sábado, setembro 29, 2007

Bom fim-de-semana!


"-Prima?...
-Não somos primas?!Acho que aqui somos todos primos. Eu sou a Merengue, filha do general N'Gola...
Foi a Merengue quem me levou até dona Anacleta. A velha senhora olhou-me um momento , intrigada:
-Desculpa, menina, não me estou a lembrar de ti. Tu és filha da?...
Enchi-me de coragem:
-Sou filha do falecido-respondi. -Sou filha do seu marido.
Pensei que fosse zangar-se comigo. Receei que me expulssasse do cemitério aos gritos. Aconteceu o contrário. Abraçou-me com sincera ternura, quase alegre:
-Tu és ainda muito nova. Tens o quê, trinta anos? Só podes ser a caçula, a Laurentina. Fico feliz que tenhas vindo, filha. Bem-vinda à tua família".



Deixo-vos esta guloseima...

sexta-feira, setembro 28, 2007

A minha rica memória de elefante...

Há dois postes indiquei que ia em trabalho à Madeira. Pois é, fui e já voltei. A Madeira é linda, Lisboa estava magnífica. Comi bem, dormi bem, trabalhei que me fartei. Correu tudo bem portanto.
Pelo caminho a servir de intermediário: O aeroporto da Portela.
Agora atentem nisto. Vim de Bruxelas até Lisboa. Em Lisboa mudei de avião para seguir para o Funchal. Para mudar de avião tive, eu e outros passageiros, de mudar de terminal. Uma navette regular leva-nos ao Treminal 2. O terminal 2 fica perto da Torre de controlo, aquela mesmo que se avista da estrada. É literalmente um barracão, com saídas de ar condicionado feroz. Adiante.
Chegada a hora do embarque entrámos noutro autocarro que nos levou ao avião. Avião esse que estava nítidamente mais próximo do primeiro terminal. O principal, aquele a que tinha chegado vinda de Bruxelas. Isto parece de gente doida!
Percebi sem dificuldade que esta foi a solução encontrada para escoar passageiros do Terminal 1 que rebenta pelas costuras.
E agora me lembro do chorrilho de disparates regados a doses de egoísmo, falta de sentido de Estado e de civismo que tenho ouvido da boquinha de muito político que defende Portela + 1 , Alcochete (quero ver os acessos de mais de metade do país a norte do Tejo, quero ver...) e o diabo a sete. A demagogia barata no seu melhor. Se o novo aeroporto fosse inaugurado hoje já vinha tarde. Assim, só daqui a uns 8-9 anos ou mais.
Mas eu, que vim bem disposta, com o ar lisboeta a amansar-me e o carinho dos pais, só digo isto: tenho memória de elefante. E mais não digo.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Saudades do Presente

Levantou-se pouco depois de tocar o despertador. Sem difilcudade. Estava acordada há alguns minutos. Olhava à sua volta, apreciava o fofo da cama. Espreguiçou-se e deixou-se estar até que o despertador tocásse. Levantou-se agilmente, sem a inércia que sentia habitualmente em dias de trabalho. Era Domingo. Estava num hotel de Lisboa. Dirigiu-se à janela que cobria a metade superior da parede à sua esquerda. Abriu os cortinados lentamente.


O céu estava azul leve, lavado. Límpido. O ar adivinhava-o fresco tépido a anunciar o fim do Verão. Encostou a cabeça ao vidro, vislumbrou o Marquês à esquerda ao fundo e sem dificuldade o Parque Eduardo VII. Na estrada só passavam táxis. Era Domingo.


Alçou o ascultador, discou o número do quarto que já conhecia e esperou alguns segundos. "Sim filhota", "Dormiram bem", "Muito bem". Combinaram descer dali a pouco para o pequeno-almoço. Sentia-lhes a alegria dos momentos que passavam juntos. Sentia-os bem, ocupara-se de tudo e agora sentia-os bem. Ela também.


