quinta-feira, março 24, 2011

Entretanto, hoje em Bruxelas


"Euromanif: plusieurs milliers de manifestants contre l'austérité" no La Libre Belgique de hoje.

Confederação europeia de sindicatos, sindicatos belgas, todos reclamam o mesmo: fim da precariedade, fim dum pacto que pretende reduzir salários e direitos sociais.
Aqui como aí. É por isto que não posso acreditar nos discursos que visam circunscrever os probelmas portugueses à realidade portuguesa, fazendo da crise internacional um pormenor adicional.
É que essa abordagem esquece um elemento fundamental: a ideologia que governa actualmente a UE. Bem sei que está na moda considerar que já não há ideologias. Não concordo.
-A UE tem actualmente como maioria no colectivo da Comissão: 1 presidente e vários comissários de direita;
- no PE, é o PPE (direita, cristã, conservadora e neoliberal) que detém a maioria;
-em Conselho de Ministros a maioria de governos é liderada por partidos de direita (todos representados no PPE);
Estes partidos, defendem a austeridade com resultados a curto prazo, sem solidadriedade, o funcionamento puro e duro dos mercados, a sua auto-regulação. É legítimo.
Ora, qualquer governo que não pertença a esta família política, o de Portugal, Espanha, Grécia e agora Irlanda, pouco pode fazer para além do que é acordado em Conselho de Minsitros pela maioria supracitada. Podem tentar adiar, recusar algumas medidas, mais cedo ou mais tarde, os mercados forçam a mão de quem não quis agir no mesmo sentido. Os mercados deixados à solta pela maioria de direita que se tem recusado a agir como um todo no âmbito da zona euro, argumentando que o que existe chega, quem prevaricou deve pagar, a culpa não é dos mercados. A tal família política a que pertencem PSD e CDS.
A insatisfação é generalizada. Já levou a eleições na Grécia e Irlanda, países que tinham governos de direita antes das últimas eleições e que com governos de esquerda continuam obrigados a aplicar a mesma receita.
Todos estes governos foram democraticamente eleitos. Não gosto culpar governos democraticamente eleitos pelo que sucede pois desresponsabiliza quem escolhe, ou seja nós. Temos hoje a Europa que a maioria dos europeus está disposta a aceitar, que os deixa insatisfeitos, revoltados, mas é a que escolheram.

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