sexta-feira, setembro 29, 2006

Quem está para chegar...

... cria um espaço no destino, uma expectativa.
E o destino agora é aqui deste lado. Onde te preparo o quarto, onde planeio passeios. Onde te recomponho com os pedaços da nossa memória comum.
És quem eu sei e quem eu desconheço. E eu sou quem tu sabes e quem tu desconheces. A nossa amizade reside no respeito desse lado que vai mudando e na admiração da essência que está sempre lá.
E por isso o tempo vai passando e eu reconheço-te sempre, apesar de tudo.
Bem-vindo meu amigo.
Bom fim de semana!
E para a Pitucha e para a Nokas:




Estas flores do meu jardim, com um grande beijo blogoesférico! Bom fim de semana!

quinta-feira, setembro 28, 2006

Hip!Hip! Hurra! Os Democratas estão a acordar!!!!!

Clinton fez o que não se fez em 5 anos, finalmente os democratas estão a acordar, espero que dure.

Ver aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=aPyQ4Ae6Ei0

e aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=OMyM0Idpb-Q&mode=related&search=

quarta-feira, setembro 27, 2006

A coutada dos chacais

Quando um serviço tem uma direcção sombra algo está mal e depressa o mal-estar instala-se. É que uma chefia oficial é uma chefia com quem se pode dialogar, contrapor, concordar. Vê-se, sabe-se onde está e diz-nos o que prepara e se não diz perguntamos-lhe. A chefia sombra não é eleita nem foi submetida a uma selecção, não presta contas a ninguém, puxa cordelinhos impune, despostismo obscurantista é o único termo que me ocorre. As chefias oficiais passam e a sombra fica, eterna a velar pelo seu património. É que mesmo que o património seja comum, essa não é a sua percepção. Não, aquilo é deles, é a sua coutada particular, ali põem e dispõem sem água vai nem água vem.
Na coutada impera a sede de poder, a impunidade e a intimidação. Quem quiser discordar é passado no cilindro da difamação. Como os chacais a quem se quer tirar o naco que prendem nas mandíbulas, surge-lhes primeiro uma luz vermelha no olhar, pinga-lhes a saliva venenosa pelos caninos e as gengivas vermelhas de sangue arreganham-se para deixar ver as presas prontas a atacar. Mostrar as presas é como mostrar as armas antes da batalha, estilo não te metas comigo, olha o que eu tenho aqui para te estraçalhar.
Mas a coutada dos chacais é a profissão e serviço que outros vêem como sendo também seu. Os nepotismos da direcção sombra são uma bofetada para qualquer tentativa de qualidade. A mais pequena tentativa de experimentar algo diferente é um quinhão de poder que se lhes retira. E nem o argumento da qualidade os convence embora o utilizem quando lhes convém.
Os chacais começam a ter uns pêlos grisalhos no cocuruto e a idade espreita-os mordaz e ineluctável. O medo corroi-os por dentro e a frustração paira palpável. Preparam a sucessão da sombra, buscam lacaios que os bajulem e não contradigam e farejam a oposição à sua existência.
Rosnam e latem mostrando os caninos por pouco, denunciando assim o seu ponto fraco. Já nem se escondem por detrás da chefia oficial. A precipitação denuncia-lhes o calcanhar de Aquiles. Mostram as armas e as fraquezas. E nós vemos e não esquecemos. Nós estamos a ver-vos e não temos medo!

terça-feira, setembro 26, 2006

O êxodo...