Desceram juntos. Riram-se de alguns episódios da véspera. O pai contente a rir, a contar as memórias da sua juventude naquelas mesmas ruas de Lisboa, a mãe a provocá-lo sem malícia. Todos bem. Sentiu uma nota. Foi nessa altura que lhe disse em surdina: "Tens que começar a habituar-te,o teu pai já não tem 50 anos...". E riram mais. A frase ficou-lhe em pano de fundo. Sentiu a nota. Era bela e tinha um não sei de quê de alegre tristeza. Ou de triste alegria. Ou apenas de ...não sei o quê.
Olhava-os agora sentados à mesa, comiam calmamente, gulosos. Bem dispostos. Era tudo duma incrível banalidade. Ali estava sem pretensões e sem se fazer anunciar: a sensação de bem-estar.Deixara-os tratar do resto. Sabia que ali ainda era a filha. Eles assumiam a direcção por momentos embora a deixassem tratar daquelas coisas que eles menos conheciam, reservas na internet, restaurantes novos, ruas e esquinas a que já não iam há tanto tempo... E olhava-os entre golos do café com leite. Ouviu a nota. Aquela mesma nota.
Desceram a Avenida da Liberdade àquela hora matutina. Ela partia dali a pouco. Aquele era um momento solene de despedida disfarçada de passeio matinal. Encheu os pulmões. Encheu os olhos. Encheu os ouvidos, tentou imprimir a memória. Tocava-lhes com frequência. Estavam ali e estavam bem. Estavam sempre bem. E sentiu o prazer do momento que vivia. Soube que um dia se iria lembrar deste momento simples . Dos sorrisos, do olhar molhado e doce que a idade amainou. Das conversas vivas e inteligentes. Da genica ainda. Da destreza ainda. A forma como se aninhavam nos seus abraços, sempre a qualquer pretexto. E soube sentir o travo doce deste momento com o amargo daquele futuro em que tudo isto seria uma memória. Abraçou-os com muito carinho, outravez e outravez e custou-lhe mais a despedida.


quarta-feira, setembro 19, 2007

Por estes dias leiam o blog com sotaque da Madairaaa!


Quis a sorte, o acaso ou a singela justiça divina que lá fosse parar nos próximos dias...à Madeira. Vou a trabalho mas qualquer minutinho que dê para absorver Sol será dedicado com ardor a essa tarefa. Com o mesmo afinco tentarei evitar o "Albarto Jeão", que isto no mundo do yin e do yang nem tudo pode ser perfeito. Fiquem bem.

domingo, setembro 16, 2007

Mulher aranha reconhece Super Mulher II


Telma Monteiro ganhou a medalha de prata no Mundial de Judo na categoria de menos de 52kg. Já este ano em Belgrado tinha ganho a medalha de ouro no Campeonato da Europa. Mais uma vez, uau parabéns!

sábado, setembro 15, 2007

Mulher Aranha reconhece Super Mulher ;-)




Vanessa Fernandes, pela terceira vez consecutiva campeã do mundo de triatlo. Desta feita em Pequim. Uau, parabéns!

Bom fim-de-semana!










Sábado amanheceu com Sol! Lembrou-me o último Verão.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Caro Pimsleur

