quarta-feira, junho 30, 2010

Mas afinal quem é que ganhou?

Na nossa imprensa destaca-se a selecção portuguesa, Cristiano Ronaldo, Queirós, agora até Figo e Mourinho e os resultados da AG da PT.

Na imprensa espanhola destaca-se Cristiano, Mourinho e os resultados da AG da PT.

Perspectiva II

Pelas mesmas razões do post anterior, fui desta feita informar-me sobre o Mundial e respectivas selecções vencedoras desde o seu início.

O Mundial começou em 1930 no Uruguai. O Uruguai sagrou-se campeão e os EUA ficaram em 3º, é verdade!

Que selecções já ganharam a Taça do mundial:
1- Brasil 5 vezes
2-Itália 4 vezes
3-Alemanha 3 vezes
4- Uruguai, Argentina - 2 vezes
5-Inglaterra e França 1 vez

Só Brasil e Itália é que ganharam 2 vezes seguidas e apenas 1 vez cada um.
Ou seja, a seguir a 1 vitória costuma seguir-se um ano ou bastante mais sem vitórias.
As maiores surpresas pontuais surgem nos 3º e 4º lugares:
-Portugal 1966(3º) e 2006(4º)
-Jugoslávia 1930 (3º ex-aequo)
-Áustria 1934 e 1954
-Suécia 1938 e 1950
-Espanha (4º) 1950
-Chile 1962
-Polónia 1974 e 1982
-Bélgica 1986
-Bulgária 1994
-Croácia 1998
-Turquia 2002
-Coreia do Sul 2002
Os Países-Baixos foram 2º em 1974 e 1978 e 4º em 1998.

Conclusão:
-Favoritismo da França e Inglaterra é exagerado do ponto de vista das vitórias destas selecções ao longo dos anos.
-É normal que ex-campeões tenham campeonatos decepcionantes (i.e. não ganham) no mundial seguinte.
-Brasil merece o favoritismo mas não deve dormir à sombra dos louros como qualquer outra equipa.
-Até hoje só ganharam equipas europeias e sul-americanas e quase sempre alternadamente.

e

o Mundial de 2010 continua fiel a esta tradição. Já só há equipas europeias e sul-americanas em jogo. Nada de novo debaixo do sol.
Novidade seria ganharem a Espanha ou a Holanda. Ainda que dentro do padrão acima referido.

Os arautos da desgraça europeia e outros declínios baseiam-se em quê?

Perspectiva

Eu a comentar futebol, vejam bem ao que isto já chegou.
Como sei pouco sobre este desporto e sobre os desempenhos da nossa selecção fui à procura de informação na Net.
Descobri que Portugal só participou ainda em 5 mundiais dos 19 já organizados.
Da primeira vez que se qualificou (em 1966), obteve o 3º lugar. Seguiu-se uma travessiazinha do deserto de 4 mundiais.
Só nos últimos 3 mundiais é que Portugal se qualificou sempre. Mais precisamente desde o Mundial de 2002. Antes disso era raro. Uma única vez, em 86, depois da primeira em 66 (20 anos, safa!)
Em 2006 obteve o 4º lugar.
No Euro o percurso é semelhante. 5 participações em 13. Semifinais em 2000, 2º em 2004 e quartos de final em 2008.
Conclusão que retiro:
Regularidade e consistência só nos últimos 8 anos.
Os resultados recentes parecem-me mais o resultado de um caminho paulatinamente percorrido.
Na minha humilde opinião isso é bom e de bom augúrio. Haja capacidade para aproveitar.

A canícula



Chegou!

