domingo, fevereiro 26, 2006

3 X

"Three Times", filme de Hou Hsou Hsien, com a actriz Shu Qi e o actor Chang Chen. Três histórias de amor de May e Chen em períodos históricos diferentes (1911, numa casa de concubinas quando Taiwan se encontra sob ocupação japonesa, 1966 e o romantismo dos "Sixties" e 2005 e uma juventude urbana e desnorteada) . Na minha opinião, mas aviso que tenho um fraquinho pela cultura asiática, esta é uma obra-prima de Hou Hsou Hsien. Shu Qi (lindíssima) opera uma verdadeira metamorfose de história para história. Chang Chen é excelente e lindo de morrer! Posso passar horas a admirar a estética asiática, sem me cansar. O deleite com que eles filmam um olhar ou uma nuca é contagiante.
Vale a pena um passeio pelo site oficial do filme:

Rotinas e variações



Num país onde o tempo nos pode moer o juízo arranjámos uma solução, pelo menos para os Domingos. Temos uma rotina com que nos deliciamos. Porque são coisas que só podemos fazer nesta ordem ao Domingo e que por isso nos deixam com a sensação muito palpável de que é ... Domingo:-)

Almoçamos no Pain Quotidien. Trata-se duma cadeia de restaurantes descontraídos que tenta reproduzir o charme dos restaurantes e padarias de outros tempos tanto na decoração como na qualidade dos produtos. Uma das suas características é uma enorme mesa ao centro onde se podem sentar todos os clientes ( a Table communale). Mas também à mesas de dois lugares. É lá que nos sentamos.
Desta feita,pedimos duas soupas e duas saladas (de entre várias saladas e tartines deliciosas que se podem lá comer):


Depois ao sair ainda demos um olhadela aos bolos e tartes na montra. Mais do que um convite para entrar são um ordem!

Nunca comemos a mesma coisa, mas estar ali ao Domingo, depois de transpirar uma horinha no ginásio, é puro prazer. O segundo momento de prazer é a ida à Librairie de Rome, para comprar ou simplesmente dar uma olhadela pelos jornais e revistas da semana e pelos últimos livros editados:

As caras conhecidas que nos saudam, o prazer de fazer o que normalmente não podemos. A seguir acaba a rotina, mas sabemos que um filme, uma sesta, um teatro ou uma saída com os amigos é possível, e só isso já sabe tão bem:-)

Site do Pain Quotidien:http://www.lepainquotidien.com

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Brokeback Mountain


Fui, pensando que não ia gostar, que seria inverosímil.Não por serem cowboys, achei que seria forçado.E afinal gostei,muito e quanto mais penso no filme mais gosto. É uma belíssima história de amor.

link do site oficial do filme: http://www.brokebackmountain.com/splash.html

A Talentosa Mad'moiselle C

A Mad'moiselle C é a autora do blogue "Lave-Laine" e é uma grafista cheia de talento. Eu pelo menos sou fã.
É possível apreciar o seu trabalho mais recente no link que indico em baixo. Mad'moiselle C fez as ilustrações do site de criadores de moda "Des filles en aiguilles" e da sua futura exposição.



Clique aqui para aceder ao site: http://www.desfillesenaiguille.com/

P.S.: Já agora, se houver algum/a bloguista simpático/a que me possa dizer como é que se inserem imagens ou palavras que remetam directamente para um link (por exemplo clicando na imagem), aqui fica uma caixa de chocolates belgas virtuais de agradecimento:-)

Je demande aux bloggers sympas qui liraient ce post de bien vouloir me dire comment fait-on pour ajouter un link à une image ou à un mot (pour cliquer sur l'image et avoir le site en question). Un ballotin de prâlines belges virtuels à celle ou celui qui m'aidera;-)

Leis da concorrência

Tenho andado bastante ocupada a rever o meu empréstimo da casa. Este foi um exercício que protelei durante 4 anos pela aversão que tenho a documentos, bancos, simulações e afins. Quando comprei o meu apartamentozito arquivei tudo (sabe-se lá onde) e tratei de manter uma distância saudável entre mim e a dita papelada.Técnica aliás que também aplico à Escritura da casa, aos papéis do seguro do carro,ao seguro contra incêndio...

Mas fiz mal. Comecei este ano com algumas boas resoluções. Uma delas foi a de rever o empréstimo. Fui desenterrar a papelada e fui fazer a ronda dos Bancos. E foi aí que constatei que a concorrência quando devidamente regulamentada pode ser uma agradável surpresa. Assim, o meu Banco foi o que me fez a pior primeira proposta, mas depois de regatear noutros Bancos, o meu baixou em 0.35% a taxa de juros que me tinha proposto inicialmente(diminuindo em 2,8% a minha taxa actual), em 300€ o seguro da hipoteca e em 1000€ as despesas administrativas.

Fiquei a sentir-me uma verdadeira bomba de negócios.Toca a aproveitar o balanço vou desenterrar o Seguro do carro!

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

O Sopro Vital II




O tempo deixa de passar ao ritmo dos segundos e minutos. Conto uma respiração, duas respirações...o rumor da minha respiração invade-me e é tudo o que oiço. O coração acalma e o bulício do mundo desaparece. Estou a fazer Yoga:-)

Boa análise

"Tous les Etats postimpériaux peinent à se doter d'un nouveau respect de soi.(...)Une saine reconnaissance de ses fautes (...) pourrait donner une cofiance en soi plus recomandable...".

Passagem dum artigo de Hywel Williams do the Guardian, retirado do Courrier International nº798.

Mistérios Belgas

Encomendei dia 17/02 um cremezinho anunciado como milagroso num site americano (skinstore.com). Não sei o que é mais hilariante, se eles dizerem que o creme funciona se eu acreditar. Claramente, eu acreditar,lol. Enfim, hoje de manhã a encomenda chegou-me às mãos intacta, com amostras e tudo. Expedida pela FedEx dos EUA até aqui.Demorou 6 dias, 4 se descontarmos o fim de semana.

