sábado, outubro 30, 2010

Tentar perceber

Tentar perceber o que se passa neste momento no meu país é tarefa difícil, por que estou longe e porque o assunto escapa em grande medida à minhas competências. Porque é que o défice derrapou? Algo sei do que se passou e tem passado aqui deste lado, i.e. Bruxelas, mas ignoro parte substancial do que se passa em Portugal. Leio os jornais, porém pouco me dizem, são cada vez menos informativos, na verdadeira acepção da palavra.
Vou procurando pistas. Hoje começo com esta, se encontrar outras (espero que sim) aqui virei colocá-las:

"Surpreendeu-o a derrapagem da execução orçamental em 2010?

Não conheço bem a situação. Mas dou um exemplo: uma das derrapagens vem pelas autarquias e regiões. Dizem-lhes para eles não gastarem e eles gastam. É preciso fazer qualquer coisa, inclusivamente pôr processos a esses senhores que não cumprem os défices orçamentais e excluí-los da elegibilidade política por uns anos. Não podemos ter o Governo a dar ordens e eles a não cumprirem. !"

Na entrevista ao economista Silva Lopes no JN de 29/10/2010. Ler na íntegra aqui.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Perspective

França:

88% des Français pensent que le piston prime sur le talent (in Le Monde 28/10/2010)

Trad: 88% dos franceses pensam que a cunha prevalece em relação ao talento.


Déficits: scénarion bis de rigueur d'ici à 2013? (in Le Monde 27/10/2010)
Trad: Défices: repetição do cenário de rigor até 2013?

Bélgica:

L'inflation à son sommet depuis deux ans en Bélgique ( Le Soir 28/10/2010)
Inflação há dois anos a atingir valores máximos na Bélgica

Une PME belge sur trois en déficit en 2009 (La Libre Bélgique 27/10/2010)
Uma PME belga em cada três com défice em 2009.



Ponte Pequim-Europa

Aí vem ele. Ele quem? Hu Jintao, presidente chinês. Há cerca de 1 mês esteve na Grécia, agora virá a França (antes desta assumir a presidência do G20) e depois a Portugal. A convite dos respectivos presidentes da república.
Muito oportuna esta visita , já que hoje a China anunciou disponibilidade para comprar dívida portuguesa.
Venha ela, implicará seguramente novas interdependências, novas necessidades de entendimento e de compreensão mútua. E já agora, poderá ajudar-nos.
A diplomacia e visão geoestratégica chinesas não brincam em serviço, as nossas também não se têm saído mal. Mãos à obra.

Andam nisto, portanto

Sobre o orçamento, não há acordo. Temos de respeitar imposições que aprovamos em Bruxelas. Injustas , na minha opinião, mas é neste barco que estamos e não podemos decidir sózinhos. OCDE, BCE, CE deram o beneplácito, Durão Barroso invocou imperativos, o Finantial Times veio a terreiro e o BCE também mandou recados.
Porém, uns dizem que não podem ceder por causa destas imposições, os outros que não cedem porque o que pedem é essencial.
Não houve acordo. Há quem diga que era previsível. Há quem imagine que tudo acabará com abstenção no dia D. Há quem clame pelo FMI .
Entretanto, os mercados reagem previsivelmente e os juros da dívida disparam. A tal dívida, que era suposto diminuir com o orçamento de 2011...
Tudo para não perder a face perante os potenciais eleitores (quem disse que não temos o nosso quê de chineses?), tudo isto com a mira em hipotéticas futuras vitórias eleitorais. Jogadinhas de xadrez baratas que sairão caras aos portugueses.
Estou só a recapitular para memória futura, minha.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Equilíbrio

