sexta-feira, agosto 05, 2011

Ironia do destino do dirigente europeu preconceituoso

Virá o tempo em que os mui iluminados dirigentes europeus actuais quererão reforçar à pressa a integração europeia para salvar os seus distintíssimos traseiros e não conseguirão, pois o povo estará de tal forma eurocéptico, depois de anos de propaganda e medidas antieuropa, que não os deixará actuar .
Oxalá me engane.

quarta-feira, julho 13, 2011

E agora?

O que está a acontecer na zona euro não é surpresa, não para quem honestamente tem acompanhado a situação.E honestamente significa com honestidade intelectual, admitindo que de A se chega a Z passando pelas outras letras do alfabeto e não estando constantemente a voltar a A, como se tudo o que se passa agora fosse de geração espontânea, inesperado e não tivesse origem no passado. E nem sequer é preciso ser-se economista. Eu, na minha modesta condição, antecipei inúmeras vezes que uma união monetária desunida abre o flanco ao ataque externo. Uma união desunida não sobrevive, não faz sentido. Ora a Alemanha e os Países-Baixos têm governos que não parecem prontos para a federelazição. Estamos por isso à beira do fim do euro, pelo menos como o conhecemos. As próximas eleições na Alemanha serão importantes, resta saber se nos aguentamos até lá e se mudarão alguma coisa. A esse nível e por muito que me custe, não temos nenhuma palavra a dizer, embora nos afecte.
No Libération de hoje vem uma entrevista a Christian Saint-Etienne, membro do Conselho de Análise económica junto do PM francês. Vale a pena lê-lo, preparemo-nos para o que aí vem, destaco o seguinte:

"Que préconisez-vous?

La solution idéale serait de fédéraliser la zone, ce que les Allemands refusent. Il s'agirait d'une fédéralisation partielle, à 9, regroupant France, Bénélux, Allemagne, Autriche, Italie, Espagne, Portugal. On laisse aux Grecs un euro qui, du coup, sera dévalué. Et on crée un «new euro», avec un gouvernement économique et un vrai budget fédéral à 7 ou 8% du PIB. Ce dernier permet de redistribuer de l'argent entre les pays-membres pour compenser leurs différences de structure économique. La banque centrale reste indépendante, même si on peut imaginer de réécrire Maastricht pour lui donner, en plus de son mandat de stabilité des prix, une mission de croissance économique. Une telle zone deviendrait la deuxième puissance du monde. Mais soyons clair: la probabilité d'un tel scénario est quasi-nulle.
(...)
Laquelle des différentes options évoquées vous semble la plus probable à court terme?

Si la dette de l'Italie est attaquée, il n'est plus possible de bricoler comme on l'a fait jusqu'à présent. La fédéralisation étant très peu probable, reste la sortie de l'Allemagne. J'estime les chances de son départ à 30% dans les trois prochaines années."

O artigo na íntegra aqui.

domingo, julho 03, 2011

Poupemos agora os nossos descendentes para que um dia eles paguem...mais.

"Comissário dos Transportes diz que fundos para TGV não podem ser usados noutros projectos

O comissário europeu dos Transportes, Siim Kallas, defendeu hoje que os fundos comunitários destinados à ligação ferroviária de alta-velocidade entre Lisboa e Madrid não poderão ser usados noutros projetos.

"Em termos concretos, os fundos de coesão são uma decisão dos Governos e podem ser realocados, mas os fundos de projetos prioritários não podem ser realocados. Então, se o projeto for cancelado, este dinheiro não poderá ser usado e regressará ao orçamento europeu", afirmou Siim Kallas.

"Então, se o projeto for cancelado, este dinheiro não poderá ser usado e regressará ao orçamento europeu", acrescentou o comissário.

O vice-presidente da Comissão Europeia e comissário dos Transportes falava durante uma conferência de imprensa conjunta com o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), relator do parecer do Comité das Regiões sobre o livro branco dos transportes.

Siim Kallas disse compreender a "posição financeira difícil dos estados-membros e, neste caso particular, de Portugal", sublinhando que a Comissão ainda não sabe exatamente os contornos da decisão do Governo português em suspender o projeto.