No dia 11/02 enviei uma carta à Cortal banking(em Bruxelas) com um formulário preenchido para abertura de uma conta e acesso ao Net Banking. Fiquei a saber hoje (porque lhes telefonei) que tenho conta criada desde o dia 13. O envelope prometido com toda a informação, confirmação de abertura de conta, etc...ainda não chegou. Afinal hoje é só dia 22, nem sabem dizer ao certo quando chegará.Passaram 11 dias e não chegou nenhuma carta entre dois endereços na mesma cidade.

Manipular a História


"On se croirait au ministère de la Vérité, dans le «1984» de George Orwell, là où, sous le regard inquisiteur de Big Brother, des fonctionnaires consciencieux réécrivaient continuellement l'Histoire en falsifiant des montagnes d'archives. On est pourtant plus prosaïquement dans le Maryland, au siège des Archives nationales américaines, où un historien vient de faire une découverte pour le moins inattendue: depuis l'automne 1999, des agents très discrets s'y emploient à retirer des milliers de documents du domaine public et à les estampiller de nouveau «top secret».
C'est comme vouloir «remettre le dentifrice dans le tube», s'exclame Matthew Aid, qui relate sa découverte sur le site Internet de «The National Security Archive» lié à l'université GeorgeWashington. (1) Il en dénonce surtout l'absurdité car, non seulement les documents voués à un nouvel oubli prolongé n'ont généralement pas de quoi menacer la sécurité des Etats-Unis, mais ils n'ont surtout plus rien de confidentiel. Beaucoup ont déjà été publiés, notamment dans les recueils «Foreign Relations of the United States» du département d'Etat; tous ont été lus et photocopiés par des chercheurs...
Matthew Aid a découvert le pot aux roses en constatant, en décembre dernier, que des documents qu'il avait consultés auparavant aux Archives nationales ne s'y trouvaient plus. Une rapide enquête lui a révélé que ce sont au total 9500 documents, représentant quelque 55500 pages, qui ont ainsi été retirés de la circulation, non seulement au siège principal de la National Archives and Records Administration (NARA) à College Park, mais aussi dans les Bibliothèques présidentielles gérées par NARA, principalement celles de Lyndon B. Johnson à Austin (Texas) et de John F. Kennedy près de Boston.
L'affaire trouve sa source dans une décision du 17 avril 1995, quand Bill Clinton ordonna à tous les départements du gouvernement de «déclassifier», pour la fin 1999, leurs archives remontant à vingt-cinq ans ou plus, à l'exception des documents sensibles traitant d'espionnage ou d'actions militaires toujours en cours. Les ministères des Affaires étrangères et de l'Energie brillèrent, à cet égard, par leur célérité. Une commission parlementaire félicita même le département d'Etat pour son zèle en 1997.
La leçon de transparence ne fut, toutefois, pas du goût de tous. Sous la houlette de la CIA, cinq autres agences gouvernementales (le renseignement militaire, les ministères de la Défense et de la Justice, les trois forces de l'armée) estimèrent que, dans la précipitation, des documents avaient été indûment rendus publics. Elles obtinrent, à la faveur de l'émoi causé par l'arrestation d'un espion chinois au centre atomique de Los Alamos en 1998 (laquelle révélait des failles dans la sécurité nationale), qu'on fasse machine arrière et qu'on repasse au crible plus de 48 millions de pages. L'effort, qui aurait déjà coûté des millions de dollars, doit se poursuivre jusqu'à la fin 2007.
Une CIA déjà mal informée
Outre le fait que cette opération est menée dans le plus grand secret et à l'insu du Congrès, c'est son caractère aberrant que déplorent Matthew Aid et, avec lui, plusieurs associations d'historiens américains. Si la plupart des documents «confisqués» concernent l'armée ou l'espionnage, ils remontent le plus souvent, en effet, à la guerre froide, voire à la Seconde Guerre mondiale. Certains relatent les grandes méprises des services de renseignement américains et de la CIA en particulier. Quand, par exemple, Washington croyait que les Soviétiques n'étaient pas près de se doter de l'arme nucléaire ou que les Chinois n'interviendraient pas en Corée... De l'histoire ancienne, donc, mais à laquelle l'Irak et ses armes fantômes de destruction massive donnent peut-être aujourd'hui une résonance désagréable.
(1) «Declassification in Reverse», sur Web http://www.gwu.edu/~nsarchiv.
© La Libre Belgique 2006 "

Balanços ao fim de "1 ano"?!

O meu comentário sobre os balanços negativos que li na imprensa e nalguns blogues sobre o "primeiro ano" da legislatura do governo de Sócrates:
Um ano? Bom só se não sabem fazer contas, pelos visto os problemas do ensino da matemática em Portugal já vêm de muito longe. Se a memória não me trai, o governo foi eleito no fim de Fevereiro e só tomou posse em Março. Isto é que é vontade de ajustar contas.
Exigir promessas cumpridas ao fim de "um ano" será razoável? Será razoável exigir que se tenham criado 150 000 postos de trabalho ao fim de 11 meses? Eu acho que não. Será razoável exigir que o plano tecnológico esteja pronto e a dar frutos ao fim de 11 meses? Eu acho que não. Penso aliás que essas críticas são duma demagogia barata.
Dizer de Sócrates que prometeu não aumentar os impostos, depois aumentou, conclusão:mentiu! Parece-me que estão a confundir políticos. Isso foi o Durão Barroso, não misturem alhos com bugalhos. Sócrates disse, lembro-me perfeitamente, que não podia prometer não aumentar os impostos, tudo dependeria da situação orçamental em que encontrásse o país. Disse sim, que faria o possível por não aumentar, mas reforçou que não podia dar a certeza. Cada um depois ouve o que quer.
Para que não haja ambiguidades, assumo que votei no actual governo. Na qualidade de cidadã, sem filiação partidária. Conhecendo-me bem, sei que não gosto de ser enganada. Estou atenta ao que o governo faz e não faz.Exemplos do que não fez e já podia ter feito: nomear mais mulheres para pastas ministeriais,ter uma verdadeira política de diálogo e comunicação entre o governo e a população,propor uma data para o referendo ao Aborto.Mas ainda assim parece-me demasiado cedo para tirar conclusões catatstróficas. Farei o meu balanço na altura em que disposer de dados para fazê-lo: no fim do exercício.