Algo me diz

que vêm por aí interpretações historico-filosofico-psico-tragicómicas do último jogo de Portugal neste mundial. Para além do usual suspect (i.e treinador, o "mordomo" no futebol) , há sempre quem veja nisto explicações para tudo e mais alguma coisa, mas sobretudo, para ESTE país. E porque somos assim e somos assado e frito e cozido. E haverá seguramente pelo menos um maluquinho para invocar as caravelas, o cabo das tormentas, os outros tempos e o diabo a sete.
Logo, logo isto passa-lhes.
P.S.: Às vezes o "mordomo" é mesmo culpado. O Special One já mandou uma farpinha. LOl! E nós mulheres é que somos má língua e mázinhas entre nós ect... hi,hi
Eu a ler A Bola online, bálha-me deus.

terça-feira, junho 29, 2010

Gostei de vos ver e espero vir a gostar muito mais :-)

Caros jogadores da equipa portuguesa,
Acabo de ver o jogo Portugal-Espanha. Vi todos os vossos jogos aliás. Gostava que tivessem ganhado. Não aconteceu. De acordo com a televisão belga, o golo deles até estava fora de jogo. Mas em boa verdade o resultado foi merecido.
Sejamos sinceros, foi justo. É melhor assim, nada pior que uma derrota injusta.
Ao contrário de muitos dos nossos compatriotas que irão dissecar a coisa à exaustão, queimar Carlos Queirós na fogueira dos infiéis, denegrir Ronaldo até mais não, ao contrário de tudo isto eu digo: jogaram bem, sairam com dignidade, face à Espanha ainda não chega. Agora, saboreiem a derrota e vivam-na com dignidade. Não tenham medo de indentificar os erros e aprendam com os eles (isto também vale para o treinador). Preparem-se e assim um dia vão saborear a vitória. Gostava que a vivessem com dignidade também.
Ronaldo é um óptimo jogador. Não teve um atacante que lhe desse a bola para concretizar. Correu a maratona durante o jogo todo. Lutou.
Coentrão, muito muito bom. Eduardo, U-A-U!
Falta um ou dois atacantes para se tornarem numa equipa fora de série. Lancem as buscas já!
Gostei de ver os abraços com os espanhóis no fim. Teria sido perfeito não perderem a cabeça perto do final e deixarem os nervos e frustração tomarem conta de vocês. O cartão vermelho, uma ou duas entradas mais violentas eram desnecessárias. Uma vergonhita.
Mas acabaram bem.
É tão bom ver um jogo destes sem aquelas animosidades antigas, por sinal bastante limitadas e estúpidas.
Agora, estou pelo Brasil ou pela Espanha? A ver qual das duas me motiva mais.
Se bobear ainda me dá para a Argentina, nunca se sabe.

segunda-feira, junho 28, 2010

Vale a pena ler

Este artigo de opinião de Helena Garrido no Jornal de Negócios de hoje.

Reflexões de uma simples cidadã comum III

Leio e oiço com frequência que o nosso crescimento económico é baixo devido à nossa fraca competitividade. Por sua vez, os motivos avançados para a baixa competitividade vão do regime fiscal rígido, aos impostos altos, aos entraves ao empreendedorismo de origem fiscal e administrativo, à fraca qualificacção dos trabalhadores, à fraca qualificação dos empresários, à corrupção declarada, ao amiguismo e favoristismo encobertos, à falta de cultura do mérito, à rigidez do mercado de trabalho etc.
Todos estes motivos devem ser considerados.

Porém, de vez em quando surgem informações que os contrariam:



Fonte:OCDE

De acordo com este gráfico, Portugal não é dos países europeus com maiores obstáculos ao empreendedorismo (longe disso).

Recentemente números do Eurostat revelavam que a carga fiscal portuguesa também não é das mais elevadas da UE, como se pode ler aqui.

O nível de escolarização e de diplomados de Portugal é baixo ( quando calculado sobre o conjunto da população)comparado com a maioria dos países da UE e da OCDE, mas não deixa de ser superior ao de outros países que têm níveis de crescimento económico invejáveis ( China, para citar o mais óbvio).

Para além disso, a corrupção em Portugal é mediana e a chamada "cunha" tem nas práticas de países como China, Brasil, Índia, Itália, sul da Europa em geral rivais à altura, e no entanto...

Coabitam no mesmo país, centenas de empresas que fecham as portas (invocando os motivos acima citados) e empresas que prosperam em sectores tecnológicos, de grande inovação, e em sectores mais tradicionais como o dos textêis e do claçado. Porque prosperam estas e as outras não? Afinal, surgem e crescem no mesmo território.

