sexta-feira, março 30, 2007

A caminho de...

* Foto do Museu José Malhoa no Parque D. Carlos I em C. da Rainha
Foto de Dias dos Reis tirada daqui.


...Portugal vou eu amanhã. 10 dias de intervalo é ao que me vão saber estas férias. O que não é depreciativo, atenção. Tudo começa amanhã cedo, muito cedo, tão cedo que receio perder o avião. A única vez que perdi o avião foi por ser muito cedo. O impossível aconteceu, adormeci. Eu que pensava que isso só acontecia aos outros.


Amanhã apanho percisamente o mesmo vôo. Com a diferença horária, começo o dia em Lisboa, é um dia inteiro que ganho por lá...espero não ter mais olhos que barriga e não ficar apenas a sonhar que ouvi um deseprtador algures...por isso até amanhã em Portugal...em princípio ;-)

O meu jardim secreto é...


...uma floresta amazónica. Há dias em que se proporciona o ócio inesperado por uma série de cisrcunstâncias. Nesses dias em vez de fazer as quinhentas mil coisas que podia e devia, lanço-me em deambulações pela cidade a que equivalem outras tantas nos meus pensamentos. Digamos que aproveito para visitar o meu jardim secreto.


Quando dou por mim são seis horas e eu andei perdida em vidas imaginadas, danças a sós no escritório, argumentações com interlocutores virtuais, livros aflorados, musiquinhas trauteadas pela rua fora, sorrisos dificilmente explicáveis a quem passa por mim. Este meu jardim secreto cresce por vezes tanto que eu me perco nele. É seguramente uma floresta amazónica, o pulmão da minha Terra.

quinta-feira, março 29, 2007

O livro de reclamações sff...

Sai uma alma de casa com um tempo tão bom que até espanta. O Sol parece rir-se, o arzinho descongela e até o casaco por cima do corpinho parece estar a mais. Passa-se a manhã a pensar no arejar do mofo ao almoço, num passeio primaveril em dolce farniente de exactamente 40 minutos, e.....?!!!!! (por favor, oiçam aquele ruído do disco de vinil que encravou)...e depois apanha-se com um vento húmido e frio, o Sol foi um ar que lhe deu, só sobrou um nevoeiro persistente para contar a história...grrrrrrrr! Os países deviam vir com livro de reclamações.
Como não é o caso, existe o blogue para desopilar o fígado, ora, que já não é mau...

quarta-feira, março 28, 2007

Conhecem esta menina?

Chama-se Esmee Denters e é uma holandesa de 18 anos. Começou a cantar no you tube há seis meses para ver o que os internautas pensavam dos seus dotes musicais. Foi ao quarto da irmã que tinha uma camerazinha de internet e cá vai disto.

Volvidos seis meses, a Esmee é uma estrela do You tube.Mas mais do que isso, chovem contractos dos EUA, dá entrevistas nas televisões holandesas, as Destiny Child já gravaram uma música com elas. Está de malas aviadas para os States cheia de vontade de realizar o seu sonho e com um bom advogado, não vá o diabo tecê-las. Ninguém quer acreditar. Nem ela que continua com o mesmo ar descontraído e simpático. Nós cá em casa seguimo-la desde o início e a verdade é que...ficamos emocionados e torcemos por ela, que bons ventos a guiem.O século XXI tem destas coisas...também:-)

terça-feira, março 27, 2007

Porque motivo a esperança é a última a morrer

*foto tirada do site iht

Após anos de hostilidade mútua os líderes dos dois grupos rivais dominantes da Irlanda do Norte, Gerry Adams do Sinn Féin e Ian Paisley líder protestante, encontraram-se Segunda-feira para as primeiras conversações frente a frente e chegaram a acordo quanto à governação conjunta do território.


O resultado dos esforços não está quase nunca ao virar da esquina, nem da primeira, nem da segunda por vezes nem da terceira. O tempo, a distância, permitem-nos uma sabedoria fácil mas ainda assim verdadeira sobre a evolução dos passos que vão sendo dados.


Quem diria há 15 anos que estes dois senhores ali estariam sentados a decidir como governar a Irlanda do Norte?

segunda-feira, março 26, 2007

Nada de novo debaixo do Sol...