Ser dinamarquês de origem egípcia na Dinamarca:

*Clicar na imagem para aumentar


In Courrier International,de 16 a 22 de Fevereiro, nº798
Os dinamarqueses reclamam mais integração e adesão aos seus valores por parte das comunidades emigrantes, nomeadamente muçulmanas. No entanto, não reconhecem um dinamarquês de origem egípcia no seu direito de ser apenas um cidadão bem sucedido, reeviando-lhe constantemente a imagem de subalterno. Os emigrantes ou dinamarqueses de primeira geração são presos por ter cão e por não ter. O voto no partido do Povo dinamarquês evidencia uma tendência xenófoba. Um ponto de saturação em que já nem quem se integra e vinga consegue aceitação ou pelo menos tolerância. Devo dizer, que vejo o caso dinamarquês, como já vi o francês ou o flamengo como lições a reter e não esquecer.
Primeira lição: Nunca pensar que atingimos um patamar de perfeição da civilização, a soberba equivale à cegueira e ignorância
Segunda lição:Debater antecipadamente com as populações a realidade, necessidade e riqueza que constituem as comunidades emigrantes. As incompreensões são humanas assim como a intolerância. Manter o diálogo aberto, explicar, procurar soluções atempadas permite evitar frustrações nos dois campos e sobretudo recurso ao voto em partidos fascistas.
Terceira lição: decorre das outras, em Portugal poderá acontecer o mesmo. Não nos consideremos imunes a estes fenómenos, são próprios da natureza humana. Tenhamos a coragem de explicar que precisamos de emigração e tenhamos a coragem de responder e considerar sem arrogância as frustrações duma população que não percebe porque está a mudar.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Jantar de um casal numa noite de grande preguiça

Antes

Nem sempre assim é, mas hoje estavamos muito preguiçosos.Não nos apetecia cozinhar mas a fome apertava.Uma das nossas soluções preferidas quando assim acontece é fazer uma pizza. Uma pizza a sério, nada de subprodutos congelados...ou quase nada.

Aqui fica a nossa receita para preguiçosos:

1 massa de pizza
1 lata de Polpa da tomate, de preferência bio
cebola (a gosto, para nós duas)
pimento vermelho e verde (só um quarto de cada)
cogumelos (6 grandes)
pancetta ou outro salame/enchido semelhante
Mozzarella (magra tb é boa)
Oregãos
Azeite
Piri-piri
Azeite para temperar (eventualmente aromatizado)

Preparação:

Forrar um prato de ir ao forno ou o tabuleiro do forno com papel. Estender a massa da pizza sobre o tabuleiro e barrá-la com a polpa de tomate. Polvilhá-la com oregãos e piri-piri. Deitar por cima os pimentos cortados aos pedacinhos, a cebola às rodelas. Depois deitar os cogumelos cortados ao alto em fatias espessas. Por cima de tudo isto deitar as rodelas de Pancetta e por fim as fatias de mozzarella. Regar com um fio de azeite (aromatizado, por exemplo) e polvilhar mais uma vez com oregãos e piri-piri. Não deitar sal pois a massa e a polpa de tomate já têm o suficiente.

Levar ao forno aquecido a 250ºC durante mais ou menos 20min.
Verificar se a massa está bem cozida e...evitar que queime;-)

Depois.

Ouvido ao almoço...

Numa Farmácia durante o intervalo para o almoço:

Funcionário: Precisa de ajuda?
Eu: Sim, procuro gotas para os olhos. Estão a picar por causa do ar seco nos edifícios com ar condicionado. O que me aconselha se faz favor?

Funcionário: As gotas X. Quer mais alguma coisa?
Eu: Posso deixar-lhe as gotas na caixa?Vou ver os cremes.
Passado 1 min. :
Funcionário: Posso ajudá-la?
Eu: Obrigada, estou só a ver.Obrigada
Passado mais 1 min.:
Funcionário: Posso ajudá-la?
Eu: Não deixe estar estou só a ver.Obrigada
Funcionário:Que chatos que estão hoje, estão mesmo cansativos!!
Eu: Sim... está a falar da música na radio (ouve-se em pano de fundo) uma música acid trash rock.
Funcionário: Não estou a falar dos clientes.

Pormenor:Neste momento a Farmácia está vazia! Quando cheguei havia 2 clientes na Farmácia e 2 pessoas a atender.


Welcome to Brussels!!

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Coitadinho de quem é pequenino II

Visto na librairie de Rome (Bruxelas) no Domingo: Livro de Max Gallo intitulado: "Fier d'ête Français".
Capa do Courrier Internacional deste mês vendido na Bélgica:" L'Art d´être belge vu para la presse étrangère". Os belgas estão a apostar em força numa divulgação do made in Belgium. Uma espécie de terapia de grupo para reforçar a capacidade belga na Europa e quem sabe no mundo. Por si só é uma boa estratégia.

Pois é,no entanto continua a confirma-se a minha impressão de que andamos (europeus) com o ego em baixo. Não que nos faça mal (a nós, aos americanos...) rever o tamanho dum ego sobredimensionado. A minha impressão é esta (aceito correcções devidamente fundamentadas):
o eixo éconómico do mundo está a mudar, de ocidente para oriente. A crise que vivemos na Europa e que tarda em passar acentua-se pela rápida expansão dos dois gigantes do Oriente :China e India. Duvidamos de nós. Vem aí uma boa liçãozinha de humildade.
Espero que dela possamos sair com valores reforçados e melhores.

Como dizia Alain Peyrefitte: " Quand la Chine s'éveillera ...le monde tremblera".

Venha a nós o vosso reino...