* Ou carta duma groupie de Línguas

Caro Pimsleur,


Gostaria de imaginar que esta carta é original, mas receio que não seja o caso. Será que me vai sequer ler? Não creio que as cartas de fãs sejam alguma vez lidas pelos seus reais destinatários por isso prefiro dizer-lhe desde já que ainda não sou sua fã. Aliás provavelmente nunca serei. Nunca fui muito atreita a sofrer de admirações sem limites.
A verdade é que nunca o procurei. Foi o senhor que veio até mim . Talvez estivesse destinado, talvez fosse inevitável.
O melhor será explicar-lhe quem sou e onde me encontro. Sou a mulher aranha e a verdade é que o que dizem sobre mim nada se assemelha à realidade. Na realidade, levanto-me todos os dias para ir trabalhar, tenho angústias e alegrias, emoções como todos nós. Vou ao supermercado, vejo televisão, saio com amigos e às vezes sou irascível. Em tudo normal portanto, poupo-lhe outros detalhes, excepto um: uma das minhas paixões : Línguas, idiomas entenda-se.
Encontro-me à beira da imensidão que imagino terá conhecido. Aquela imensidão que tem fim mas que não vislumbramos quando estamos apenas na sua orla olhando para o horizonte . A imensidão disforme que é ...uma nova língua. Esta nova língua é o Mandarim. Neste oceano asiático em que tenho molhado o pé com a amável ajuda dos meus professores, acontece-me apanhar aqui e ali um peixe, mas fica-me a sensação de que mais não é do que isso:um peixe no oceano.
Não pense que isso me retira algum alento. Sou de constituição robusta, de determinação resistente. Com sinceridade lhe confesso que é nesta dificuldade que reside parte da minha motivação.
Gostaria de dizer-lhe que não sei se o seu método funcionará. É possível. O mais importante, Senhor Pimsleur, é que ontem devorei 3 das suas aulas duma só penada. O resultado estava à vista. Apesar do cansaço, apesar da noite ir avançada. De neurónios exaustos dormi o sono dos justos. Esta manhã o cérebro fresco recordou-me o que ouvi ontem, sem falhas, sem dificuldade.
Recuperei o prazer e voltei a acreditar. O prazer, a curiosidade a única coisa que me servirá de motor para esta travessia. Porque por vezes o que interessa é o caminho e não o destino.
Porque "Wo bu hui shuo Putonghua", para já, mas um dia quem sabe?
Xiexie,
MA.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Deixem-me que vos diga...

"Férias". É palavra que soa bem. Assim como "Viajar". Como devem ser as férias ideais? A resposta é quase tão variada quantas as pessoas a quem se coloca. Não há uma só resposta. Nunca haverá. As férias ideais são aquelas de que necessitamos e que nos correspondem.
Uns argumentam que gostam de ir para cidades, outros para o campo , outros ainda para a praia. Há quem prefira hotéis, turismo de habitação, ou campismo. Há quem só goste de ir para casa de amigos ou familiares.
Há os que caminham sem destino, os que fazem mil e uma actividades, os que se deitam de papo para o ar, há os que contemplam.
Por vezes os nossos gostos variam consoante o estado de espírito, o destino e claro...a bolsa. As férias são sobretudo o momento em que me apetece pensar em mim, está bem concedo, também na minha cara metade, e em que não me apetece muitas mais concessões. Já bem basta o dia a dia com horários e outras obrigações em que eu sou mais ou menos secundária. Mas até isto varia. Numas férias curtas e próximas cederei opções de que não abrirei mão num destino mais distante, raro e objecto de maior desejo.
O turismo de habitação costuma ter a minha preferência quando viajo de carro pelo interior de Portugal, da França ou da Itália. Já para não falar na "casa dos papás" em Portugal.
Com frequência anseio também pelo acolhimento anónimo, distante e profissional dum hotel sofisticado. Por vezes não ter atenção, não ter que meter conversa, não ter que coisa nenhuma...é uma benção. Tudo depende das circunstâncias.
Mas se há coisa que já aprendi foi o seguinte:
1-não acredito em viajens de grupo, sobretudo grupos de amigos. Já lá vai o tempo, o tempo em que era estudante. Hoje em dia o grupo ideal são dois, no máximo 4 e , e... já é muito. Mais do que isso só um encontro esporádico num local específico para uma festança.
Senão 1 também é um número que me agrada.Viajar só comigo foi um dos prazeres que aprendi a apreciar com o tempo.
2-E aprendi também que a conversa dos hotéis baratinhos a atirar para o pulguento, dos quartos alugados por tuta e meia em países em desenvolvimento, onde qualquer um de nós passa por milionário, com a desculpa de que se quer estar em contacto com a população real e ajudá-los a sobreviver "é conversa para boi dormir"(adoro esta expressão brasileira) que só serve para lançar farpas de média burguesia num suposto pedestal da moralidade. Só peço sinceridade: quem paga menos é porque não pode ou não gosta, porque não confessar? O dinheiro que não se gasta fica nas nossas contas ocidentais e em nada ajuda os tais coitadinhos que regra geral só servem para aparecer em fotografias com as quais mais tarde poderemos disfazer-nos em comentários do estilo: que lindos sorrisos, que lindos olhos, que côres. Mas isto, não tendo qualquer mal, também não lhes enche a barriga.
Bom, nem queiram saber a que propósito veio isto tudo...