"Ainda não sabemos o que esta exata decisão é, se é um efetivo cancelamento deste projeto ou um adiamento e para quando", referiu.

A Comissão encoraja os estados-membros, se possível, a "não cancelarem os grandes projetos de infra-estruturas porque são projetos a longo prazo e trarão emprego", afirmou.

Lusa"

Fonte.

Já nem sei como é que se lhes há-de explicar isto, se calhar em grego...

quinta-feira, junho 30, 2011

Orgãos de desinformação social

É assim que deviam chamar-se os nossos jornais e telejornais. Tendo em conta o que vou lendo sobre a proposta da Comissão europeia de criar um novo imposto, fica aqui uma explicaçãozinha simples de Ana Gomes no Causa Nossa:

"Quem deve pagar a crise?

A SIC NOTÍCIAS noticiava ontem que a Comissão Europeia propõe um novo imposto europeu sobre "transações entre os 27 Estados Membros".
Mas esquece-se de acrescentar uma palavrinha fundamental: "financeiras".'.
Sim, porque é de cobrar impostos sobre as transações financeiras que estamos a falar. De fazer os bancos, seguradoras, "hedge funds" e outros fundos, com mais ou menos fundo, e todos os que ganham dinheiro à conta de terem dinheiro, pagar uma percentagem ínfima do que ganham para ajudar a UE a ajudar os Estados que mais precisam - como Portugal - a recuperar da crise, relançando o crescimento económico e gerando emprego.
Trata-se de uma proposta há muito apoiada no Parlamento Europeu e em particular pela família socialista.
É deprimente ver a SIC NOTÍCIAS e outros media portugueses embarcarem imediatamente numa campanha para indispor os cidadãos contra a Europa, sugerindo que a proposta da Comissão vai sobrecarregá-los com mais um imposto, em tempos de tão dura crise.
Porque não é nada disso, muito pelo contrário.
Trata-se de fazer pagar pela crise os seus principais causadores.
"
Os jornais desinformam e curiosamente a favor dos interesses financeiros, dando a sensação que se indignam pelos cidadãos...haja desfaçatez!

terça-feira, junho 28, 2011

Encubadora

Andar pelo facebook, blogues,Tedtalks e outras "cibercoisas" e descobrir leituras, links para artigos, teses, opiniões que de outra forma jamais conheceria. Somos milhares, milhões. Esta semente vai germinar. We are living in interesting times.

segunda-feira, junho 27, 2011

Legenda dos tempos que correm

Buying Time

sexta-feira, junho 24, 2011

Um conselho...

...a quem anda a respirar de alívio: comecem a respirar fundo , como se fossem mergulhar.

quinta-feira, junho 23, 2011

Algo me diz...

...que doravante Portugal "vale a pena", "é capaz", " a crise é tremenda", "os mercados são dificéis e terão de ser acalmados", "Portugal dará o seu melhor como sempre acontece em tempos de crise", "sim, somos capazes!".

Sim, algo me diz que doravante os jornais, tvs e discursos serão pautados por estas mensagens que ainda ontem (quase literalmente) eram sacrilégio, falar mentira aos portugueses, iludir a realidade, enveredar por optimismos cegos, etc...

Que seja pelo bem do país e sinceramente que seja verdade. Mas no campo do jogo sujo ninguém lhes leva a palma.

Durão Barroso assegura mesmo hoje no JN:
"Durão Barroso realçou que a "cooperação próxima [entre Portugal e a Comissão] pode fazer diferença" e deixou votos "sinceros de sucesso" ao Governo e a Portugal."
Ouviram mercados? Ouviram portugueses? Ainda bem.

O ovo e a galinha

São os governos ou candidatos a governantes que são populistas e demagógicos e seduzem os eleitorados nesse sentido ou são os eleitorados que são demagógicos e populistas e levam os governantes ou candidatos a governantes a optar por esse discurso para lhes sacarem o voto de que precisam para governar?

Um pouco dos dois? Mais um, mais o outro?