ou transumância, ou reflexo migratório, é como quiserem, é o fenómeno comunitário que acomete uma vez por mês eurodeputados, funcionários, assistentes e toda a tropa fandanga. Uma semana por mês, mais exactamente 3 a 4 dias úteis, o Parlamento Europeu pega em si e muda-se para Estrasburgo. Com ele seguem literalmente toneladas de papel a que se chamam relatórios, documentos, pareceres. Instalam-se na bela Estrasburgo para a sessão plenária, que no entanto não é a única, em Bruxelas também há sessões plenárias periódicas.
Eu também já andei nesta valsa doida, nos tempos em que ainda free-lancer trabalhava para o Parlamento europeu. Numa perspectiva meramente egoísta, solteira e hedonista eu comecei por adorar aquilo. Primeiro, Estrasburgo é linda, muito mais que Bruxelas. Segundo, eu compreendo o raciocínio gaulês, o mesmo não se podendo dizer do belga apesar da língua ser supostamente a mesma. Terceiro, tinha o seu quê de glamour febril. Terão reparado que eu disse "comecei por gostar". Sim, de facto a febre cedo passou e aquilo tornou-se numa valente estucha mensal, cansativa e acima de tudo inútil e cara (é que o pessoal não vive debaixo da ponte nem anda a pão e água, claro). Visitar Estrasburgo é um prazer, quando ocasional ou temporário, enquanto obrigação não há beleza que resista.
E depois, não é de beleza que se trata. Trata-se de 200 milhões de euros gastos por ano para satisfazer um acordo com a França datado do tempo dos pais da UE, i.e. anos 50. A França, motor da construcção europeia e senhora do seu nariz não podia aceitar ficar de fora do riquíssimo bolo em que se incluiram Bruxelas e o Luxemburgo. Na altura falou-se de reforçar o eixo franco-alemão. Eixo franco-francês, isso sim. Assim se decidiu a semana de Estrasburgo, assim se construiu o novo eidficio do PE por lá que justifica a continuação de tamanha migração mensal.
Não advogo que se cortem despesas numa óptica meramente economicista. Muitas vezes as liberdades democráticas justificam determinados custos. Mas neste caso, qual é a liberdade democrática que está em causa? Confesso que não consegui decifrar. Talvez algum espírito iluminado o consiga fazer por mim.
No PE surgem, finalmente, vozes discordantes e determinadas a fazer algo. Vários eurodeputados oriundos de todos os quadrantes políticos lançaram uma petição para por termo a este vai-vém . A quem interessar, basta clicar em "petição" e assinar.

Ler nas entrelinhas...


Diariamente, por deformação profissional minha e do meu pai, passo em revista a imprensa nacional e estrangeira online (a que consigo entender) . Assim encontrei no Sábado a notícia sobre o Compromisso Portugal e o inquérito do "Sol" na Euronews e no El País, respectivamente. Para além de achar absurdo e irrelevamte o que relatavam achei estranho e suspeito o timing, isto é, em vésperas da visita do Presidente a Espanha. Que oportuno, pensei ironicamente. Para além de me ter irritado ler e ver notícias duma minoria que nos expõem como complexados. Perguntei-me a quem interessaria esta projecção, sendo que raramente falam de nós.
Hoje constato ao ler o El País que em parte alguma se fala da visita do Presidente e comitiva. Fala-se sim da nova gravidez de Letícia. Não embarco no miserabilismo a que alguns se sentiriam tentados referindo a pouca atenção que nos dão (falta-me visivelmente o gene da inferioridade). Muito pelo contrário. Parece-me ridículo o sentido de prioridades daquele jornal que tenho em grande conta. Em qualquer país democrático (ou não) medianamente aberto para o exterior, as visitas de chefes de Estado são objecto de artigos dos jornais nacionais, imprensa e televisão. A relevância que se lhes dá essa sim pode variar.
Não disponho de todos os dados para daqui retirar grandes conclusões. No entanto, posso deduzir, que em Portugal há quem venda notícias destas aos media internacionais. Nos media internacionais há quem esteja interessado em divulgá-las. É que há imagens que interessa fazer perdurar. São piturescas, "very typical", castiças, são pequeninos, coitadinhos. Mesmo que já não correspondam ao que sente/pensa uma maioria, interessa a alguém mantê-las vivas.
Os meios de comunicação social, pelos vistos continuam a ter de ser lidos nas entrelinhas. Já sabia que era assim. Mas às vezes esqueço-me.

domingo, setembro 24, 2006

Les gens normaux sont exceptionnels

E assim cada vez mais gosto de filmes sobre nós e os outros mesmo ao lado, as pessoas normais. Os que não parecem ser heróis, não são fotogénicos nem perfeitos. Por vezes simples, pirosos, com inúmeros defeitos.
Gosto de pessoas e não tenho interesse pelos impostores. Os que não sabem o que são e fingem ser alguém.
Por isso gosto de Almodovar.Gosto de como ele gosta das pessoas. De as retratar na sua complexidade. Na sua ternura, nas suas falhas, na sua hipocrisia, nos seus medos, na sua simples vontade de serem amados. Na sua crueldade.
Por isso gosto de Jean-Pierre Bacri em filmes como "Le goût des autres" ou "Un air de famille".
Por todos esses motivos gostei deste filme:


"Quand j'étais chanteur" de Xavier Giannoli, com Gérard Dépardieu e Cécile de France. Gérard Depardieu é fantástico.