Almoço pouco habitual numa cantina

Estavam três amigas falando, sendo que duas do mesmo lado e a terceira frente a uma delas. As férias duma, o casamento e lua de mel da outra, vacinas, trabalho, reuniões e coisa e tal. Sem que tivessem consciência disso uma delas calou-se. Na era habitual, era sempre ao desafio, comentário puxa piada que puxa comentário e assim por diante. Calou-se e as outras duas não repararam logo, ou sim. Olhavam-na insistentemente como que a dar-lhe a deixa para que voltásse a entrar na roda.
"...acho que me rebentaram as águas", disse finalmente a meia voz, num misto de alívio, medo e incredulidade. Pausa na conversa. As outras duas entreolharam-se. Fizeram aquele olhar que fazem as pessoas que nunca tiveram filhos e que é o que eu faço: olhar de espanto e de ignorância.
Vamos ter de manter a calma, pensou uma delas e perguntou: " Estás com dores?". Essencialmente esta era a sua preocupação : "que não sofra, por favor, que não sofra". A resposta veio rápida e segura "Não". Muito bem. Para quem nunca tinha tido filhos, como ela, o sofrimento do parto é uma coisa meio mítica e aterrorizadora. Desconfiava que só 9 meses de gravidez podem levar ao desejo de que tudo aquilo termine para que finalmente tudo possa começar.
O que fazer? A melhor coisa é por-me no lugar dela, onde nunca estive, pensava e fazer o melhor que posso. "Não te vou deixar sózinha, estou com o carro, levo-te a casa e depois ao hospital."

Manter o sangue frio, repetia-se mentalemente a grávida, enquanto lhe tremiam as mãos e avisava o companheiro do que sucedia. "Não, que não tinha a certeza, mas aquilo não parecia xixi e não parava de sair". No seu olhar predominava agora o nervosismo e o desconforto. "Isto é estranho, tenho vontade de me lavar e mudar de roupa".
Passagem por casa a conselho do hospital, afinal é o primeiro filho e do rebentar das águas ao nascimento... E lá foram elas, uma leve e nervosa, a outra pesada e nervosa. "Vai tudo correr bem, vais ver" dizia o que lhe passava pela cabeça a contento das duas. Mas o que é que se diz nestas situações, pensava, enquanto se esforçava por aparentar a maior calma deste mundo.
Assim foi até à chegada do companheiro que dali seguiu para o hospital levando consigo o segredo das próximas horas.
"Agora mesmo, a desgraçada deve estar a sofrer murmurava e continuava a trabalhar. Será que já nasceu? Nada. Durante algumas horas nada. E ninguém ousa interferir, não naqueles momentos, não são para curiosidades que só empatam. Por isso restava esperar. Em poucos minutos criara-se uma rede de comunicações por sms entre amigos e conhecidos. Mas de notícias, nada.
Ao fim da noite, chegou o sms com a notícia: nasceu às 21h45. Estão ambos bem e com fome, ficarão no hospital até ao fim de semana. Uff que alívio, pensou e sorriu nervosa de felicidade. Que estranho, este ser veio ao mundo e eu estava lá quando tudo começou. Nunca esquecerei.
E foi dormir descansada.
Do outro lado da cidade, ela olhava aquele ser que já tinha nome. Não conseguia dormir e nunca mais nada voltaria a ser como dantes. Estava exausta e olhava.