Talvez os blogues portugueses não saibam, mas constituem uma fonte de informação para quem está longe do rectângulo, como eu. Basta passear-me por dois ou três blogues mais consultados e fico a saber da última novidade, com frequência alarmista e triste, que ocupa o horário nobre mediático, bloguístico e das conversas em geral.
Só assim é possível tratar por tu a nossa actualidade mais sensacionalista perante o ar de espanto de quem não espera que eu esteja a par das últimas figuras tristes do Paulo Portas ou do Pedro Santana Lopes ou do Marcelo Rebelo de Sousa ou do (desculpem, a lista pode ser longa, vou ficar por aqui), cartas de condução do Mantorras, piadas do Gato fedorento, dos últimos comentários pagos de João César das Neves etc... .
Foi assim que descobri o resultado dum concurso intitulado "Os maiores portugueses" (ou algo assim) e uma suposta polémica sobre os títulos académicos do Primeiro.
Podia falar aqui do estatuto de resultado eleitoral que pretendem ver num concurso televisivo com um título improvável. Falar da necessidade de calma e método no estudo duma sociedade: o extremismo obtuso e fácil existe em todas as sociedades porque motivo a nossa seria excepção? Para atacá-lo há que reconhecê-lo...primeiro. Podia ainda concluir que os extremos são mais persistentes e motivados nas chamadas telefónicas, "yo que se..."
A propósito de "Primeiro", também podia perorar sobre o despropósito de dedicar páginas de jornais aos diplomas, títulos e afins com que devemos tratar o Primeiro. Haja paciência para aturar tanta mania saloia dos epítetos: doutores, engenheiros, arquitectos e tropa fandanga.
Mas não, o que acho chocante e grave é tudo isto ser fruto do soi-disant trabalho de jornalismo sério e de referência da nossa praça mediática. Ora uma democracia para funcionar bem deve ter vários bons jornais. Os tais de referência. Que não andem a soldo de quem paga mais. Que relatem com trabalho de investigação a realidade do país sem sensacionalismos. Neste momento é com tristeza que não me ocorreria nenhum nome de jornal ou canal português se utilizásse com muito rigor estes critérios... mas seria seguramente um problema meu de alzheimer adolescente. Em boa verdade, cada vez me ocorrem menos nomes de jornais que respeitam estes critérios seja onde for.
Ainda assim, pode dizer-se que sou teimosa ou idealista porque continuo a lê-los. Na esperança de encontrar aqui e ali quem trabalhe seriamente.
Acrescento de Terça-feira: Interessante e porventura mais próxima da realidade será a sondagem encomendada pela RTP sobre os mesmos 10 candidatos. Ver aqui.

sábado, março 24, 2007

Bom fim-de-semana!







Acabadinha de sair do forno. Foi o melhor que pude arranjar para um dia de chuva miudinha. Liguem o rádio e sirvam-se duma fatia :-)


Acrescento de Domingo: E afinal ele existe e brilha. O Sol aí está, veio visitar-nos neste Domingo. A provar que a Primavera tarda mas (ainda) não falha.

Na "jukebox" um bocado de "Disco" versão anos 2000, que mais se pode pedir para um Domingo solarengo?!:

