terça-feira, novembro 30, 2010

Somos todos irlandeses e portugueses e gregos e espanhóis e belgas e franceses e etc

Chegou agora a vez da Itália, Bélgica e França afirmarem para quem quiser ouvir que não são a Grécia, Irlanda, Portugal ou Espanha. Depois de cada um de nós ter afirmado piamente que nada tinha a ver com o parceiro que caía, temos mais uma vaga de "a nossa situação não tem nada a ver com a deles". Devíamos passar a chamar o euro assim. Só que assim não seria moeda única seria, moeda-em-que-ninguém-tem-nada-a-ver-com-ninguém e uma moeda assim pura e simplesmente "não seria". Esta é a mensagem que está a passar. Logo não nos espantemos que a "fé" dos especuladores no euro se esteja a esboroar.
Ora o problema é que apesar das diferenças reais, estamos todos no mesmo barco, logo Nós somos a Grécia e somos a Irlanda e somos a Espanha, e assim por diante. Quando é que os membros da zona euro vão acordar e perante a reacção dos mercados, vão gritar: I am Irish e sou Português et je suis aussi Français y tambien soy Español , etc...
Vou ali buscar uma cadeirinha, isto é capaz de ainda durar um bocado. Parece que ainda não batemos bem no fundo...

Mood

segunda-feira, novembro 29, 2010

Perdoem-me a presunção...

...mas ainda não foi desta que as revelações da wikileaks me surpreenderam verdadeiramente.
Chamar Batman e Robin ao Putin e Medvedev até me parece simpático.
A Hilary mandou espiar este mundo e o outro, big deal, parto sempre do princípio que se andam todos a espiar.
A Arábia Saudita pediu que se decapitasse a serpente que é o Irão por causa do perigo nuclear? Só prova que alguma lucidez lhe resta.
A China esteve na origem do ciberataque ao google? Quem é que ainda não sabia??!! Deve estar na origem desse ataque e de outros e não está sózinha.
Enfim, tédio...

sexta-feira, novembro 26, 2010

Completar unindo os pontinhos...

Anteontem o Le Monde publicou um artigo sobre Portugal, país que descrevia como estando em recessão, com problemas de gestão orçamental semelhantes aos da Grécia, com dificuldades económicas por causa do sector têxtil que pena em fazer face à concorrência da China (eu juro que isto estava lá escrito, a 24/11/2010).
Ontem o Banco Central Alemão comentou a situação portuguesa, alegando estar em sérias dificuldades essencialmente porque os erros de gestão orçamental foram semelhantes aos gregos, embora seja diferente da Irlanda, os bancos estão melhores, etc...
Hoje o Financial Times alemão refere a probabilidade crescente de Portugal recorrer ao Fundo Europeu+FMI e que está a ser pressionado nesse sentido.
Que importa o nosso défice de 2,6% em 2008 quando o alemão ainda era superior a 3% e os gregos mentiam com os dentes todos para que ninguém desse com os défices astronómicos?
Que importa o nosso sector têxtil já ter levado com a rabecada chinesa há mais de 10 anos e já nem ter um peso tão importante na nossa economia, economia essa que por sinal vai crescer mais este ano do que estava previsto inicialmente (dados da OCDE) e cujas exportações têm vindo a crescer trimestre após trimestre?
Que importam as duras medidas já tomadas e previstas no OE para 2011, no sentido daquilo que nos exigiam?
Nada, tudo isto importa pouco. E não acredito sequer que esta seja estritamente a vontade dos mercados. Os mercados seguem a onda do momento, aproveitam as vagas que nós próprios ajudamos a criar. Mas aqui na Europa não há idiotas. Há uma direita ultraliberal que identificou uma oportunidade para impor as suas regras sem esses empecilhos votados pelos respectivos povos, chamados governos que provavelmente não farão tudo o que quer nem tão rapidamente.
Há governos e líderes políticos com falta de estatura, que hipotecam o futuro da construção europeia e dos respectivos estados-membros, uns por interesses políticos nacionais outros porque ideologicamente não lhes interessa uma europa cada vez mais integrada.
Quando são as próximas eleições legislativas na Alemanha? E em França?
Quem dirige a Comissão?

terça-feira, novembro 23, 2010

Ok, this is weird...

