quarta-feira, julho 14, 2010

Keeping perspective

Passagem do artigo de Eduardo Pitta retirado daqui e que merece leitura:
"É frequente ouvir dizer que o 25 de Abril “apenas” trouxe o fim da guerra colonial, da polícia política e da censura. A boutade é desculpável na boca dos muito jovens, mas incompreensível, para não lhe chamar outra coisa, se proferida por quem nasceu antes de 1960. Lembrar que, mesmo em Lisboa ou no Porto, a instalação de telefone em casa implicava longos meses de espera (ainda em 1979). E que mais de metade do país não estava electrificado em 1974. E assim sucessivamente.

O mérito do trabalho de Maria João Valente Rosa e Paulo Chitas é justamente o de, a partir de fontes fiáveis, fazer uma grande angular sobre a realidade portuguesa. Alguns números são impressionantes.

Para quem não saiba, só em 1986 a escolaridade obrigatória foi alargada a nove anos. Em 1960, «a população com um nível de instrução correspondente ao ensino superior completo» correspondia a 1% dos residentes. Em 2008 equivalia a 12%. O mesmo se diga da “revolução” provocada pela criação, em 1979, do Serviço Nacional de Saúde. Contra os 7 mil médicos e 10 mil enfermeiros de 1960, o país dispunha em 2008 de 39 mil e 57 mil, respectivamente. Ou seja: em 1960, um médico para cada 1253 residentes; em 2008, um para cada 273. Na justiça, clivagem ainda maior: menos de dois mil advogados em 1960, para 27 mil em 2008. Particularmente esclarecedora do Portugal pré e pós 1974, esta realidade: em 1960, doze mil pensionistas por velhice; em 2008, cerca de dois milhões. Não estamos a falar do mesmo país. "

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