Manuel das Iscas, de José Moura Guedes e Eleutério Caquinha - sobre José Sócrates. Não assistia a um linchamento tão concertado, tão prolongado, tão "encomendado", desde 1988, quando me mostraram na televisão e nas revistas a agonia dos dois polícias ingleses putificados às mãos dos católicos em carpideira ânsia de putificação de Belfast. Já não via o putedo a exercer a sua putificação de maneira tão despudorada e tenaz, portanto, há muitos anos.


De maneira que informo (marimbando-me perfeitamente para o putedo) que emprestaria o meu carro a José Sócrates, se ele mo pedisse. E mais não informo porque o acto de informar se tem vindo a transformar, duma maneira cada vez mais desassombrada, num acto de puta. E eu, puta, não sou. Embora saiba que se fosse seria bastante cara: é que mesmo assim tenho procura; de algum putedo.


Já a seguir, porque este lugar é meu, música." do blog Gravidade Intermédia.

terça-feira, junho 07, 2011

Terminadas que estão as eleições legislativas de 2011

... algo me diz que a crise internacional, as decisões tomadas na UE, os mercados, serão finalmente a razão de ser dos problemas que vivemos.Acho que a Bélgica, a Itália, a Espanha, uiii a Espanha, a Dinamarca, a França, a Alemanha, uii a Alemanha, as bolsas, as disfunções da integração europeia, tudo isso constará do vocabulário corrente dos nossos jornais, telejornais, comentadores e outros ( por exemplo, novos governantes que ainda ontem eram oposição).
Ao menos isso, há pelo menos uma boa consequência destas eleições. Que os arautos da verdade se deixem da mentira cretina e contextualizem duma vez por todas os nossos problemas. Um país pequeno, de economia aberta, integrado numa realidade maior que é a UE, com as suas fragilidades (as nossas e as dela), numa realidade ainda maior que é a da economia globalizada, da desregulação dos agentes financeiros, dos bancos, uiii os bancos, as agências de notação, uiii as agências de notação e os especuladores e bolsas, uiii... Como tudo isto nos afecta e o que podemos fazer... ou não.
Pelo menos por isto : alívio.

sexta-feira, junho 03, 2011

Ready for take off

Vou votar, Portugal, cá vou eu.