Aqui perante a blogoesfera me confesso culpada de uma curiosidade mórbida e de um certo narcisismo que me levam a consultar regularmente o número de visitas ao blogue e a origem das mesmas. São poucas o que nada tem de grave. O que me fascina é saber que regularmente me visitam do Brasil, Rússia, costa ocidental do Canadá e Àfrica austral. Quem será, quem será? A curiosidade mordisca-me os calcanhares, mas vai dando para sobreviver.Bom, para além disso há visitas de Portugal e Bélgica, as mais lógicas. Porém, hoje aparece uma bolinha no Atlântico ao largo de África...será Cabo Verde? São Tomé e Príncipe? Um veleiro ? Um barco de piratas...? My imagination is running wild...

Get a grip and fiscally unite!

"Europe must compromise to solve its debt crisis " por Gavyn Davies, no FT

" So why have the financial markets taken such a pessimistic view of the default risk in these countries? I think we all know the answers. Within a monetary union, the fiscal tightening cannot be cushioned by a currency devaluation, and it may therefore become so painful for the economy that it becomes politically untenable. And, also within a monetary union, the resolution of a banking crisis cannot be helped by the actions of an independent central bank, so rescuing the banks can become an impossible burden for a small economy to bear. (This is especially the case if the banking sector is large relative to rest of the economy, and if the full scale of its losses remain somewhat obscure.) Consequently, the chances of troubled economies being able to stay the course during a fiscal retrenchment are less than would be the case for a country which can pursue an independent monetary and exchange rate policy - the UK, for example.

There is little point in the EU seeking to deny all this, since it is by now apparent to everyone in the markets. If politicians want to preserve the monetary union (and it appears that everyone still does), they will need to come to an agreement under which there is some further fiscal co-operation between member states while the budgetary tightening takes effect in the periphery. And in exchange for this there will have to be much tougher long term budgetary and regulatory arrangements, so that the financial free riding which occurred in the boom years (and which actually affected private debt, rather than public debt) can never again take place. "

Vale a pena ler

O mundo está muito mais exigente, editorial do DN de hoje.

Gerir o stress...

...qualquer stress, inclusive o stress criado pelas notícias que lemos diariamente nos jornais sobre a zona Euro, os Piigs, etc...

Gerir respirando, como nos ensinam aqui:
Basta clicar em "Guide respiartoire audiovisuel" ou "Guide respiratoire auditif". Repetir três vezes ao dia.

terça-feira, novembro 09, 2010

Este é o post que mais me custou escrever

Podemos pedir ajuda a todos menos à UE ? A China propõe comprar dívida, surge como um contributo para a solução. Fala-se do FMI a cada hora que passa e as taxas de juro ameaçam ultrapassar os 7%. Pensa-se em tudo menos na UE. Esta é que é a verdade.
A UE e sobretudo a Alemanha e os governantes da direita conservadora, acrescente-se, só são referidos pelas declarações na imprensa que ainda agravam mais a nossa situação. O que querem afinal? Que venha o FMI, que mudem os governos, que aumente a pobreza e o desemprego? Mas onde está a UE nisto tudo? !
E porque motivo Portugal e outros países na mesma situação não se juntam e coordenam posições?

Uma dose de Fado Positivo

Retirado do blogue "Fado Positivo" de Miguel Carvalho:


"Exportações crescem acima das importações pelo 17º mês consecutivo, e outras notícias do INE
INE: No terceiro trimestre de 2010, as saídas de bens registaram um aumento de 14,6% e as entradas de 4,0%, faceao período homólogo do ano anterior. A taxa de cobertura (...) [melhorou] 6,2p.p. face à taxa registada no período homólogo do ano anterior.
Menos 645,7 milhões de euros de défice na balança comercial, ou seja uma redução de 13% no défice.
A diferença ainda é maior quando pensamos só no comércio com a Zona Euro, exportações sobem 15,1% e as importações descem 2,5%. A taxa de cobertura melhora assim 10pp!

INE: O mercado externo aumento em 21,1% as encomendas à indústria portuguesa em Setembro face ao mês homólogo (já em Agosto os números eram semelhantes). Isto ditou um acelaramento nas encomendas industriais para 6,5%.

INE: Na Hotelaria, só boas notícias.

