segunda-feira, junho 30, 2008

Tumultos na China

Como se pode ler neste artigo do Libération, a população revoltou-se numa aldeia do sudoeste chinês. A revolta começou depois de ter morrido o tio duma rapariga que tinha previamente aparecido morta. A polícia concluiu que a rapariga se suicidou, o tio (professor na escola secundária ) reclamou junto da polícia por não acreditar na conclusão. Foi espancado pela polícia ou alguém a seu mando e acabou por morrer no hospital. É o que pensam as pessoas que se revoltaram. Acreditam que a jovem foi violada e depois assassinada pelo filho duma figura importante do partido local que a polícia está a tentar proteger. Vários jovens lançaram fogo a edifícios da administração local e foram espancados pela polícia. A revolta aumentou.
Na internet os comentários e fotos foram bloqueados.
Quem deixou os chineses ganhar o gosto pelas manifestações contra o Carrefour se calhar despertou algo adormecido... Como conta John Pomfret do Washington Post nesta entrevista da UCTV, em 89 também começou tudo com umas manifestações estudantis contra os estudantes africanos em Nanquim e depois a coisa ganhou vida própria.
Depois do terramoto surgiram manifestações contra a má construção das escolas públicas que custou a vida de tantas crianças. Os media até então aliciados a noticiarem tudo calaram-se de repente e dos protestos de pais e cidadãos deixou de se ouvir fosse o que fosse.
Situação a acompanhar...

"Ganda" jogo!



Fenomenal! Vitória merecidíssima dos espanhóis. Parabéns!

sábado, junho 28, 2008

A orgia de cerejas...


...é uma das coisas boas do Verão

sexta-feira, junho 27, 2008

Mobicomp , diz-lhe alguma coisa?

O meu vizinho turco e respectiva família são pacatos . Calmos, reservados, simpáticos. Não conheço outros turcos aqui em Bruxelas, mas deixam-me excelente impressão.
Depois da prestação da equipa turca no Euro 2008 fiquei ainda mais impressionada com os turcos, aquilo é que era motivação, força de vontade. Esta atitude, justa ou injustamente já levou a criação da expressão "à la turque". Espero que pegue e que se propague rapidamente. No Diário Económico Luísa Bessa escreveu um artigo muito interessante sobre esta atitude, desta feita comparando-a à empresa Mobicomp. Exemplo a seguir. Para ler o artigo, clicar aqui.

quinta-feira, junho 26, 2008

O "Não" irlandês visto pelos irlandeses

No "Irish Independent News" pode ler-se um artigo sobre o referendo irlandês já na fase de ressaca.
Não me parece diferente daquilo que tenho dito sobre os motivos que os levaram a votar assim. Tenho por hábito julgar os outros com o mesmo rigor que me julgo a mim, ou a nós. Talvez seja também isto ser europeia, tratar um irlandês como trato um português, não ter falsa diplomacia e condescendência que comigo não tenho. Porque tenho amigas irlandesas e já nem penso na nacionalidade delas quando estamos juntas...excepto quando lhes escapa o sotaque mais para o Eire e fico sem perceber pitada...
Acrescento: A este respeito vale a pena ver o programa Clube de Imprensa do canal 2, do dia 25/06/2008. Para ver clicar aqui.

quarta-feira, junho 25, 2008

O desemprego na Bélgica

Ouve-se falar em Bruxelas e surge a imagem do país do centro norte e dos eurocratas e do bom nível de vida. Assim é. Mas Bruxelas e a Bélgica são muito mais do que isso.

Exemplo: a taxa de desemprego no país.

O Instituto belga do emprego (Onem) publicou hoje os mais recentes números do desemprego . Pela primeira vez desde Junho de 2002 a taxa de desemprego é inferior a 10% (9,9%). Esta é no entanto a média nacional. Na Flandres a taxa de desemprego é de 5,4%, na Valónia de 15,4% e em Bruxelas de 19,5%.

