quarta-feira, junho 11, 2008

A panela de pressão

Há seis dias houve uma manifestação de pescadores aqui em Bruxelas que comentei aqui. A manifestação foi aguardada com forte aparato policial e fez jus ao mesmo com inúmeros actos de vandalismo. Não sei se chegou a haver detenções mas a experiência foi vivida como uma inevitabilidade anunciada que se aguentou como se não houvesse alternativa. Motivo da manifestação: aumento dos preços do petróleo.
Esta semana em Portugal decorre um bloqueio rodoviário de camionistas que já descambou para o vandalismo e resultou numa morte. Motivo: aumento dos preços do petróleo.
Há seguramente interesses de armadores e transportadoras que se sobrepõem aos dos pescadores e camionistas. Mas estes são apenas "as árvores na floresta". No geral, temos uma situação crescente de instabilidade com o potencial de aumentar . E o motivo da mesma não tem solução de curto prazo. É este facto que dá força de pressão a determinados grupos sectoriais. Mas é também a prova de que antes do fim real das reservas de petróleo, a sua simples hipótese já cria distúrbios graves.
É a sua simples hipótese que leva especuladores a especularem e aumentarem o preço do petróleo, que dá poder de "vida ou morte" das nossas economia aos países produtores e que determina estratégias belicistas no médio-oriente (que só vêm piorar a situação). Daí que a única solução seja reduzir o mais possível a dependência deste tipo de combustível. Isto leva tempo. Tempo que já devia ter começado a correr há umas duas décadas. O que vivemos hoje foi por demais anunciado. Nem sequer é surpresa.
A sobrevivência consegue-se com antecipação. A antecipação falhou porque não "interessava" mudar o paradigma de riqueza assente no petróleo como fonte de energia. Quem não mudou o paradigma, todos os governantes de todos os países afectados, é hoje responsável pelo que vivemos. Nós também somos. Podíamos ter dado o exemplo, ter começado a andar de bicicleta, de transportes públicos, partilhado carro próprio com amigos, ter comprado carros híbridos estimulando esse sector.
O que parece agora uma crise grave poderá vir a ser o despoletar da mudança necessária que só fazemos porque somos obrigados. Não é muito inteligente mas só nos temos a nós próprios para responsabilizar.
Entretanto, as manifestações que ultrapassam o tolerável vão-se sucedendo. Os dirigentes fecham os olhos para deixar escapar o vapor e aliviar a pressão...é que ainda agora a procissão vai no adro, a solução não está à vista e eles querem ser reeleitos por nós que queremos petróleo barato, ambiente limpo,pesca desenfreada, recursos sustentáveis e já agora a quadratura do círculo também...

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