*Clicar na imagem para aceder ao site do filme.

Vale a pena ler III

Ainda no DN de hoje, por Nuno Brederode Santos.

Entretanto por cá, oiço na Euronews que um grupo de gestores e banqueiros considera que para tirar Portugal da mediocridade ancestral (?!!!) são necessárias medidas como cortes maciços e imediatos no número de funcionários públicos E no telejornal da TVE que 1/4 dos portugueses (de acordo com sondagem manhosa do "Sol", acrescento eu) queria fazer parte de Espanha.
É sempre esclarecedor ver até onde chega um certo grupo de portugueses num afã exemplar em denegrir o país. Talvez seja porque acham que com tal estratégia nós nos enchemos de vergonha e engolimos finalmente a pílula de ultraliberalismo que nos querem impor. Vão pentear macacos...
(Acrescento de 2a feria), a propósito dos 28% de portugueses que gostariam que Portugal fosse parte de Espanha. Bom, claro que estão no seu direito. Eu até gosto imenso de Espanha. Mas nunca pensei em Espanha nesses termos. É curioso que em tempos de integração europeia se pense assim. De certa forma caminhamos para uma realidade em que faremos todos parte uns dos outros. No entanto, não me parece que isso possa,por si só, resolver os nossos problemas. Isso só nós podemos fazer, numa europa supranacional, ou numa hipotética Espanha. Será que querem quem lhes faça a papinha toda? Querem quem lhes resolva os problemas? É compreensível, mas não é muito adulto. Como diz Angél Campos no El País:"Otros, como el poeta extremeño Ángel Campos, profesor en Lisboa y gran amante de la cultura portuguesa, opinan que la encuesta tiene que ser falsa: "Quizá ese 28% espera el regreso de don Sebastián, pero España no es don Sebastián".

Vale a pena ler II

Enquanto recupero do magnífico concerto da Marisa Monte, aqui fica uma proposta de leitura:
*Para ler todo o artigo, clicar no texto.

sexta-feira, setembro 22, 2006

E amanhã tenho encontro marcado com...



No Cirque Royal...sim,sim, eu sei,hi,hi...I'm a lucky bastard.
Bom fim de semana!

*Clicar na imagem para o costume.

Têm-me acompanhado esta semana...


The Puppini sisters

*clicar na imagem para aceder ao site e ouvir a música.

quinta-feira, setembro 21, 2006

E se um dia...

estiver num espaço reduzido durante 6 horas (por exemplo uma cabine de interpretação) e de repente olhar para o lado e vir uma pequena geringonça que parece um telemóvel mas não toca nem tem teclado, isso é....um ionizador. Sim senhor.
-"Ah...", pergunto" e então isso serve para quê?"
-"Para equilibrar os iões negativos e os positivos no ar saturado destas instituições em que andamos sempre metidos a respirar ar em circuito fechado".
-"Ah" (eu com ar de espanto).
Lá que os circuitos do ar condicionado já devem ter uma fauna própria capaz de encher um jardim zoológico, é uma desconfiança que alimento secretamente .
Quanto ao ionizador...pois não senti nada... nem de bom... nem de mau também. C'est déjà ça, que é como quem diz: deixa-os ser felizes ,"o que não mata engorda".
Seja como for, tudo isto é muito "3a vaga", muito "Era do Aquário", muito "o terceiro milénio será espiritual ou não será". Não desgosto, ficou a cabine com ar zen, c'est déjà ça (que é como quem diz, "já não é mau").

quarta-feira, setembro 20, 2006

O destino...

