Não seria o que era de esperar...
...daquele ambiente, daquele contexto. Discursos solenes, presidentes, senhoras e senhores e tal, quer dizer, espera-se seriedade. Leituras sisudas, no mínimo o pensamento preso a um conflito ou uma questão bicuda eleitoral ou assim.
Mas na realidade assaltava-a desde a manhã uma dúvida terrível. Aquele cabelinho, aquele sim, ali ao fundo, que acompanhava o senhor de perímetro abdominal a desafiar a gravidade, um olhar de esperteza saloia acompanhado dum belo sotaque que alguém afiançou ser de famalicon, de famalicão perdão, aquele cabelinho oleosamente penteado para trás com umas repas secas e rebeldes a escorregarem até ao cangote. Aquele cabelinho, há quantas décadas deixou de se usar? 4, 5 , 6?
E a dúvida mordia-a como uma pulga agarrada ao tornozelo. Sem perdão, portanto.


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