quinta-feira, março 22, 2007

O que somos

Vai inaugurar em Londres, no Victoria and Albert Museum uma exposição intitulada "Uncomfortable Truths" onde se pretende reavaliar o papel do Reino Unido no comércio africano de escravos e a forma como essa realidade se traduz em várias representações artísticas .
Prentende a exposição, à semelhança de outras iniciativas, abordar esta página triste da história daquele país com um olhar mais crítico deixando para trás a atitude de nostalgia pelo Império perdido. Os organizadores consideram que provavelmente o momento terá chegado para aceitar esta abordagem.
Não que os britânicos desconheçam essa realidade, pretende-se apenas abordá-la na óptica dos longos séculos de comércio triangular de africanos. Contrariando a tendência para colocar a tónica no activismo de William Wilberforce que levou à adopção em 25 de Março de 1807 da lei que promulgou a abolição da escravatura o que os tem levado a arvorar uma certa redenção moral.
Para além duma visão em maior conssonância com os valores do nosso tempo estas iniciativas poderão ter um impacto positivo na relação entre britânicos de várias origens, nomeadamente africana. Recordo a este propósito a polémica francesa com a celebração do período napoleónico e com o tratamento reservado aos ex-combatentes de origem norte-africana na 2a Grande Guerra. A população não é uniforme como há alguns séculos. Mudou, reconhecer a sua experiência na História pode contribuir para um apaziguamento nas relações entre grupos étnicos. No fundo, para o reconhecimento de todos como cidadãos em pé de igualdade.
Ora nós sabemos que o comércio de escravos não era monopólio britânico. Naturalmente, por lá andamos nós escrevendo também uma das páginas mais tristes da nossa história.
É curioso que recentemente o tema tem surgido com frequência no meu caminho. Em Palma dizia-me um colega de formação britânica que a nossa colonização (portuguesa) era descrita como a pior de todas nos meios académicos anglo-saxónicos.
Curiosamente, quantas vezes ouvi dizer a compatriotas que os mais racistas eram os belgas seguidos dos ingleses e franceses. Que nós eramos diferentes, não eramos tão maus. Quantas vezes se aflorou o tema do comércio de escravos para se atalhar rapidamente dizendo que no entanto fomos os primeiros a aboli-lo. Quantas vezes no nosso miserabilismo reside uma nostalgia mal disfarçada pelo império colonial, pela chamada "grandeza de outros tempos em que eramos ... grandes". Quantas vezes ouvi vozes de quase desprezo, pena, desilusão pelo facto de nas viagens a terras distantes por onde andámos ninguém saber quem somos, ou pouco. Então nao se lembram dos magníficos portugueses?! E nós o que sabemos dos goeses actuais, ou dos cingaleses ou dos macaenses ?
Não me interessa saber quem foi melhor ou pior. Nessa hierarquização só reconheço a mesma vontade de sacudir a água do capote e limpar a consciência, a mesma vontade de querer recuperar e edulcorar uma memória. Até nisso somos parecidos.
Devo dizer que considero natural e inevitável a movimentação dos povos que levou a humanidade pelo mundo fora. O encontro entre povos e culturas raramente se fez apenas de forma pacfica. O jogo de forças foi preponderante. Só séculos depois se perde o rasto da violência e ficam hábitos, línguas, traços fisionómicos.
Porém, nós vivemos no Século XXI. Somos os herdeiros do século XX, século da noção de direitos humanos, de condenação dos genocídios. A nossa visão do ser humano é muito diferente. Não estou a falar de reescrever a história. Estou a falar da forma como mantemos viva uma memória e do que isso diz sobre nós.
Os factos são o que são. Em cada época se age consoante as mentalidades da mesma. Embora se possa sempre contrapor que em todas as épocas houve quem se indignásse com as atrocidades cometidas.
Salientar nas descobertas e posterior colonização a grandeza, valor e coragem; dar menos enfâse à concomitante escravatura ou à inquisição é uma escolha que fazemos agora. Que nada tem a ver com as mentalidades da época. Se alguma relação estreita tem, então será com a mentalidade do Estado Novo que perpetuou a noção de povo singular e valoroso, bom e de brandos costumes.
Estaremos também nós preparados para olhar com espírito mais crítico para estas páginas da nossa história? Estaremos prontos para um olhar mais amadurecido?
Eu estou.

quarta-feira, março 21, 2007

What then?

His chosen comrades thought at school
He must grow a famous man;
He thought the same and lived by rule,
All his twenties crammed with toil;
"What then?" sang Plato's ghost , "what then?"


Everything he wrote was read,
After certain years he won
Sufficient money for his need,
Friends that have been friends indeed;
"What then?" sang Plato's ghost, "what then?"


All his happier dreams came true -
A small old house, wife, daughter, son,
Grounds where plum and cabbage grew,
Poets and Wits about him drew;
"What then?" sang Plato's ghost, "what then?"


"The work is done", grown old he thought,
"According to my boyish plan;
Let the fools rage, I swerved in nought,
Something to pefection brought";
But louder sang that ghost "What then?"

W. B. Yeats

Tempo - os Tempos

Será porque reparámos que a seguir ao Sol se segue a Lua e assim sucessivamente que inventámos o Tempo e o começamos a contar ? Porque a natureza se transforma ciclicamente, porque existe a morte, não resistimos a contar um princípio...porque concebemos um fim.

E muitos milénios depois, esticamos a vida para além dos tempos previstos e prevemos o Tempo para gozar a vida esticada. Como se riscássemos o mundo a papel quadriculado onde se aponta o nosso trajecto.

O Tempo imprevisível apanhou-me de surpresa. Saí com tempo seco ao almoço e regressei de orelha murcha com uma tempestade de neve-granizo. Apanhei a correr um Táxi.