Uma Valónia com dificuldades em reconstruir-se numa fase pós-indústria mineira, uma Flandres de economia pujante, Bruxelas a burguesa onde vivem paredes meias uma classe média desafogada (comunitária, expatriados, belgas também) uma cidade de salários muito mais baixos e de elevado desemprego.

Alive and kicking

O processo de construcção europeia é algo de totalmente novo. É fascinante. Depois do banho de água fria que foi o "Não" irlandês, que comentei aqui, aqui e aqui, aí está ela a mexer.
A reflexão, o debate começou. Porque já se começou a perceber que não basta fazer a Europa, há que debatê-la, explicá-la, pensá-le sempre. Veja um exemplo aqui, ao vivo e a côres. Um debate sobre o futuro da Europa entre Daniel Cohn-Bendit dos Verdes e Lamassoure do PPE. Eu adoro isto.
P.S.: Já agora o Euronews é o canal europeu, o único, com programação em várias línguas, inclusive em português. Por lá se encontra muita informação sobre o que fazem as instituições e estados-membros, para além dos blocos noticiosos normais. À distância dum clique.

terça-feira, junho 24, 2008

The bigger picture

Vale a pena ler este artigo no Le Monde de hoje para perceber o que se passa na Irlanda.

Ensino em Portugal

segunda-feira, junho 23, 2008

Hoje na TV belga reflecte-se sobre...

A RTBF, televisão pública belga francófona, escolheu o dia de hoje para realizar uma reflexão/debate sobre a seguinte questão:
Sem resposta fácil, provavelmente sem resposta única. E como eu disto percebo pouco, para além do que me dita o meu senso comum, vou ler, ouvir e pensar.
Já no site da revista Science et Vie se encontra um debate sobre o "cidadão sustentável" e outro sobre "as energias limpas ou renováveis".
Recomendo.

domingo, junho 22, 2008

"Alguém" ficou feliz

Sim, sorria e exulte quem já festejou com os irlandeses e com o seu magnífico veredicto ao Tratado de Lisboa. Têm companhia na satisfação:





Enterrem-na, pedem os Eua, perdão, cough,couhg, o The Economist. O artigo pode ser lido aqui.

Uma magnífica ode e miscela de ideologia anglosaxónica, predominantemente americana.

Falta de consulta democrática dizem uns, mas no fim de contas, é um alívio para outras frentes na cena mundial, foi o escape de inúmeros medos reaccionários dos irlandeses e oportunidade para muitos outros dizerem que se os irlandeses dizem não, extrapolamos e todos diriam não. Ai sim? E isto é democrático?

sábado, junho 21, 2008

Eu e o Golf

*imagem retirada daqui


O Sr. A recebeu 3 aulas de golf como prenda de aniversário duns amigos. Amavelmente , os amigos incluiram-me nas aulas oferecidas.
Hoje fomos à primeira aula.
Conclusão ao fim do primeiro dia: o golf e eu somos dois. Dói-me o pescoço. A ver...

sexta-feira, junho 20, 2008

As minhas descobertas preferidas na internet III


O canal de televisão LinkTV - television without borders . Descobri-o através do i-tunes, está gratuitamente disponível na i-tunes store ou no seu próprio site. A LinkTV é um canal americano que visa educar e informar sobre o mundo. Através do programa Global Pulse apresenta uma série de mini-reportagens (4-7 min.) sobre temas da actualidade. Cada reportagem mostra-nos a forma como o mesmo tema é tratado em vários canais de todo o mundo, da BBC à Aljazeera, da ABC à CCTV9, passando pela TV5, DW e muitos outros.


Provavelmente a melhor forma de ver informação: comparando várias perspectivas.


A título de exemplo deixo aqui a reportagem que eles prepararam sobre a crise mundial do trigo de 2 de Abril deste ano.


Recomendo.

quarta-feira, junho 18, 2008

Agricultores em Bruxelas



Hoje há manifestações em Bruxelas. Uma delas é dos agricultores.


