terça-feira, janeiro 30, 2007

"Assim Não"...genialmente explicadinho...

...e fica tudo dito!

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Era uma vez...


...assim começavam há muitos anos as minhas noites. Tinha-me esquecido que em tempos os livros tinham sido oralidade, palavras lidas e imagens à solta na minha cabecita de então. Como ficava pregada a cada palavra. Com o tempo veio a exigência duma leitura atenta, completa, sem atalhos, as palavras eram conhecidas de cor e o prazer era mesmo o da leitura ouvida e imaginada. O papel desempenhado por estas leituras na vontade desmesurada de aprender a ler terá sido seguramente grande. Rapidamente me apoderei dos livros, devorei-os, criámos o nosso espaço, li-os mentalmente em voz alta.



Passados tantos anos, o prazer lá está guardado na memória inicial, primordial aquela que nos enche de bem-estar ao som duma voz antiga, ao sentir um cheiro de outrora, ao adoptar a posição fetal, ao boiar em água morna...


Por isso oiço com um prazer redescoberto o "Books at bedtime" na BBC4. Aninho-me no calor da manta, com o Sr. A recrutado , malgré lui, para esta nova "mania". Durante 10-15 minutos partimos para um mundo imaginário, feito de atmosferas e sentimentos. Escuto as mesmas histórias, percebendo agora a maravilha dos pormenores que se desvendam a cada leitura. Das personagens de Colm Toibin que vão ganhando forma nascidas do verbo e do nome. A semana passada foram seus os contos lidos, um por dia, e que podemos encontrar aqui. Esta semana esperam-nos passagens duma novela da chinesa Geling Yan.


Para terminar a tarde, interromper o dia, em jeito de descanso do ruído que por vezes nos invade, proponho Era uma vez...

sábado, janeiro 27, 2007

Bom fim-de-semana!

Deixo-vos com Ella, em boa companhia...:-)

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Nuevo Ballet Español






"Nuevo Ballet Español" ontem no Cirque Royal. Flamenco, dança contemporânea, ritmo, fúria, tristeza, força. Muito amor pelo que se faz. Ver o prazer e felicidade na cara de quem dá tudo o que tem e nos invade de emoções. Sentir o nó na garganta e ter vontade de irromper num "taconeo", deixar bailar os braços, marcar o ritmo com as mãos e dar largas aos sentimentos. Isso não aconteceu, só em pensamento... recordar o sentidos, as emoções, o que é estar vivo... foi fantástico.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

E afinal tudo é tão insignificante...



...tudo é tão simples, pouco, fácil, solucionável perante a morte. As frustrações do trabalho, os problemas de compreensão linguístico-cultural com os nativos do país, o síndrome pré-menstrual, os dias não e os dias sim, os atrasos nos vôos, a falta de civismo, o céu cinzento, a teimosia própria e a do companheiro, a dor de ouvidos, a chatice das reuniões, os erros, as faltas, as maldades e a as bondades...tudo é tão pouco perante a morte.
Depois de se ficar a saber que aquela pessoa, que tão bem conhecemos, que agora mesmo vizualizamos perfeitamente, simpática, correcta, competentíssima,daqui a uns meses já não será, como é possível? Como é possível com tanto filho da puta, logo ela? Como é possível agora ser e logo a seguir deixar de ser? Como é possível esquecer-me constantemente que somos insignificantes, que um dia, e não sabemos quando, deixaremos de ser?
A minha primeira reacção é de incapacidade de encaixe, querer que NÃO, que não é possível! Como sou arrogante... depois vem a inevitável aceitação da insustentável leveza do ser, seguida dum quase pânico, da vontade de fazer trinta mil análises...e afinal mais cedo ou mais tarde...
Por isso o melhor, é recordar-me que tudo é tão insignificante, tão simples, tão solucionável...até ao dia...

quarta-feira, janeiro 24, 2007

A menina da rádio II





Descoberta feliz online: "Biblioteca virtual" de Elza Gonçalves na Radio Europa. Os meus ouvidos agradecem...e os neurónios também :-)))))

terça-feira, janeiro 23, 2007

A Santa Paciência...

...não é seguramente a minha protectora. É que por muitos anos que viva nunca terei paciência suficiente para ouvir e calar perante a frase fétiche de qualquer loja belga: "AAAhhh mais on ne sait pas faire Madame!"*

*Ler com ar e voz bovinóides, de preferência.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

O perfume do marmelo maduro...