O que é certo é a comunicação social: cada vez mais superficial e sensacionalista e menos dada à reflexão e à investigação. É o milho que alimenta a galinha e o ovo.

sábado, junho 11, 2011

Nunca gostei de hienas

Nunca tive pachorra para moralistas, por definição falsos, nem para linchamentos.
Subscrevo totalmente este texto:


"senhor primeiro ministro cessante

Quase toda a gente sabe que a palavra linchar deriva do facto de ter existido um americano chamado Lynch que, por inerências genéticas e conjunturais, preconizava, praticava e (talvez isto seja o mais abjecto desta historieta) encorajava o acto de enforcar outrem - sem outra demora que não fosse o passar da corda por cima do galho mais à mão (mas, ainda assim, "sem pé" para outrem) e a construção do laço "justiceiro". Lynch era adepto fervoroso duma espécie de justiça rápida - o que é muito diferente (embora eu não espere que a maior parte das pessoas que me leu até aqui seja sensível à diferença e, já agora, nem a esta diferença nem a nenhuma outra) duma rapidez justa.


Em Portugal (dispenso-me de falar doutros países, há tipos com blogues noutros países e eles que escrevam sobre isto se quiserem), para os portugueses, o acto de linchar é uma espécie de refeição ao meio da manhã que se toma em grupo. Em cardume, em manada, em matilha. Não sei o substantivo colectivo que define uma resma de hienas, que seria o mais adequado para o que quero dizer, de maneira que vou inventar uma palavra para isso: putedo.


Ora o putedo, em se apanhando diante dum alvo erecto, rosna baixo a olhar os passarinhos que esvoaçam. Em o alvo se abaixando para qualquer coisa (ou por qualquer coisa), rosna alto e começa a mirar as próprias fezes. Em apanhando o alvo um bocadinho de cócoras, para apanhar qualquer coisa que lhe caiu, começa a rodeá-lo e a guinchar risadas funâmbulas, com as supracitadas fezes já na boca. Metade do putedo agride já o alvo, com as gengivas fétidas onde desabundam dentes e progride a piorreia. Se o alvo cai, matam-no com a rapidez lenta dos vagares vorazes. E não o comem logo por ser carne fresca.


O putedo é cobarde e, como convém aos cobardes, abundante.


O putedo é um grupo de acólitos de Lynch fora do tempo mas que marcha em passo concertado. O putedo lincha, embora queira deixar no ar a ideia de que apenas putifica (e putificar é uma palavra putificante, ou seja, bastante parecida com purificante - do ponto de vista do crescente putedo que se guindou a analista do léxico e das coisas todas).


Repugna-me muito o que tenho lido e escutado - de Mena Mónica e Barreto, de Pilatos e Caifás, de Caius Detritus (leia-se Mário Crespo) e Manuel das Iscas, de José Moura Guedes e Eleutério Caquinha - sobre José Sócrates. Não assistia a um linchamento tão concertado, tão prolongado, tão "encomendado", desde 1988, quando me mostraram na televisão e nas revistas a agonia dos dois polícias ingleses putificados às mãos dos católicos em carpideira ânsia de putificação de Belfast. Já não via o putedo a exercer a sua putificação de maneira tão despudorada e tenaz, portanto, há muitos anos.


De maneira que informo (marimbando-me perfeitamente para o putedo) que emprestaria o meu carro a José Sócrates, se ele mo pedisse. E mais não informo porque o acto de informar se tem vindo a transformar, duma maneira cada vez mais desassombrada, num acto de puta. E eu, puta, não sou. Embora saiba que se fosse seria bastante cara: é que mesmo assim tenho procura; de algum putedo.


Já a seguir, porque este lugar é meu, música." do blog Gravidade Intermédia.

terça-feira, junho 07, 2011

Terminadas que estão as eleições legislativas de 2011

... algo me diz que a crise internacional, as decisões tomadas na UE, os mercados, serão finalmente a razão de ser dos problemas que vivemos.Acho que a Bélgica, a Itália, a Espanha, uiii a Espanha, a Dinamarca, a França, a Alemanha, uii a Alemanha, as bolsas, as disfunções da integração europeia, tudo isso constará do vocabulário corrente dos nossos jornais, telejornais, comentadores e outros ( por exemplo, novos governantes que ainda ontem eram oposição).
Ao menos isso, há pelo menos uma boa consequência destas eleições. Que os arautos da verdade se deixem da mentira cretina e contextualizem duma vez por todas os nossos problemas. Um país pequeno, de economia aberta, integrado numa realidade maior que é a UE, com as suas fragilidades (as nossas e as dela), numa realidade ainda maior que é a da economia globalizada, da desregulação dos agentes financeiros, dos bancos, uiii os bancos, as agências de notação, uiii as agências de notação e os especuladores e bolsas, uiii... Como tudo isto nos afecta e o que podemos fazer... ou não.
Pelo menos por isto : alívio.