O "Clemenceau" (porta-aviões francês com elevado teor em amianto) foi despachado para a India dado que nem Toulon nem Brest queriam tamanha batata quente infectada e abandonada nalgum estaleiro das redondezas. Toca de enviar o dito porta-aviões para a Índia, opção aliás defendida por certas organizações ecologistas europeias, dado não haver na Europa e EUA infraestruturas para a desamiantação (será que isto se diz assim?). Mas na Índia,organizações ecologistas de lá pressionam para que não se aceite um enorme porta-aviões cheio de amianto (quem os pode censuarar?) e a India rejeita a sua entrada nos estaleiros de Alang. Toca a regressar desta feita não pelo canal do Suez mas sim pelo Cabo da Boa Esperança, atravessando o Atlântico contra-corrente e no início do Outono austral.
Caso Arcelor-Mittal Steel, grande burburinho e indignação em França pela OPA da Mittal sobre a Arcelor. A mim ainda não me convenceram de que toda esta inquietação e má-vontade não seriam diferentes se a origem da Mittal fosse outra, por exemplo norueguesa, afinal um dos grandes estaleiros franceses da Bretanha foi há pouco comprado por um grupo norueguês e não se ouviu um pio.
No entanto hoje, Chirac em visita oficial à Índia,para além de vender uns quantos Airbus (43 mais precisamente) firma uma Declaração comum para reforçar a cooperação nuclear para fins pacifícos (a Índia não é signatária do TNP nem do CTBT).
*TNP:Tratado de não proliferação
*CTBT:Tratado de proibição de testes nucleares.
Pode ser mania minha mas a Europa e os EUA ainda vão ter muitas OPAs como a Arcelor-Mittal. Na minha humilde posição aconselharia:vão-se habituando a não ser os senhores do mundo, eles também têm direito e vão começar a vir ao nosso reino...

sábado, fevereiro 18, 2006

O Girassol vietnamita



É a nossa segunda cozinha em Bruxelas.O nosso quartel-general.
O Tournesol é um restaurante vietnamita que pertence a um casal adorável. A comida é óptima, barata, rápida. O restaurante, simples, limpo, agradável. Podia comer lá todos os dias.
Alguns pratos favoritos:
Phô (uma sopa vietnamita,chamada sopa de Hanoi, com noodles de arroz)
Soupe Saygonnaise (sopa com noodles)
Bun Bô (noodles, hortelã pimenta, carne de vaca marinada, alface, molho de amendoím, rebentos de soja,etc)
Salade maison avec boeuf (com arroz)
E literalmente todo o menú., que conta também com vários pratos de arroz com caril verde ou vermelho, citronela, gengibre,etc...
Morada:
LE TOURNESOL
Chaussée de Vleurgat, 178
1000 Bruxelas
T:02.646 73 55

YAMATO


Simplesmente o melhor restaurante de sopas de noodles japonesas (ramen) de Bruxelas, e talvez da Europa:

Yamato
Rue Francart 111050 BRUXELLES ( IXELLES )
Tel.:02.502.28.93

Pequeno, não se reserva. Aguarda-se a vez num sofá que percorre a janela à entrada. Delicioso!
Almoçámos lá hoje,arigato.

Para saber tudo sobre ramen, um site insólito:http://www.worldramen.net/

Coitadinho de quem é pequenino...



Leio na secção belga duma revista feminina deste mês: "La fierté d'être belge". Entrevistam-se vários designers,músicos e outras pessoas das artes belgas com perguntas como:

"Etes-vous fier d'être belge?" ou "En seriez-vous oú vous êtes si vous n'étiez pas belge?" ou ainda "Etes-vous fier de vos origines?". As respostas dos entrevistados são bastante melhores e sãs. Basicamente não lhes passa pela cabeça não terem orgulho mas tão pouco pensam nisso, nem acham que isso tenha grande importância.

Concluo, sem surpresa, que no "plat pays" há dúvida e insegurança quanto ao orgulho na origem belga.

Já no ano passado lia numa revista semanal holandesa, a Vrij Nederland, que os holandeses precisam de aulas de boas maneiras (não é falso). No mesmo número da revista dedicavam-se várias páginas à enumeração de citações de personalidades históricas conhecidas (sobretudo franceses e ingleses) que terão proferido críticas acérrimas aos Países-Baixos. Não interessa que tenham dos cidadãos mais altos do mundo, os holandeses questionam-se sobre o seu amor próprio e sobre o que os outros pensam deles.

Há um mês, li no Le Monde e no Libération que os franceses há três anos que se encontram em estado depressivo, não acreditam neles, nem pensam que as coisas mudem muito no futuro próximo. Até Durão Barroso numa alocução na Assemblée Nationale afirmou: a França está acometida do síndroma do "malade imaginaire".

Tudo isto me lembra um país que não me vem agora à memória. Uhmm, deixa cá ver...ah sim, o nosso. Ver e ouvir ministros portugueses em encontros comunitários dizerem constantemente: porque somos pequeninos, somos um país muito pequeno, é um tanto ou quanto constrangedor. Sobretudo quando outras figuras lhes recordam , em directo, que Portugal na Europa não é um país pequeno é médio. E de facto assim é.

Isto de ter um complexo de inferioridade não tem só desvantagens.
Por exemplo, a auto-análise nunca fez mal a ninguém. Tentarmos ver como somos e o que não está bem pode ser positivo. Só é mau quando não se vê mais nada.
Também somos um pouco mais abertos ao outro. Afinal, somos imperfeitos, que mal tem copiar quem supostamente faz melhor ou diferente.

Claro está, que o mesmo complexo se presta a uma passividade de quem nada faz porque tudo está tão mal e à falta de confiança necessária para mudar. Mas pior, é não aproveitarmos no dia-a-dia o que temos de melhor e gostarmos de nós por isso.

A pequenez da Bélgica e da Holanda reflecte-se na forma como belgas e holandeses vêm o seu país.
A crise económica afecta a visão francesa.


E nós país médio e em crise...enfim, nem se fala.

Concluo à moda de um slogan da Benetton: todos diferentes, todos iguaizinhos!