...ou da Cydonia oblonga, seu nome latino, pode parecer tema de pouca importância. E de facto assim é. Porém, a importância das coisas depende bastante da sua raridade ou do proveito que delas retiramos . No reino das frutas portuguesas ele é seguramente pouco considerado. Afinal é áspero, surge uma vez por ano e exige confecção demorada para ser tragado. Desaparece tímido atrás duma qualquer manga ou ananás, até mesmo das nossas banais laranjas, pêras ou maçãs. Só mesmo a sua versão edulcorada, a marmelada, nos reenvia para pensamentos hedonistas, to say the least...
Longe das terras argilosas e do sol do Sul o marmelo revela a sua valentia. Por entre prateleiras e caixas de fruta de todas as origens, da mais corriqueira à mais exótica surge um perfume agradável e sobretudo inesperado. Inesperado porque no Reino dos Belgas é raro fruta e legumes terem cheiro (não falemos sequer do sabor, tenham dó de mim). Atrás do olfacto apurado que quis o destino que herdásse dos meus antepassados sigo a pista até me dar de caras com uns belos frutos amarelos, lisos e luzidios que fazem figura de estrela no meio daquela fruta toda. O marmelo afinal é valente, audaz e persistente. Não se deixa intimidar pela popularidade fácil de tantos outros, guarda-se para o Inverno, quando a frutaria se aparenta ao mais industrial plástico ele arvora o seu aroma.
E nem imaginam o meu prazer quando os comi simplesmente cozidos com água e açúcar, a fazer lembrar os dias em que lá em casa, chegada a estação dos marmelos, se procedia paulatinamente à sua transformação em marmelada e, melhor ainda, em geleia de marmelo, comendo pelo caminho os ditos marmelos cozidos...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Bom fim-de-semana!




Deixo-vos esta guloseima... :-)

Debate sobre IVG em Portugal...

...os defensores do Não estão a deitar as unhinhas de fora, ou a máscara está a cair, é como preferirem. Paulo Portas insurge-se contra a posição de Maria José Morgado sobre o referendo recordando que em Portugal a lei se aplica a todos e a lei actual do aborto é o que é. Paulo Portas lá sabe que a nossa lei se aplica a todos...a todos Paulinho?! Antes fosse assim, ai os lapsos freudianos . O sindicato dos Magistrados já reagiu acusando Paulo Portas de censura.
Já o pároco de Castelo de Vide, Tarcísio Alves diz não fazer funerais religiosos a quem votar pelo Sim. Ora bem, parece não saber que o voto é secreto. Primeiro desconhecimento grave, ou talvez pense ter acesso a essa informação? Mais grave ainda. Eu, seja como for, estou-me nas tintas mas até respeito quem tem fé pelo que me parece que ameaçar não só é pouco "cristão" como é uma excelente maneira de alienar fiéis, crentes, enfim...o espectáculo está a ficar cada vez mais triste e ainda a procissão vai no adro...
Costumo dizer que temos os políticos/dirigentes que merecemos mas no caso das figuras políticas e religiosas que têm feito campanha pelo Não acho que não os merecemos. Seria bom deixar isso mesmo claro no dia 11 de Fevereiro.
Já aqui disse que vou votar e que vou votar no SIM. Será com convicção redobrada!

Nova pilha ecológica -Soft Battery

Lançada por uma empresa finlandesa, a sart up Enfucell, são 5 cm2 de papel ecológicos, discretos e baratos. Para saber mais ler aqui.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Vento, vento,muito vento...

*Foto minha tirada há minutos da janela da sala.



...muito vento como? Como um pássaro a voar contra a maré, batento as asas com esforço e voando de lado.

...muito vento como? Como uma árvore a ruir com um estrondo semelhante a um trovão metálico.

...muito vento como? Como sirenes da polícia e dos bombeiros que se ouvem de 1/2 em1/2 hora.

...muito vento como? Como cabelos no ar, revoltos sem eira nem beira e as pernas que se esforçam por manter o trajecto programado.

Penso que terão percebido, está mesmo muito vento.

Para dias de vendaval e chuva VI ...




*Pôr do Sol a caminho da "Boca do Inferno", Dezembro 2006.
...memórias...

A propósito de despenalização da IVG...

leia-se no Le monde Diplomatique de junho de 2006:

"La révolution libérale en cours se double d’une offensive conservatrice les visant (les femmes) principalement, à travers la remise en cause du droit à l’avortement pour rétablir la valeur de la famille et du patriarcat. A noter le retour des religions dans leurs aspects les plus sectaires – et non pas de la religion – pour revenir à un passé recomposé où la femme était dominée."

A menina da rádio...