terça-feira, setembro 11, 2007

Little/Big New York


Nunca aqui escrevi sobre a nossa viagem a Nova Iorque. De N.Y tinha tantas expectativas e foi tudo tão intenso que terei de esperar pelo momento certo. Há coisas, pessoas, locais, experiências que precisam de distância para que possa falar sobre elas de uma forma mais elaborada do que um simples: foi muito bom, bom ou assim/assim (já para não falar na perspectiva do "muito mau").
Bastará dizer que numa noite em que estafados aguardavamos no hotel a hora de jantar para sair, vimos num canal nova-iorquino um entrevista à autora de Little Stalker, Jennifer Belle. O livro era descrito como contendo a essência do novaiorquino moderno.
Nos dias que se seguiram passei a pente fino as livrarias por onde passamos até encontrá-lo.
Decidi começar a lê-lo hoje. Precisamente hoje. Em memória da Nova Iorque que descobrimos. Vejamos que surpresas me guardou.

Estes gauleses devem estar ...?!


Eu nunca vi um jogo de râguebi. Ou melhor, eu nunca tinha visto um jogo de râguebi até agora. Nunca me suscitou interesse algum, népias, nadinha, apesar das loas tecidas por dois bons amigos, um deles até português.
Quando soube que Portugal se tinha qualificado para o "mundial" de râguebi, despertou em mim uma inquietação: que não houvesse mortes ou feridos graves nas nossas fileiras. É que "Os Lobos" (assim se denominam) iam defrontar a Escócia e...a Nova-Zelândia. A Nova-Zelândia juntamente com a África do Sul constituem uma coisa à parte. Não jogam na mesma "liga" que as outras equipas, vêm doutro planeta...muito à frente.
Se é verdade que esta modalidade nunca me interessou (nem continua a interessar) dos All Blacks da Nova-Zelândia eu já tinha ouvido falar. Eles são a equipa que faz o Haka, ou seja, a única coisa verdadeiramente interessante e mesmo impressionante e bela num jogo destes...para mim.
Decidi então assistir a um jogo ou dois para me informar. Comecei pelo primeiro, o França - Argentina. Não fiquei a saber muito mais do que já sabia, quando é falta e quando não é, por exemplo. Mas, os comentadores da TF1 mereceram aqueles 80 minutos. Assim se faz na TF1: descreve-se a sua equipa como sendo um portento e a adversária como um despojo que se arrasta. Não se pode falar de realismo, de objectividade muito menos, espero que isso seja intecional e consciente...só pode ser. Os argentinos estavam "esgotados" e "agonizantes" e mal podiam correr. Estas eram as palavras. E qual foi o resultado do jogo? Ganharam os argentinos do principio ao fim. Juro-vos, hilariante. Felizmente vi o jogo com um gaulês dono dum excelente sentido de "dérision".
Quanto ao jogo dos nossos "Lobos" ou "Los Lobos" como diziam os ingleses, nunca cheguei a vê-lo, i.e. não consegui vê-lo em parte alguma. Já no telejornal da mesma TF1 a Claire Chazal conseguiu dizer sem pestanejar que a equipa portuguesa, todo ela amadora, tinha perdido mas que os lituanos tinham ido ao jogo com realismo e espírito de festa . Repararam no mesmo que eu? Em momento algum houve um sobressalto de vergonha ou uma tentativa de correcção. O mesmo gaulês que assistiu ao jogo comigo desculpou-se envergonhado dizendo que ela confundiu "lusitanien" com "lithuanien". Ah, então se é assim, está bem...not! Acabamos a rir à gargalhada.
Os franceses passam-se com a ignorância dos americanos e soberba dos ingleses. Bem diz o roto ao nú...
O que vale aos franceses é coexistirem no mesmo país "citoyens" que têm um sentido agudo e hilariante de auto-crítica.

domingo, setembro 09, 2007

O prazer de ser Setembro...