Os agricultores belgas estão neste momento a caminho de Schuman. Acabei de vê-los passar pela Chaussée de Waterloo:



Oxalá seja possível o diálogo e concertação e não se repitam os confrontos e vandalismo da manifestação dos pescadores... :-S

L'Europe expliquée aux nuls


Não sei se conhecem a colecção "...pour les nuls" ou " for dummies". Acho que até já foi traduzida em português. A coleçcão apresenta inúmeros temas explicados de forma bastante simples para quem não domina uma determinada matéria.


Nos últimos dias tenho lido artigos e comentários sobre a UE , o "Não" irlandês , de tal forma afastados da realidade que me ocorreu aconselhar o Livro L'Europe pour les Nuls. Isto , claro está, para quem quiser pagar aquilo que de outra forma está gratuitamente disponível aqui.
Em muitos dos comentários critica-se a máquina burocrática da UE em Bruxelas por ser distante, incompreensível, pouco democrática. Em suma, a razão de ser de todos os males, da desconfiança e afastamento dos cidadãos europeus. É óbvio que se pode melhorar e muito a comunicação e informação sobre a UE. Mas a verdade é que toda a informação se encontra já disponível gratuitamente na internet, no canal gratuito EBS, em suporte papel. Quem comenta sabe ler, tem acesso à internet, tem instrucção. Não há desculpa para a ignorância.
Em tudo o que leio há uma desresponsabilização. Os irlandeses porque isto, os cidadãos porque aquilo. A responsabilidade está sempre alhures. Não. A informação existe e os cidadãos europeus instruidos só não a conhecem porque não lhes caiu no colo coberta de ouro. E isso nunca irá acontecer.
Está aberto o caminho aos demagogos. Curiosamente , nos referendos o Não ganhou à custa de argumentos xenófobos e retrógrados. Ou seja, à custa de argumentos pouco ou nada democráticos.
Vou então tentar explicar muito devagar e simplificando:
1-A Comissão não decide nada. Não, não estou a mentir. É assim mesmo. A Comissão faz propostas em várias áreas a pedido dos Ministros de todos os estados-membros reunidos em= Conselho de Ministros.
2-Essa proposta é preparada e apresentada a representantes dos ministérios de todos os estados-membros. Estes discutem-na e modificam-na meses ou anos a fio até chegarem a um consenso.
3-Depois, em muitos casos a proposta já acordada entre ministérios dos vários estados segue para o Parlamento europeu. O Parlamento é eleito por sufrágio directo ou seja por todos os cidadãos europeus. Tem vários partidos da esquerda à direita. Tem mais de esquerda ou de direita consoante o voto dos cidadãos. No PE a proposta é discutida , propõem-se alterações e faz-se um relatório sobre a dita proposta que depois de alterado será votado em plenário. Nalgumas matérias tem de haver acordo com o PE. Nesses casos segue-se conciliação entre PE e Ministros dos estados-membros (Conselho). Quando chegam a consenso temos proposta finalizada que terá de ser aprovada oficialmente em Conselho de ministros de todos os estados-membros.
4-A Comissão propõe, medeia e depois de aprovados os actos legislativos vigia e garante a sua trasnposição. Mais nada.
5-Acontece a Comissão representar os estados-membros a nível internacional. Na OMC, por exemplo. As posições que apresenta são o resultado das intrucções que lhe são ditadas pelos ministros competentes dos vários estados-membros e com frequência estes reunem-se à margem das reuniões internacionais para limarem últimas arestas.