sexta-feira, junho 03, 2011

Ready for take off

Vou votar, Portugal, cá vou eu.

quarta-feira, maio 25, 2011

O Verão quente de 2011

"What's at stake this summer is more than just the future of the eurozone, for which there are predictable outcomes. It is the future of pan-European solidarity, which has been implicit in the project of the EU and, recently, in short supply." Paul Mason, no The Guardian de hoje.
O artigo aqui.

terça-feira, maio 10, 2011

Pensando a Europa

Foi isto que irritou o Wolfgang?

"Segundo um alto funcionário europeu, saiu de Lisboa, na quinta-feira, "a ideia de que o programa português era menos severo que o grego e o irlandês", o que reforçou as "conversas de bastidores" e as "exigências de Atenas e Dublin para renegociar os termos da ajuda externa". " no jornal i de hoje.
Wolfgang Munchau no FT revoltou-se com as fugas de informação recentes que apontavam para uma possível saída da Grécia do euro. A mensagem do nosso PM, salientando o carácter menos punitivo do acordo alcançado com a troika, também mereceu críticas acérrimas de Munchau que considerou as afirmações de Sócrates tragicómicas e prejudiciais para a UE. O colunista do FT defende uma maior integração política da UE para resolver os problemas com os quais se depara actualmente (eu também), mas defende uma integração de acordo com as actuais regras constitucionais alemãs (ou seja, sem mais dinheiro alemão). É para além disso, um defensor de regras punitivas para os irredutíveis faltosos do sul ( ele gosta muito da metafora da cigarra e da formiga).
Concordo com Munchau quanto à maior integração política e quanto à necessidade de corrigir determinadas medidas, hábitos, regras nos países em apuros.
Discordo ,porém, da sua visão maniqueísta. Os problemas do sul da Europa não existem só no sul e não são da sua exclusiva responsabilidade. A interacção entre as economias da zona euro, na sua actual configuração, desembocou na situação que o euro atravessa. O consumismo do sul dificilmente teria sido evitado com taxas de juro tão apetecíveis em economias de mercado. Qualquer solução terá impacto nos vários países, pelo que empurrar o problema para alguns é, na minha opinião, de uma tremenda miopia.
Aparentemente, gregos e irlandeses uniram-se na exigência de condições que os ajudem a sair de facto do problema em que estão, senão saem do euro ou reestruturam a dívida, solução que não agrada de todo à Alemanha. Tudo teria sido inspirado pelo acordo obtido por Portugal e considerardo mais favorável. Isto pode implicar mais ajuda, logo mais dinheiro nomeadamente da Alemanha. Wolfgang Munchau teria preferido que Sócrates ficasse caladinho e que gregos e irlandeses se mantivessem dóceis. O meu espanto é como é que eles não fizeram isto há mais tempo...

Exercícios práticos de memória III

Quando a oposição chumbou o PEC IV e o governo apresentou o pedido de ajuda financeira, o BCE avançou um primeiro montante indicativo: 77-80 mil milhões de euros. Aliás, essa ordem de grandeza já aparecera nos jornais uns tempos antes. Ora, o BCE baseara-se no conhecimento que tinha da nossa economia através dos dados que regularmente lhe são transmitidos (assim como à CE, eurostat, eurogrupo). O montante era indicativo faltava verificar a situação in loco.
O montante final acordado é de 78mil milhões €.

sábado, maio 07, 2011

Hoje lembrei-me deste provérbio

"Quem quer vai, quem não quer manda."

domingo, maio 01, 2011

Querida mãe


"Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E Deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves."