ou o acaso ou chamem-lhe o que quiserem quis que em Junho Maria João Pires anulásse o concerto que tinha previsto no Bozar com o violinista Augustin Dumay e que o adiásse para ontem. Na altura fiquei um pouco contariada. Ainda assim optei por não pedir o reembolso dos bilhetes. Eu queria ouvir a Maria João.
O tempo passou, 2 meses para ser mais exacta, e se não fosse a agenda do telefone tocar na segunda feira eu já nem me lembrava do concerto. Quem lê o blog terá reparado que me andam a atazanar algumas contrariedades. Nuvenzinhas negras carregadinhas de maus pensamentos.
Esse mesmo destino ou acaso proporcionou-me ontem um concerto maravilhoso, melhor que um vento suão para afastar frentes frias. Limpou-me o espírito, alegrou-me, literalmente desanuviou-me o céu.
Lá diz o ditado popular "há males que vêm por bem". Às vezes o melhor é deixar fluir.

terça-feira, setembro 19, 2006

Lições da vida que tenho de tentar não esquecer:

A excelência, ou melhor a qualidade, não é um objectivo real dos serviços em que possa trabalhar. Apesar disso estar escrito em várias e sábias circulares. O "deixa andar", esse sim é muito apreciado. Esse e a "arte de não fazer ondas", assim como o afinco em "trabalhar para aquecer sem esperar grande reconhecimento". Resta-me a remuneração, que essa sim é consistente e que serve para calar todas as questões, propostas e sugestões que ficam sem seguimento. Já não é mau, tenho consciência disso.
Assim, tenho de aprender a esquecer o projecto que apresentei para retomar uma iniciativa parada há 6 anos e que todas as unidades têm (menos nós). Está por lá parado com um tom de servilismo e pequenez duma geração de compatriotas que já nada tem a ver comigo. " Não é necessário", respondem-me, já há um responsável. Ahhh, aprende "mulher aranha" já há um responsável, isso é que interessa, é a orgânica da coisa, o tachito de alguém, para o conteúdo borrifa, ok?
Vá,vá, deixa os senhores trabalhar, vai brincar com as outras meninas, sim?!
Não esquecer, não esquecer, não esquecer!!!!

Consumidores à beira de um ataque de nervos

Se os meus pais me quiserem fazer uma transferência bancária, para a minha conta belga, e se eu só me aperceber de que o dinheiro não chegou ao fim de 7 dias (normalmente são 2),isso significa que:
1- algures algo correu mal;
2-nenhum dos bancos se deu conta;
3-somos nós que temos de investigar e pressionar para saber onde para a massaroca;
4-quando descobrimos, o banco em questão (por caso foi o português, não me admiraria nada que fosse o meu) limita-se a dizer que houve um erro técnico, sem mais.


Estão a gozar connosco???!!!...... A resposta só pode ser uma:Sim.

Vale a pena ler...

domingo, setembro 17, 2006

Sonho de uma cidade sem carros num dia de fim de Verão

Acordar às 9 horas com a estranha sensação de descanso total e reparar, só passados alguns minutos que lá fora há silêncio. Ouve-se ao longe o alarme de um carro e é tudo.
Ir buscar a bicicleta comprada em 8ª mão em Utrecht e que estava a fazer companhia às aranhas há três anos num canto da garagem.
Ir de bicicleta até ao ginásio, passando pelas ruas sem carros onde de todos os cantos começam a afluir famílias, amigos, solitários de bicicleta, pantins em linha, triciclo.
Descobrir que as ruas estão cheias de gente. Não há ruído, não cheira a tubo de escape. As estradas são nossas e estão cheias de pessoas que passeiam a um ritmo compassado. Há sorrisos.
Há cafés cheios, esplanadas repletas e bicicletas estacionadas. Cheira a árvores na avenue Louise. Parece mentira.
Descobre-se a cidade a outra velocidade, com outra perspectiva. E afinal até é quase tão rápido como...
É voltar a casa cruzando no caminho os últimos companheiros deste dia. Correr porque às 19h termina o encanto.
E se fosse sempre assim? E se fosse Domingo sim, Domingo não? Se o nosso ritmo fosse este? Ah, sonhar é bom. Para o ano há mais:-) Bom início de semana!

sábado, setembro 16, 2006

Dio si è fermato a ... Vanuatu


O melhor seria dizer que John Frumm si è fermato a Vanuatu.

