quinta-feira, setembro 25, 2008

Vale muito a pena ler...

...o artigo de opinião de Miguel Ángel Aguilar no El País de 23 de Setembro:

"En España, como en tantos otros países del Occidente democrático, el número de los medios de comunicación con afinidades politicas más bien hacia la izquierda tiende a cero. El grave peligro de extinción en que se encuentra esta especie resulta de tres factores : el desisitimiento de quienes impregnados de ideales impulsaron su nacimiento, la dificultad de transmitir en herencia esos valores a los proprios vástagos para que les dieran continnuidad y la incapacidad de algunos de esos medios orientados a la izquierda para adaptarse a los cambios sociales.(...) " Ler o resto do artigo aqui.

terça-feira, setembro 23, 2008

Preconceitos são Prejuicios...

...e por analogia fonética, são prejuízos. Quando regressar de Sevilha escreverei em pormenor sobre a experiência sevilhana inclusive os preconceitos relativos a Portugal. Para isso parece-me necessária uma certa distância e sobretudo terminar a estadia, o que ainda não aconteceu.

Mas o que desde já posso constatar é que no preconceito o ser humano é muito generoso e o espanhol em geral e o andaluz em particular não foge à regra.

Os preconceitos sobre as outras regiões de Espanha têm rédea solta. Um andaluz ou outro espanhol pode falar sem pejo e com superioridade sobre um extremenho ou um galego. Porque são mais pobres que a Andaluzia, pensam eles entenda-se. E Castela La Mancha também não fica atrás.

Conheço várias regiões de Espanha e espanta-me esta atitude entre regiões que em boa verdade pouca diferença têm, sobretudo tendo em conta as diferenças que existem por esse mundo fora.

Pesquiso na Net o PIB per capita de cada Autonomia, e descubro que a Andaluzia é a segunda com o PIB per capita mais baixo de Espanha (o 1° é a Extremadura). Atrás da Galiza. Entenda-se não estou a legitimar este raciocínio, até porque o PIB não nos diz tudo. A Andaluzia é uma bonita região , com cidades fascinantes. Tentei apenas recorrer a dados mais concretos para confirmar ou não uma ideia feita deles, perante a impressão que eu tinha.

Como é obvio o preconceito não é a conclusão dum estudo científico, é a necessidade de se valorizar desvalorizando o outro. Deve ser engraçado ver um andaluz na Galiza, que cara fará? Será de espanto (pt.) ou de espanto (esp.)* ?

*espanto em espanhol significa susto, terror.


sexta-feira, setembro 19, 2008

Eu sou atlântica

É a conclusão a que chego. O mundo mediterrânico exerce sobre mim um enorme fascínio. Está tão próximo, é tão familiar e tão...outro.

Ainda estou em Sevilha.

As noites começaram a arrefecer ontem. Os dias estão respiráveis, apenas.

Estudar melhor a História de Espanha tem sido curioso. É como ver um rio que corre ao nosso lado. Já conhecia parte dessa história. Mas parte apenas. Os paralelismos são muitos com a nossa, tantos que quase nada tem de ser explicado de tão óbvio que é. No entanto, aquele rio ás vezes tem rápidos que o nosso não tem e vice-versa.

Ler os jornais, ver os telejornais falar com os andaluzes permite-me ir completando uma imagem desta região e do país.

Os andaluzes, não dormem. Ou dormem mal, são as palavras que ouvi. Não me admira, não sei quando se deitam. O ruído é uma constante em Sevilha. Lembra-me o sul da Itália. People are loud. E são excessivos. Isso encanta-me e cansa-me. É a falta de sono.

Já sabia que havia duas Espanhas. As famosas duas Espanhas, a progressista e a conservadora. E assim são, nítidamente diferentes .

A Espanha é o lado masculino da península. Mais assertiva, por vezes abrupta, mais egocêntrica e enérgica. O mundo é visto quase exclusivamente através da língua espanhola. A permeabilidade ao outro é diferente da que estou habituada.

