quinta-feira, julho 29, 2010

O fascínio da natureza humana

É preciso sentir um fascínio pela natureza humana para gostar de literatura. Ganhei consciência disso aos poucos. A literatura que sobrevive ao passar do tempo perde a nacionalidade e torna-se universal. Venha ela do extremo-oriente ou do ocidente conta-nos os altos e baixos da nossa condição. Podemos ser vis e magníficos. Os personagens que nos ficam na memória costumam ser um pouco de tudo. São terrivelmente humanos.
Por isso, não acredito em epítetos especialmente concebidos para certas nacionalidades ou em situações únicas. A literatura, a arte não poderiam ser universais se a nossa natureza fosse diferente. Por detrás do verniz superficial dos costumes existe a mesma fome de sobreviver, o mesmo medo da morte. A sede de poder, a manipulação alheia, a inveja, o cíume, a mesquinhez tudo isto dá um bom romance venha ele de onde vier.
A minha expectativa da condição humana parte desta constatação, da aceitação do que somos. Talvez por isso seja uma optimista.

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