As ilhas são paradisíacas. O nosso Paraíso perdido. Numa pequena comunidade de 15 000 pessoas surgiu há coisa de 50 anos uma nova religião que se baseia essencialmente na fé no regresso de John Frumm que lhes trará a abundância e a felicidade.
John Frumm foi um americano que por lá passou nos anos 40 e que lhes falou da independência e do respeito pelos seus usos e costumes. Na altura o Vanuatu era uma colónia partilhada entre o Reino Unido e a França. Os Presbiterianos tentavam converter as populações ao Cristianismo e na onda queriam erradicar as suas religiões e costumes em geral. Quem se opunha era perseguido, preso, castigado.
Hoje, os seguidores de John Frumm veneram-no e esperam o seu regresso. Representam-no com estátuas de cara branca, cruzes vermelhas (símbolo da vitalidade), fotografias de iates e veleiros brancos (foi num grande barco branco que ele partiu) tudo isto sob a protecção da bandeira americana. A bandeira americana que, note-se, perdeu o seu valor institucional e representa agora apenas uma proteacção divina.
Olho e oiço o documetário que me conta isto tudo e não posso deixar de pensar que se calhar aquela é a origem de todas as religiões. Aquela comunidade vive crente naquela verdade. John Frumm entretanto já morreu, mais que não seja de velhice. Aquele John Frumm que esperam não voltará e se voltásse nunca seria o que esperavam.


No centro da ilha o Vulcão continua a pulsar e a ditar a presença dos espíritos dos antepassados. A morte ali ao lado. A morte sempre ao lado com John Frumm, Cristo, Alá e outros deuses para nos agarrarmos desesperadamente.
E o Vanuatu parece o Paraíso...Bom fim de semana!

quarta-feira, setembro 13, 2006

Mulheres nos parlamentos nacionais : os números

As percentagens têm destas coisas, sem a devida interpretação prestam-se a todas as conclusões e mais alguma. Todas?! Talvez não todas. Há números que também falam bastante por si . Há os que confirmam a realidade que suspeitavamos, mas também os há que nos reenviam uma imagem inesperada. Há preconceitos que se confirmam, há os que se desfazem. Tudo depende da força com que nos agarramos a eles...
Percentagem de mulheres deputadas:
Ruanda 48,8%
Suécia 45,3%
Costa Rica 38,6%
Noruega 37,9%
Finlândia 37,5%
Dinamarca 36,9%
Países-Baixos 36,7%
Cuba 36%
Espanha 36%
Argentina 35%
Moçambique34,8%
Bélgica 34,7%
Africa do Sul 32,8%
Alemanha 31,8%
Afeganistão 27,3%
Iraque 25,5%
Timor-Leste 25,3%
Tunisia 22,8%
Paquistão 21,3%
Portugal 21,3%
Canada 20,8%
Reino Unido 19,7%
França 12,2%
Brasil 8,6%
Emirates Arabes Unidos 0,0
Média: 16,5%

terça-feira, setembro 12, 2006

A Justiça

Não as coisas não estão piores. Estão um nadinha melhores. Diz o lado esquerdo do meu cérebro.
Ao que o direito responde que está tudo cada vez pior, não saímos da cepa torta.
Mas o hemisfério esquerdo, esse mundo desconhecido e por explorar, persiste: Hoje fala-se de tudo.
Hoje os podres estão nas capas dos jornais. Por isso parecem em maior número, eu acho que não, só têm mais visibilidade. A questão que me ocorre é:como é que aguentamos? Como é possível saber (sim agora já nem podemos fingir que não sabemos) e não fazer nada? Afinal os cidadãos, os eleitores não somos nós? Temos direito de exigir, não?
Acho que é aí que o lado direito curte-circuita o processo, resmunga duas ou três coisas, ordena aos ombros que se alcem em sinal de desespero. E pensa que a coisa fica por isso mesmo.
É conhecer mal o meu lado esquerdo que está farto!
Quando é que o lado esquerdo do cérebro da sociedade portuguesa vai concluir que está farto e exige justiça a sério?

Escada acima, escada abaixo, no labirinto das repartições públicas portuguesas

A minha amiga escocesa M. lembrou-se de comprar uma casita lá para os lados da Ria Formosa. Encantada com a realização do seu sonho, não se cansava de me tecer elogios sobre a beleza da região e a simpatia dos vizinhos e portugueses em geral. Faltava-lhe fazer umas obras e proceder a uma série de registos e pagamentos públicos. Logo a avisei, olha que a simpatia dos vizinhos não vai ser a mesma quando chegares a uma repartição pública, vai-te preparando.