Há complexos,claro. Que país não os tem? O Império que foram (onde já ouvi isto), a pobreza e fome da década de 40, uma necessidade de amor narcísico (ferido) revelam-se aqui e ali. E depois, a identidade múltipla, problemática, os clichés que rejeita mas que propaga em relação a outras regiões da própria Espanha. E a guerra civil ou seja, as duas Espanhas, voltamos à casa da partida.

Mas antes de tudo isto, que já é fruto de reflexões muito racionais, antes de tudo isto temos os sentidos e a sobrevivência.

O ruído, os horários, a vida social, o trato...as refeições. As refeições, a gastronomia. Entrar num idioma, numa cultura é mudar de software. Não vale a pena procurar repetir hábitos. E quanto mais depressa se percebe isso melhor. Não se come às mesmas horas , não se come da mesma forma, não nos deitamos às mesmas horas. Por isso, em vez das comparações, é melhor procurar o que há de melhor e ficar por aí. O azeite.Pode ser muito bom. O salmorejo, molho ou sopa semelhante ao gaspacho, é uma delícia, estou viciada. Lulas, polvo, bacalhau, presunto, ovos,legumes fritos, churros ao pequeno-almoço ao Domingo de manhã ( é que nem sei como sou capaz, mas sou).

A secura a perder de vista, lunar, suavizada apenas pela Oliveira, bendita seja. O ladrilho, as sacadas e as estátuas sem nome.

Uma televisão cheia de lixo cor-de-rosa que perpetua a fama que se autoatribuem de mexeriqueiros (o cotilleo, desporto nacional assim li no El País).

Para o fim deixo o melhor. A literatura e o cinema . Filmes como "Girasoles ciegos" que acaba de sair ou como "La lengua de las mariposas".

Perante tudo isto, sinto-me mais reservada, menos imponente, mais nostálgica , menos noctívaga, mais silenciosa, menos religiosa. São diferenças mínimas, de quem na essência nunca é tão diferente como é minha convicção em relação a qualquer povo. A estas sensações de diferença chamo ser mais atlântica. Perceba quem puder.




domingo, setembro 14, 2008

Um dúvida

Perante a sentença de condenação do Estado português a pagar uma indemnização a Paulo Pedroso por prisão preventiva indevida, ocorre-me uma pergunta: essa decisão, a de prisão preventiva, foi tomada por alguém dado que o Estado não existe no éter e concretiza-se em pessoas. Essa pessoa, ou pessoas, como vai ser sancionada? Erros grosseiros no exercício duma função devem ser punidos, não? Sobretudo com estas consequências.


quarta-feira, setembro 10, 2008

El ingenioso hidalgo...

Gosto de literatura espanhola e dá-me particular prazer ler os autores em espanhol. Na minha cabeça vive um narrador de voz grave e pausada. Ficou-me dos desenhos animados do Don Quixote. É aquela voz masculina muito grave que fazia a introdução de cada episódio do cavaleiro da triste figura.

Expliquem-me como se fosse burra, sff.

O Público apresenta na sua página web um artigo intitulado:Eleições EUA: portugueses preferem McCain, mas Europa é de Obama .

Quase morro de susto e vergonha. Como é possível? Logo depois serenei, afinal isto é o título dum jornal, o grau de credibilidade pode ser diminuto ou mesmo nulo, vai da ousadia do redactor ou da sua insanidade ( ler incompentência).

Leio o artigo e a única referência que vejo às estatísticas relativas a Portugal diz o seguinte:"A taxa mais alta de preferência por Obama regista-se em França (85%), seguida pela Holanda (85%) e pela Alemanha (83%), enquanto a taxa mais alta de preferência pelo senador Mccain se regista em Portugal (35%), seguida pela Holanda (33%), Espanha (33%) e Reino Unido (33%)."

