quarta-feira, maio 30, 2007

Índice de Paz global

O Índice de Paz global é o resultado de um estudo feito pela Economist Intelligence Unit, encomendado por Steve Killelea empresário e filantropo australiano. O dito empresário espera suscitar o interesse pela paz perante os resultados do estudo que avalia o nível de violência e de perigo de cada país. Nos primeiros lugares os países escandinavos, Irlanda, Japão, Nova Zelândia, Canadá, Portugal, Áustria.

O Guardian indica uma das conclusões do estudo: "The survey found that "small, stable countries which are part of regional blocs, such as the European Union, are most likely to get a higher ranking". The main determinants of internal peace were income, extent of schooling and the level of regional integration."

De entre os 24 parâmetros que permitiram a classificação dos países temos a participação em conflitos armados, número de polícias per capita, população prisional, violência pública, crime organizado, nível de despesa militar no orçamento de Estado.
Sei que em Portugal a população prisional é elevada, pelo que os outros parâmetros devem ter um resultado muito bom.
Já a classificação dos EUA em 96° lugar não me surpreende. Pela participação e incitação a guerras, sim. Mas depois da visita a New York, pela atitude policial que detectei em vários nova iorquinos...nem todos eles polícias...pela incitação à delacção nos cartazes do Metro... pelo stress palpável em que muitos deles vivem...mas sobre isto e muito mais escreverei mais tarde.

domingo, maio 27, 2007

The Year of Magical Thinking on Broadway

De tudo o que trouxe desta viagem, esta é uma memória que ficará comigo, talvez não para sempre, mas durante muito tempo. Deixo-vos este appetizer enquanto digiro a minha dentada na grande maçã...

terça-feira, maio 15, 2007

Querido diário...


...não esperes por mim nos próximos dias. Estarei com o meu Mr.A algures entre estas torres, talvez num parque, num museu...ou nalguma lojinha magnífica de Soho ou de Chinatown. Parto cheia de imagens , de expectativas...será que me vou desiludir? Confirmados estão os muffins, cheesecakes, os noodles e brunchs que comerei sem ti. Também os cosmopolitans e os Shirley Temple e cafés de litro que beberei sem ti. Vou gastar os meus sapatos vagabundos pelas ruas da grande N.Y.


Un jour j'irai à New York avec toi...

Relançada pre-negociação da Constituição...

...leia-se no Le Monde de hoje com direito a visita de Sarkozy a Angela Merkel.
Renegociação com tentativa de compromisso em Sintra durante a presidência portuguesa.
E depois? Depois vai ser baralhar e voltar a dar para ver se engolem a pílula.
Em vez de constituição chama-se-lhe novo tratado e como é algo de novo já não terá de ser referendado. Irrita-me esta falta de fé na capacidade de explicar aos cidadãos europeus os benefícios da Europa...

sexta-feira, maio 11, 2007

Desafios

A Pitucha do No cinzento de Bruxelas lançou-me um desafio, dizer o que eu seria se fosse...ora aqui vai:

Se eu fosse uma hora do dia seria...o crepúsculo do pôr-do-sol.

Se eu fosse um astro seria...a estrela polar.

Se eu fosse uma direcção seria...o sudoeste.

Se eu fosse um móvel seria...uma cama.

Se eu fosse um líquido seria...o azeite.

Se eu fosse um pecado seria...a luxúria.

Se eu fosse uma pedra seria...uma água marinha.

Se eu fosse uma árvore seria...um carvalho.

Se eu fosse uma fruta seria...um dióspiro.

Se eu fosse uma flor seria...uma orquídea.

Se eu fosse um clima seria...mediterrânico-atlântico-temperado.

Se eu fosse um instrumento musical seria...uma ocarina.

Se eu fosse um elemento seria...a água.

Se eu fosse um animal seria...a águia.

Se eu fosse um som seria...um sopro.

Se eu fosse uma música seria...mística.

Se eu fosse um estilo músical seria...blues.

Se eu fosse um sentimento seria...a angústia.

Se eu fosse um livro seria...O lápis do carpinteiro de Miguel Rivas.

Se eu fosse uma comida seria...pato lacado à moda de Pequim.

Se eu fosse um lugar seria...uma costa do Atlântico.

Se eu fosse um gosto seria...agridoce.

Se eu fosse um cheiro seria... uma mistura de gerânio, tangerina e ylang-ylang.

Se eu fosse uma palavra seria...eu.

Se eu fosse um verbo seria...respirar.

Se eu fosse um objecto seria...um copo.

Se eu fosse uma peça de roupa seria...uma túnica marroquina.

Se eu fosse uma parte do corpo seria...o nariz.

Se eu fosse uma expressão facial seria...o interesse.

Se eu fosse uma personagem de desenho animado seria...a princesa do Shrek.

Se eu fosse um filme seria...Um chá no deserto.