Mas ela andava indefectível. E para me contrariar, até as obras lhe correram bem. À distância, sim senhor.
Um belo dia, a M. que até fala muito bem português, lá foi a Tavira pagar impostos, declarar a morada e outras coisas que tais. E foi aí que o sonho se desfez e a realidade veio à tona. Horas passadas em filas, respostas arrogantes e prepotentes nos guichets que nunca eram os certos. Três ou quatro guichets visitados para dar com as mesmas respostas tortas e sobranceiras de quem tem mais que fazer que estar ali a atender aquele empecilho. No fim do dia a M. voltou a casa sem nada que se pudesse considerar obra feita. Que frustração! Que indignação! Que injustiça! Como é possível? Pois é, querida M., não há bela sem senão. Para ti aqui fica um artigo de hoje do DN. Artigo com uma análise extremamente correcta.
E nós consumidores, quando é que vamos deixar de esperar que o Estado faça algo e nos começamos a manisfestar?

"Mots Croisés"

É o nome do programa de debate político na France 2 que acabou agora mesmo. Tema da noite, claro: "A França é também alvo de Terrorismo?" Ontem era 11 de Setembro, aos políticos e cadeias de televisão convinha pôr um ar sério e de pesar pelas vítimas, como se elas só morressem uma vez por ano ou como se os doentes e incapacitados das acções de salvamento da época pudessem viver com a mísera atenção que lhes deram hoje. Bush abraça-se a uma viúva, e pronto está tudo bem. Afinal ele até anda a combater "O Mal" lá pelo Iraque e Afganistão, não é?