Haverá seguramente mais do que um factor. Mas para além dos eternos culpados e do paternalismo exigido ao estado, não deveríamos olhar um bocadinho mais para o comportamento dos que falham sem dramatismos nem fatalismos? Será que não é esse comportamento, essa atitude que podemos começar a mudar?

sábado, junho 26, 2010

Tempo de piqueniques



Este poderá ser um bom fim-de-semana, de calor, com sorte de um pouco de sol. Com música, um bom rosé, ou tinto, ou branco, verde. Uns queijos, uns morangos. Uma grande melancia.

Divirtam-se!

sexta-feira, junho 25, 2010

Perguntinha

Mas que raio é o "escrete" ?
P.S.: Logo agora que eu já tinha entendido o fora de jogo, aparece o "escrete"...uhmpf

domingo, junho 20, 2010

A Estatura


Hoje despedimo-nos dum grande escritor da literatura mundial, da nossa língua, do nosso país. A sua obra fica, a sua obra não morre.


Nos Açores há um anão a passar férias. A sua minúscula pessoa passa antes do país que é suposto representar. Sempre assim foi, aliás.

sexta-feira, junho 18, 2010

O ciclo da vida

senti uma tristeza ao ler a notícia no DN. Já não escreverá mais o homem que criou O Memorial do Convento, O Evangelho segundo Jesus Cristo, A Viagem do Elefante (para citar apenas os que mais me marcaram).
e hoje, logo hoje nasceu uma Beatriz na minha vida, a Beatriz,
o que me deixa sinceramente feliz por ela e pelos seus pais.
"Não entendo nada, falar consigo é o mesmo que ter caído num labirinto sem portas, Ora aí está uma excelente definição de vida, Você não é a vida, Sou muito menos complicada que ela, Alguém escreveu que cada um de nós é por enquanto a vida, Sim, por enquanto, só por enquanto."
in As Intermitências da Morte
Um pensamento para Pilar del Rio . " A Pilar, que não deixou que eu morresse", escreveu Saramago em "A viagem do Elefante".
Obrigada Pilar.

quinta-feira, junho 17, 2010

Hoje houve teste

O teste de mandarim já foi , e agora estou no mais total anti-clímax. Só de memória já detectei 5 erros, sendo que um hilariante. Apetecia-me ter mais testes para corrigir o que me escapou neste. Aliás, devia ter tido vários ao longo do ano e não só este. Em boa verdade estou aqui a congeminar um plano para o próximo ano com testes mensais recheados de ditados, tudo para me apanhar em falso até eu me sair melhor. Sim, e mais umas frases para traduzir em caracteres e composição e... até detectar todos as minhas possíveis falhas e corrigi-las numa apoteose de testes em direcção ao delírio.
Meu deus, eu sou a Mónica Geller :D

quarta-feira, junho 16, 2010

Hoje há teste

Esta coisa de estudar mandarim (enfim, estudar ...) vai ter um de dois resultados:
estes neurónios vão ficar rijos até aos 100 anos ou
vão derreter e já faltou mais.
uhmmm

segunda-feira, junho 14, 2010

O Le Monde é um grande jornal

E não me desilude. O primeiro, até agora, a apresentar um artigo capaz de responder à pergunta: Porque é que recomeçaram os ataques de quirguizes aos usbeques no sul da Quirguizia (ou Quirguizistão) ? Ler aqui.

domingo, junho 13, 2010

25 most "liveable cities" 2º a Monocle Magazine

E o 25º lugar vai para... Lisboa.
Para saber mais, ler aqui o artigo de Tyler Brûlé no Financial Times deste fim-de-semana.
Para aguçar a curiosidade, alguns pedaços:

"Having taken a hard look at 40 cities, cut the list to 35 and then down to 30, it wasn’t easy to rank the top five as some are considerably smaller than others and have the advantage of cosy scale over sprawling mass. "


"Now in its fourth year, the survey takes a slightly different tack on ranking the best cities to call home using measurements that go beyond the basics of crime statistics and cost of living such as hours of sunshine, ease of setting up a business and global connectivity (direct, non-stop flights). For 2010 it took a look at what mayors have in store for their citizens, factoring in big infrastructure initiatives on the horizon and also how diverse a city’s streetscape is in terms of independent retailers and restaurants – too many chain stores and a city lost points. "

quinta-feira, junho 10, 2010

Uma boa notícia

domingo, junho 06, 2010

O motor volta a trabalhar

Descobri no Expresso online uma entrevista de Steffen Kampeter sobre a actual situação do euro e o que é necessário mudar no PEC para que não volte a acontecer. A entrevista é interessante e pode ser lida aqui.