Se eu fosse uma forma seria...uma linha longa e curva.

Se eu fosse um número seria...o 8.

Se eu fosse uma estação do ano seria...o Outono.

Se eu fosse uma frase seria:"O que mais nos irrita nos outros são as nossas características que não gostamos de reconhecer."

Lanço o desafio à Lu do Ma grande folle de soeur, se ela lhe quiser pegar... :-)

quinta-feira, maio 10, 2007

Eurovisão is coming III (e último...em princípio)

Existe outra forma de abordar a coisa. O humor,o nonsense, o surrealismo-drag queen-marciano-latinóide-kitsch. E nessa ordem a nossa canção tem uma chance, ainda que atrás de outras, como a que aqui vos deixo: Ucrânia-Verka Serduchka

Eurovisão is coming II

Ver aqui a canção portuguesa candidata. Curiosamente o You tube não me deixa "postá-la". O you tube está paternalista, quer proteger-me da ignomínia, que querido, hi,hi

...estamos claramente na fase pré-Lordi...se bem que como ode ao kitsch, saloio, que caracteriza e caracterizou a Eurovisão está perfeita.Há que reconhecer.

Eurovisão is coming

Depois de uma incursão pelo You tube só posso concluir que há o pré e o pós Lordi. Mas aos amantes da Eurovisão clássica não se preocupem, tal como acontece com os regimes políticos, com a arte, com a moda...nem todos evoluem ao mesmo tempo...deixo-vos com a canção israelita: os Teapacks-Push the button.

The Krazy Mess Groovers - Love Power - OFFICIAL CLIP!!

Sim Love Power para todos vós, my brothers and sisters neste fim-de-semana que se aproxima.

Se não reparam ele anda aí, anda a rondar para voltar a atacar. Ele quem? O Festival da Eurovisão...
O Tirem-me deste filme e o Lote 5º 1º dto começaram e eu continuo.

Deixo-vos com a canção belga candidata este ano.

quarta-feira, maio 09, 2007

O planeta da imprensa sensacionalista...

continua a inchar.
Para esta notícia que se pode ler em toda a imprensa francesa de hoje, avanço as seguintes hipóteses de justificação:

1-As eleições francesas ainda não ocorreram ao contrário do que pensa meio mundo e por isso ainda é legítimo e interessante falar da Segolène de preferência em termos depreciativos, dia sim, dia sim;

2-Em nome das vendas vale tudo, inclusive arrancar olhos;

3-Segolène é alvo a abater pelo UMP mas sobretudo pelos "elefantes" do PS francês na perspectiva das eleições legislativas;

4-Na vaga de medecinas alternativas é legítimo bater na Segolène para aliviar o fígado...essencialmente vale tudo o que permita evitar medicamentação convencional;

5-É legítimo e recomenda-se fazer passar por notícia retumbante o que toda Paris já sabe;

6-Está para sair o manual sobre:"Como escrever um livro, analisar um casal, avaliar as causas duma derrota e ficar milionário ao mesmo tempo que se lança um véu sobre questões que realmente interessam e ainda por cima se passa por moralista e pessoa de boa vontade" tudo em apenas 3 dias...

O que mais me dói é que o Nouvel Obs era por mim considerado imprensa de referência...

Resolvi...

... espreitar o site do programa "Portugal, um retrato social" de António Barreto.
O documentário é duma maneira geral muito interessante, informativo, sério. Terá seguramente algumas lacunas, não duvido, mas serão menores.
De repente surge uma imagem da praia, com aquelas côres que tinha a TV no início. Recordou-me uma foto que tenho de mim, bem pequena. Nó na garganta, vem-me à memória uma infância feliz, verdadeira ou edulcorada o que sobra dela traduz-se numa sensação de segurança, inocência, cheiro de toalha a sal, areia e protector solar. Estou a ficar velha.
Daqui de 2007, em Bruxelas, ver o Portugal dos últimos 50anos recorda-me um país de que só tenho memória a partir de finais dos anos 70 . Com esta distância tudo é mais compreensível. Este deveria ser um exercício a fazer regularmente.

segunda-feira, maio 07, 2007

Como eu vejo as coisas...

53% dos franceses elegeram para Presidente um homem que esteve no último governo, ou seja nos últimos 5 anos. E dizem que o elegeram para mudar.

Escolheram um presidente para reforçar a segurança. Escolheram-no por acharem que tem estatura de homem de Estado. Ele que com afirmações racistas incendiou os ânimos das banlieues quando estas começavam a agitar-se.

Escolheram-no por acharem que vai voltar a França para o mundo, sobretudo para os EUA. Ele que não punha os pés nos Conselhos de ministros da UE por achar que não valia a pena e quando ia era para fazer tristes figuras. Ele que apoiou Bush, o mesmo Bush que se encontra de gatas e ultra desacreditado.