Confesso que já raramente vejo o telejornal, aliás não é só o português. Esta afirmação devia envergonhar-me mas ainda assim faço-a. Para salvar a face acrescento que leio todos os dias na internet os jornais que me interessam, pelo que chegando às 20h já sei o que se passou(em princípio, vá se lá saber o rigor de quem relata) e não preciso de detalhes barrocos e inúteis. Não preciso de imagens violentas a acelerarem a adrenalina poucas horas antes de me deitar.
Acresce que nesta onda em que me fui instalando sem dar por ela voltei à Radio online. Sento-me serenamente em frente ao computador, escolho um qualquer programa das Antenas1,2 ou3 , deito-me no sofá ali ao lado com um livro ou só para descansar e delicio-me durante 20-30 minutos. Comecei pela "Escrita em dia" do Francisco José Viegas, logo descobri o "À volta dos livros" da Ana Aranha, veio depois o "1001 escolhas" da Madalena Balça e agora ando pululando alegremente desenvolvendo preferências, claro. Tudo graças aos programas armazenados online acessíveis através de podcast.
Leio mais, oiço e reflicto com tempo e olho com os meus próprios olhos para o mundo. Por vezes sinto que nos esquecemos de olhar com olhos de ver e limitamo-nos a engolir as visões dos outros. É sempre útil comparar ideias, perpectivas, até porque ninguém detém a verdade absoluta. Mas melhor que aceitar passivamente prefiro comparar. Eu vejo isto, fulano aquilo, cicrano aqueloutro...Sendo que por vezes nem de perspectivas se trata mas sim de pura futurologia. Viessem todos estes debates sobre o que será, o que seria, o que devia e podia ter sido numa revista feminina e já teriam tido o habitual comentário rançosamente machista de uma qualquer eminência parda dizendo que o povo segue as modas das revistas femininas, apoiando no "femininas" para ficar patente o nojo e superioridade intelectual.
Assim, os ditos debates são feitos maioritariamente por homens, salvo a presença da mulher moderadora em quem depois se malha forte e feio, e passam em horário nobre. São coisa séria, de gente séria que se ocupa de assuntos da maior importância. Bom, Prós e Contras sobre o que o governo vai conseguir fazer até ao fim do mandato, foi o programa que por mero acaso vislumbrei num zapping enfastiado. Para mim podia vir na secção dos horóscopos da Marie Claire, é futurologia ainda por cima descaradamente misturada com "hidden agendas", dado que mais não pode ser que uns a dizerem que sim que vai conseguir e os outros a dizerem que não (eu também podia abrir uma banquinha de adivinhção, não acham?) mas enfim...
Radio dá-me música por favor... :-)

sábado, janeiro 13, 2007

Bom fim de semana!

Deixo-vos esta... provocação

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Alquimia



Antes de Miguel Sousa Tavares ter escrito "Equador" e ter assim recordado o chocolate de São Tomé e Príncipe, já eu tinha ouvido falar das suas propriedades. Ou será que devo dizer poderes?
Não posso dizer que fosse tema de conversa recorrente lá em casa, mas falou-se uma ou duas vezes do assunto e lembro-me do meu pai ter dito com ar solene: "o melhor café do mundo é o de Timor e o melhor chocolate era o de São Tomé". Não irei agora entrar numa digressão de foro psicológico para tentar perceber porque motivo esta frase me ficou na memória, mas a verdade é que ficou.
Mais tarde, quando foi repetida, lembro-me de ter desconfiado da sua veracidade, não pelo seu autor, mas porque desconfio sempre de frases que começam por "o melhor do mundo...".
A curiosidade terá no entanto deixado semente adormecida. Acontece que no mês passado resolvi visitar a nova loja da Neuhaus que o Sofitel da Place Jourdan fez o favor de abrir mesmo ao lado de um dos edíficios onde trabalho. As barras de chocolate de São Tomé, sobriamente enfeitadas com um simples laço à banda, captaram-me a atenção. A atenção e poucos segundos depois o desejo e o prazer. Começou uma história de amor (podem tocar os violinos, por favor).
Não sei por onde começar. O melhor de tudo é que não há senão. Esta é uma bela sem senão. Delicioso, voluptuoso, saudável, pejado de ferro, cálcio e vitamina A, intenso, com um quadrado satisfaz a gula, só faz bem!
É a perfeição. E como a perfeição não é deste mundo...só pode ser alquimia...

Mentirosos sinceros...ou sinceros mentirosos ?