"...hoje é o primeiro dia da Primavera...", "pois é, quem diria, assim é a Bélgica neva sempre perto da Páscoa...", "...hoje é o dia de Ano Novo para mim", "Sim e de onde vem?", "Do Irão", "Que ano é agora para os Persas?" , " "Entrámos no ano 7000 e picos..." , "Bom Ano Novo, então".

O que muda exactamente se acharmos que estamos no ano 7000 e qualquer coisa? Ganhamos cãs, ficamos mais sábios, acomete-nos a decadência das velhas civilizações? O que muda quando já lhe calculámos uma idade de vários milhões de anos?

Hoje no mesmo espaço viajaram duas pessoas, uma no ano 2007 e outra no ano 7000 e qualquer coisa.
Hoje entramos numa nova Estação, hoje esperavamos que fizesse Sol, hoje sim, ontem ainda não e indignamo-nos com o impropério meteorológico.
Hoje no mesmo espaço se defenderam os direitos dos homosexuais e se lhes chamou paneleiros.
No mesmo espaço coincidiram tempos diferentes, muitos tempos diferentes.

Com que estranheza nos olharia um qualquer ser alheio à nossa ordem que por segundos se detivesse a reparar nesta coisas...

terça-feira, março 20, 2007

"A erva é sempre mais verde do outro lado da cerca"...

...ou a galinha da vizinha é melhor que a minha.
Resolvi ir experimentar a "galinha" no Parlamento, a da Comissão e do Conselho, acessível e rotineira começava a parecer magra e rija. Será? Não, é injustiça seguramente. Mas para poder voltar a apreciar-lhe o caldo suculento resolvi mudar de regime durante alguns meses.
Eis-me portanto a caldos de galinha parlamentar.
No PE prima o discurso da sedução, a argumentação, a emoção. Há que convencer, que exorcizar demónios. Sendo que frequentemente os "demónios" estão na mesma sala.
Das centenas de parlamentares há muitos que entram na legislatura mudos e saem calados. Mas diga-se em abono da verdade que há sempre quem dê o litro. Para bem da minha cabeça basta memorizar os nomes dos quantos que de facto falam, barafustam, se indignam, exortam, instam, mexem-se. Mesmo assim são muitos, acreditem. Muitos nomes potencialmente pronunciados de forma irreconhecível. Como saber que o Sr "Cueiro" é o Sr "Queiró" sem cair na esparrela pelo menos uma vez?
Para fazer jus a quem trabalha deveria também conhecer os nomes dos assistentes, se calhar sobretudo desses, mas isso é outra história, hei-de cá voltar...
Tudo isto é "conversa" dirão, blá,blá, sim, sem dúvida. Mas é animado e eu, provavelmente ingénua, ouso acreditar que alguns dos decibéis mais altos são fruto de verdadeira convicção. Nas conversas de bastidores, nas entrelinhas lê-se de certeza outra tanta convicção. Mas essa não se decifra ao fim de apenas 10 dias.
No Conselho europeu impera a diplomacia e o rigor. Pesam-se vírgulas, medem-se palavras lêem-se os silêncios. Reina a seriedade e, diga-se, a chatice de quem está imbuído da responsabilidade de tomar as verdadeiras decisões. Sim, é ali que se decide, ali à mesa dos ministros apesar de amiúde se culpar convenientemente a Comissão.
Nesta, ou seja na Comissão, vive-se no mundo do pseudo-inglês de quem domina os assuntos técnicos mais complexos mas é com frequência incapaz se os expor numa linguagem decente. Na minha "casa" reina o rigor da técnica no vocabulário. O busílis está em decifrá-lo. Ele é posições dominantes, ele é regimes de pensões, PAC, suínos, quotas aduaneiras, peixes, enfim um cem número de assuntos apresentados por e para peritos.
Por estas e por outras, o PE sabe-me a animação. O PE quer mais poder. Compreende-se, é democrático, mas para mal dos seus pecados umPE com mais poder é um PE numa Europa mais europa e isso nem todos querem, fora dele e inclusive lá dentro, em grupos de extrema-direita que ali espaventam o seu latim.
Ouve-se de tudo.De todos os assuntos, todas as opiniões de quem as tem fundamentadas ou não. As pessoas soltam-se e falam espontâneamente. O Parlamento é o mundo em miniatura, uma miniatura gigantesca com o que o mundo tem de incongruências, paixões, interesses, lutas, vitórias, vaidade, vacuidade, hipocrisia, sinceridade, convicção, etc.... Há uma agitação no ar, quase constante.
Acreditem, "never a dull moment".