No mês de Setembro de 2010 os estabelecimentos hoteleiros registaram 4,3 milhões de dormidas, das quais 32,7% relativas a residentes (1,4 milhões) e 67,3% a não residentes (2,9 milhões). Relativamente ao mês de Setembro de 2009, cada um destes valores de dormidas representa um acréscimo de 7,8%.
Os proveitos totais atingiram 208,2 milhões de euros e os de aposento 145,2 milhões, movimento que se traduz em crescimentos homólogos de 6,6% e 7,8%, respectivamente. "

segunda-feira, novembro 08, 2010

Vale muito a pena ler


"Documenta Sínica" por Paulo Pinto no Jugular.

Destaco o seguinte , mas vale a pena ler todo:

"Desenganem-se todos, meus caros: a China tem uma história de 4 milénios, na qual comunismo ou capitalismo são meros acidentes de percurso, episódios momentâneos, e não é a primeira vez que domina a economia mundial; nós é que, durante muito tempo e sempre preocupadíssimos com o nosso umbigo, achámos que não, que quem marcava o compasso eram as cascas de noz com que passávamos as Tormentas, as armaduras do Albuquerque e as cruzes de S. Francisco Xavier. Depois, para épocas mais recentes, iludimo-nos com o "55 Dias em Pequim" e as imagens de uma China faminta de arroz e vestida de uniforme azul à Mao. O acordar da ressaca é sempre desagradável.

(...)Os portugueses, sempre práticos, haviam já percebido o enorme potencial chinês, rapidamente aprenderam com os seus próprios erros e conseguiram, informalmente como é seu apanágio, edificar aquele prodígio histórico chamado Macau, um verdadeiro monumento ao pragmatismo e à convergência de interesses múltiplos ao arrepio de burocracias e legislações."

Equilíbrio II

No seguimento deste post , volto ao tema do equilíbrio da nossa perspectiva sobre nós e sobre os outros. Uma questão de proporcionalidade que, na minha opinião, deveríamos tentar equilibrar. Para nos conhecermos melhor e assim solucionar os nossos problemas de forma mais adequada.
A este propósito, vale a pena ler esta entrevista a Simon Svergaard do Reputation Institute, no Público de hoje.
Algumas passagens:
"Isso quer dizer que esses avanços não são suficientemente visíveis?

Sim. Portugal tem uma rede de infra-estruturas viárias que é das melhores da Europa, tem uma rede de comunicação moderna, um sistema bancário em que todos os ATM estão interconectados. Há países considerados muito desenvolvidos, como os da Escandinávia, que não têm estes avanços. O problema é: será que o resto do mundo sabe desta faceta? Portugal tem capacidade para se posicionar como um dos países líderes da Europa no campo da tecnologia, mas, para isso, tem de começar a comunicar o que faz.

Mas acha que Portugal está já a perder reputação?

Não. Mas acho que o Governo português está a esconder-se da tempestade, à espera que esta desapareça. Se o Governo quer melhorar e aumentar reputação, tem de assumir responsabilidade de prestar atenção ao que se diz sobre o país lá fora e desempenhar um papel mais activo na comunidade global. Portugal acaba de ser nomeado para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, tem Durão Barroso à frente da Comissão Europeia, tem de saber aproveitar-se disso para aumentar a sua presença a nível internacional.

O Governo não tem sabido comunicar como deve ser?

O Governo português devia ser mais pró-activo em termos de comunicação e garantir que as suas políticas e medidas não são discutidas apenas na imprensa nacional mas internacional. Neste momento, se olharmos para os meios de comunicação internacionais, apenas ouvimos falar da Grécia, da Irlanda ou da Espanha. Não passa a ideia que Portugal é um país que está pronto para fazer qualquer coisa para sair da crise."

sábado, novembro 06, 2010

Também eu queria, será desta ?

Sim será desta que o BE assume uma atitude governativa?

"Francisco Louçã disse ontem no DN: "Um governo do PS não é a mesma coisa que um governo do PSD." No futuro vai ter de explicar, por actos e não apenas por palavras, que o Bloco quer entrar definitivamente no jogo democrático, e contribuir para soluções de governabilidade à esquerda, como o PP faz à direita com o PSD, e não apenas tranquilizar as hostes da candidatura de Manuel Alegre. Atendendo à posição dogmática do PCP, seria bem-vinda essa evolução do Bloco. Até para ajudar a acabar com o discurso das maiorias absolutas..."
retirado do Editorial de João Marcelino no DN de hoje.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Vale a pena ler

"O cartel da opinião económica e a retórica barata" de Sandro Mendonça no Jornal de Negócios de hoje.


