sexta-feira, abril 27, 2007

Se pudesse ...

era nela que eu votava. Gostei da última entrevista de Segolene Royal na France 2. Ver a segunda parte aqui.

Força Sego!

Uma semana...

...passa a correr. Em Estrasburgo passa a correr numa onda de electricidade.
O tempo estival fruto do aquecimento global permite uma mala mais ligeira. Comida mais leve, sono mais interrompido pela luz permanente que me deixa em estado de alerta.
No dia 25 de Abril esperava-nos uma brochura evocativa da Revolução dos Cravos na cabine. 33 anos, já 33. O tempo de não ter conhecido o que foi. O tempo de ter feito tudo o que quis, de ter lido o que quis, visto e dito o que quis. O tempo de ser responsável pelos meus erros e vitórias.Não renego um único. Esta é a vida que tenho e não a trocaria por nada deste mundo.
Acrescento posterior:Há 33 anos libertaram o meu pai. Obrigada.
Numa semana sente-se o pulsar da França ou no melhor dos casos da Alsácia. Sego-Sarko é um pano de fundo constante. Não consigo imaginar o papel da França na Europa com Sarkozy à sua frente. Não o papel que eu gostaria.
As minorias de extrema-direita no Parlamento brindam-nos com discursos homófobos primários que terminam sempre num" nos nossos países(Polónia) não há discriminação, só não queremos a propagação de ideais homossexuais junto das nossas crianças. Essa preferência pode ser corrigida,etc..." . Entretanto o governo polaco pretente cancelar o mandato do europdeputado Geremek numa caça às bruxas vergonhosa.A democracia dá-lhes a palavra que eles não dariam a ninguém. Apesar de ter representação minoritária no PE esta também é parte da Europa. Revela-se nos seus discursos. Serão eles os seus piores inimigos? Espero que sim.
E a Europa ali a debater, a fazer pressão. Como na Áustria de Haider? Ainda não. Com a Polónia há sensibilidades que inisistem em respeitar. Um governo que nem sequer sei se ainda tem o nome de democrático. Oscila-se entre a denúncia do que faz e o tratamento cauteloso. É consoante a côr dos partidos. Esta é a actividade dum PE que nos representa no início do séc. XXI. Com tudo o que possam dizer os cínicos sobre a política, não deixa de estar ali o retrato da nossa sociedade. Próspera mas com medo de deixar de o ser, com medo do desconhecido e da diferença ou atraída por elas, tentada entre a abertura, a tolerância e o nacionalismo.
Este confronto não é forçosamente negativo. A história dirá como ultrapassamos este desafio.
Volto para casa exausta, espera-me ainda uma aula de Mandarim. A minha escolha está feita...há muito.

sexta-feira, abril 20, 2007

Mais cedo ou mais tarde...

...descobrimos Bollywood...e a vida nunca mais volta a ser a mesma;-)

A exuberância, o kitsch, as coreografias a sensualidade tudo ganha novos contornos.

O melhor humor é...

...uma representação fidedigna da realidade. Lembram-se dos alemães a falar inglês no"Allô,Allô", do Basil e do Manuel no "Fawlty Towers" ou ainda do pedreiro no sketch do Gato fedorento que mostra o Portugal que teríamos sem imigrantes? A realidade condensada e multiplicada em poucos minutos. Acreditem, acreditem...

A minha pátria é a minha lingua II

As reacções ao primeiro post com este nome levam-me a fazer aqui um esclarecimento.
Leia-se por favor com atenção o que eu escrevi e não o que leram pensando no vosso caso pessoal.
Não é por acaso que refiro "quando no exercício de funções que representam um país de língua oficial portuguesa como ainda é o nosso?" ou as Comissões parlamentares e UE-ACP. Pensei que desta forma ficava claro que estava a falar de eurodeputados que falam nessa qualidade em reuniões oficiais do PE. O que está em causa é a supressão oficial da nossa língua nessas reuniões
Tudo o resto não é visado pelo meu mail.
É sempre engraçado verificar como somos subjectivos nas nossas leituras. Nunca se sabe como seremos interpretados. Espero ter sido clara agora.
P.S.: Acrescento o que já disse num post. Por uma questão de justiça devo referir que há eurodeputados e eurodeputadas que falam a nossa língua e são activos (as duas coisas não são forçosamente concomitantes). Não são é suficientes para inverter a tendência.

