terça-feira, janeiro 20, 2009

O que convém dizer

É engraçado ter de ler a imprensa do meu país e de mais outros cinco diariamente ou quase. Tornam-se óbvias as semelhanças, diferenças e paralelismos na abordagem dos vários temas.
Por esse motivo foi e é difícil entender porque há quem tente cincunscrever a actual crise financeira e económica a causas poruguesas quando nos jornais dos outros países leio que se passa exactamente o mesmo. Aliás, até começou antes.
Também por isso, é engraçado ver Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios num artigo de opinião intitulado :"Ainda bem que Sullenberg não é político" cair numa comparação errónea. O argumento do jornalista até é interessante e pertinente. Porém, lembra-se de comparar a atitude dos primeiros-ministros português e espanhol no que toca à comunicação sobre a crise. Afirma pois que: "Basta comparar, como aqui sugeriu Nuno Garoupa, como os governos português e espanhol estão a “comunicar”: o espanhol acentua os perigos da crise, talvez para depois as coisas se revelarem menos más; o português persiste em transmitir optimismo, talvez para não contribuir para o “arrefecimento global” da economia. Entre um e outro, há uma diferença de calendário: Zapatero já ganhou eleições em 2008, Sócrates tem de ganhá-las em 2009."
O que Pedro Santos Guerreiro se esquece de fazer ou talvez não saiba é que em Setembro o El País andava às avessas com Zapatero precisamente por este não dizer preto no branco que a Espanha estava em crise. Foi aliás um jogo de pressão bastante caricato de seguir e que culminou em finais de Setembro com a confirmação da crise pelo presidente do Governo espanhol. Duas semanas depois o El País tinha acalmado e já só aludia à situação como um erro passado que tinha sido corrijido.
O mesmo constatei agora com o nosso governo. Tentou adiar o mais possível a confirmação do pior cenário, quando ele se tornou incontornável confirmou-o e agora verão como será o mais prolixo em declarações "verdadeiras, frontais e duras" que os jornais tanto têm pedido. O DN , por exemplo, à semelhança do El País e talvez não por acaso, já está muito menos agressivo sobre a questão, os outros vão seguir. O que nos separa de Espanha não é o estilo são 3 meses.
P.S.: Enquanto leitora digo: seria também tão bom que os jornalistas aplicassem a si mesmos as exigências de verdade e rigor que reclamam, e bem, dos políticos. Sem agenda política, de preferência.

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