Primeiro reparo: há o Obama e o senador Mccain, atenção a não confundir o trigo com o joio, quem pensa o Obama que é?

Segundo:A Holanda com 85% segue a França com...85%.

Terceiro:A Holanda é a segunda que mais prefere Obama ...e a segunda que mais prefere Mccain donce se deduz que:

Quarto:Portugal tem 35% que preferem Mccain por isso o país prefere Mccain...os outros 65% foram acometidos duma doença rara- a do homem invisível e incómodo.



The show must go on

Há dois dias na Andaluzia, mais propriamente em Roquetas morreu um jovem senegalês numa rixa. Não era parte na rixa, morreu ao tentar apartar as partes envolvidas, asseguram amigos, familiares e testemunhas. Não se sabe ainda exactamente o que aconteceu. Presume-se que a origem da agressão esteja no tráfico de droga. A revolta face à morte do inocente levou a que se incediassem casas e houvesse distúrbios graves. Na televisão e El Pais tentam perceber o que pode levar ao aumento deste tipo de fenómenos, sem cair em explicações fáceis e precipitadas. Hoje aliás, no telediario das 15h e no El Pais versão nacional, já quase não se menciona o assunto. Aguardam o resultado das investigações.

Não sei para quê. Ontem o DN brindava-nos com o problema decifrado num magnífico título: "Graves motins raciais incendeiam sul de Espanha".

Que bela surpresa...not

Hoje no "telediario" das 15h que será o equivalente do nosso telejornal do almoço, deparei-me com Gonçalo Amaral em conferência de imprensa a propósito do lançamento do seu livro, agora traduzido aqui. Falava uma língua qualquer que ele supunha ser espanhol, que os espanhóis não reconheceram e legendaram e que provavelmente terão pensado que era português.

Não havia necessidade...

Mistério

Há um mistério na peninsula ibérica que merecia bem uma investigação ou então um livro de Dan Brown. Dos meus contactos com espanhóis antes de vir a Sevilha e agora durante a estadia por aqui resulta sempre que a certa altura eles confessam que a generalidade dos espanhóis nada sabe de Portugal, acham que não tem interesse (não forçosamente os que eu conheço, mas falando dos seus conterrâneos) e alimentam o mesmo tipo de preconceitos que alemães e nórdicos alimentam sobre eles. E reiteram que os espanhóis não viajam a Portugal, preferem ir para mais longe, sítios mais exóticos. Tudo bem, cada um tem a opinião que quer e não é em Portugal que nos podemos ficar a rir já que também são muitos os preconceitos sobre o país vizinho, embora me pareça que os conhecemos melhor a eles que eles a nós...

Agora respondam-me a esta pergunta: quem são aqueles "gajos" que vêm ao nosso país todos os anos, parece que aos millhares, que vemos por todo lado, só falta cairem na sopa, que oportunamente aparecem em reportgens da tv sobre tudo e coisa nehuma e que falam espanhol?

terça-feira, setembro 02, 2008

É tão bom saber falar português

Estou em Sevilha. Porque mereço. Mas também para estudar espanhol. Cheguei ontem. Voltei ao Verão. Parecia milagre.

O espanhol é maravilhoso. O espanhol é a cereja no topo do bolo dos lusófonos. Ou pelo menos dos intérpretes lusófonos. É a única língua que qualquer um de nós poderá dominar bastante bem, bastando um esforço moderado (comparado com alemão, holandês...). A única em que boa parte das expressões idiomáticas percebemos à partida, podendo dedicar o resto do esforço à outra metade. Para além disso, estadias de estudo em países de língua espanhola são um prazer. Pelas paisagens, pela comida, pela história. Enfim, uma benção.

E não estaria a benção completa se de vez em quando não aparecesse aquele falso amigo que nos alegra os dias:
" Calorías? Importa más la cualidad que la cantidad: no es lo mismo una caloría de mijo que de pastel de chocolate". -Lido de passagem numa revista na escola onde estou a estudar.