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Feliz dia 15 de Fevereiro a todos os apaixonados:



"A quoi ça sert l'amour?", veja o clip do cube-créative,é genial:
http://www.cube-creative.fr/html/nt/nt_lc/akoa_H264.html

terça-feira, fevereiro 14, 2006

A substância rosa e misteriosa volta a atacar

sábado, fevereiro 11, 2006

Lei de Lula para travar a desflorestação


"Présentée comme le principal acquis du gouvernement de Lula en matière d'environnement, la loi réglementant la gestion des forêts publiques du Brésil a été approuvée mardi par le Congrès. Jugée cruciale pour la préservation de la végétation primaire et la lutte contre le défrichement illégal, cette loi s'applique à tous les biomes (les régions bioclimatiques) du Brésil, à commencer par l'Amazonie, la plus grande forêt pluviale de la planète, qui couvre plus de la moitié du pays.
Concessions payantes. Entre autres modalités d'exploitation «durable» des ressources forestières, le texte prévoit l'octroi de concessions payantes, pour une durée maximale de quarante ans, à des entreprises nationales et étrangères (sous conditions), ou à des associations communautaires, sur treize millions d'hectares de forêts au cours des dix prochaines années. L'objet de la concession sera l'extraction de produits forestiers (bois, résines, huiles essentielles) et l'écotourisme, selon des normes d'exploitation «durable» qui seront fixées dans l'appel d'offres. L'un des critères de sélection du concessionnaire (qui n'aura pas le droit d'acquérir la terre) sera le faible impact de son activité sur l'environnement(...).
Ce mécanisme de concession vise à développer l'économie locale tout en réduisant la spoliation des terres publiques, l'un des principaux facteurs de déboisement, notamment de l'Amazonie dont ces terres couvrent 75 % de la superficie. La ministre de l'Environnement, Marina Silva, à l'origine de cette loi, s'est voulue pragmatique : puisque l'exploitation de la forêt est inévitable ­ 20 millions de Brésiliens vivent dans la région amazonienne ­, autant limiter les dégâts(...)
«Risque énorme». Si certains écologistes, et notamment les «radicaux», pour qui la forêt doit rester intouchable, voient dans ce texte une carte blanche pour sa destruction, les grandes associations de défense de l'environnement, comme Greenpeace, ont salué son adoption. Elles soulignent néanmoins que l'Etat doit se doter des moyens de faire appliquer la loi(...)."
In Libération, 11/02/2006
Apesar dos escândalos de corrupção (por vezes, ao ler os jornais, parece que no Brasil só há escândalos desde Lula) lá vão chegando notícias de leis que podem fazer a diferença e mexem com interesses há muito instalados. Esperemos que a lei se concretize.

Frases úteis para dias de chuva...


"Would you like me to seduce you? Is that what you want?"

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

O Sopro Vital



O barulho todo deste mundo não me poderá incomodar. Estou a fazer Yoga:-)))

Revelador...

"Esta história dos cartoons de Maomé está a assumir proporções inconcebíveis e irritantes. Ninguém imaginaria que o tão proclamado choque de civilizações se expressaria na reacção violenta a uns desenhitos que dão cara ao profeta. De facto, o direito à liberdade de expressão é um valor inegável e primordial das ditas sociedades ocidentais. O humor e a sátira são, antes de mais, expressões de tolerância. Gozar o outro não é faltar-lhe ao respeito, é dar-lhe hipótese de gozar connosco e, também, de gozar consigo. Perante tudo isto dá mesmo vontade de ser intolerante e politicamente incorrecto. De dizer: o que esses gajos têm falta é de gozar com eles próprios. Apetece desenhar e riscar caras e mais caras e publicá-las em todos os jornais, blogues e sites. Talvez se vissem em qualquer um desses rostos e sorrissem perante o gozo em se reconhecerem no espelho."

Encontrei este post no Fuga para a Vitória. Anteontem lia no Abrupto o comentário de um português a viver na Dinamarca que dizia que a Dinamarca, um dos países mais evoluídos do mundo...de cultura superior, etc...


É impressionante como estamos tão ocupados a construir escalas e hierarquias. Estamos tão preocupados no conforto das nossas casas com a liberdade de expressão e afinal a mim parece-me que não saímos da estaca zero, já para não dizer que não saímos da cepa torta.

Hoje descobri que em japonês para se dizer " Quero uma cerveja" tem de se utilizar uma partícula , o contador, que assinala uma quantidade. Isto para além de se mencionar o número "uma". Cada grupo semântico tem um "contador" diferente. Nas línguas que conheço nada disso existe. Quando se diz "um/uma" está implícita uma quantidade. Achei fantástico, magnífico. Nunca tinha visto o mundo assim. Há zonas do mundo onde não existem tempos verbais, onde não existe o sujeito. Onde cada verbo tem um prefixo ou declinação consoante o sujeito está parado ou a andar, está em pé ou deitado. Há línguas em que só há o presente., em que não há género e em que há o neutro. São mundos diferentes que se abrem. Diferentes do meu.

Que direito tenho de obrigá-los a falar como eu.
Que direito tenho de obrigá-los a rir como eu.

E quando são os outros que me querem obrigar a "falar" como eles, será que devo responder na mesma moeda?
Eu acho que não.
Porque não quero ser como eles.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Jogos de Poder


Ainda a propósito das caricaturas do jornal dinamarquês.
Sempre achei estranho que caricaturas num jornal dinamarquês tivessem um impacto tão violento e sobretudo tão vasto. Sobretudo vasto, quem lê jornais dinamarqueses? Sinceramente, quem? Para além de cidadãos dinamarqueses, alguns estudiosos da língua e curiosos da cultura e... penso que mais ninguém. Para que as caricaturas tenham tido esta divulgação alguém houve que as divulgou intencionalmente para causar os maiores estragos. Sabe-se quem foi: Abu Laban, um imã dinamarquês. Já lhe posso dar um nome mas há muito que sabia que existia. Usando seguramente a desculpa da religião, utilizou a regra mais simples do jogo do poder: a chantagem!
Naturalmente, para que um jogo de poder e força se instale são necessárias duas partes no caso. Se só uma delas exercer a força não se cria este jogo vicioso e doentio em que cada uma das partes reclama ser a vítima.
A verdade, é que o actual governo dinamarquês não é conhecido pela sua tolerância nem tão pouco foi eleito por isso. Uma semana antes de se ouvir falar no caso dos cartoons vi no canal ARTE uma reportagem sobre as medidas do actual governo em relação às comunidades imigrantes ou de origem imigrante na Dinamarca. Não era exactamente um exemplo de tolerância.

Não é por acaso que assistimos a uma escalada de violência face a algo que nos poderia parecer inofensivo. As partes envolvidas no caso adoptam ambas a regra do "ou vai ou racha". É precisamente a mesma que Bush utilizou com a ONU e com o Iraque, e a França com os EUA na altura. Fracos diplomatas, muito fracos. E irresponsavéis!

