quarta-feira, julho 13, 2011

E agora?

O que está a acontecer na zona euro não é surpresa, não para quem honestamente tem acompanhado a situação.E honestamente significa com honestidade intelectual, admitindo que de A se chega a Z passando pelas outras letras do alfabeto e não estando constantemente a voltar a A, como se tudo o que se passa agora fosse de geração espontânea, inesperado e não tivesse origem no passado. E nem sequer é preciso ser-se economista. Eu, na minha modesta condição, antecipei inúmeras vezes que uma união monetária desunida abre o flanco ao ataque externo. Uma união desunida não sobrevive, não faz sentido. Ora a Alemanha e os Países-Baixos têm governos que não parecem prontos para a federelazição. Estamos por isso à beira do fim do euro, pelo menos como o conhecemos. As próximas eleições na Alemanha serão importantes, resta saber se nos aguentamos até lá e se mudarão alguma coisa. A esse nível e por muito que me custe, não temos nenhuma palavra a dizer, embora nos afecte.
No Libération de hoje vem uma entrevista a Christian Saint-Etienne, membro do Conselho de Análise económica junto do PM francês. Vale a pena lê-lo, preparemo-nos para o que aí vem, destaco o seguinte:

"Que préconisez-vous?

La solution idéale serait de fédéraliser la zone, ce que les Allemands refusent. Il s'agirait d'une fédéralisation partielle, à 9, regroupant France, Bénélux, Allemagne, Autriche, Italie, Espagne, Portugal. On laisse aux Grecs un euro qui, du coup, sera dévalué. Et on crée un «new euro», avec un gouvernement économique et un vrai budget fédéral à 7 ou 8% du PIB. Ce dernier permet de redistribuer de l'argent entre les pays-membres pour compenser leurs différences de structure économique. La banque centrale reste indépendante, même si on peut imaginer de réécrire Maastricht pour lui donner, en plus de son mandat de stabilité des prix, une mission de croissance économique. Une telle zone deviendrait la deuxième puissance du monde. Mais soyons clair: la probabilité d'un tel scénario est quasi-nulle.
(...)
Laquelle des différentes options évoquées vous semble la plus probable à court terme?

Si la dette de l'Italie est attaquée, il n'est plus possible de bricoler comme on l'a fait jusqu'à présent. La fédéralisation étant très peu probable, reste la sortie de l'Allemagne. J'estime les chances de son départ à 30% dans les trois prochaines années."

O artigo na íntegra aqui.

domingo, julho 03, 2011

Poupemos agora os nossos descendentes para que um dia eles paguem...mais.

"Comissário dos Transportes diz que fundos para TGV não podem ser usados noutros projectos

O comissário europeu dos Transportes, Siim Kallas, defendeu hoje que os fundos comunitários destinados à ligação ferroviária de alta-velocidade entre Lisboa e Madrid não poderão ser usados noutros projetos.

"Em termos concretos, os fundos de coesão são uma decisão dos Governos e podem ser realocados, mas os fundos de projetos prioritários não podem ser realocados. Então, se o projeto for cancelado, este dinheiro não poderá ser usado e regressará ao orçamento europeu", afirmou Siim Kallas.

"Então, se o projeto for cancelado, este dinheiro não poderá ser usado e regressará ao orçamento europeu", acrescentou o comissário.

O vice-presidente da Comissão Europeia e comissário dos Transportes falava durante uma conferência de imprensa conjunta com o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), relator do parecer do Comité das Regiões sobre o livro branco dos transportes.

Siim Kallas disse compreender a "posição financeira difícil dos estados-membros e, neste caso particular, de Portugal", sublinhando que a Comissão ainda não sabe exatamente os contornos da decisão do Governo português em suspender o projeto.

"Ainda não sabemos o que esta exata decisão é, se é um efetivo cancelamento deste projeto ou um adiamento e para quando", referiu.

A Comissão encoraja os estados-membros, se possível, a "não cancelarem os grandes projetos de infra-estruturas porque são projetos a longo prazo e trarão emprego", afirmou.

Lusa"

Fonte.

Já nem sei como é que se lhes há-de explicar isto, se calhar em grego...