quarta-feira, outubro 27, 2010

Equilíbrio

Numa viagem recente comentava com um amigo que o que mais me chama à atenção nos compatriotas é o exagero. Muitos de nós pecamos pelo exagero das posições assumidas, das conclusões retiradas. Uns exagerados. Vinha isto a propósito da nossa condição de "estrangeirados" e de como a nossa visão do país suscita muitas vezes reacções "violentas" que terminam com "um vocês não sabem como isto é".
Acontece que tanto ele como eu regressamos regular e frequentemente ao país, temos lá família e amigos. è também evidente que a nossa visão do mundo está inexoravelmente marcada pela vivência em Bruxelas, no caso dele há 24 anos e no meu há 15.
Como coonseuquência, com o tempo, aprendi a relativizar alguns dos nossos problemas, a contextualiza-los (no nosso percurso, situação geográfica, socio-económica, na Europa, no mundo) e passei a ver soluções onde outros vêm fatalismos e problemas onde outros não vêem nada. Escusado será dizer que me acusam do mesmo.
Mas o que mais me custa, confesso, é ver o exagero de afirmações de derradeira tragédia , de auto-repúdio e menorização. Para além de suscitarem em mim algum desprezo indicam sobretudo uma falsa vontade de mudar, apesar do discurso dizer o contrário. Não acredito em povos incapazes , não acredito em fatalismos.
Hoje este post de Miguel Carvalho no Fado Positivo chamou-me à atenção. De acordo com o autor, o post justifica a razão de ser daquele blog (assim é) ao apresentar dados do relatório Índice de Prosperidade do Legatum Institute que salientam a disparidade entre as estatísticas de Portugal e a percepção que os portugueses têm das mesmas situações.
Estamos a precisar de reequilibrar a nossa visão.
P.S.: Exemplo:

"•While Portugal ranks 22nd in the Index for its affordability of food and shelter, only 48%* of its population were satisfied with their standard of living: putting the country in 80th place, worldwide.
•Portuguese believe economic conditions are getting worse, ranking 104th on economic expectations (...) However, foundations for future growth appear stronger.
•(...) while a relatively low 2% of its banks’ loans are non-performing, barely more than half* of the Portuguese have confidence in their country’s financial institutions. " Vale a pena ler o resto.

P.S.2: Corruption index 2010, no Guardian.

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