Uma passagem:

" Muitos problemas competitivos da economia portuguesa resultam de estrangulamentos ao nível das unidades produtivas. Sugiro, portanto, uns temas-desafio para esse putativo "Livro Branco". (i) Concursos internacionais para a gestão de topo das sociedades listadas no PSI-20 para que se reduza o número de cargos cimeiros determinados por heranças familiares, como o BES, ou políticas, como no caso da EDP. (ii) Contribuir para a equidade fiscal e competitividade de custos ao taxar-se pesadamente "fringe benefits", tais como despesas de representação e viaturas atribuídas a dirigentes. (iii) Um código de boas práticas que corrija a virtual ausência de mulheres em conselhos de administração, tirando Portugal do último lugar do "ranking" europeu nesta matéria, como agora veio demonstrar um estudo da consultora Egon Zehnder International. (iv) Regular o número de funções não-executivas em diferentes empresas pelos mesmos indivíduos, muitas vezes sem experiência profissional reconhecida no sector.

As incapacidades da nossa economia são mais gerais do que é frequente admitir. É necessário mais debate efectivo, e não uma correria a lugares comuns. Por muito desconforto que as propostas acima provoquem à cúpula do PSD (homens com assento em várias empresas oligopolísticas), há sérios desafios e graves conflitos de interesse por resolver no mundo empresarial. É necessária mais ética republicana na vida política, é certo. O mesmo se passa na vida económica. "

Tentar perceber V

Uma pista para perceber a derrapagem do défice, avançada pelo Ministro da Economia, Vieira da Silva:

" Na sua intervenção, Vieira da Silva procurou justificar o que esteve na origem do crescimento do défice a partir de 2008 - mais de 40% do crescimento do défice deveu-se à contracção de receitas, 32% ao aumento das prestações sociais e cerca de 17% a aumentos de capital. "
O artigo do JN na íntegra aqui.
P.S.: e outra para perceber o crescimento da despesa pública aqui, artigo de Manuel Caldeira Cabral, no JNegócios de 10/09/2009.

Tentar perceber IVbis

Vale a pena ler estes excertos do artigo What do markets want? escrito por Kevin O'Rourke, professor de economia da Trinity College, Dublin :

"As it happens, the EMS crisis of 1992-1993 taught us a lot about what markets want. While the context was entirely different, the lessons are still relevant today. Readers will recall that the commitment of peripheral European economies to stick to the Deutschemark was challenged when German interest rates started to rise after German reunification, and countries like Italy and the UK started to suffer serious competitiveness problems. The initial response of politicians was a macho one: get the fundamentals right and the problem would go away. The fundamentals concerned were low inflation, low deficits, and low levels of government debt.
But speculation did not stop. The lesson of the EMS crisis is that low inflation, low deficits and low government debt are not, it turns out, enough on their own. Low unemployment and economic growth are part of the fundamentals which have to be right, if government policies are to be credible in the eyes of the marketsSpeculators bet that governments would not, in the long run, be able to sustain policies which led to rising unemployment: far from enhancing credibility, the 'responsible' and deflationary policies which governments thought markets wanted fatally undermined it. And thus it was that the market forced governments in the UK and elsewhere to adopt policies that were softer, and more growth-oriented, than what orthodoxy had been demanding.
(...)

Markets may indeed not be willing to lend to peripheral governments unless they take remedial action to fix their public finances: so be it. But in the long run, markets will not be willing to lend to countries whose economies are continually contracting. This is not just because of the mechanical facts that that shrinking economies will experience rising deficits, and that smaller economies are less able to pay off existing debts -- although these considerations are obviously important. It is also because the markets will eventually start to worry that contractionary economic policies and rising unemployment will not be politically sustainable in the long run.
(...)


Furthermore, we should be asking whether the European Union as a whole should embark on a growth and investment strategy. Major European investments in new transportation and energy infrastructures are needed in the long run anyway. If the Union embarked on such a growth strategy now, it would become part of the solution to our problems. If the EU turns itself into a mechanism for imposing asymmetric and deflationary adjustment on the continent, it will be seen, rightly, as one of the causes.

And the markets won't like that. "

Texto colocado a negrito por mim.

