domingo, junho 06, 2010

Vale a pena ler

Este artigo de J.-M. Nobre-Correia no Dn de que reproduzo uma parte:


"Sábado passado, no Público, Vasco Pulido Valente dizia a José Sócrates que "se fosse embora". E explicava porquê: "Não lhe entrou com certeza na cabeça que perdeu a confiança de toda a gente. E, no entanto, basta ler os jornais para se verificar a solidão do homem. Em quarenta anos de política, nunca assisti a um desprezo tão constante, a uma hostilidade tão brutal, a uma unanimidade crítica tão completa."

Cronista de escrita límpida, arguto, embora demasiadas vezes entediado (blasé) e deprimente, Pulido Valente parece esquecer um dado importante: nenhum jornal "grande público" português se situa na área de influência socialista. Mais que isso: nenhum se posiciona editorialmente como um jornal de esquerda ou de centro-esquerda, progressista, reformista. Contrariamente ao que acontece um pouco por toda a parte nos países da Europa dos Quinze.

É certo que, globalmente, os diários e semanários "grande público" praticam uma política de abertura em matéria de colaborações exteriores em direcção de personalidades que se situam nas áreas dos partidos com assento parlamentar. E há que se regozijar com isso. Mas o que é importante, determinante, num jornal não é o leque das opiniões, mas sim a perspectiva de abordagem da actualidade. A maneira como é concebida a informação, a triagem dos factos, a hierarquização dos acontecimentos, a perspectivação e a análise jornalísticas propostas aos leitores.

Ora, nesta matéria, diários e semanários situam-se globalmente à direita (até no sucessor de O Jornal, a esquerda mais não é do que uma vaga reminiscência). Ou, no mínimo, praticam um jornalismo pretensamente independente e isento. Acrítico. Conforme à ideologia dominante. Próximo dos meios económicos e financeiros que, no caso português, pelo menos, não são particularmente progressistas. Quando, da mesma maneira que é salutar que haja jornais liberais ou conservadores, os de sensibilidade reformista e progressista são também indispensáveis ao bom funcionamento de uma democracia… ".

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