Mas voltando ao programa da France 2, a primeira pergunta que me coloco é: porque é que eu ainda me dou ao trabalho de ver franceses aos gritos e a falarem todos ao mesmo tempo, com um moderador do mais parvo que se tem arranjado que faz shhht, shhht de 10 em 10 segundos para calar alguns (juro que isto é verdade).
Depois, estava lá o Bernard Kouchner, grande actor, político até debaixo de água, dando uma no cravo outra na ferradura:" Sim temos de nos lembrar dos pobres, mas a nossa polícia faz um excelente trabalho e afinal somos vítimas do fundametalismo islâmico que surge lá nas terras deles e não temos culpa nenhuma". Mas o moderador não quer saber disso para nada, ele quer é sangue, não, ele quer é um pódio. O pódio da maior vítima. Afinal, os franceses também são alvo como os americanos? Ao que um juíz de terrorismo e um inspector tentam responder sem sensacionalismo, justiça lhes seja feita. Ele continua, então mas nós também, até tivemos o airbus em 95, nós afinal fomos vítimas antes dos americanos. Somos também muito alvo. E por isso estamos mais bem preparados.
O inspector tenta explicar-lhe que , neste contexto, a França é uma perspectiva ultrapassada temos de pensar em termos de cooperação europeia e que os franceses são tão alvo como os outros europeus. Mas ele não desiste, e não somos mais? Não, insiste o outro. E quais são as ameaças, são químicas, biológicas? Alguém resolve falar do background histórico. Da chegada dos emigrantes muçulmanos a França, da sua integração, da integração falhada de apenas 13% (87% aderem aos valores da república) da 3ª geração e porquê. Mas ele, volta à carga, que tipo de armas, e a qualquer momento?Os franceses querem saber, argumenta. E quais são o alvos? Escolas, hospitais... Conclui, ahhh estamos perante uma relação de forças...bingooo! tenho vontade de gritar, ao fim destes anos todos chegou à conclusão certa,uffff, quanto lhe pagarão?
À volta da mesa 6 homens e 1 mulher. Dos seis vem à baila de tempos a tempos o choque cultural, o fim da sociedade patriarcal, o papel da mulher na sociedade moderna que alguns jovens e menos jovens não conseguem aceitar.Repito, 6 homens e 1 mulher, caso não se tenham apercebido da desproporção.E lá vão explicando, que os jovens franceses recrutados não conseguem aceitar o papel da mulher emancipada da nossa sociedade... sociedade essa onde 6 homens dizem a 1 mulher (repórter com várias reportagens na região) que não devia pôr o véu quando entrevista um radical no terreno, porque é uma questão de princípio. Ela responde naturalmente que respeita a cultura do país onde se desloca, que se todos fizessem assim... Cortam-lhe a palavra...well, como é que era, jovens desenraízados que não se revêm numa sociedade em que o pai está desempregado e a irmã é que vinga, que não aceitam uma sociedade que não é patriarcal? Que não é o quê?
Ela lá tenta outravez: É preciso perceber que os fundamentalistas encontram adeptos porque o Ocidente para eles é todo igual, como para nós muçulmano=terrorista. Ou seja, preconceitos dos dois lados. Que somos vistos como arrogantes, exploradores, colonialistas... Que essa imagem tem de mudar se não, não há polícia que nos valha. É preciso educação, respeito. Nas reportagens que fez teve ocasião de explicar a universitários e combatentes a lei do véu em França. Perceberam e afirmaram que tinham uma ideia errada. Falta diálogo. Grande frustração e desconfiança por parte de quem não tem uma chance ou se sente discriminado. Depois, o trabalho é fácil para as Al-Qaedas deste mundo, infelizmente. Mas isto, o moderador não quer ouvir... "não me venha dizer que a culpa é nossa". E toca de voltar à vaca fria, mas afinal, qual o nível de alerta? Constantemente elevado? Sim, respondem-lhe. E qual é o retrato do terrorrista-tipo? Não existe, pode ter qualquer aspecto, o barbudo com djellabah já foi chão que deu uvas. Ele fica descoroçoado, nem o retrato robô lhe dão.
Kouchner ainda se lembrou da guerra no Iraque a atiçar recrutamentos, a coisa não foi longe. Metia muita explicação e era menos, com hei-de dizer...impressionante.
A repórter lá disse que acha a luta anti-terrorista um bluff perante a amplitude do que sentiu nos países muçulmanos. O moderador quase que lhe lançava as garras. Kouchner, ao bom estilo vira casacas, tanto a apoiava como a seguir lambia elogios aos inspector e ao juíz. Esses, habituados à dura realidade, tiveram o bom senso de não cair na esparrela e de conciliar a sua posição com a da repórter, recordando que face ao terrorismo é precisa a polícia e serviços de informação, mas é necessário um trabalho de fundo que deveria ser feito pelos políticos. Aiiii, Kouchner sentiu-se visado.
Hoje é dia 12 de Setembro e vítimas são vítimas mesmo sem efémerides. Sossegamos a consciência com cerimónias reportagens de empreitada e depois? No Iraque há atentados todos os dias, no Sudão, na Índia, to quote but a few. Alguém tenta explicar que é no respeito mútuo que se constrói a confiança. Com ela os Ben Ladens nada podem. Mas quem ouve esta mensagem? Ela não interessa, não é securitária, não dá votos nem calma imediata. Implica mudar o jogo de forças em que estamos. Implica mudar, deixarmos de nos ver como exemplo, como dadores de lições. Assumirmos o nosso papel no mundo, assumirmos as nossas responsabilidades, as repercussões de quem elegemos. Não esquecer que ao lado das nossas vidas, felizmente despreocupadas vive um mundo imenso na miséria ou quase.
Para além disso somos ínfimos, o Sol nasce todos os dias e é belo, os bichos acasalam, os planetas giram, umas estrelas morrem e outras nascem e estão a borrifar-se para nós e para as nossas teimosias e joguinhos de poder. A menos que nosso afã poluidor demos cabo do planeta e o arrastemos connosco no nosso declínio. Ficaríamos para a história não escrita como o bicho menos inteligente que jamais o habitou.

segunda-feira, setembro 11, 2006

A plenitude...

...que sinto em Setembro é fugidia, efémera. E por isso saboreio-lhe cada segundo. Lenta, lentamente. O seu calor tardio, a sua luz madura, o seu céu de adeus.Arauto da minha Estação preferida, sem dúvida, eu devo ter uma predilecção pelos Outonos da vida...
As bocas desnecessárias do vizinho falsamente senil não me ficam na memória, nada. Só o bosque ainda verde que avisto da janela ou a amiga ao almoço.
Suponho que no mundo nada mudou, a beleza deste mundo está no meu olhar.
Claramente, Setembro é o mês em que halucino melhor.

"Changement d'adresse"




Gostei...até bastante.A prova de que não há que temer a simplicidade. É fácil construir um universo quando se é fiel a si mesmo.Um filme simpático (que coisa tão francesa para se dizer,lol). E se clicares na imagem, adivinha onde vais parar...