Tentar perceber IV

Porque é que os juros da dívida continuam a subir apesar do acordo para o OE 2011?
Uma pista interessante aqui, no blogue Economia Política de JP Santos.
P.S.: Mas há outras pistas. Por exemplo este post do blogue The Irish Economy (via Blogue Existo) e este intitulado "O que querem os mercados" do próprio Blogue Existo.
P.S.2: Outra pista ainda aqui, encontrada no blogue Visto da Economia de Helena Garrido.

Bons exemplos de convivência...

tão úteis nos tempos que correm.
Aqui fica uma reportagem da Pública de 02/11/2010 por Alexandra Lucas Coelho, sobre São Paulo e a mistura de povos. Apetece partir já à descoberta...
Deixo-vos um excerto e o link:

"São cinco da tarde, hora boa para nos sentarmos com Leila, a anfitriã. O nome completo dela é Leila Mohammed Youssef Kuczynski, o que significa o seguinte: Leila é uma libanesa muçulmana casada com um judeu.

Mas em São Paulo isto só é assunto se alguém de fora puxar. Líbano e Israel são inimigos de várias guerras sangrentas. Em quase todo o mundo judeus e libaneses terão dificuldade em se entender. Não aqui.

E quando Daniel Barenboim vem a São Paulo com a sua orquestra West-Eastern Divan, onde se incluem libaneses e israelitas, é no Arábia que todos acabam a comer."

terça-feira, novembro 02, 2010

Boas notícias :)


" E viva a cortiça! " noticia o Hoje Macau. O pavilhão de Portugal recebeu o primeiro prémio de Design atribuído pelo BIE (Bureau International des Exhibitions) . O galardão foi atribuído a pavilhões que utilizaram estruturas já existentes e com menos de 2000 m2. O projecto é da autoria do arquitecto Carlos Couto que está obviamente de parabéns.


A notícia na íntegra aqui.

Está aberta a campanha eleitoral

"Ensaio de Alfredo Barroso: Cavaco Silva, a realidade e o mito " de Alfredo Barroso no i de 1 de Novembro de 2010.
Saliento esta passagem que cita palavras de Teodora Cardoso no livro "Cavaco Silva, a ciência económica e a política" :
"Teodora Cardoso esclarece o seu ponto de vista: "Ao contrário da moda recente de criticar a opção pelas infra-estruturas, não me parece que esta tenha sido um erro. Erros sim - e graves - foram a incapacidade de usar eficazmente os fundos de formação profissional; de levar a cabo uma reforma do sistema de ensino que privilegiasse as necessidades da sociedade e da economia; de proceder a um correcto reordenamento do território e a uma reforma do processo orçamental que permitisse a descentralização racional da gestão pública; ou (a incapacidade) de criar uma administração pública e parceiros sociais preparados para encaminhar o país no sentido que a integração europeia e mundial lhe impunham. Ao contrário do que às vezes se deixa entender, o facto de se construírem estradas não impedia que se melhorasse a qualificação dos portugueses. Pelo contrário, face à abundância dos fundos estruturais e ao crescimento rápido da economia e da sua capacidade de financiamento, ambas as opções eram não só possíveis como indispensáveis."

Revejo-me nesta análise.

Tentar perceber III

Mais uma pista interessante de João Pinto e Castro aqui.

outra aqui de Pedro Lains

e ainda outra aqui de JP Santos (esta contrariando João Pinto e Castro num post já aqui linkado e onde os dois "dialogam").

Moral da história, isto é tudo tão óbvio que os senhores economistas não se entendem...

P.S.: A propósito de economistas que não "se entendem", um post interessante aqui, do blogue Douta Ignorância.

Tentar perceber II



Já aqui referi esta origem do problema em posts meus, assim como no excelente post de João Pinto e Castro "A austeridade é o tributo que pagamos a Wall Street" que mencionei aqui. Por motivos eleitorais e ideológicos a crise finaceira de há 2 anos é agora apresentada nos media como algo dum passado distante, o défice devido ao pagamento de somas avultadas de dinheiro dos contribuintes para salvar bancos é varrido para debaixo do tapete. Sendo já impossível dizer que a crise é só portuguesa (pelo menos essa idiotice vai desaparecendo) convém veicular a ideia de que em Portugal o pior se deve a factores internos...ficando por explicar a desgraça em que anda a Irlanda, Reino Unido, Espanha, Grécia, Bélgica...todos eles seguramente com factores internos que vieram agravar a situação.