Oiço hoje numa aula de introdução à Economia que os níveis de poupança e de despesa de particulares num país correspondem a níveis de pessimismo e de optimismo. Significa isto que uma população relativamente optimista gasta muito e endivida-se pois crê que no futuro a economia continuará no bom caminho e confia no Estado que lhe permitirá evitar a penúria. Já uma população pessimista gasta pouco e poupa muito pois não acredita, ou desconfia do que lhe trará o amanhã.
Ora, a acreditar no coro de lamúrias que se ouve em terras lusas, o nosso país parece pautar-se por um sentimento de claro pessimismo e de tremenda descofiança no Estado.
Porém, gasta confiante no futuro. Diz-se pessimista, gasta como optimista. O que me leva a concluir que não percebo assim tão bem o nosso próprio funcionamento. Quem se diz pessimista não o é verdadeiramente, não se comporta em conformidade (digo-o eu que sou uma optimista convicta), desconfio que mentimos a nós próprios tão sinceramente...seremos poetas?
Permitam-me então a liberdade poética:
O português é um pessimista
que mente tão sinceramente
Chega a fingir que é optimismo,
o optimismo que deveras sente.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Para dias de vendaval e chuva V...









...memórias.

Para dias de vendaval e chuva IV...








...memórias.

Para dias de vendaval e chuva III...








...memórias.

Para dias de vendaval e chuva II...



...memórias

Para dias de vendaval e chuva...

...memória mornas, de terras azúis, recheadas de frutas diferentes, doces, deliciosas. Como o fruto verde da esquerda...o " Fruto delicioso". Sedoso, de polpa branca, mistura de ananás com banana. Uhmmmm...

quarta-feira, janeiro 10, 2007

A culpa é sempre dos outros...

Nunca acreditarei em atitudes que visem a desresponsabilização. É até curioso que a ACA-M mencione o termo responsabilização, será um lapso freudiano. Bastam 20 minutos numa qualquer estrada portuguesa (e, infelizmente, cada vez mais nas belgas também) para percebermos que há automobilistas em Portugal que desconhecem os conceitos de "responsabilidade" e "consciência" dado que não apresentam qualquer resquício dos mesmos.
O bom condutor conduz bem em estradas seguras ou ditas perigosas. O bom condutor não conduz da mesma forma, nem à mesma velocidade numa curva ou numa recta, com chuva ou com sol, de dia ou à noite, numa auto-estrada ou num caminho secundário. Isto é o bom condutor que pode ainda assim apanhar com o mau condutor pela frente pois este conduz da mesma forma e à mesma velocidade quer faça chuva quer faça sol, numa estrada de rectas com árvores ou sem elas, numa estrada de curvas mais ou menos sinuosas etc... (penso que já perceberam o conceito).
As estradas não mordem nem arreganham o dente aos automobilistas. São estes que devem utilizar os neurónios que supostamente trazem na cabecinha para descernirem o tipo de condução que devem adoptar consoante a estrada com que se deparam.
Em Portugal há quem conduza mal e perigosamente por falta de consciência da sua responsabilidade na própria vida e na vida dos outros.
No lugar da ACA-M diria: responsabilizo todos os automobilistas que provocam acidentes nas estradas. É difícil dizê-lo pelos vistos, mas eles/elas são os únicos responsáveis, outra atitude só os infantiliza...ainda mais.
Cresçam e apareçam!

sábado, janeiro 06, 2007

Ainda a tempo de desejar...um Bom Fim de semana!

Tempo de passar por São Martinho e beber um chá com torradas, scones ou um delicioso Pão de Ló de Alfeizerão no Palace do Capitão e apreciar o pôr do sol que se prolonga timidamente para além das 6h00. Tempo de descobrir o Centro de medicina alternativa Trevo Dourado . Um espaço acolhedor, tranquilo, bonito nas Caldas da Rainha. Tempo para desfrutar duma massagem ayurvédica. A brochura diz que faz bem a tudo. Eu saí de lá numa nuvenzinha de leveza e descontracção, o que já é muito.

Tempo ainda de vos deixar esta guloseima e de vos dizer...até Bruxelas:-)


quinta-feira, janeiro 04, 2007

Reclamo logo existo...