quinta-feira, abril 19, 2007

A minha pátria é a minha língua

Se "a minha pátria é a minha língua" o que pensar de quem não fala a sua língua ou não defende o seu uso com a sua simples presença e intervenção quando no exercício de funções que representam um país de língua oficial portuguesa como ainda é o nosso?
Nas reuniões UE-ACP (África-Caraíbas-Pacífico) já não há língua portuguesa. Parece inacreditável , não é? No Parlamento europeu vão saltando as Comissões parlamentares com português activo. Falar de letão, estónio ou português é cada vez mais a mesma coisa em termos de números de falantes. Somos a imagem que damos de nós, com 200 milhões de lusófonos no mundo ou sem eles.
Em contrapartida ficamos todos a saber que há quem saiba falar inglês, francês...será que também tocam piano? Ainda não vi nenhum nas salas parlamentares, mas se calhar foi distracção minha.
Quanto mais nos reduzimos mais pequeninos nos tornamos, curioso quando a intenção é a de nos querermos armar em cosmopolitas. Desculpem lá o incómodo, desculpem lá por viver e vos roubar o ar com a minha insignificância, vejam como falo tão bem a vossa língua...Eternos complexados.

Faço minhas as suas palavras...

"Telejornal de hoje na RTP: uma jornalista em off relata uma notícia sindical. Depois de referir o problema "duchalários" [ela queria dizer "dos salários"], fala em algo "remôto" e em "acórdos". Tudo isto em duas frases!Não será de exigir que num serviço público de televisão os profissionais falem Português com um mínimo de correcção? Entre os critérios de recrutamento não deverá constar o conhecimento da Língua?"

Post de Vital Moreira que copio descaradamente do Causa Nossa por traduzir tão bem o que sinto.

A correcção da língua exige uma atenção constante. Nunca estamos a salvo do erro. Mas uma preocupação com o rigor da linguagem seria já um bom sinal.

Os "acórdos" e as "pérdas" pululam alegremente na boca de profissionais que trabalham com a nossa bela língua...e agora não estou a pensar nos locutores e jornalistas da RTP... sempre pensei que fossem peculiaridades lisboetas à semelhança do "à séria"...

Assinado: portuguesa da província em Bruxelas.

terça-feira, abril 17, 2007

Virginia 32

sexta-feira, abril 13, 2007

Ainda fico maravilhada...

com a facilidade e rapidez com que se compra um bilhete de avião e se reserva um hotel online aqui ao lado ou no outro canto do mundo.
Conversa puxa conversa decidem-se umas férias lá para o Outono na Ásia e zás!, em cinco minutos tenho dois bilhetes de avião electrónicos na minha caixa do correio...electrónico também ele.
Daqui a uns anos os miúdos e miúdas de hoje já nem repararão, para eles será tão natural como respirar, mas eu ainda fico fascinada.
Assinado: online shopping junkie ;-)

quinta-feira, abril 12, 2007

And now for something completely new...

Ele é doutores para cá, ele é doutores para lá e eu acabo de descobrir que mula ruça se escreve "mula ruça" e não russa, como eu pensava, confesso.

Sempre imaginei a mula como uma matrioska da corte de São Petersburgo, de sotaque marcado no seu zurrar... e afinal é ruça, parda portanto, ou seja nem sequer tem um belo par de tranças loiras entre as orelhas.

Uma das minhas concepções do mundo acaba de ruir.

Estou em estado de choque!

P.S.: e a isto se resume todo o interesse e substância que consegui retirar desde suposto "caso".

Menina dos nossos olhos :-)

Troquem lá isso por miúdos...