Recapitulando, quem dita as áreas em que são necessárias propostas comunitárias são os minitros dos vários estados-membros. Ministros de governos eleitos pelos povos de cada país. Quem aprova os actos legislativos também são eles juntamente com eurodeputados eleitos pelos cidadãos europeus.
Conclusão:
Quando elegemos governos e quando elegemos eurodeputados estamos a votar em pessoas que vão decidir o nosso futuro a nível europeu...também. As orientações políticas de quem elegemos, inclusive para os governos nacionais ditarão as tendências das políticas comunitárias. Quando as populações são acossadas com o medo da violência e dos emigrantes votam em partidos de pendor conservador que depois orientam a política comunitária para esse lado. So simple.
O colégio de comissários da Comissão europeia é formado por indicação de cada governo. Durão Barroso foi escolhido por uma maioria de governos de inspiração liberal (de esquerda ou direita). Governos esses que todos nós elegemos.
Hoje mesmo no Parlamento será votada a proposta relativa ao retorno de emigrantes clandestinos. O seu cariz mais ou menos repressivo será determinado pela opinião que sair maioritária no PE. O PE tem neste momento uma maioria de direita (PPE, partido onde estão o PSD e o PP). Essa maioria foi determinada pelos cidadãos europeus nas últimas eleições.
Se toda esta informação está disponível online e não só, porque motivo a maioria das pessoas não lhe liga e não quer saber do que se passa em Bruxelas, acantonando-se num"é difícil e distante"?
Porque a maioria das pessoas não sabe que o que se decide afecta todos os dias da sua vida. Não sabe porque os governos fazem seus os louros do que corre bem e o que sabem é negativo pois transmite-se a ideia de que o que é mau "vem de Bruxelas". Quando tudo é determinado pelas decisões dos governantes que NÓS elegemos.
Porque razão se faz isto? Porque os governos nacionais oscilam entre a construcção europeia para a qual contribuem e o medo da perda de poder.
e
porque os cidadãos não assumem as suas responsabilidades e recusam-se a fazer o pequeno esforço que consiste em procurar uma página na internet, ler e pensar. Tornando-se assim na presa ideal para todos os demagogos que há agora e sempre haverá .
O Tratado de Lisboa é mais um passo na construção europeia. Ou seja, as instituições vão funcionar melhor, mais depressa, as decisões serão tomadas por maioria e não unanimidade deixando-nos reféns de um ou dois estados. Será necessário fazer alianças, compromissos, como já acontece a nível nacional. Quando houver eleições legislativas será necessário perguntar: que posição têm os partidos candidatos a governo sobre a construção europeia, mais europa, mais poder para o PE, uma defesa europeia? um salário mínimo europeu? Mais protecção ambiental? E política de emigração? E de cooperação fiscal? e policial? E relações comerciais com o resto do mundo? Se não fizerem as perguntas certas poucos ou nenhuns vos darão as respostas de que precisam para decidir em consciência. Nós somos a origem e solução do problema.
Acrescento: E aí está,a nova directiva do retorno dos emigrantes clandestinos acaba de ser aprovada. Aprovada por maioria no PE, eleito por todos nós. Não esquecer, eleito por todos nós...
Antes da votação Ana Gomes apresentou e explicou a sua posição no blog Causa Nossa.
Acrescento do dia 24/06/2008 para minha informação e para não esquecer no futuro: artigo de John Palmer no Our Kingdom.
e artigo de opinião de Jacques Delors no Nouvel Observateur.