Reproduzo uma passagem importante e que parece fazer o que eu desejei aqui :

"O que correu mal?
Todos os países europeus, principalmente na zona euro, viveram acima das suas possibilidades e confiaram demasiado na dívida. Foi a ilusão do dinheiro fácil. Agora todos os países têm de voltar à realidade de que só se pode gastar o que se tem. Este processo é penoso em toda a Europa mas é necessário. Precisamos da confiança da população e dos mercados, além de condições estáveis no futuro. "

Todos os países diz Kampeter. Ora aí está o que eu queria ouvir. Thank you mister Kampeter, obrigada Alemanha, agora sim recomecemos o trabalho onde o deixamos.

Ouvir uma defesa económica e política da UE por um representante do partido de Angela Merkel é tranquilizador. É inspirador.

A Alemanha já anunciou em vários jornais internacionais que vai propor um PEC e um PDE (procedimento de défice excessivo) mais rigorosos e com sanções a doer. Aproveito para esclarecer quem não saiba que o PEC e PDE são também utilizados enquanto conceitos genérios, que depois se podem aplicar individualmente a cada país, pelo que o Kampeter se está a referir a esses e não ao nosso específico.

A vinda de Kampeter a Lisboa mais não é do que um contacto junto do nosso governo, como seguramente junto de muitos outros para preparar o terreno (entenda-se sondá-lo) e contar com o apoio na hora de votar essas propostas.
E o que destaca o Expresso em título e subtítulo do video introdutório da entrevista (aqui)? Que o PEC não é eficaz ( o uso de PEC sem mais induz em erro levando muitos a pensar que se trata do nosso PEC especificamente) que ele veio a Portugal para consultas sobre a situação política e finaceira portuguesa. Perdoem-me a franqueza mas alguns jornalistas tomam-nos por burros e não primam pela inteligência também. Já terão ouvido falar da reuniões do eurogrupo que se realizam regularmente em Bruxelas e que servem para que todos os países da zona euro se informem sobre o estado em que se encontram? Sabem quantas vezes Sócrates se encontrou com Merkel desde que a crise se declarou? Sabem que cabe à Comissão europeia vigiar a situação dos estados-membros e aplicar-lhes sanções? É porque não sabem que o nosso jornalismo é manipulador, desonesto quando não é simplesmente asinino (perdoem todos os bons profissionais, não os viso agora obviamente).

O bando de eternos frustrados ignorantes que ocupam a maioria dos comentários dos jornais lançou-se à suposta "verificação das nossas contas pelo senhor Kampeter" como gato a bofe. Há leitores que merecem o jornalismo que por vezes temos. Nem podia ser de outra forma.

Vale a pena ler

Este artigo de J.-M. Nobre-Correia no Dn de que reproduzo uma parte:


"Sábado passado, no Público, Vasco Pulido Valente dizia a José Sócrates que "se fosse embora". E explicava porquê: "Não lhe entrou com certeza na cabeça que perdeu a confiança de toda a gente. E, no entanto, basta ler os jornais para se verificar a solidão do homem. Em quarenta anos de política, nunca assisti a um desprezo tão constante, a uma hostilidade tão brutal, a uma unanimidade crítica tão completa."

Cronista de escrita límpida, arguto, embora demasiadas vezes entediado (blasé) e deprimente, Pulido Valente parece esquecer um dado importante: nenhum jornal "grande público" português se situa na área de influência socialista. Mais que isso: nenhum se posiciona editorialmente como um jornal de esquerda ou de centro-esquerda, progressista, reformista. Contrariamente ao que acontece um pouco por toda a parte nos países da Europa dos Quinze.