Lapsus linguae

Maria José e os "boys" escreveu Ana Gomes no Causa Nossa e eu lia "Maria José e os bois". Seguiu-se garagalhada até me aperceber de que afinal tinha lido bem... ;-)

segunda-feira, março 19, 2007

Alive and kicking ;-)

Apesar do silêncio aparente, da tangerina e do eterno fim-de-semana, eu não estou de férias nem tão pouco de papo para o ar há duas semanas.
Comecei um intercâmbio com o Parlamento Europeu a que me candidatei há alguns meses. Voltei à casa da partida. Foi lá que comecei a tratar por tu os auscultadores, os discursos lidos a 100 à hora...era eu uma jovem free-lancer inconsciente de 23 aninhos. Hoje volto mais velha e membro doutra instituição.
Este regresso vai seguramente alimentar o blogue, desconfio mesmo que será uma pitança;-) Mais dia menos dia, a coisa começa a fluir...estou a digerir o "aperitivo".
Até já !

sexta-feira, março 09, 2007

Bom fim-de-semana!





Deixo-vos o suave e persistente aroma da tangerina...e Nina Simone "My baby just cares for me...":-)

Os ratos são sempre os primeiros a abandonar o barco...

Conversa vai, conversa vem demos por nós a discutir a baixa escolaridade dos portugueses e a pouca importância que ainda se dá à instrucção em muitas famílias. Como fomos lá parar, só um raciocínio latino pode explicar. Começou pelo racismo de que são alvo as comunidades emigrantes em certos países, saltámos para a situação de emigrantes portugueses que acabam explorados e discriminados noutros países, quando no fundo, bem ponderadas as prioridades, talvez vivessem melhor se tivessem ficado no seu país, ou se estivessem dispostos a fazer os mesmos esforços.
E depois, mal dei por ela já andavam à solta as costumeiras frases "eu quero ser apátrida", " não passamos duns grunhos", "não muda nada", "somos uns eternos subdesenvolvidos, estou farta deste país", "que vergonha" etc,etc.
Vejo-me obrigada a constatar que me falta o gene luso da auto-flagelação e profundo miserabilismo. Será a minha costela espanhola?
Perante a constatação da realidade difícil não me apetece dar o B.I, apetece-me lutar mais. Dar a cara, o exemplo. E isto irrita bastante os meus compatriotas. Então eu não tenho vergonha, não acho tudo uma merda, não estou farta disto tudo, não os acho todos uns ignorantes???!!!
Respondo, vergonha só teria se não conhecesse os outros países por dentro.
Se não sou demasiado ignorante( lá vou tentando) penso que me cabe a missão de servir de motor, de puxar pelos outros, de não desistir.
Os saloios deslumbrados foram feitos para países prontos a consumir. Esquecem-se de que o que encontram é fruto de muito trabalho, muitos conflitos, lutas, hesitações e contradições constantes. Nunca nada cai do céu aos trambolhões.
Mas há quem tenha sido feito para viver em países onde todas as conquistas foram feitas. Estão no seu pleno direito, reconheço, mas por favor, não encham a boca com a palavra mediocridade...quando falam dos outros. Afinal, vocês era suposto serem a elite...que faz um país e não que desiste dele porque não funciona como gostaríamos.

Mutine, coquine, voici Lu notre nouvelle blogueuse...

A Lu lançou-se há pouco nestas andanças da blogoesfera. O blog dela, o Ma Grande Folle de Soeur apresenta-nos o seu talento numa arte poética trazida de terras do Sol nascente: O Haiku.
Apesar da sonoridade um tanto ou quanto estranha o Haiku é uma forma de poema breve, 3 versos de 5-7-5 sílabas. Revela-nos uma emoção, uma realidade sentida em poucas palavras, de forma condensada e essencial.
Deixem-se seduzir:
"Ma maison
posée sur l'océan
drap blanc contre le ciel"*

* Da Lu em directo do blog dela.

quinta-feira, março 08, 2007

O luar sobre Palma...


...estava lindo, redondo, alaranjado, cinematográfico. Descemos ao centro da cidade para jantar.