Escolheram-no porque acham que a França precisa de pulso forte e, simultâneamente porque querem uma França arejada e voltada para o futuro...

Escolheram-no porque acham que ele vai relançar a economia e o emprego que o governo em que participou não relançou.

Escolheram-no porque ele explicava bem as suas ideias. Por exemplo: vai continuar as políticas do anterior governo em matéria de fundos de pensões e para travar os efeitos do envelhecimento da população e simultâneamente vai travar a emigração.

Conclusão:
1-Em democracia é a opinião da maioria que decide e é assim que tem de ser.
2-Em países democráticos os povos têm o que merecem (embora eu até não lhes desejásse isso).

Tell me lies tell me sweet little lies

O mais curioso na observação da nossa natureza é constatar que no ataque da serpente ao rato, não é só esta que o hipnotiza, é o próprio rato que busca o olhar manipulador e lhe pede que o engula. O fascínio da presa pelo olhar do predador, a sua atracção fatal é um fenómeno complexo e inexplicável à luz da razão...mas onde anda a razão nessas alturas...

quinta-feira, maio 03, 2007

Are you from Brussels?

*Foto do jornal La Libre Bélgique

Assim é a nossa cidade no ano de 2007 segundo nos relata o La Libre Bélgique. Mais estrangeira que belga , mais multilingue que bilingue, muito anglófona em todo o caso.

Talvez por isso me sinta bruxelense e nunca belga. O que isso significa? Bom, um misto de coisas boas e más.

Não sou de cá e entro em transumância ciclicamente, suscitando a inveja quando digo que tenho de ir a Portugal. Mantenho na minha agenda a minha e as transumâncias amigas que não se destinam forçosamente ao mesmo local.

Critico a Bélgica pelas inúmeras incompreensões mútuas e com os amigos encontramos críticas comuns apesar das diferenças culturais existentes à partida. Com o tempo este traço esbate-se.

Tenho o meu quê de burguesa mas adoro teatros de bairro, de preferência com peças de intervenção e música do mundo que me é servida quase no colo. Gosto de comer bem, tem de ser bom, descontraído e despretencioso ao mesmo tempo. Digamos que tem que ser a qualidade francesa, sem os empregados anoréxicos e com doses que se vejam.

Irritam-me os nacionalismos e bairrismos mas fico picada se criticam demasiado o meu rectângulo.

Trato por tu as souvlaki gregas, os polpettini italianos ou os penne rigatti ou um "américain" e exijo "fritas" com gordura de ganso, para mostrar que isto de batatas fritas tem muito mais que se lhe diga.

Torço o nariz à maioria dos chocolates que não sejam belgas e como sem pretensões aquela marca óptima que até se vende no supermercado.

Posso ir a Paris com certa facilidade, mas gabo as vantagens da Bruxelas de dimensão humana, cosmopolita e provinciana, mais barata também.

Passo sem hesitar da avenue Louise para o Matongé, ou seja da rua chic cá do sítio para o bairro africano. Vou à Bruxelles-plage perto da gare du Nord, no canal habitualmente conhecido como Marrakech- sur-Senne.

Frequento os mil e um festivais de música e cinema latino-jazz-blues-africano-etc... Conheço pelo menos 3 mercados nas redondezas para fazer as compras...ainda que acabe por ir ao Delhaize ou ao GB.

Bruncho como respiro. E qualquer reunião de amigos em que não se falem pelo menos duas línguas não é digna desse nome.

Ando de bicicleta ao fim-de-semana, juro andar de trasnportes durante a semana e quando me desleixo, dou por mim presa no trânsito dentro do carro a pensar: por isso é que é melhor vir de eléctrico.

Por estas razões e muitas mais "Ik ben een brusselaer", pois é, pois é...


Será porque...


*Fotos do site do filme Monsoon Wedding

..ando em plena empreitada de filmes indianos (típicos Bollywood ou não), não sei, mas a verdade é que o debate Sego-Sarko de ontem à noite me deixou com a convicção inabalável de que Sarkozy deveria ter feito carreira em Bollywood. Aquele arquear de sobrancelhas, o rebaixar da cabecita que logo se levanta para lançar um olhar de cão pidão...sinceramente só faltaram os olhitos marejados de lágrimas, o lábiozinho tremelicante e uma chuva de indianas e indianos a abanar a cabecinha e as ancas.


No estilo manipulador de trazer por casa é difícil fazer melhor. Sim, está bem há o Berlusconi, mas dêem-lhe tempo.


Sego, longe de ser a principiante ignorante que querem pintar, tem anos de tarimba. Pode concordar-se com as suas ideias ou não, eu prefiro o seu ar mais frio à sedução estilo matador taco de pia do Sr. Sarko.
Seja como for, cada um tem o que merece e os povos também.

E agora que já afiei a língua vou estender-me no sofá e ver o maravilhoso: Monsoon wedding.The real thing, even better than the real thing.