terça-feira, junho 17, 2008

Vale mesmo muito a pena ler

Vale a pena ler

e
Estagnação da China tornaria o mundo mais pobre e menos estável, pelo Comissário Peter Mandelson (eu a gostar duma coisa que ele escreve, deve estar algum santo para cair do altar...)

segunda-feira, junho 16, 2008

O elefante cor-de-rosa (primeiras impressões)

Está um elefante cor-de-rosa na loja de porcelanas da UE, mas ninguém fala dele. Por isso quando se mexe alguém vota contra e diz que "é porque a porcelana pode autorizar o aborto" ou porque a porcelana é pouco transparente, distante, altiva, arrogante. E zás, parte-se a louça. O elefante chama-se FEDERALISMO. Comecem por nomeá-lo e reconhecer a sua existência. Sem tabús. Depois quem não gostar dele pode dizer que não o quer e pode mudar de loja...ou não, até pode concluir que gosta do elefante. Todos o vêem de fora, lá da Ásia ou da América mas aqui na Europa somos acometidos duma cegueira selectiva.

Acrescento: por uma questão de clareza, já que os meus subentendidos nem sempre são bem percebidos, digo aqui explicitamente que um projecto federalista da UE tem o meu apoio.


sexta-feira, junho 13, 2008

Bons pensamentos

São os do Pensamento do meio-dia e do Véu da Ignorância blogues que acabei de descobrir.

Recomendo.

quinta-feira, junho 12, 2008

Já cá canta




Logo vos direi de minha/nossa justiça. Sim, nossa, vai ser disputado ;-)

quarta-feira, junho 11, 2008

A panela de pressão

Há seis dias houve uma manifestação de pescadores aqui em Bruxelas que comentei aqui. A manifestação foi aguardada com forte aparato policial e fez jus ao mesmo com inúmeros actos de vandalismo. Não sei se chegou a haver detenções mas a experiência foi vivida como uma inevitabilidade anunciada que se aguentou como se não houvesse alternativa. Motivo da manifestação: aumento dos preços do petróleo.
Esta semana em Portugal decorre um bloqueio rodoviário de camionistas que já descambou para o vandalismo e resultou numa morte. Motivo: aumento dos preços do petróleo.
Há seguramente interesses de armadores e transportadoras que se sobrepõem aos dos pescadores e camionistas. Mas estes são apenas "as árvores na floresta". No geral, temos uma situação crescente de instabilidade com o potencial de aumentar . E o motivo da mesma não tem solução de curto prazo. É este facto que dá força de pressão a determinados grupos sectoriais. Mas é também a prova de que antes do fim real das reservas de petróleo, a sua simples hipótese já cria distúrbios graves.
É a sua simples hipótese que leva especuladores a especularem e aumentarem o preço do petróleo, que dá poder de "vida ou morte" das nossas economia aos países produtores e que determina estratégias belicistas no médio-oriente (que só vêm piorar a situação). Daí que a única solução seja reduzir o mais possível a dependência deste tipo de combustível. Isto leva tempo. Tempo que já devia ter começado a correr há umas duas décadas. O que vivemos hoje foi por demais anunciado. Nem sequer é surpresa.
A sobrevivência consegue-se com antecipação. A antecipação falhou porque não "interessava" mudar o paradigma de riqueza assente no petróleo como fonte de energia. Quem não mudou o paradigma, todos os governantes de todos os países afectados, é hoje responsável pelo que vivemos. Nós também somos. Podíamos ter dado o exemplo, ter começado a andar de bicicleta, de transportes públicos, partilhado carro próprio com amigos, ter comprado carros híbridos estimulando esse sector.
O que parece agora uma crise grave poderá vir a ser o despoletar da mudança necessária que só fazemos porque somos obrigados. Não é muito inteligente mas só nos temos a nós próprios para responsabilizar.
Entretanto, as manifestações que ultrapassam o tolerável vão-se sucedendo. Os dirigentes fecham os olhos para deixar escapar o vapor e aliviar a pressão...é que ainda agora a procissão vai no adro, a solução não está à vista e eles querem ser reeleitos por nós que queremos petróleo barato, ambiente limpo,pesca desenfreada, recursos sustentáveis e já agora a quadratura do círculo também...

terça-feira, junho 10, 2008

As minhas descobertas preferidas na internet II

O "Libélabo" é a versão audio/video do jornal francês "Libération".

Destaco a entrevista ao autor do livro "Chinafrique". Uma visão completa, não maniqueísta, sem auto-comiseração nem invejas mal disfarçadas. Estava esgotado em Bruxelas até à semana passada...vamos ver se é esta semana que lhe deitamos a mão.

Que é que isto quer dizer?