O Euro começou a ser utilizado oficilamente a 1 de Janeiro de 1999 e entrou em circulaçao substituindo as moedas nacionais a 1 de Janeiro de 2002.
Ora há 25 anos estavamos em ...deixa cá ver... 1982.
Ouso imaginar que o Público pretendia dizer "5 anos".
Já no Herald Tribune de hoje se louva a Alemanha por ter deixado de ser o "sick man" da Europa. O seu crescimento é encorajador (o que é um bom sinal para todos nós) e nao depende directamente do americano. A taxa de desemprego alema atingiu os 9,8%, ou seja; está pela primeira vez abaixo dos 10% desde 2002. Começa agora a colher os frutos de algumas políticas de rigor. Isto dói a todos. Nao pensem que há quem passe por "elas lépido e faceiro."

quarta-feira, abril 11, 2007

The Incredible Mad'moiselle C

Foto da revista Time tirada daqui
Mad'moiselle C partiu há dois anos para Singapura com o seu Mr. C que é amigo do meu Mr. A (estão a seguir?). Rapariga de grande talento gráfico e de grande criatividade continuou a sua actividade pelo Oriente.
Aqui está ela no seu stand do MAAD (Market of artists and designers) de Singapura que foi objecto dum artigo da Time. Parabéns!
*Foi graças a Mad'moiselle C que eu me lancei nestas coisas da blogoesfera.

E se de repente...

...se aperceber que há pelo menos uma hora (sublinho pelo menos) que está na Net a fazer sabe-se lá o quê, que o namorado rosna ou faz ar de cão abandonado, que os olhos ardem, que engoliu um pacote de bolachas ou qualquer outra coisa que não implique ter de se ausentar de frente do computador e que já há mensagens demais no atendedor que ostensivamente não atendeu...isso é:
E só se cura com juízo que é coisa que provavelmente não tem, perdão temos, perdão tenho, enfim...

terça-feira, abril 10, 2007

Rúbrica "Emprego" do meu blog

Será que ninguém reparou ainda na fantástica oportunidade de emprego que existe neste momento em Portugal? De emprego e de lucro.
Vejamos, há em Portugal um grupo de potenciais compradores de imprensa de qualidade, ansiosos pela mesma e frustrados na sua busca. São consumidores prontinhos. Não serão milhões, mas um universo de alguns milhares já dá consistência a uma publicaçãozinha, não é?


Sugiro que se dê pão para a boca desta orfandade (em que me incluo).

Qualquer coisinha melhor que o Público/Expresso/Diário de Notícias/Sic/TVI/RTP1 serve. Sugiro para inspiração o El País, a BBC (nos seus melhores momentos), o Le Monde ou O nouvel Obs, o Libération, o telejornal da Arte ou da France 2, NRC Handelslblad (sim eu sei é holandês, desenrasquem-se para percebe-lo, é mesmo bom) ou o telejornal do canal holandês NOS...ou O Metro, também já vai servindo, embora esse já exista.

Também pode ser alguma coisa que não esteja nas mãos de Pinto Balsemão ou de Belmiro de Azevedo, por exemplo. Só para ouvir outras opiniões, assim, por capricho, enfim...

A ideia é por mim disponibilizada gratuitamente.




Custa a todos


Esta manhã o meu telemóvel tocou o despertador e passou-se. Não responde a ordens, abre as janelas que lhe dá na gana e acaba sempre pedindo-me um novo horário para despertar. Quem me dera...


Por onde andei...


...e é que andei mesmo muito, foi pela ciclopista que liga as Caldas à Foz do Arelho. A Páscoa deixou-me em histeria solarenga, qual bicho acabado de sair da hibernação e que não se cansa de olhar/gozar o Sol. Nunca mais o desperdiçarei como fazia nos tempos em que ele era um dado adquirido.


A temperatura estava ideal, com a brisa no ponto, o cheiro a resina dos pinheiros e o perfume das urzes estava no clímax, sim clímax é o termo para mal das minhas alergias.


Pelo caminho muitas mulheres e grupos de jovens. Assim mesmo, mais mulheres que homens, de todas as idades. Não sei se terá sido coincidência ou se isto se presta a alguma conclusão de maior alcance.


O que interessa é que enchi os pulmões, lavei a vista e arejei os poros. Agora, para estas bandas só no Verão.

terça-feira, abril 03, 2007

Na aparente calma do campo ... II


Na calma do campo, ali para os lados do Coto que é como quem diz, a 6 ou 7 km das Caldas, espera-nos uma lufada de ar fresco.