Eugénio de Andrade.

segunda-feira, abril 25, 2011

O que eu sou


quinta-feira, abril 21, 2011

Preparativos belgo-pascais


uhmmm...para sobremesa, trifle de framboesa ?

sábado, abril 16, 2011

Exercícios práticos de memória II

RTP - PORTUGAL E O FUTURO - AS ENTREVISTAS

Entrevista a Ricardo Salgado no dia 12 de Abril último. Várias passagens interessantes. Em relação ao post anterior, é interessante ouvir o que diz Ricardo Salgado ao minuto 12h50.

segunda-feira, abril 11, 2011

Exercícios práticos de memória

Numa breve viagem ao passado proporcionada pelo google, visitei estas magníficas paragens:


"As derrapagens orçamentais são consequência do declínio drástico das receitas fiscais e das crescentes despesas sociais, como os subsídios de desemprego. Os governos vêem-se forçados a ir aos cofres públicos para fomentar o crescimento e o investimento e, deste modo, lutar contra a pior recessão económica desde a 2ª Guerra Mundial."
Retirado dum comunicado da Comissão europeia de 24 de Março de 2009. É pequeno e pode ser lido aqui, em português e tudo.

Alguns anos luz antes (Outubro de 2008) e enterrado sob longas camadas de sedimentos que nos impedem de aceder a informação tão pertinente, deparei-me com isto:

"Face à ameaça de recessão, o Conselho considerou que as regras da UE sobre os défices orçamentais, que limitam a dívida pública a 3% do PIB, devem ser aplicadas por forma a reflectir as actuais «circunstâncias excepcionais».
Esta passagem pré-histórica até agora desconhecida pode ser lida aqui, ou seja outro comunicado da Comissão europeia, no seu site, em português, a propósito duma Cimeira onde se debatera a crise.
Mas isto é só para geeks e curiosos de excentricidades que no mesmo site encontrarão outras "curiosidades", porque isto não interessa nada, nadinha, não explica nada, népias.

domingo, abril 10, 2011

Se dúvidas houvesse...

...quanto às "qualidades" governativas de Passos Coelho, esta notícia devia afastar qualquer veleidade:
"Jardim diz que Passos Coelho é o "estadista" que dará "futuro" a Portugal".
Cruzes canhoto...

sábado, abril 09, 2011

Respirar fundo


Aqui , mais que não seja em sonhos.
Para já, lá fora o Sol brilha e o ar está morno.
Bom fim-de-semana :)

quarta-feira, abril 06, 2011

Caça-alcoviteiros

Em reuniões de alto nível e à porta fechada há um acordo no sentido de divulgar cá fora apenas o que se decidir que deve ser divulgado. O acordo tácito até pode não ser o de não dizer nada, mas sim o que se deve dizer e como. Não são por acaso reuniões à porta fechada. O que tratam entre quatro paredes, mesmo os assuntos que afloram mais superficialmente, pode adquirir proporções especulativas desnecessárias se transpirar para o exterior .
Os membros destes grupos que assim se reúnem partilham uma confidencialidade que os une e pressupõe reciprocidade. É dessa partilha mais informal de opiniões que se espera uma coordenção de posições e soluções, para vantagens recíprocas. Supostamente.
De vez em quando há quem resolva divulgar o que foi dito e quase sempre o faz numa perspectiva muito própria. Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto. Nem sempre dão a cara, mas mais tarde ou mais cedo descobre-se quem é. Deles conclui-se apenas que não se esforçam pelo objectivo assumido como comum daquelas reuniões. Só isso se pode concluir. O conteúdo das declarações em si tem menos valor e credibilidade que o acto da divulgação que , esse sim, nos diz muito sobre a reais intenções de quem participa nas ditas reuniões.
Regra geral , os apressadinhos nestas divulgações não duram muito. Ninguém gosta de traidores e delatores, nem mesmo aqueles a quem convêm as indiscrições.