"Dia da raça" ? A sério, expliquem-me por favor. O 10 de Junho é agora o dia do Caniche? Ou é do Pastor alemão? Ou do siamês?

Eu sou da raça humana, penso que todos somos, o PR não sei...

quinta-feira, junho 05, 2008

19 anos

Há 19 anos eu era bastante jovem mas lembro-me de ver na televisão as reportagens dos massacres em Tiananmen. Nunca me esqueci.

Volvidos 19 anos os chineses com quem abordei o assunto, desconhecem-no, evitam-no, justificam-no. Conheço poucos chineses, sobretudo face ao seu número real, por isso este é um comportamento que não posso generalizar.

Volvidos 19 anos ainda há presos de Tiananmen nas prisões chinesas.

Este ano a catástrofe natural e humanitária que foi o terramoto de Sichuan vitimou 69 000 pessoas (números ainda provisórios). Destes muitos foram crianças, vítimas sob os escombros das escolas que ruiram. É horrível ver os pais destas crianças chorarem os seus filhos. Filhos que perderam também por causa da corrupção das autoridades que pecaram por falta de cumprimento das regras de construção em zonas de actividade sísmica e por falta de fiscalização.

O governo chinês enviou recentemente directrizes aos media da China continental para não mencionarem os movimentos de protesto pela má construção das escolas. Será verdade? Em todo o caso deixei de encontrar notícias sobre o assunto.

Admiro muito quem ergue a voz e não desiste naquele país. Têm uma coragem e determinação que nunca tive de ter. Nem sei se teria...

Revolta dos pescadores em Bruxelas - O desespero compreende-se mas nem sempre é bom conselheiro

Hoje de manhã a praça Schuman e arredores estavam sitiados. Polícia de intervenção por todo o lado. Às 9h30 ainda pus a hipótese de ser exagero, quem conhece a polícia belga percebe o que eu quero dizer.

Mas desta feita não foi exagero. Ao almoço, quando saí ouviam-se foguetes, estalidos, pneus queimados, fumo. No regresso foi quase impossível entrar no edificio onde trabalho. O chão estava coberto de latas, de restos de foguetes de sinalização e um carro partido e de rodas no ar...mesmo ao lado do meu.

Nas notícias da noite referiam o fracasso das negociações entre a delegação dos pescadores e a Comissão.

Consigo perceber a frustração dos pescadores. Mas não penso que tenham razão. A única solução será adaptarem-se à nova realidade. Subsidiar os combustíveis será tapar o sol com a peneira, será apenas adiar um problema inevitável. A sua sobrevivência, como qualquer sobrevivência dependerá da capacidade que demonstrarem de entender e de se adaptarem à nova situação, com novas soluções.

Entretanto em Roma, na FAO defende-se o fim da agricultura subsidiada para promover e dar uma chance real à produção nos países em desenvolvimento. Sarkozy também interveio nesse sentido e será francesa a próxima presidência da UE. Se isto implicar mexer na PAC e acabar com os subsísios à exportação que ainda subsistem nem sei o que vai acontecer pelas ruas do bairro comunitário em Bruxelas. Sarkozy deve sabe-lo melhor que ninguém, os agricultores franceses sempre foram dos mais priveligiados, juntamente com os espanhóis. A mama poderá estar a acabar.

P.S.: Ler aqui outra opinião. sobre a possível solução para a agricultura em África.

quarta-feira, junho 04, 2008

Síndrome de visão microscópica

Surge hoje nos jornais portugueses e europeus uma notícia sobre o relatório semestral da OCDE relativo à evolução das economias dos 30 países dessa organização, durante o resto deste ano e em 2009. O título do relatório é: "Perspectivas económicas - o pós-tempestade?".

