quarta-feira, maio 21, 2008

Acabou-se...

Regressei ontem de Macau. Foram 23 dias. Foi fascinante.
Dito isto, soube-me tão bem voltar, este ar seco e leve, a luz do Sol em Bruxelas, a minha cama, uhmmmm, o táxi carinho,carinho, a minha comidinha com menos sal, o cheirinho do meu espaço, é tão bom estar em casa!
Desde o último post muita coisa se passou. O terramoto de Sichuan e respectiva onda de solidariedade. A abertura jornalistica na China que a todos tem espantado. A comoção natural por tamanha tragédia, a mobilização da sociedade civil chinesa e dos territórios autónomos. No South China Morning Post , jornal de Hong Kong que me habituei a ler todas as manhãs, os comentários sobre a nova atitude das autoridades chinesas em relação á cobertura mediática do terramoto tentam ou esperam vislumbrar um ponto de não retorno em direcção a uma maior liberdade de expressão. Um aprender com os erros e lições do passado. Já a Time desta semana tem um artigo de opinião que vai no mesmo sentido. Eu não sei o que pensar, mas desejo sinceramente que assim seja. Veremos se não é só wishful thinking. É que tanto artigo , tanta cobertura televisiva também têm contribuído para a imagem do governo chinês em casa e sobretudo fora de fronteiras. Os chineses tem uma obsessão com o que o mundo pensa deles.E querem que pense bem...a bem ou a mal... Em boa verdade não estão sózinhos nesse barco...
Nestes últimos dias da estadia houve ainda mais um fim-de-semana em Hong Kong e o resto da minha experiênncia profissional em Macau.

De toda esta estadia regressei com sentimentos ambíguos. Nada de preocupante, eu costumo ser assim. Soube-me bem entrar noutra cultura, ver outras formas de vida, outras opiniões, outras gastronomias.
Comecemos pela gula.

A gastronomia chinesa foi logo desde o início motivo de júbilo. A cozinha chinesa não é conhecida na Bélgica e Portugal. Em Paris e Londres ainda se pode ter uma ideia ténue. Mas em Portugal e na Bélgica não há nada que se assemelhe ao que é verdadeiramente a cozinha chinesa. A sua riqueza e sabores variam consoante a região. O que eu comi de Yum chá (dim sum ao almoço), de chá com bolinhas de tapioca, de bolachinhas, congee, noodles, garoupa, vieiras, galinha e porco de inúmeras formas, não cabe aqui a descrição. Pudim de manga e sago (ainda tenho de perceber o que isto é). E bolinhos de massa de arroz, já tenho saudades e ainda agora voltei. E um bendito pão-deló muito suave...juro que estou a salivar


A cozinha chinesa consiste na realidade em várias cozinhas tão numerosas como as regiões e comunidades chinesas. Pode ser prática e descontraída ou sofisticadíssima. Comer é um desporto nacional. Na região em que estive predomina a cozinha cantonesa que à excepção dos dim sum e sopas de noodles, até nem é das minhas favoritas. Mas encontra-se de tudo . Macaenses e Hong Kongueses adoram inclusive cozinha thai e japonesa.


O primerio choque ao chegar a uma cidade asiática é a concepção de meio urbano. Longe de mim, portuguesa, achar que posso dar lições de urbanismo, mas a urbanização asiática tem uma característica que choca qualquer europeu: total indiferença ou até mesmo desprezo pelo passado histórico. Macau é uma excepção...relativa. O património arquitectónico macaense recebeu o estatuto de património mundial da Unesco. Ainda bem, espero que assim se salve. Para além disso, penso que começa a surgir uma consciência cívica de defesa desse património. O peso da sua voz face à especulação imobiliária é que é fraquinho. E especulção imobiliária é o nome neutro que podemos chamar ao fenómeno que permitiu que se construíssem alguns dos horrores mais incríveis, capazes de rivalizar em grande estilo com o kitsch de Banguecoque. O melhor exemplo será o nabo com verdura ramalhuda que dá pelo nome de Grand Lisboa. Um enorme nabo com respectiva ramagem (as nabiças, portanto) que é casino e hotel do senhor Stanley Ho. O portento tem a meu ver uma grande vantagem: ser visto de longe o que me permitiu inúmeras vezes recuperar o Norte quando já me achava perdida. O nabo pretende ser uma flor de lótus, mas aquilo é a imagem chapada dum nabo ou como diria o Sr. A quando o viu pela primeira vez: C'est quoi ce poirot?! É verdade, já disse que é todo dourado? Pois... Mas palavras para quê, o melhor é ver :



Felizmente Macau é muito mais do que estas construções e no regresso senti uma saudadezinha. Para além de que Macau é dos macaenses e se eles entendem que aquilo é o que querem pois assim é que deve ser. A questão é se os macaenses têm alguma palavra a dizer... Mas para mais impressões remeto para o próximo post. Vou desfazer malas.

4 Comments:

Blogger Pitucha said...

Benvinda à capital da Europa!
Beijos

quinta-feira, maio 22, 2008 9:10:00 da manhã  
Blogger S said...

Pitucha,

Obrigada:-))) Soube muito bem voltar. Beijos, Sofia

quinta-feira, maio 22, 2008 10:00:00 da manhã  
Blogger Claudette Guevara said...

Clap! Clap! Clap!

:D Espero muitos mais relatos de todos os pormenores que considerares descritivos.

quinta-feira, maio 22, 2008 4:31:00 da tarde  
Blogger ma grande folle de soeur said...

Foi um prazer ler-te. Um abraço.

quinta-feira, maio 22, 2008 8:36:00 da tarde  

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