segunda-feira, março 16, 2009

16 de Março de 1974



"Nas vésperas da democracia em Portugal - O golpe das Caldas de 16 de Março de 1974" é uma dissertação de Mestrado em História de Joana Matos Tornada. Foi ontem apresentada nas Caldas da Rainha por ocasião da comemoração do 16 de Março de 1974. Nunca li o livro mas o meu pai esteve lá, enviou-me cópia da folha de rosto que reproduzo.

Quando chego a esta data telefono para casa e dou os parabéns ao meu pai, ou melhor aos meus pais. A História é contada pelos historiadores e é motivo de satisfação que se comecem a ocupar do tema. Mas esta história ouvi-a eu inúmeras vezes na primeira pessoa e posso dizer-vos que agradeço aos dois, um Homem (ser humano) nunca age só.

Não li o livro e não tenho memória do que aconteceu, tinha apenas 1 ano. Sempre que chega esta data e depois o 25 de Abril é com reconhecimento que agradeço "quem se mexeu", quem deu a cara, quem arriscou. E sempre reflicto nos ensinamentos que daí pude retirar. São muitos.

Este ano ocorre-me um fundamental : agir, tomar a vida em mãos e agir. Esta será uma das maiores lições que me foi transmitida sem que se pronunciassem estas palavra.

-Quando a vida te desagrada, age, mexe-te, quando cais, levanta-te. Quando fracassas, tenta outravez.

Foi o exemplo vivo dos meus pais, neste episódio e noutros que mais me marcou do que possivelmente uma repetição exaustiva duma frase com igual sentido.

-Acredita e luta, sonha e concretiza.

E sempre, dá tempo ao tempo. Roma e Pavia não se fizeram num dia. Sentido de responsabilidade, individualismo e amor por uma comunidade, o bem do grupo.

Mais do que mil palavras, este exemplo já faz parte de mim. Como poderei desistir dos meus sonhos no mundo em que vivo se quem me gerou pegou na vida em mãos e decidiu ajudar a mudar um regime?

Por mais este exemplo, obrigada.

6 Comments:

Blogger Joana said...

Que estranho ler-te hoje. Parecia que estavas a falar para mim. Beijos, amiga.

segunda-feira, março 16, 2009 10:12:00 da tarde  
Blogger oscar carvalho said...

Um pequeno apontamento pessoal: Neste dia tive exame da cadeira de Economia (tinhamos esta cadeira no 4º ano do Técnico); Estivemos -eu e 3 colegas- em casa do professor até às 4 da manhã a seguir os acontecimentos, a discuti-los e a falar da guerra colonial. Não falámos de economia mas no final tivemos 16 valores, porque na opinião do professor demonstrámos ao longo da conversa espírito crítico e capacidade para ler a situação social e política.

segunda-feira, março 16, 2009 11:56:00 da tarde  
Blogger Sofia C. said...

Querida Joana,

Estava a falar para mim, sobretudo . Mas as palavras ficam aqui "para quem as apanhar".Fá-las tuas sempre que for preciso. Às vezes há destas sintonias, é giro, não é? Beijo grande, Sofia

Oscar,

Lições da vida, espírito crítico,acho que o professor de Economia tinha razão.Obrigada por partilhar esse momento da sua vida. Sofia:-)

terça-feira, março 17, 2009 12:28:00 da manhã  
Blogger Tania Celidonio said...

Fui morar em Portugal em novembro de 74. Parecia um escape perfeito para nós, jovens brasileiros que estávamos na França e na Suécia, respirando ares menos poluídos do que os da nossa ditadura.
Foram meses de muito aprendizado. E bom que saber que seus pais estavam ali, pegando a vida em mãos e com muita energia para mudar o regime. Isso vale mais do que frases de efeito repetidas exageradamente, você tem toda razão.

segunda-feira, março 23, 2009 12:00:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Lamento muito que uma parte da sua dissertação de Mestrado não apresente os factos de acordo com o que se pasou. Tentei através da RDP e da "Gazeta das caldas" comunicar consigo mas tal foi impossível. Como historiadora tinha a obrigação de recolher todos os testemunhos, sobretudo os das pessoas ainda vivas e que tiveram uma participação activa no chamado "Golpe das Caldas".
Hoje já não interessará para si o que falta contar, assim como alguns erros e imprecisões que apresenta na revista do CM e aos quais o "nosso" comandante da coluna de então (capitão Armando Ramos)deveria ter dado resposta.
Felicito-a na mesma pelo empenho e porque trouxe novamente a público um caso ainda mal contado, mas que tudo farei para que seja reposta toda a verdade histórica sobre o mesmo.
Cumprimentos
Rui Silva (professor)
Furriel miliciano no RI5 em 16 de Março de 1974; comandante do parque de viaturas e secçã auto do regimento nessa mesma altura; comandante provisório da Polícia militar da Unidade devido ao período de férias do comandante efectivo (tenente; responsável pela assinatura dos boletins de saída das viaturas; comandante de um pelotão que integrava a coluna; único elemento para além do telefonista de serviço a presenciar a desgraça da conversa telefónica entre um oficial do regimento, a quem fui chamar, com uma alta patente do exército e da Região Militar de Tomar.
Porquê só agora levantar algumas questões? Bom a verdade histórica é feita de factos. Tais factos devem constar na história e ser do conhecimento da opinião pública mesmo que não interessem a algumas pessoas.
Finalmente resta saber se este comentário interessará ao autor(a) do blogue. Acredito que sim porque se trata de um historiadora. A ver vamos!

quarta-feira, março 25, 2009 11:49:00 da manhã  
Blogger Sofia C. said...

Rui Silva,

O seu comentário não faz sentido. Só posso deduzir que não leu o que eu escrevi releia atentamente e verá que EU NAO SOU a historiadora autora da dissertação , até me dou ao trabalho de referir QUE AINDA NAO A LI. Todo post é um claro agradecimento aos meus pais por outros motivos, este detalhe escpou-lhe. Leia com olhos de ver. Sofia

quarta-feira, março 25, 2009 12:31:00 da tarde  

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