sexta-feira, maio 02, 2008

Após 6 dias de Macau

Levo seis dias em Macau. Seis dias a trabalhar pelo que a minha visão não é a do turista, a não ser que seja a do turista acidental.

Já tive ocasião de passear pelo centro histórico. As minhas impressões constam essencialmente do post anterior.

Apesar da RAEM ter tamanho reduzido ainda tenho muito que ver. Irei repartir a coisa pelos 17 dias que me restam aqui, que aliás serão divididos com um fim-de-semana em Hong Kong já amanhã.

Apeteceu-me contar aqui as minhas primeiras impressões do trato com os Macaenses.

No hotel são muito profissionais e simpáticos, muitos são filipinos. Têm sido adoráveis.

No contexto profissional há macaenses e chineses do continente. Os macaenses falam mais abertamente sobre o que lhes apetece, parece-me evidente. Os macaenses com quem tenho falado (e por isso não quero generalizar) não gostam dos Hong Kongueses nem de Hong Kong, nem dos turistas da China continental, nem dos filipinos, nem de Shanghai (eu comecei por dizer que queria muito conhecer Shanghai e Hong Kong, bingo!) . É o que depreendo dos comentários pouco abonatórios que vou ouvindo. Os jovens adultos de 30 anos e menos pouco sabem da China e do resto do mundo. Reconhecem-no sem problemas, mas não deixa de ser estranho. Os jovens são abertos, com sentido de humor.

Por todo o lado se houve falar dos jogos olímpicos, da chama. Já começa a enjoar. Em Macau foi recusada a entrada a dois cidadãos de Hong Kong ligados ao partido social democrata de lá. Parece que não é a primeira vez. A Net também tem sido controlada. Houve a detenção dum fulano que escrevia num forum na internet sobre possíveis formas de apagar a chama. Os canais chineses estão a aplicar uma dose de cavalo de notícias sobre ...adivinhem lá...os jogos olímpicos, que deixa o nacionalismo chinês ao rubro. Que surpresa as manifs em frente ao Carrefour num país onde as manifs estão proibidas, que curioso... A CNN anda muito mansa nas suas reportagens sobre a China e respectivos jogos.

Ainda na China, iniciou-se ontem uma exposição sobre o Tibete para que se conheça bem a História. Na reportagem refere-se o atraso em que eles viviam, como eram pobres , atrasados etc... Aquilo era a Idade Média e a China trouxe o século XX, até o XXI, trouxe a democracia. Uma verdade parcial , mas parece-me particularmente cínico terminar a reportagem entrevistando uma jovem tibetana que um pouco envergonhada diz não saber que o seu povo era tão atrasado, ainda bem que as coisa mudaram... É só a mim que isto faz lembrar o discurso colonialista "do branco que levou a civilização aos pretinhos"?


Sinto que me auto-vigio constantemente para não ferir susceptibilidades. Acho que já meti uma argolada aqui e ali sem qualquer intenção. Os jovens são tolerantes, os mais velhos... Não queiram saber como reage um taxista a quem ouso perguntar se vai de facto onde lhe pedi visto que opta por um caminho diferente do habitual. Já tive de ouvir que as coisas estão muito melhores agora do que sob soberania portuguesa. Nem percebi a que propósito vinha aquilo. O que será que eles pensam que uma portuguesa de 35 anos quer de Macau? Será que nos imaginam uns colonialistas como no tempo da outra senhora, nem sequer vivi nesse tempo, adiante...


Nas lojas as pessoas são amáveis e tentam genuinamente ajudar-me a encontrar o que quero, até o caminho...insisto em andar o máximo a pé.

E agora mesmo, está ali no corredor um chinês (deve ser daqueles que os macaenses não gostam;-) a gritar qualquer coisa à porta do quarto de outra pessoa... é só 1 da manhã e pacóvios há os em toda a parte.

Amanhã espera-me Hong Kong, mas só depois de ver passar a sacrossanta chama. Como será Hong Kong?

Bom fim-de-semana :-)

1 Comments:

Blogger Sinapse said...

E eu vou avançar para o próximo post, para ver como é Hong Kong!

terça-feira, maio 13, 2008 6:28:00 da tarde  

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