No Le Monde destaca-se em título o facto de , segundo o dito relatório "o pior da crise financeira mundial já ter sem dúvida passado", como se pode ler aqui.
Segue depois um artigo que apresenta a análise geral do relatório, mencionando no fim o caso específico da França.

o Público opta por destacar em título o abrandamento da economia portuguesa e crescimento do nosso desemprego. Quando lemos o artigo percebemos que a economia até vai crescer mais (embora pouco) do que o governo previu. Para além disso a consolidação das contas mantém-se. Só se menciona Portugal no artigo do Público. Da nota positiva cautelosa da avaliação geral do relatório nem sombras. Será o mesmo relatório? Suponho que sim.

A informação é sempre uma perspectiva. Da perspectiva que se escolhe ficamos a saber pouco sobre a realidade mas muito sobre quem redige. Não admira que em Portugal seja comum a ideia de que só lá há pobreza, desemprego, crescimento económico lento, etc... Falta muitas vezes o contexto mais global em que nos inserimos e que na realidade cada vez menos diverge do nosso...e não por acaso.


Resultam daí manisfestações públicas de auto-desprezo que me parecem particularmente doentias. E que em pouco favorecem uma análise séria dos factos, tão necessária para corrigir o que é necessário.

segunda-feira, junho 02, 2008

Aritmética das tarefas domésticas

50/50. Fifty/fifty. A coisa traduz-se assim: ele cozinha , eu lavo a loiça. Eu faço a cama, ele lança a máquina de roupa, eu cozinho ele lava a loiça e assim por diante.
Só que nestas divisões muito justas e matemáticas há o elemento surpresa.
É que quando ele cozinha sobra uma quantidade de pratos e pratinhos, tigelas e tacinhas, gordura por todo o lado, fogão quase irreconhecível, talheres e mais talheres. Mal reconheço a cozinha. Parece um estúdio de televisão depois dum programa do Jamie Oliver. É um bocado injusto ter de dar conta daquela porcaria depois quando eu sou tão arrumada.
O que vale é que ele cozinha melhor que eu...compensa...bastante.

domingo, junho 01, 2008

Diz-me como me vês dir-te-ei quem és ou o dia em que me senti chinesa...

Pasme-se, venho aqui escrever sobre futebol. Sim, sim leram bem. Não sobre tácticas, forma física dos jogadores ou prognósticos de resultados no Euro. Então sobre o quê, perguntarão? Não sobra mais nada que interesse...
Sobra sim. Acontece que ontem e hoje em conversas com amigos o Euro veio à baila. Nesses amigos e amigas havia uma predominância de anglo-saxónicos e a pergunta que lançou o debate foi: quem vamos apoiar?
A pergunta é pertinente visto que a Inglaterra não se qualificou, facto que eu desconhecia, só para terem uma ideia do que eu ligo à coisa. Vai daí que eles começaram a lançar nomes de equipas que poderão contar com o seu valioso apoio: França, Holanda, Itália, Espanha.
O Sr. A é francês e logo assumiu o seu apoio aos "Bleus" acrescentando que logo a seguir apoiaria a nossa "selecção". Cá entre nós acho que ele vibra mais com os jogos da selecção portuguesa, aquele nosso lado mais emotivo, digo eu. Quando ele falou de Portugal fez-se um silêncio. Só uma voz holandesa disse que depois da Holanda hesitava entre apoiar a França ou Portugal. De resto silêncio albiónico.
Quando o silêncio esmoreceu, choveram críticas ao Cristiano Ronaldo e quando falavam da selecção olhavam-me sentidos. E concluíam, apoiaremos a Espanha, o que a mim me dá igual. Os favoritismos dos clubes ingleses traduzem-se na escolha das selecções. O Manchester United parece-me que não tinha grandes adeptos entre o pessoal...
Eu, que por razões óbvias apoio Portugal percebi então. Não faço ideia em que estado estão os nossos meninos, se jogam bem ou mal e se têm alguma hipótese de fazer boa figura. Mas percebi que a fama os precede e que quem derrotaram não lhes perdoa.
Chega a ser cómico com um bocado de distância. Mas é preconceituoso...e são maus fígados, livra!