O que pretendemos exactamente? Queremos que os países muçulmanos se tornem com o tempo em democracias onde haverá liberdade de expressão? Ou queremos exibir a nossa "superioridade" armando-nos em dadores de lições reforçando assim a posição dos extremistas nesses países?

Fazem alguma ideia da situação em que colocaram quem nesses países trabalha arduamente e quantas vezes clandestinamente para mudar a situação?

Por detrás do princípio da liberdade de expressão deu-se guarida a arrogantes e munições a fundamentalistas.

Coabitamos neste mundo com culturas muito diferentes. Quer queiramos quer não temos de interagir com elas. Se as queremos mais livres e democráticas temos de incentivar os moderados nesse sentido e não minar décadas do seu trabalho. Coabitar é respeitar o outro na sua diferença e fazer-se respeitar num equilibrio que não é fácil, exige ... sim exige inteligência, paciência e tacto.

Infelizmente a minha experiência demonstra-me que países como a Dinamarca ou a Holanda nem sempre primam pela arte da diplomacia. Porque se acham superiores e por esse motivo olham com sobranceria a quem supostamente querem ajudar , dando lições como quem dá bofetadas. Recordo o caso do navio-hospital holandês que fundeia ao largo de países como o nosso para fazer IVGs. O objectivo declarado é o de promover a legalização da IVG nestes países. Mas será que é de facto esse o resultado? Só pensará assim quem for ingénuo ou tolo. Quem é a favor da IVG ( como eu) não precisa de ser convencido e quem não é fechar-se-á ainda mais nas suas convicções dado que se sentirá acossado e pressionado. Fraca táctica que acaba por só prejudicar quem se pretendia ajudar.

A liberdade de expressão não define por si só a liberdade e a democracia, mas é parte integrante e fundamental desta. Liberdade/democracia também implicam Estado de Direito, responsabilidade, responsabilização e respeito.
No último curso de cultura holandesa que realizei em Utrecht disse-nos um professor de História dos Paises-Baixos: "Durante anos acreditámos que se devia dizer tudo. Não deveria haver segredos nem limites entre o casal, entre amigos, nas relações profissionais.Deveríamos dizer o que nos passava pela cabeça. Hoje não penso assim. Há alturas em que não adianta nada, muito pelo contrário, só nos faz andar para trás."

domingo, fevereiro 05, 2006

Experimente passar por entre as gotas da chuva

Diz Miguel Esteves Cardoso no Expresso:
«Para os pobres como nós, a neve é uma coisa onde se vai ou que se vai ver. Ou seja, custa dinheiro; é um luxo. Doutro modo, neve só no telejornal, onde risonhos nababos em anoraques acolchoados dizem, sem falha, como se tivessem arriscado a vida, quais autênticos Diogos Cães, que «eles cortaram a estrada mas a gente veio à mesma; nem tínhamos correntes para os pneus nem nada!»

Miguel Esteves Cardoso, Maria Filomena Mónica e outros que tais quando falam parecem aqueles personagens das telenovelas brasileiras que olham para a criadagem com desprezo e dizem " Como você é pobri, dêtésto pobri" (os erros ortográficos são intecionais,lol). Imagino que quando andam na rua devem evitar com nojo que alguém lhes toque.

Detestam-se tanto que extrapolam o seu mal amar para o país. E nós que os aturemos.
Os portugeses (do litoral e do sul) espantam-se e divertem-se com a neve. Os suecos, ingleses, finlandeses, holandeses gastam rios de dinheiro para se pirarem para o sul,(muitos deles, mas não todos, claro, entricheirando-se em aldeamentos feios de morrer, onde se come salsicha, bebe cerveja e vomita a partir das 22h.). O que não temos é sempre objecto de desejo e espanto. É próprio da natureza humana.

Pobres como nós deve ser um conceito novo. Há os pobres como os sudaneses ou os moçambicanos. Há os pobres como os cambodjanos, há os pobres como os chineses e indianos, há os pobres como os egipcíos. Há os pobres como os portugueses, gregos, eslovenos. Há os pobres como os espanhóis, há os pobres como os franceses e os ingleses e há os pobres como os finlandeses. Isto de estar longe do país é no que dá, perdem-se logo conceitos preciosos.

Ah , já me esquecia : e há os pobres como Miguel Esteves Cardoso.

Inteligência :adaptar-se para sobreviver

A propósito de bioética e das opiniões do teólogo jesuíta Juan Masiá, lê-se no DN de hoje:

"Masiá defende uma ética de interrogações, dialogante e criativa, tendo na base o respeito pela dignidade humana. Não se pode cair numa moral situacionista nem ficar em princípios abstractos que não têm em atenção os dados das ciências, a cultura democrática, a autonomia responsável e as pessoas concretas. "É necessário falar sem medo. Os cristãos têm de ser tratados como adultos e não como crianças." A moral deve ser uma bússola que indica o norte, mas "quem tem de caminhar és tu, mesmo que por vezes no escuro". Há, por parte da Igreja, o risco de "intromissões inoportunas para ditar moralidade à sociedade civil". Nos debates éticos, a Igreja não deve ser nem privilegiada nem excluída. E, por amor à Igreja, é preciso às vezes dissentir dentro da Igreja - não dissentir "da" Igreja, mas "na" Igreja.Neste contexto, o preservativo "não devia sequer ser problema". Pode usar-se "não só como prevenção de um contágio, mas também como anticonceptivo corrente, para evitar uma gravidez não desejada e evitar o aborto". No caso de sida, é mesmo necessário."