Não entrei em 2007 reclamando a plenos pulmões como se entra na vida. Não, não foi imediato. Entrei de olhos esbugalhados, boqueaberta e maravilhada com o fogo de artifício do Funchal. Superou de longe as minhas expectativas que eram grandes.No Funchal fomos recebidos com simpatia e profissionalismo no hotel, nos restaurantes e cafés. No "Quinta da Mirabela", pequeno hotel concebido por arquitectos continentais e madeirenses, sentimo-nos em casa graças à atenção inexcedível dos seus funcionários. Aí tivemos o privilégio de usufruir daquela que será provavelmente a melhor vista para o espectáculo pirotécnico que ali nos levou.
Porém tudo tem um fim e chegado o dia 02/01 tivemos de regressar ao "contenente". Ao aeroporto do Funchal chegámos com 2h15 de antecedência. Possivelmente excesso de zelo. Munidos de bilhetes de classe executiva ninguém nos quis informar sobre o guichet para proceder ao check in. Ao fim de meia hora impingimo-nos num qualquer guichet, o tempo passava como é seu hábito. Descobrimos que tínhamos sido brindados com um downgrading. Pague mais e leve menos. Descobrimo-lo não sem antes termos sido agraciados com a arrogância, indisponibilidade e maus modos da empresa Groundforce que a Tap subcontrata para se ocupar destas questões. A escolha dos passageiros que tinham tido a "sorte" de permanecer na classe cujo bilhete tinham pago seguiu critérios que nos escaparam por completo. Fiz finca pé, recusei-me a aceitar o que me propunham e muito depois assinaram documentos comprovativos da nossa involuntariedade naquela situação. Remeteram-nos para Lisboa onde seríamos indemnizados e reembolsados acrescentando que tínhamos sorte, podíamos ter ficado em terra (sic).
Depois de 4 dias fantásticos na Madeira partimos irritados, stressados, desiludidos, mortos por chegar a casa.
Ora a casa fica nas Caldas da Rainha. O "contenente" não é só Lisboa, longe disso. Eis-me portanto em Lisboa de novo ontem para receber o que era nosso de direito. Começou então a valsa da desresponsabilização. Ou melhor, o jogo de ping-pong em que o consumidor, eu, é tomado por uma bola pela parte faltosa, a Tap e a Groundforce. Resumo do jogo: A Tap diz que não é ela que reembolsa e remete-me para a Groundforce caixa. Esta diz que não é da sua responsabilidade e remete-me para a Tap. Primeira interrupção do jogo. Obrigo o funcionário da Groundforce a vir comigo À Tap e repetir a mesma coisa. A Tap pede desculpas, afinal devia ter-me enviado à Groundforce serviço à clientela. Lá vou eu. Uma hora de espera na fila. Tempo para assistir à total falta de organização na resolução dum vôo cancelado para Faro cujos passageiros são tratados abaixo de cão.
Chego ao balcão, respondem-me com desfaçatez que não são responsáveis, devo deslocar-me à Tap. Momento histórico no jogo. Resolvo aplicar uma resolução para 2007: ser uma consumidora consciente, fazer valer os meus direitos. Recuso-me a ir onde quer que seja. Do outro lado do balcão indiferença, má educação e um simples "Reclame, é para isso que existem os Tribunais, olhe vá pr'a lá". Afirmo que quero falar com o/a superior quero reclamar não saio do aeroporto sem o caso resolvido. Oiço pela enésima vez que nada podem fazer. Afirmo que chamo a polícia para fazer valer os meus direitos. Respondem-me então chame. E eu...chamei! Opera-se um milagre: apareceu uma superior que em 10 minutos descobriu o que ninguém me soube dizer em 2 horas. O serviço de reembolsos, que, atenção, fica no Marquês do Pombal, é que é o responsável. Dão-me o número de telefone do dito, dizem-me para telefonar, EM PRINCÌPIO eles resolverão o caso. O polícia recorda-me que posso pedir o livro de reclamações. Não hesito um segundo. Reclamação com citação dos funcionários do outro lado do balcão. Dirijo-me à Tap e peço igualmente o livro de reclamações. Faço o mesmo. Reparo que sempre que o peço ele me é disponibilizado perante olhares de mal-estar. Perguntam-me o que se passou. Conto. Pegam nos documentos comprovativos do sucedido que possuo e em 5 minutos fazem o que devia ter sido feito quando cheguei: encarregam-se do tratamento do dossier.
Moral da história: a organização da Tap é inexistente. A simpatia e profissionalismo de alguns alterna com a incompetência de outros que ofuscam por completo o valor dos primeiros. O recrutamento assenta seguramente em critérios em que a competência não tem prioridade. A Groundforce é uma grande bosta mais inútil que os testículos do Papa. E, acima de tudo, reclamar, reclamar sempre. Exigir sem hesitação o Livro de reclamações. É um direito, eu diria mesmo um dever. Somos nós que temos de gritar alto e bom som que não aceitamos serviços à clientela desta natureza.
Só mais um apontamento. Com as férias a acabar, não volto às Caldas ufana com o que fiz. Não, volto cansada, triste e revoltada.