O Restaurante do Coto rasgou duas grandes janelas numa parede que em tempos albergou outro restaurante. As linhas rectas, o vermelho das paredes exteriores surpreende numa rua secundária duma aldeia pacata. Mas ali está ele. Ruben Félix recebe-nos com simpatia e simplicidade. O espaço é acolhedor, sofisticado. Come-se peixe pescado à linha por pescadores de confiança da costa que não está longe. Os legumes são da época e determinam a ementa que associa pratos tradicionais com uma apresentação mais cuidada. Vê-se uma atenção especial na escolha dos pormenores: manteigas com produtos de origem demarcada. Peixe irrepreensível, ervas frescas.


O espaço é calmo. O vinho é bom. E por trás descobre-se o Chefe Michel da Costa.
Será curioso assistir à reacção da clientela circundante a um conceito que em tudo se afasta do restaurante comum da região, sobretudo no espaço rural. Gosto da ideia de trazer a modernidade ao campo. Aproximar a sofisticação do produto fresco de origem controlada.
O que eu gosto de redescobrir esta terra e vê-la mudar lentamente a cada visita que faço.

segunda-feira, abril 02, 2007

Na aparente calma do campo...

Conta-nos entusiasmado um vizinho, pessoa apaixonada pela história, homem de iniciativa cívica, que se descobriu uma lápide do século I AD para os lados de Salir de Matos . Salir de Matos é uma aldeia dos arredores das Caldas. Terra com direito a uma Junta de Freguesia e pouco mais situada numa região predominantemente agrícola, invadida nas últimas décadas pelos caldenses e lisboetas do sector terciário à procura de um talhão e casa que lhes encha as medidas.
O brilho nos olhos do nosso amigo acompanha a exposição dos factos a que não foi alheio.O Q. (chamar-lhe-ei assim) dedica o pouco tempo livre que tem a pesquisas históricas à memória esquecida destas colinas, aldeias e lugarejos. O fruto dessa carolice consta das crónicas que vai escrevendo na Gazeta das Caldas que cá em casa se lêem fielmente.
Aprendeu a tratar por tu a Torre do Tombo, à custa de muitas horas perdidas à espera de fotocópias, à custa de uma paciência infinita perante a inexistência de ajuda para quem quer encontrar uma referência naquele mar de pergaminhos. Mas ele lá vai, por amor à causa, por gosto claro, só assim se corre e não se cansa. Pelo caminho vai encontrando na Faculdade de Letras ali ao lado especialistas em epigrafia, latinistas, arqueólogos que o deixam cada vez mais entusiasmado.
O Q. trouxe duas especialistas que leram as inscrições na lápide. Procurou ele próprio registos históricos da mesma e encontrou, fruto da persistência e da sorte não se esquece de referir. A lápide devérá vir da povoação romana que se encontrava perto da actual Óbidos. Aí foi feita para um ilustre que não deixou descendencia. Utilizada nos séculos XVII ou XVIII como pedra para construcção foi parar ao edifício de um lagar antigo. Foi por ocasião da sua restauração e aproveitamento para Turismo de habitação que voltou à luz do dia , por sorte caindo nas mãos de quem lhe soube reconhecer o valor.
Porém, a sorte tem limites. Q. mexeu-se, investigou, suscitou o interesse mas não contou com a politiquice vesga e mesquinha.
A lápide encontra-se agora esquecida no cemitério de Salir de Matos onde a Junta decidiu mete-la na ausência duma decisão .
À proposta de colocá-la em frente à casa onde foi descoberta, com despesas assumidas pela proprietária, em espaço público naturalmente, reagiram interesses locais que só podem ter por alcance o horizonte do umbigo.
Q. conta esta última parte incrédulo mas não esmorece. Recorda a capela do Formigal (lugarejo das redondezas). Antiga capela com um conjunto de azulejos dos mais notáveis da época e que se encontra abandonada. Q. volta à carga, escreve as suas crónicas, não deixa cair no esquecimento, entusiasma-nos com a sua dedicação.
A lápide voltou a servir fins que não eram os seus. Pedra numa parede, pedra esquecida num cemitério, pedra no sapato de políticos locais enredados em tricas pequeninas.
Valha-nos o espírito cívico de Q. ...e a dureza da pedra, eterna e indiferente.