Bendita a hora que decidi ser intérprete, com vista sobre a baía de Palma o entardecer recebido por sorte numa missão não é só fruto do azar. É fruto duma escolha pensada que nestes momentos me recorda que fiz muito bem.

Estavamos ali para trabalhar. Quem diria, os dias até foram intensos, mas que prazer trabalhar naquele quadro. Que vontade de me levantar cedo de manhã para atacar um pequeno-almoço de ensaimada e fruta fresca...com sabor. Abrir os olhos com a intensidade da luz.
Foram três dias e meio úteis, ricos em constatações:

1-Que sou como um peixe com uma capacidade relativa de adaptação. Sobrevivo em águas de outros mares mas onde eu nado alegremente é nas águas da minha origem. Sorri-me a pele, desentorpem-se-me os neurónios, agilita-se a digestão. Estou em casa. Regresso ao meu habitat.
As laranjas são mais doces, o ar é mais respirável o sono mais reparador. Não há nada a fazer.

2-Que gosto de ver Espanha desenvolver-se, pelo lado altruísta que se felicita com a alegria alheia e pelo meu lado egoísta, que acredita nas ondas de choque que nos influenciam mutuamente.


3-Que já cresci o suficiente para preferir estar sózinha do que aturar chatos. Mais vale uma caminhada solitária que ser assoberbada pelos comentários vácuos e plenos de auto-satisfação de quem usa os outros como caixote do lixo das suas frustrações. Assim me perservo a mim e assim me perservo para aqueles de quem verdadeiramente gosto.
4-Em contrapartida a conversa e o reencontro com certas pessoas é sempre um prazer.


E por fim, que quando vejo um bêbedo não devo olhar para ele, nem pensar sequer. Invariavelmente vem sentar-se ao meu lado e se for num avião a coisa é problemática. É nestas ocasiões que sabe bem ter uma "azafata" solidária e diligente que de mote próprio nos leva para outro lugar. Mulheres unidas é outra coisa. Pessoas competentes também.

sábado, março 03, 2007

Bom fim-de-semana!

IF

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:
If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings--nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And--which is more--you'll be a Man, my son!


--Rudyard Kipling

sexta-feira, março 02, 2007

Spider gourmet

Prazer, prazer, prazer a quanto obrigas!
Bom, obriga-me a descobrir novos restaurantes bruxelenses a intervalos irregulares...que a bolsa não é elástica e a barriga é, mas não convém que estique muito.
Não costumamos recorrer a desculpas para ir "à caça", mas das duas últimas vezes utilizámos o São Valentim e o dia de ontem para mimar os olhos e as papilas.


No dia 14 resolvemos optar pelo Sul, o Sul grego. Fomos ao Notos (clicar para aceder ao site oficial).

A comida é boa, suculenta, bem temperada regra geral e com uma variedade de especialidades superior ao que se encontra nos "gregos" já conhecidos cá do burgo. O peixe é do dia, fresco, cuidadosamente escolhido...o que é sempre bom sinal. O espaço é bonito, pessoal simpático, eficiente. O ambiente é intimista, a luz idealmente indirecta, as paredes caiadas em tons de areia molhada. O Chefe, Konstantinos Erinkoglu cria uma atmosfera afável, informal mas atenciosa, calma . Estamos claramente ao largo do Mediterrâneo. Dêem uma espreitadela ao site, encontram por lá o Chefe, a ementa, a morada e fotos inspiradoras.


Ontem achámos que quatro anos de amor mereciam celebração. E vai daí, toca de procurar um novo antro de delícias...gastronómicas. Chegámos ao Cospaia seguindo o conselho entusiasta de um amigo esteta e guloso. Pareceu-nos bom augúrio.

O Cospaia, ficámos a saber, é o novo "talk of the town". Não quer no entanto ser apenas um fenómeno de moda. Apostou em Jean Pierre Bruneau, numa decoração sofisticada, contemporânea, com vários espaços de ambiente variado. A clientela é internacional, o pessoal muito simpático, despretencioso e diligente.


