quarta-feira, junho 02, 2010

Relexões de uma simples cidadã comum

Uma das formas que tenho de verificar se um livro ou jornal é sério é ler um capítulo ou artigo sobre uma matéria que conheço bem. Assim verifico até que ponto a informação é completa, neutra ou um monte de generalidades alicerçadas nos estereótipos mais básicos.
Faço isto porque aos poucos me fui apercebendo que na sua maioria, os artigos ou livros anglosaxónicos por exemplo com capítulos sobre Portugal ou a UE pecavam pela repetição de generalidades, perpetuarem ideias feitas, corroborarem preconceitos. Há excepções, mas são isso mesmo.
A maioria dos artigos que leio sobre Portugal, inclusive sobre a sua economia mais não fazem que repetir o que ouviram a uma fonte que conhecem directa ou indirectament no país e daí deduzem o resto. Regra geral fazem por confirmar a imagem que já têm. Por isso, o facto da nossa economia ter mudado na última década e meia e já não depender da produção dos mesmo bens, não se reflecte na maioria dos artigos. Repete-se à exaustão a falta de competitividade mas não esperem que alguém explique porquê e em que medida somos menos competitivos que outros. No Financial Times de há 15 dias cheguei a ler que a falta de competitividade se devia ao regime de rendas que vigora em Portugal. Alguns dos entrevistados culpavam mesmo esse regime pelo endividamento das famílias.
Num artigo recente de que me recordo no Libération (conotado com a esquerda francesa) fazia um apanhado da situação do país de acordo com uma fonte que mais não era que os artigos de 1ª página dos nossos jornais, sobretudo os artigos com as crítica do sector mais a direita. Quem diria, o Libé, mais parecia o Figaro.
Daí a assimilição com Espanha ou Grécia ser fácil. São aqueles do sul, simpáticos mas trapaceiros , é tudo a mesma coisa. Haverá porventura quem nesses países pense o mesmo. Casos de colonizados mentais é o que não falta. Porém, apesar de muitas semelhanças, estes países têm várias características bastante diferentes. Quem lê a imprensa nem se apercebe. Por estes motivos surgem anos depois artigos na mesma imprensa muito surpreendidos com certos desenvolvimentos. De facto, à luz do que escrevem, não faz sentido.
Já os profissionais da Banca e nomeadamente do sector financeiro que tenho conhecido ( sublinho este facto para não melindrar os outros), podem ser simpáticos e dinâmicos, mas não se espere dali nenhum rasgo de cultura ou saber. De acordo com a minha experiência lêem poucos livros, lêem sobretudo a imprensa, nomeadamente especializada em economia do seu país e anglófona.
Apesar de inteligentes e até curiosos, o tempo que dedicam às suas actividades leva-os a conhecer mal os países em que investem. Baseiam-se nas generalidades quantas vezes preconceituosas e enganosas da tal imprensa.
É o que tenho constatado ao longo da minha vida. E é à luz disto que também leio o que se vem passando neste mundo.

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