In DN 05/02/2006, artigo de opinião de Anselmo Borges




O Tempo e o Espaço


Em Fevereiro de 2006 alguns jornalistas dinamarqueses fazem uma série de caricaturas com Maomé sobre terrorismo e fundamentalismo islâmicos. Revolta nas comunidades muçulmanas na Europa que assume uma violência incontrolável e manipulada em vários países muçulmanos (Síria, Líbano,Palestina,Paquistão...). Quem assim se manisfesta acusa o Ocidente de falta de respeito . Mal se ouvem aqui e ali umas vozinhas muito ténues que, nesses países, apelam à calma. No "Ocidente" as reações são muitas, pacíficas e variadas. Desde a firmeza perante o direito à liberdade de expressão do orgão de comunicação social (Dinamarca, Espanha,França...) a uma certa moderação que apela ao cuidado com as susceptibilidades dos outros. Tanto num caso como noutro temos o "Ocidente" e os outros leia-se o mundo islâmico. Esta visão bipolar e esta terminiologia são utilizadas dos dois lados.
Será que esta é de facto a verdadeira diferença? Será? Esta é uma questão que me coloco cada vez mais e faço-o com toda a sinceridade.
Assim sendo, como explicar a existência de muçulmanos laicos ( Salman Rushdie, Amin Malouff, Chahdortt Djavann)? A Turquia foi dos primeiros países a consagrar a laicidade na sua constituição. Em vários países muçulmanos há pessoas que lutam por mais direitos , mais liberdade e não consta que renunciem forçosamente à sua religião. Há quem defenda o direito ao ateísmo sem renunciar às suas origens. Eu própria nas oportunidades que tive de estudar em Universidades de países francófonos encontrei colegas oriundos sobretudo do Magreb. A grande maioria pertencia à elite . Viviam, rapazes e raparigas, como eu. Vestiam-se como eu, tinham namorados, saiam ,bebiam. Como é possível?
Se a diferença se deve à oposição que descrevi no início como é possível:
Que se tenha tentado impedir a venda do " Evangelho Segundo Jesus Cristo" em Portugal nos anos 90 (enfim, não me lembro bem se foi no fim dos anos 80 ou principio dos anos 90)?
Como foi possível a tentativa da Igreja de impedir a projecção da Ultima Tentação de Cristo ?
Ou ainda as reacções negativas da Igreja e seus defensores ao livro "O Código Da Vinci" de Dan Brown?
Ou as reacções à legalização do aborto? A uma caricatura do Papa João Paulo II com um preservativo no nariz? Que se façam romarias e procissões para que chova, para que se resolva a crise económica, etc... ? Que Bush invoque Deus cada vez que discursa, que refira as forças do mal para justificar as suas acções e, sobretudo, que seja plebiscitado pela maioria dos americanos?
A violência das reacções não é a mesma, bem sei. Mas de acordo com a lógica da civilização ocidental vs civilização islâmica as reacções que acabei de descrever não deveriam sequer existir.
Começo por isso a achar que estamos peranto dois "Tempos", duas fases diferentes muito embora concomitantes.
Se a assimilação da lei de Deus à lei dos homens fosse característica apenas da civilização muçulmana como explicar a persistência dessa visão do mundo nas nossas sociedades até há bem pouco tempo? Na Grécia até há poucos anos atrás a religião do indivíduo era indicada no BI.
Nos países europeus e ocidentais o caminho para a laicização do Estado e da vida pública não tem sido harmonioso , nem sequer o ritmo tem sido igual entre os nossos Estados.
Da ruralidade para o mundo urbano, da vida centrada na família e na pequena comunidade rural/étnica para o individualismo e participação comunitária , da vida regida cegamente pelas leis de um Deus-pai à responsabilização do cidadão pelos seus actos vai a distância e o tempo que percorremos ao nosso ritmo. O nosso ritmo não foi/é o dos franceses , dos suecos, o dos gregos não foi o nosso, etc... Nos Países-Baixos ainda hoje há comunidades protestantes ultraconservadoras onde as mulheres não votam e nada se pode fazer ao Domingo. Mas sempre houve em todos os países quem quisesse a mudança e se fosse mobilizando por ela.
Não sei qual será a proporção de muçulmanos, nos seus países ou fora deles que se identificam com valores laicos, com a liberdade de expressão, com a emancipação da mulher. Suponho que sejam ainda uma minoria. Mas existem. São eles e elas que dão a cara e que lutam diariamente pela mudança nos seus países , não somos nós no conforto das nossas casas. Penso que não podemos abandoná-los ainda mais ao seu destino.