Caça-mentiras

Soubessem as pessoas um pouco mais sobre o funcionamento das insituições, europeias ou nacionais, e não engoliriam tanto disparate divulgado por encomenda nos jornais.
A última pérola, a do empréstimo intercalar, é bom exemplo disso. Mas o que não falta são exemplos.

segunda-feira, abril 04, 2011

Técnicas de reprogramação

Ouvi a entrevista a Sócrates e agora passa na RTP uma reunião de jornalistas que comenta a dita entrevista. Maria João Avillez e Serra Lopes (não foi julgada pelo boato do Freeport?!) afiançam que já chega de Sócrates a vitimizar-se. E eu, humilde cidadã peço-lhes que já chega de diabolizá-lo. Provavelmente uma coisa existe graças à outra , não?! Como a treta da arrogância do PM, autoritarismo e tal. Não são maiores que a arrogância de partidos que também não cedem e insultam sem pensar duas vezes, e chamar-lhe autoritário quando não há bicho careta que não lhe chame tudo em qualquer pasquim, por favor.

Mas isso não é o mais importante, o mais importante não é nada disto, é injectar a doutrina deles nas nossas cabecinhas, perceber toda a malvadez, hipocrisia e demagogia do PM. Eles não são eleitos, mas eles é que sabem, eles é que sabem quem querem a governar o país e tudo farão para decidirem.

Tenho de esquecer o que sei do funcionamento da UE, do euro, da zona euro. O Mecanismo de Estabilização do Euro que estava prestes a ser aprovado na última cimeira não ia ter uma notação triplo A, não. Não ia permitir taxas de juro no máximo de 5% a quem a ela recorresse, não. Não estava desde já aberta a Portugal com as medidas do PEC IV que foram aprovadas pela Comissão, BCE e estados-membros da zona euro, não. A sua aprovação não seria a tentativa até agora mais credível de por termo à especulção sobre as dívidas dos países da zona euro, e sobre o próprio euro, não. E o facto de Portugal resistir ao FEEF+FMI não significa que contitui um obstáculo ao ataque da próxima vítima - Espanha. Não, nada disto afecta o euro em si, claro que não. Não nada disto aconteceu.

O culpado de tudo e mais um par de botas é o Sócrates. E ele que se cale que já estamos fartos que se vitimize e ainda se permite criticar o PSD por não ter apresentado um grama de programa. Autoritário e arrogante!


Eu , humilde cidadã comum também gostava de saber qual é o programa do PSD, desculpem lá a desfaçatez.


Náuseas...

sexta-feira, abril 01, 2011

Fox news versão lusa

Estou a ouvir Mário Soares na Conferência "Grandes debates do regime", transmitida na TVI24. Como grande estadista, passou em revista a realidade actual, causas da crise actual, pistas para o futuro. Fê-lo naturalmente na sua perspectiva, foi claro e não renunciou a assumir a sua ideologia, é honesto e recto.
Na TVI receiam seguramente que a sua versão dos factos chegue aos portugueses e estes comecem a pensar pela própria cabeça. Assim, de 5 em 5 minutos, interrompeu o discurso de Mário Soares permitindo a uma senhora comentadora que nos dissesse : " o que Mário Soares quer dizer é isto..." , mas tudo alicerçado na premissa :" este é um homem que já não é do seu tempo". Tudo o que Mário Soares disse foi ou apresentado como tendo dito o contrário ( quando MS recordou por ex a natureza mundial da crise, a comentadora apressou-se a martelar os erros do actual primeiro-ministro como causas desta crise), ou foi apresentado como já não sendo um homem do seu tempo, ou seja desvalorizando por completo a mensagem do orador junto do potencial ouvinte.
Já não bastavam as dezenas de programas de comentário político que se seguem a qualquer intervenção dum governante, para nos dizerem o que "realmente" se passou, agora, é mesmo durante a intervenção dum orador que surge o filtro interpretativo da figura do comentador. Vale tudo para filtrar a informação e adulterá-la. Não há informação no meu país, neste momento, há um simulacro de diversidade informativa. Um simulacro generalizado, no meu país só há a Fox News. Isto é horripilante.

sábado, março 26, 2011

Prestes a ir a Portugal...

...estou eu e o meu Mr.A. Muito preocupada quanto ao futuro do meu país e com vontade de gozar a doçura da Primavera portuguesa. Ver e sentir na primeira pessoa o que se passa, como estão as pessoas, as que me estão mais próximas, antes de mais.
Até já.

sexta-feira, março 25, 2011

A pergunta que se impõe

quinta-feira, março 24, 2011

Entretanto, hoje em Bruxelas


"Euromanif: plusieurs milliers de manifestants contre l'austérité" no La Libre Belgique de hoje.

