O Fado, sim, mas que Fado?
A leitura de dois artigos de opinião no Jornal de Negócios de hoje recorda-me uma diferença que cada vez mais sinto. São esses artigos o de Pedro Lains, intitulado "Ministro da Europa" e o de Fernando Sobral intitulado "O efeito Ronaldo" . São os dois bons exemplos daquele Portugal com que não me identifico. O do Fado choroso, melodramático e fatal, do estilo "a vida é madrasta e não posso fazer nada". Haja paciência! Por isso, gosto do Fado da Mariza, é outro tom, menos fatalismo, mais garra.
Pedro Lains defende mais interesse dos nossos ministros pela Europa. Até aqui tudo bem. Só que depois cita o exemplo do Ministro da Agricultura que afirma nada querer saber da Europa. Haja honestidade intelectual. Jaime Silva trabalhava na Comissão antes de ir para o governo. Conhece as negociações da Agricultura e Pescas de trás para a frente. Mas também conhece as regras que as regem. Não é só pedir, há que cumprir critérios. Há que ser sério e não um pedinchão sempre com a treta de que somos pequeninos e pobrezinhos. A única pobreza é a intelectual deste argumento. Nem somos pequeninos (na UE) nem pobrezinhos. Portugal não é um país pobre. O que não significa que não tenha pobres, até a Noruega os tem, então nós.... Já recebemos muitas ajudas (ainda que menos que outros antigos países da coesão como a Espanha e Irlanda), se não as aproveitámos como devíamos, pagamos agora o preço. Chama-se a isto tratar-nos como adultos. Curiosamente quem se preocupa com "os nossos pobrezinhos" parece esquecer que "os pobrezinhos" que mais abocanharam fundos comunitários agrícolas foram os grandes produtores. Em Portugal e não só, aliás. De que pobrezinhos estará agora a falar Pedro Lains?
Já Fernando Sobral considera errado o orgulho nacional na ascensão e vitórias profissionais de Ronaldo e de Figo, porque segundo ele não são fruto de características nacionais. Bom, eu não estou super orgulhosa por um feito que não é meu, até porque não desgostando de futebol, também não sou fã incondicional. Nunca corri atrás da bola, nunca marquei um golo. Mas...dizer:"A alegria que coloca em jogo não tem a ver com a tristeza do nosso Fado.". Ó Senhor Fernando Sobral, se há coisa que não é nossa nem do Manchester é a alegria do Ronaldo a jogar. É mesmo dele. Até eu reparei nela. E lembra-me mais a alegria dum puto português que vive o seu sonho do que a dum puto britânico. São opiniões, claro. Mas voltando ao que eu pretendia dizer, nossa, deles, dele o que interessa é que eu portuguesa dos quatro costados não me identifico nada com um Portugal "da tristeza do Fado" e sinceramente quando vou a Portugal não só disso que vejo. Se calhar , responder-me-ão, sou portuguesa mas não sou Portugal.
Ora, eu sou outro Portugal que também existe.E já não tem muita paciência para estas tiradas do tempo da Maria Cachucha. Cheira-me que com a crise os arautos do Fado da tristeza vão aquecer motores. Será muito imaginar que até gozam de prazer...?


6 Comments:
Não me devo ter explicado bem.
Não me devo ter explicado bem. Ou então já sou mesmo do tempo da Maria Cachucha e não dei por isso!
Pedro Lains,
Seja bem-vindo aqui ao blog. Talvez não se tenha explicado bem, o que eu percebi é de facto o que escrevi. Talvez seja eu que não o percebi bem ou então simplesmente discordamos. Volte sempre, Sofia
Obrigado. Sou daqueles que acham que os leitores têm sempre pelo menos um bocadinho de razão. Ganha-se com isso. Fora isso, parabéns pelo blog. Deve ser interssante ser anónimo.
Pedro Lains,
Será que os leitores têm sempre um bocadinho de razão? Não sei, mesmo pensando no meu caso. Temos é todos direito a uma opinião, o futuro dirá quem tem razão,se é que diz. De resto, obrigada pelas suas palavras, e já agora só uma correcçãozinha: é anónimA, por favor :-) Sofia
AnónimO. Reportava-se ao blog! Mas confesso que foi uma provocação...
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