Numa viagem recente comentava com um amigo que o que mais me chama à atenção nos compatriotas é o exagero. Muitos de nós pecamos pelo exagero das posições assumidas, das conclusões retiradas. Uns exagerados. Vinha isto a propósito da nossa condição de "estrangeirados" e de como a nossa visão do país suscita muitas vezes reacções "violentas" que terminam com "um vocês não sabem como isto é".
Acontece que tanto ele como eu regressamos regular e frequentemente ao país, temos lá família e amigos. è também evidente que a nossa visão do mundo está inexoravelmente marcada pela vivência em Bruxelas, no caso dele há 24 anos e no meu há 15.
Como coonseuquência, com o tempo, aprendi a relativizar alguns dos nossos problemas, a contextualiza-los (no nosso percurso, situação geográfica, socio-económica, na Europa, no mundo) e passei a ver soluções onde outros vêm fatalismos e problemas onde outros não vêem nada. Escusado será dizer que me acusam do mesmo.
Mas o que mais me custa, confesso, é ver o exagero de afirmações de derradeira tragédia , de auto-repúdio e menorização. Para além de suscitarem em mim algum desprezo indicam sobretudo uma falsa vontade de mudar, apesar do discurso dizer o contrário. Não acredito em povos incapazes , não acredito em fatalismos.
Hoje este post de Miguel Carvalho no Fado Positivo chamou-me à atenção. De acordo com o autor, o post justifica a razão de ser daquele blog (assim é) ao apresentar dados do relatório Índice de Prosperidade do Legatum Institute que salientam a disparidade entre as estatísticas de Portugal e a percepção que os portugueses têm das mesmas situações.
Estamos a precisar de reequilibrar a nossa visão.
P.S.: Exemplo:

"•While Portugal ranks 22nd in the Index for its affordability of food and shelter, only 48%* of its population were satisfied with their standard of living: putting the country in 80th place, worldwide.
•Portuguese believe economic conditions are getting worse, ranking 104th on economic expectations (...) However, foundations for future growth appear stronger.
•(...) while a relatively low 2% of its banks’ loans are non-performing, barely more than half* of the Portuguese have confidence in their country’s financial institutions. " Vale a pena ler o resto.

P.S.2: Corruption index 2010, no Guardian.

Atrás de mim virá quem de mim bem falará

Se o projecto de orçamento de Estado para 2011 pensasse e falasse, devia estar agora mesmo ocupado com este pensamento. Tão vilipendiado e odiado, quando e se vier o do FMI, passará a muito desejado. Tarde demais, caros Watsons...de meia-tigela.

quarta-feira, outubro 20, 2010

O sonho comanda a vida...e a Ydreams também

terça-feira, outubro 19, 2010

Vale muito a pena ler

"portugal, a europa, a crise, alguns mitos, algumas realidades" de Porfírio Silva no blogue Machina Speculatrix.

"...mais c'est en 2011 que nous entrons dans la zone à risques"


"En 2011, les pays de la zone euro vont passer collectivement de la relance à la rigueur budgétaire, alors que la reprise économique est loin d'être assurée et que l'environnement international se dégrade. Les économistes font leurs calculs. Les plans d'austérité retireront près de 1 point de croissance à la zone l'an prochain. Si, en plus, l'euro se maintenait autour de 1,40 dollar, sa surévaluation coûterait près d'un demi-point de plus à la croissance.

Certains experts tirent donc la sonnette d'alarme, comme Zach Witton, économiste de l'agence de notation Moody's à Londres, pour qui l'activité devrait s'affaiblir vers la fin de 2010 : "Elle entrerait ensuite dans une très légère récession dans la première moitié de 2011, avec deux trimestres de recul du produit intérieur brut (PIB), avant de redémarrer progressivement.