É certo que, globalmente, os diários e semanários "grande público" praticam uma política de abertura em matéria de colaborações exteriores em direcção de personalidades que se situam nas áreas dos partidos com assento parlamentar. E há que se regozijar com isso. Mas o que é importante, determinante, num jornal não é o leque das opiniões, mas sim a perspectiva de abordagem da actualidade. A maneira como é concebida a informação, a triagem dos factos, a hierarquização dos acontecimentos, a perspectivação e a análise jornalísticas propostas aos leitores.

Ora, nesta matéria, diários e semanários situam-se globalmente à direita (até no sucessor de O Jornal, a esquerda mais não é do que uma vaga reminiscência). Ou, no mínimo, praticam um jornalismo pretensamente independente e isento. Acrítico. Conforme à ideologia dominante. Próximo dos meios económicos e financeiros que, no caso português, pelo menos, não são particularmente progressistas. Quando, da mesma maneira que é salutar que haja jornais liberais ou conservadores, os de sensibilidade reformista e progressista são também indispensáveis ao bom funcionamento de uma democracia… ".

Tiananmen - 21 anos

sexta-feira, junho 04, 2010

Reflexões de uma simples cidadã comum II

Lê-se o seguinte na entrevista de Paul de Grauwe ao Público de hoje:

"A actual crise é só uma crise de dívida pública ou é mais do que isso?

A minha análise é que a origem da crise não tem nada a ver com dívida pública, mas com a acumulação de dívida privada. Com excepção da Grécia, que tem também um problema de dívida pública e má gestão do orçamento. Mas não é o caso em Portugal, Espanha ou Irlanda. O que aconteceu sobretudo em Espanha e na Irlanda, foi uma expansão brutal da dívida privada, com "booms" e bolhas financiados por dívida, que entrou em colapso. A economia caiu, e os governos tiveram de assumir o problema, o que provocou o aumento dos défices orçamentais. Estes dois países respeitavam todos os critérios do PEC, tinham excedentes orçamentais e a dívida caía de forma espectacular em percentagem do PIB. Ou seja, estavam a fazer o que era correcto e o que os alemães queriam que fizessem. E, no entanto, estão em apuros. A análise de que a crise foi provocada por esbanjamento, gastos excessivos e défices elevados não é simplesmente verdadeira."
Tenho também esta perspectiva do que se passou e está a passar. Devo dizer que me desilude a falta de coordenação entre membros da zona euro. A posição da Alemanha corresponde à decisão da maioria dos alemães de elegerem um governo de direita que coloca a contenção da despesa nos píncaros da economia ...dos outros, dado que a sua anda há anos feita um yo-yo acima e abaixo dos 3% do PIB. Os jornais ditos de referência da Alemanha não hesitaram em redigir títulos e artigos imbuídos do mais básico preconceito sobre os países do sul a que não escaparam os anglosaxónicos. Apesar de também o Reino Unido ter um défice e uma dívida semalhantes às nossas.
No entanto, os dadores de lições sentem-se confortáveis nas suas posições de auto-proclamada superioridade, a self-righteousness é das características mais estúpidas do ser humano. É este preconceito dos povos que está pouco disfarçado nos argumentos que têm manipulado para convencer os seus eleitorados e os governos dos nossos países a agir. Martin Wolf no Finacial Times tem-se esmerado em parábolas redutoras e idiotas sobre formigas e cigarras. Tudo isto tem um nome e é: preconceito idiota (haverá outro ?).
E enquanto existir e for louvado como realismo não haverá uma União Europeia que nos congregue. Pelo menos não enquanto não se sentarem todos à mesma mesa, capazes de assumirem os erros que TODOS cometeram, as suas coresponsabilidades. E assim, concluirem que é em conjunto que têm de agir em função do que permitirá de facto acelerar o crescimento económico de TODOS. Independentemente da histeria especulativa irracional ( e a muito racional também).
E ter a coragem de comunicar aos respectivos eleitores o que se passa, porque são tomadas certas medidas e não embarcar nas desculpas clássicas que permitem sacudir a água do capote.
A vantagem de tudo isto: saber em que pé estamos, o que pensamos de facto uns dos outros. A Europa constrói-se nas escolas, em casa, nos media´, nos exemplos que damos todos, e que dá quem nos representa. Nas imagens que criamos do que somos. Por esse motivo, o programa Erasmus será a iniciativa mais eficaz de construção europeia.
Construção. Nesta obra nem todos querem prosseguir a construção. Temos de recomeçar a construir.