Confederação europeia de sindicatos, sindicatos belgas, todos reclamam o mesmo: fim da precariedade, fim dum pacto que pretende reduzir salários e direitos sociais.
Aqui como aí. É por isto que não posso acreditar nos discursos que visam circunscrever os probelmas portugueses à realidade portuguesa, fazendo da crise internacional um pormenor adicional.
É que essa abordagem esquece um elemento fundamental: a ideologia que governa actualmente a UE. Bem sei que está na moda considerar que já não há ideologias. Não concordo.
-A UE tem actualmente como maioria no colectivo da Comissão: 1 presidente e vários comissários de direita;
- no PE, é o PPE (direita, cristã, conservadora e neoliberal) que detém a maioria;
-em Conselho de Ministros a maioria de governos é liderada por partidos de direita (todos representados no PPE);
Estes partidos, defendem a austeridade com resultados a curto prazo, sem solidadriedade, o funcionamento puro e duro dos mercados, a sua auto-regulação. É legítimo.
Ora, qualquer governo que não pertença a esta família política, o de Portugal, Espanha, Grécia e agora Irlanda, pouco pode fazer para além do que é acordado em Conselho de Minsitros pela maioria supracitada. Podem tentar adiar, recusar algumas medidas, mais cedo ou mais tarde, os mercados forçam a mão de quem não quis agir no mesmo sentido. Os mercados deixados à solta pela maioria de direita que se tem recusado a agir como um todo no âmbito da zona euro, argumentando que o que existe chega, quem prevaricou deve pagar, a culpa não é dos mercados. A tal família política a que pertencem PSD e CDS.
A insatisfação é generalizada. Já levou a eleições na Grécia e Irlanda, países que tinham governos de direita antes das últimas eleições e que com governos de esquerda continuam obrigados a aplicar a mesma receita.
Todos estes governos foram democraticamente eleitos. Não gosto culpar governos democraticamente eleitos pelo que sucede pois desresponsabiliza quem escolhe, ou seja nós. Temos hoje a Europa que a maioria dos europeus está disposta a aceitar, que os deixa insatisfeitos, revoltados, mas é a que escolheram.

Entretanto, no maravilhoso mundo da política da verdade e da tranquilidade com o FMI...

...continua-se a falar e a não dizer nada, népias. PPC não promete alternativas mas sim uma estratégia, topam? Pois, não digas qual é a estratégia não, senão lá vão os resultados nas sondagens.
É que hoje não foi dia de eleições...hoje foi o dia em que vocês lixaram um bocadinho mais o país pela eventualidade de ganhar futuras eleições. Hipótese, possibilidade...enfim, não é uma alternativa, é uma estratégia, afinal está lá tudo.

quarta-feira, março 23, 2011

Dúvidas duma cidadã comum

Se o problema do défice e da dívida pública se devem essencialmente a problemas estruturais tais como falta de competitividade, rigidez do mercado de trabalho, excesso de estado, despesismo do estado, excesso de endividamento privado, etc, porque que é que os mercados não despertaram para os nossos problemas antes e se se lançaram aos juros da dívida como gato a bofe antes de 2010?
São características da nossa economia que existem há vários anos, andariam distraídos? E acordaram logo no ano da crise financeira?!

terça-feira, março 22, 2011

Portugal visto de Bruxelas

Estou prestes a assistir a um crime e nada posso fazer. Revolta, nojo, incredulidade.
Os líderes da oposição só pensam no poder que lhes PARECE à mão se semear.
O Presidente da República está mudo.
Os jornais começam a criticar agora o carácter inoportuno da crise, depois de anos de manipulação e tendenciosismo grosseiros.
E no entanto, daqui a dois dias, poderá ser confirmado o acordo entre estados-membros da UE que nos evitaria o recurso a ajuda externa a essa mesma UE. Foram 12 longos meses a ganhar tempo, a aguentar. E agora, quando era possível...ou será que é precisamente por ser possível evitar FMI , e atingir metas do défice e da dívida?

sábado, março 19, 2011

Dia do sonho com fadas e um anjo...bom fim-de-semana:)