... traduz-se invariavelmente na regularidade pontual com que esta Senhora nos brinda com um livro por ano. A infiel sou eu que nem sempre a acompanho no seu ritmo literário. Mas verdade seja dita, ainda nunca me desiludiu. E ainda por cima hoje é Domingo, tenho todo o tempo do mundo para me dedicar a :

Para mais informações sobre Amélie Nothomb clicar aqui.

sábado, setembro 08, 2007

À espera

É assim que posso definir os meus últimos 2 dias. À espera que me passe a dor de estômago e respectivas náuseas que uma qualquer sandes arrevesada comprada no meu local de trabalho me deixou de recordação. Depois de tudo isto ter passado, penso que tão cedo não volto a tocar em papas de aveia e canja que têm sido o meu menú nestes dias. São a única coisinha que vai passando. Arre! E eu que até adoro papas de aveia, enfim...
A verdade é que todo este tempo disponível, por entre náuseas e sonecas intermináveis, me proporcionou uma revista de imprensa mais assídua que o habitual.
E a questão é: como escapar às notícias sobre o caso Maddie McCann, que de informação pouco têm? Mais parecem o depositário do sensacionalismo, preconceito e sede pela desgraça que cada vez mais caracteriza os media.
Esta sede da desgraça, lia eu há pouco tempo num livro, vem-nos da nossa necessidade de sobrevivência. Estamos sempre atentos à desgraça e na sua expectativa. E se não existe inventa-se. Se não estou em erro o exemplo dado no livro era o do peixe que não pode ignorar a sombra do predador. Se perder por segundos a beleza das cores doutro peixe inócuo que passa, outro peixe igualmente inócuo voltará a passar, sem que isso ponha em perigo a sua vida. Mas, se ignorar por segundos a sombra ameaçadora do predador que se aproxima, estes segundos poderão custar-lhe a vida. Estamos por isso programados para dedicar muito mais atenção ao perigo ou à desgraça.
Posto isto, porque não dedicar igual atenção a tantas outras injustiças que percorrem este mundo? E já agora sem uma especulação doentia? Porque isso não vende. Ah, pois é, no tempo em que eramos " peixes" ainda não havia o dinheiro.
Somos tão bons a aproveitar os nossos instintos mais primitivos para fins lucrativos e a esquecer a razão de que tanto nos gabamos . Que dotaditos somos.
P.S. (acrescento de Domingo 09/09/2007):Ler aqui excelente post do blog "controversa maresia" sobre este caso (McCann).

quarta-feira, setembro 05, 2007

Não esquecer

Como é belo, inspirador, motivante, quase espiritual ver uma pessoa viver a sua vocação com cada poro, com cada célula do seu corpo.

Para os momentos em que quase nos esquecemos da nossa vocação, daquilo que nos faz mesmo vibrar...aqui fica, minhas senhoras e meus senhores, the one and only: Tina Turner -Proud Mary 1982.

terça-feira, setembro 04, 2007

E entretanto...

...a Bélgica continua sem governo. Já lá vão 87 dias, se não me falham os cálculos. A Bélgica parece ter atingido aquele estádio de evolução a que os italianos chegaram há já algumas décadas: a auto-gestão. Com ou sem governo o país vai-se auto-governando. Por enquanto...

segunda-feira, setembro 03, 2007

Depois da tempestade a bonança


Há períodos da minha vida que são estranhos. Não identifico de imediato a origem do desassossego, mas mais cedo ou mais tarde vou abrindo os olhos.


Regra geral nada está mal. Sou eu. Eu é que já não estou no sítio certo. Eu é que cresci e já não entro na roupa. Estou pronta para outra, prestes a dar o salto. Não sou dada a muito queixume. Um bocadinho sim, para aliviar o fígado. Mas não gosto de me ouvir lamuriar muito tempo sobre o mesmo. Quem está mal muda-se, diz o ditado.


Sinto-me a atravessar uma nuvem. É o prenúncio da bonança.


A tempestade está para vir, mas eu sei que depois virá a bonança. É inevitável. Sou assim.


Wish me luck.