AZUL

Azul boa disposição,
azul sorriso fácil,
azul despreocupação,
azul acrílico,
azul Sul,
azul sem ponta de névoa,
azul almoços no parque,
azul roupa de Verão,
azul com Sol,
azul passo desapressado,
azul verão indiano,
azul todo azul,
azul céu de Bruxelas nos últimos dias.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Jardin du Fleuriste


Bruxelas não seduz, é seduzida. Não se oferece, desvenda-se.
Por isso quando chegamos torcemos o nariz e dedicamos-lhe epítetos pouco elogiosos. Mas quem fica, por obrigação ou teimosia, acaba por ser recompensado. Bruxelas existe atrás de mil e um corredores, dentro de inúmeras paredes, ao fundo de ruelas sem nome, em cima de andares inóspitos. É por aí que ela esconde o seu charme.


Quando cheguei ainda era mais assim. Entretanto internacionalizou-se, e lá vai mostrando mais os galões à luz do dia.

Mas as jóias mais queridas continua a escondê-las para quem merece, isto é, para quem faz por descobri-la.

Foi assim, que levados por amigos para os lados de Laeken (quantas vezes olhado com desdém por quem vive entre Louise e o Châtelain) descobrimos o que não suspeitávamos. Um mundo de verdura, de árvores frondosas, lagos cuidados e Atomium polido e abrilhantado.

Escondidinho atrás do Parc Sobieski, encontra-se um segredo. O Jardin du Fleuriste, jardim onde praticam os seus talentos os alunos da Escola de Jardinagem. Num planalto qual palco com vista sobre a cidade descobrimos um jardim zen, com flores de lótus nos lagos simétricos, plumas de canas ondulando ao vento, vinhas, bancos de jardim e caminhos em teka.

Shhhhhh, não digam a ninguém;-)

sexta-feira, setembro 01, 2006

Sopro Vital VI




Por vezes sinto-me envolvida numa nuvem de ruído, de acusações, de incompreensões. A nuvem cresce e eu diminuo perdida naquela nebulosa.
Consigo então encontrar o botão, o do volume escondido num compartimento esquecido. Começo a rodá-lo, um bocadinho de cada vez. Aos poucos a nuvem evapora-se, o ruído esbate-se. Surge, primeiro imperceptível, o rumor primitvo que me recorda onde estou. Lentamente, ocupa todo o silêncio e traz-me de volta o equilíbrio inicial. Eu oiço a minha respiração. Estou a fazer Yoga.

E eu que pensava que a minha casa era um porto seguro...

...de paz, calma e serenidade. Até me terem feito prisioneira.
Eu explico.
Quando qualquer serviço de manutenção precisa de passar por cá, por exemplo os técnicos do contador da água que tinham de passar hoje, ou o serviço de entregas da Pixemania, isso significa que é suposto estar alguém em casa o dia todo. Não sei qual é a taxa de donas de casa bruxelense. Suponho que seja elevada, pois quando lhes digo irritada ao telefone que eu trabalho e que que não vou gastar um dia das minhas férias à espera de suas excelências...eles não percebem. Respondem-me pela enésima vez: Mais on sait rien faire Madame, on passera entre 9h et 18h.
E depois ou passam e não estou cá o que dá azo a uma saga de conversas de surdos ao telefone ou... até estou em casa por coincidência e passo o dia encarcerada à espera que eles venham às 17h50, hesitante entre ir tomar o duche ou esperar primeiro que eles cheguem, não vá dar-se o azar deles passarem mesmo nessa altura.
É essa hoje a minha sorte.
Como se não fosse o suficiente, ainda me vem aqui uma alminha tocar à porta para me dizer que há quem tente conciliar a ciência e a religião...?!?!
Acho que hoje à noite vou ao Yoga.

Há coisas que não percebo...

Tenho andado a pesquisar hotéis do Funchal na Net para lá passar o fim de ano. A escolha é grande. Tenho-me deparado com excelentes e belos hotéis, da quinta de charme , passando pelo design hotel até ao grande hotel clássico. Expliquem-me lá porque motivo o site do Reid's não existe em português e o do Choupana Hills tem a página portuguesa ultra incompleta.
São dois óptimos hotéis, de beleza e serviços reconhecidos.E dou por mim com a sensação que estou ali a espreitar onde não sou chamada.