Temos portanto um quadro bonito, atendimento profissional e então a paparoca? A paparoca é muito boa. Comecemos pelo princípio, os aperitivos eram coktails decentes e nada com sabor a remédio reciclado em Mojito mal amanhado. O pão é bom, sem ser excepcional, a manteiga é óptima. Os sabores estavam perfeitos tanto do peixe (bacalhau) como da carne (belo bife irlandês). Tinham nas sobremesas tarte Tatin e crème brûlée (entre outras), minhas sobremesas favoritas por estas bandas. Os chás são Palais des Thés. Gostei, evitaram a armadilha snob dos chás Mariage Frères. Optaram pela qualidade e informalidade.
E assim sendo, aqui estou eu a fazer o meu quinhão de publicidade. Nada como a fama que se constrói com o 'bouche à oreille". Será que alguém tem dicas pr'à troca? A nossa santa gulodice agradece:-)

quinta-feira, março 01, 2007

Já se pode respirar?

Ainda não, mas falta pouco. Lê-se no Público de hoje que o Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei anti-tabágica que proíbe fumar em restaurantes, bares e discotecas com menos de 100 metros quadrados (entre outros locais indicados no dito artigo). Até que enfim!
Claro que proibir é terrível e que seria muito melhor não ter de regulamentar estas coisas, deixando que o cidadão imbuído de civismo respeitásse a sua e a liberdade dos outros, estando em causa a saúde alheia e não apenas a própria.
BUT, o mundo é o que é e décadas de tabagismo publicamente aceite só demonstraram que quem fuma é dependente e não se respeita a si quanto mais aos outros.
Daí que eu exulte com esta medida. Quem vive em países onde ela já é aplicada, vide Bégica, França, Irlanda dir-vos-á que apesar da polémica pré-proibição não há nada melhor que entrar num lugar fechado e não sentir aquele cheiro insuportável acompanhado de tosse e comichão nos olhos. Inclusive fumadores...garanto-vos.
Nas últimas idas a Portugal confesso já não ter tido paciência para entrar em vários cafés mergulhados numa bruma fedorenta que a todos incomóda e que ninguém crítica por uma qualquer tolerância para com os pobres fumadores...como se de crianças mimadas se tratásse.
Resta-me esperar que a lei seja realmente aplicada. Espero que não se siga o exemplo do átrio de espera das chegadas do aeroporto de Lisboa...espero...
Para os fumadores surge uma nova actividade que já começa a ter sucesso: o flirt à entrada dos edifícios, sobretudo laborais, onde os fumadores se juntam para gozar o seu cigarrinho. Li algures que já tem nome: Smirting, dizem que a proibição afinal até é sexy... Nós com pulmões mais limpos, eles com uma vida sexual mais interessante, não me parece má a troca;-)

Mitos urbanos

Já todos nós ouvimos falar de mitos urbanos. Se não ouvimos a expressão teremos seguramente ouvido um desses mitos. Há o dos crocodilos na canalização, chichi de rato nas latas de coca-cola, cobra venenosa nas bananas do supermercado, etc,etc
Eu conheço outro mito urbano. Um bastante conhecido, comun mas nunca visto. É o mito das horas extraordinárias remuneradas. Atenção, r-e-m-u-n-e-r-a-d-a-s. Porque não remuneradas não são um mito, são uma realidade por demais frequente.
O Sr A não tem mãos a medir no trabalho, há meses que chegar às 20h a casa é normal. E o trabalho acumula-se. O fim-de-semana já é a única solução. E assim se prova que o que faziam 4 agora só faz 1. Falta dizer que esse 1 esquece a vida, os fins de semana e as férias também não são lá muito bem vistas. Bem-vindos aos Estados Unidos, oopss, não é mesmo aqui na Europa.
Falo com amigos, amigas e todos me contam o mesmo. Baixa, férias, licença de parto, fim-de-semana, que é isso? São conceitos cada vez mais ténues, nebulosos, mais ou menos flexíveis. A respeitar, a menos que...
Tenho a sorte de não ter essa experiência. As minhas horas extraordinárias são escrupulosamente substituídas por uma ou meia licença. Mas nem no eldorado comunitário a coisa é sempre cristalina. A verdade é que impera uma mentalidade. Mais do que um desrespeito da lei, há uma atitude, muito anglosaxónica na minha opinião, em que trabalhar é um meio e o fim. Tudo o resto é acessório. Vivemos em função exclusiva da maravilhosa empresa, quem não tem essa atitude não tem futuro... na empresa.
Por isso peço a alguma alma caridosa que me dê um exemplo de horas extraordinárias remuneradas, pelo menos contabilizadas...só por curiosidade...é que se não existe que fique assente o seu estatuto de mito urbano e não se fala mais na coisa...como se existisse.