Sur l'ensemble de l'année 2011, il prévoit que la croissance resterait limitée à +0,7% dans la zone euro (+0,9% pour la France). M. Witton estime que les pays les plus orientés vers l'exportation – l'Allemagne ou les Pays Bas – sont les plus exposés au risque de récession, au contraire de la France, plus dépendante de sa demande interne (...) "
in Le Monde de 18/10/2010 , no artigo "La zone euro est menacée d’un retour de la récession en 2011".
De registar que se fala da zona euro em geral e nem sequer se menciona Portugal em particular. Não sei se se concretizará esta perspectiva. Mas não me venham outravez com o número mediático da grande surpresa e que andam a mentir e tal. Estamos todos no mesmo barco, o mar está bravo e nós juntamente com gregos, espanhóis e irlandeses estamos nos barcos salva-vidas.
Mas não ficamos por aqui:
"Paris et Berlin veulent sanctionner davantage les déficits dans la zone euro" (Le Monde 18/10/2010) e rever o Tratado de Lisboa.

Liu Xiaobo é discutido em Macau

Referi aqui aquando da atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiaobo, que nos jornais em português de Macau a notícia não aparecia. Ontem, o jornal Hoje Macau menciona-o em dois artigos sobre acções nas assembleias legislativas de Macau e Hong Kong:

Liu vira tema de Assembleia.

Para a rua, já em força!

Até que enfim.

domingo, outubro 17, 2010

Refrescar a memória

...essa memória que insistimos em deixar em modo "curta duração".

"A austeridade é o tributo que pagamos a Wall Street." escreve João Pinto e Castro no Blogo Existo. Vale a pena ler na íntegra.
Começa assim:

"Convém lembrar que, em 2008, a Irlanda e a Espanha tinham as finanças públicas equilibradas e Portugal registou um défice de apenas 2,8%.

Nessa altura, a União Europeia pediu aos países membros que interviessem urgentemente em apoio das suas economias para evitar a repetição da Grande Depressão. Está muita gente esquecida de que o rápido agravamento das dívidas dos estados em 2009 teve origem na queda das receitas fiscais resultante da quebra da actividade económica e no aumento das despesas com o apoio aos desempregados. (...)" Continua aqui.

sábado, outubro 16, 2010

Escapando ao ruído





Ricardo Paes Mamede, Professor de Economia Política do ISCTE.

"Roubado" de um post de João Pinto e Castro no blogue Blogo Existo.

domingo, outubro 10, 2010

A minha ideia de responsabilidade cívica e política

É esta, escrita por Domingos Farinho, no Jugular.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Prémio Nobel da Paz 2010 - Liu Xiaobo


Prix Nobel de la paix pour le dissident chinois Liu Xiaobo
envoyé par rue89. - L'actualité du moment en vidéo.

P.S.: Nos jornais em português de Macau nem uma palavra sobre o Nobel da Paz deste ano. Não posso dizer que me espante...

quarta-feira, outubro 06, 2010

Pensar uma outra UE , outra sociedade.

Permito-me transcrever aqui o post de Miguel Silva do Bios Politikos:

"
Escrúpulos

Por estes dias, assiste-se a uma batalha ideológica épica sobre o modelo de sociedade que vamos ter nos próximos anos. O que começou como um golpe para a desregulação dos mercados, rapidamente se transformou num contra-ataque fortíssimo ao Estado Providência. Da condenação da ganância e da ausência de regras e de escrúpulos passámos à condenação da despesa do Estado, mesmo que muita dessa despesa tenha sido feita para salvar o sistema financeiro e tentar travar um colapso económico. No turbilhão dos acontecimentos, a memória não é a capacidade que mais se destaca. E do triângulo formado entre ganância, desregulação e falta de escrúpulos, parece ser a última aquela a que se devia ter dado mais atenção. "

terça-feira, outubro 05, 2010

Longe do ruído e da espuma dos dias II

Vale a pena ler este post de Pedro Lains intitulado "Deixa para amanhã o que podes fazer hoje?"

100 anos!


Viva a República!

segunda-feira, outubro 04, 2010

Longe do ruído e da espuma dos dias

Deparo-me com este título e respectivo artigo:


sábado, outubro 02, 2010

Começar pelo princípio

"Nous devons être le changement que nous voulons pour le monde."
Gandhi