Dogmas



O tema deste post vem a propósito da encíclica do Papa Bento XVI intitulada Deus Caritas Est e do artigo de opinião que li no DN de hoje a este respeito . Caridade, Eros (amor carnal) e Agape ( amor espiritual), purificação e disciplina. São estas as palavras que me saltaram à vista. Não vou comentar nem o teor do artigo do DN nem as intenções do Papa na sua encíclica. Escrevo aqui apenas a minha experiência e perspectiva destes conceitos que permeiam a visão cristã/católica do mundo.
Para tal, o melhor será começar pelo princípio ;-)
No princípio eu duvidei da existência de Deus e acabei por encontrar um compromisso confortável a que chamei : Dúvida. Mais tarde descobri que no meu relacionamento com os outros e sobretudo com o sexo oposto havia um escolho que não quisera ver até então : a mentalidade judaico-cristã e a sua visão da mulher (submissa, mãe, culpada...) e da relação entre a mulher e o homem ( mulher-mãe-pura vs. mulher-puta-impura). O peso desta visão daquilo que sou esteve e está no meu inconsciente dado que aí se instalou subrepticiamente desde o início da minha existência. Mas ao tomar consciência dela e de como alimentava alguns dos meus comportamentos mais insuspeitos senti o ténue início de uma libertação.
A fase seguinte começou com a minha relação com o Sr A. O Sr A. é francês de origem chinesa. O início da nossa relação marcou também o início da grande aventura que é a abertura para o mundo, para o outro e in fine para mim própria. O Sr A não tem a minha matriz cultural. A nossa convivência, o nosso confronto, evidenciaram o óbvio: o nosso mundo mais não é que uma perspectiva do mundo. A Verdade não existe, existem verdades. Parece uma Lapalissade mas sentir isto na primeira pessoa levou-me a encarar o mundo, os meus valores e os dos outros de uma forma totalmente nova e diferente.
A prova de fogo surgiu com o maremoto de há um ano atrás. Chocada com as imagens da desgraça alheia e imbuída de empatia e caridade fiz inúmeras doações às instituições internacionais que normalmente já financio. Sentia-me inútil e queria ajudar. Naturalmente isto nada tem de negativo. No entanto, não pude deixar de reparar que o Sr A apesar de chocado não tinha embarcado na mesma onda de generosidade. Confesso que estava incomodada com isso e um dia confrontei-o. Escusado será dizer que houve discussão. Eu agarrava-me com unhas e dentes à minha visão do mundo e de mim mesma: tenho de ser uma boa pessoa i.e dar dinheiro, fazer a minha boa acção. Vi-o como um ser degenerado, cruel e materialista a quem a desgaraça do próximo não interpela ( sobretudo quando o próximo vem da mesma região geográfica). A resposta do SrA desarmou-me: "Eu não tenho a tua mentalidade cristã, eu não preciso de apaziguar a minha consciência com dinheiro que não sei onde vai parar e que acredito não chegará onde queres. Mas se tu te sentes melhor assim, nada tenho contra que tu o faças. A minha família teve de fugir do Cambodja quando os Khmers vermelhos chegaram. Desde que a ONU para lá foi que nada melhorou, as coisas só começarão a melhorar no dia que os próprios cambodjanos assim o decidirem". E com isto me calou e me deixou sózinha num mar de incertezas.
Pode paracer ingenuidade mas nunca tinha questionado a utilidade das minhas doações para a "Médecins sans Frontières " ou para a Unicef. O mais ingénuo é que me considerava uma boa pessoa e isso dava-me uma tranquilidade e auto-satisfação não confessadas mas reais. Continuo a achar que face a catástrofes naturais toda a ajuda é pouca, mas apercebi-me do carácter pernicioso da minha suposta "bondade"/"caridade".
Lembrei-me então da atitude de alguns belgas em relação a mim e outros portugueses quando chegámos há 10 anos atrás. Viemos armados com diplomas, falávamos francês quase correctamente, vínhamos para exercer funções em postos bem remunerados. Ou seja, viemos como qualquer trabalhador qualificado sem complexos e sem subserviência. Alguns belgas reagiam e reagem mal. E porquê? Porque não sabiam/sabem lidar com portugueses que estão em pé de igualdade com eles, eventualmente até mais favorecidos materialmente. Enquanto fomos apenas objecto de caridade e subalternos, alguns belgas confortaram-se com a sua própria imagem: bons, caridosos e compreensivos a ajudarem o pobre português servil (o mesmo acontecendo com os espanhóis, gregos e italianos e prevejo ja com polacos, checos etc...). A mesma atitude prevalece em certas reacções aos chineses e sua fulgurante ascensão. Enquanto adoptámos os seus filhos e os vimos como pobres desgraçados que tentávamos ajudar houve um equilíbrio. Agora que começam a andar pelo seu próprio pé e jogar "dans la cour des grands" são olhados com desconfiança e por vezes até maledicência (que dizer da amnésia de alguns face às multinacionais ocidentais que despedem os nossos e exploram os deles?). A caridade conforta-nos numa posição de superioridade não assumida mas real. A melhor ajuda é "ensinar a pescar" e não fornecer o peixe já pronto num acto de auto-satisfação mal disfarçada. Ter respeito é considerar o outro tão capaz como nós e tão responsável como nós. Afinal, o Sr A estava a dizer-me que a Tailândia , a India ou a Indonésia não eram países que precisassem assim tanto de ajuda, saberiam obviar às suas necessidades. E se precisassem saberiam pedi-la. O que acharia eu se a Tailândia ou a India nos tivessem enviado milhões de dólares durante a estação dos incêndios ou por ocasião de um grande terramoto? É verdade que tal ajuda nem nos passa pela cabeça. Não precisamos, eventualmente uma ajudinha dos nossos parceiros comunitários chegará e pronto.

Quanto ao Eros versus Agape. Porquê versus. Porquê purificar? É a velha concepção do corpo como sujo e vil por oposição ao espiritual como ideal que ansiamos alcançar. Porque não conhecer o outro pelo corpo. O corpo é uma forma de contacto e de comunicação como outra. E porque não experimentar o conhecimento meramente físico. Será tão legítimo como o simplesmente espiritual ou o misto. Purificar, disciplinar são palavras que neste contexto me dão arrepios na espinha. E porque não deixar que cada um faça o seu caminho e comunique como entenda. Porque será mais pura a manipulação espiritual do que o franco contacto físico?Como disse no início, não comentei o conteúdo dos dois textos mencionados. Os conceitos que comentei persistem o que me leva a crer que tudo muda para que tudo fique na mesma. São as escolhas de cada um, eu tento ver os dogmas na minha vida. Depois faço as escolhas que me são convenientes, sadiamente convenientes para o caminho que vou percorrendo.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Teresa e Lena II

No " Causa Nossa" há dois posts muito interessantes. O primeiro,bastante esclarecedor é do Vital Moreira sobre a inconstitucionalidade do código civil no que toca ao casamento civil para casais do mesmo sexo. : http://causa-nossa.blogspot.com/2006/02/homossexualidade-e-casamento.html

O segundo é um post da Ana Gomes que apresenta e , na minha opinião muito bem, a pertinência do debate político que o governo deveria ousar afrontar. Ainda bem que a JS e o BE encarnam uma vontade de mudar mentalidades e de respeitar os direitos humanos. Porque afinal o direito à não discriminação é isso mesmo.

Aqui fica o link do post de Ana Gomes: http://causa-nossa.blogspot.com/2006/02/avestruzes.html

Teresa e Lena

Para quem não saiba: Teresa e Lena são duas cidadãs portuguesas que desejam casar. São homossexuais e por esse motivo já foram objecto de várias discriminações. Não as deixarem casar pelo civil é mais uma. O advogado Luís Grave Rodrigues ofereceu gratuitamente os seus serviços para tentar casá-las, baseando-se no artigo 13º da nossa Constituição que proíbe a discriminação com base na orientação sexual. Poderá ser pela inconstitucionalidade do artigo 1577º do Código Civil. Será razão legítima que chegue. A mim basta-me o direito à felicidade destas duas mulheres.

O facto de tomarem o seu destino em mãos e de não ficarem à espera duma decisão política no ano de 2000 e troca o passo reverte a seu favor. O destino também somos nós que o fazemos. A História ensina-nos que emancipação, liberdade, autonomia, independência e não-discriminação raramente são oferecidas de bandeja.

Ainda está aberta uma petição da ILGA Portugal, na internet, a favor do casamento civil entre casais homossexuais ( de homens ou mulheres). Para quem a quiser subscrever aqui fica o link:
http://www.ilga-portugal.pt/