quarta-feira, junho 02, 2010

Relexões de uma simples cidadã comum

Uma das formas que tenho de verificar se um livro ou jornal é sério é ler um capítulo ou artigo sobre uma matéria que conheço bem. Assim verifico até que ponto a informação é completa, neutra ou um monte de generalidades alicerçadas nos estereótipos mais básicos.
Faço isto porque aos poucos me fui apercebendo que na sua maioria, os artigos ou livros anglosaxónicos por exemplo com capítulos sobre Portugal ou a UE pecavam pela repetição de generalidades, perpetuarem ideias feitas, corroborarem preconceitos. Há excepções, mas são isso mesmo.
A maioria dos artigos que leio sobre Portugal, inclusive sobre a sua economia mais não fazem que repetir o que ouviram a uma fonte que conhecem directa ou indirectament no país e daí deduzem o resto. Regra geral fazem por confirmar a imagem que já têm. Por isso, o facto da nossa economia ter mudado na última década e meia e já não depender da produção dos mesmo bens, não se reflecte na maioria dos artigos. Repete-se à exaustão a falta de competitividade mas não esperem que alguém explique porquê e em que medida somos menos competitivos que outros. No Financial Times de há 15 dias cheguei a ler que a falta de competitividade se devia ao regime de rendas que vigora em Portugal. Alguns dos entrevistados culpavam mesmo esse regime pelo endividamento das famílias.
Num artigo recente de que me recordo no Libération (conotado com a esquerda francesa) fazia um apanhado da situação do país de acordo com uma fonte que mais não era que os artigos de 1ª página dos nossos jornais, sobretudo os artigos com as crítica do sector mais a direita. Quem diria, o Libé, mais parecia o Figaro.
Daí a assimilição com Espanha ou Grécia ser fácil. São aqueles do sul, simpáticos mas trapaceiros , é tudo a mesma coisa. Haverá porventura quem nesses países pense o mesmo. Casos de colonizados mentais é o que não falta. Porém, apesar de muitas semelhanças, estes países têm várias características bastante diferentes. Quem lê a imprensa nem se apercebe. Por estes motivos surgem anos depois artigos na mesma imprensa muito surpreendidos com certos desenvolvimentos. De facto, à luz do que escrevem, não faz sentido.
Já os profissionais da Banca e nomeadamente do sector financeiro que tenho conhecido ( sublinho este facto para não melindrar os outros), podem ser simpáticos e dinâmicos, mas não se espere dali nenhum rasgo de cultura ou saber. De acordo com a minha experiência lêem poucos livros, lêem sobretudo a imprensa, nomeadamente especializada em economia do seu país e anglófona.
Apesar de inteligentes e até curiosos, o tempo que dedicam às suas actividades leva-os a conhecer mal os países em que investem. Baseiam-se nas generalidades quantas vezes preconceituosas e enganosas da tal imprensa.
É o que tenho constatado ao longo da minha vida. E é à luz disto que também leio o que se vem passando neste mundo.

Um grãozinho de sal

Leio o seguinte no livro "Lords of the Rim" - The invisible empire of the overseas chinese" (editado em 95) que já referi aqui :
"When the 1990s began, the West was so spellbound by the economic threat of Japan that it took a while to realize there were more important things happening next door in China. What was stirring in China was potentially the greatest consumer boom in history. Editors of The Economist deemed it "the most significant development since the industrial revolution", and the best economic news since the 19th century, in a world that desperatly needed just such a boost. (...) The World Bank predicts that by 2010 China will be number one economy (if Japan has its way , the United States will be number three)."
Bom, em 2010 estamos nós e ainda não é segunda economia sequer (embora não duvide que lá chegue). nem os EUA são a terceira. A Economia tem mais de psicologia humana do que de ciência exacta. É por isso que estimativas embora importantes, devem ser vistas com um grãozinho de sal, como dizem os franceses. Às vezes, com um calhauzinho mesmo.