segunda-feira, abril 28, 2008

Primeiras impressões

Acordei esta manhã depois de 3 horas de sono bem esprimidinhas. Não me senti cansada na altura e agora também não, o que em mim não é nada normal. Durante a tarde andei de rastos e eléctrica, combinação bastante estranha.

Em Macau estou mesmo ao pé do mar, embora nunca se esteja muito longe, eu sei. Cheira a maresia pela manhã e isso agrada-me. Lá fora o calor não aperta, é aliás ameno o que eu agradeço encarecidamente à deusa A-Ma. O céu está sempre cinzento e cai com frequência uma humidadezinha mais densa que logo passa. Digamos que é o meu vaporizador La Roche Posay natural, morno e agradável para a Bruxelense de adopção que já começo a ser.

O caminho até ao local de trabalho desvenda-me a primeira visão de Macau. Passo por grandes hotéis, estridentes de tanto brilho e dourado. Passo por prédios mais antigos, em mau estado e todos iguais ou muito parecidos. Lado a lado os hotéis ostensivamente ricos e os prédios teimosamente sujos. Em ruas contíguas, lojas de luxo e baiúcas chinesas. O mar ali ao lado, a ponte para a Taipa, o recorte da costa dilui ou ajuda a engolir esta pastilha de gritaria estética. As cidades deviam ter todas mar , rio, margens, água enfim,á falta de urbanismo bem pensado.

Em poucos minutos chegamos ao centro. O centro de Macau é um charme. É mesmo giro. E não se pense que é um Portugal dos pequeninos todo perfeitinho porque não é e ainda bem. É uma mistura de português colonial com chinês antigo e prédios modernos e feios que acaba por resultar. A vida nas ruas é animada, há filipinos na praça como em Kuala Lumpur que aguardam trabalho talvez ou matam saudades, não sei.

Há várias lojas de tanta coisa que não conheço e que acho fascinante.Provo uma pele de porco adocicada, e oferecem-me umas bolachinhas de amêndoa. Levam-me por uma rua que sobe uma colina para ver um antiquário e de repente ao longe vejo a fachada das ruínas da Catedral de São Paulo. Uau, efeito emocionante. A fachada, o jogo de damas chinesas num antiquário ali perto e o facto de se poder lanchar de graça se se subir aquela rua devagar e se se deixar levar pelos vendedores que nos tentam com iguarias.

Regresso a pé ao hotel seguindo o Farol da Guia que nos serve de ponto de referência. À noite vejo do hotel o seu feixe de luz. A cidade de Macau está pontuada de pequenas colinas, algumas com casas coloniais, outras com fortes, igrejas, parques, outras com construções recentes. Esta nossa mania de cidades com colinas à beira-mar/rio...

Almoçamos num restaurante de Shanghai a que uma das nossas anfitriãs nos levou. No fim, comi uns crepezinhos tostadinhos recheados com puré de feijão de que gostei muito, quem diria, não é? Mas é bom, muito bom.

Ando a chocalhar de tanto beber chá, essa é uma das minhas alegrias.

Surpreendo-me de ver a todo o momento a palavra Saída por cima duma inscrição em caracteres chineses nas placas verdes. E os nomes das ruas e de muitas lojas. O português é muito pouco falado. Já o sabia e parece-me mais que compreensível. No entanto, na administração de Macau recebem-nos num bom português. De repente uma cara chinesa fala-me em português perfeito e uma portuguesa fala em cantonense. Sinto uma pontinha de inveja por quem assim domina uma língua tão diferente.

À noite a neblina adensa-se um bocadinho. Depois do jantar descobrimos por acaso um passeio à beira-mar arejado, fresco.

Volto ao hotel e quem diz que tenho sono? Nem vê-lo. Por este andar vou escrever muitos posts. Bem vou dormir... se conseguir...

2 Comments:

Blogger Claudette Guevara said...

Que bom! Continua assim com estas visões.

O pior que pode acontecer é apetecer-me conhecer Macau.

;)

terça-feira, abril 29, 2008 7:33:00 da tarde  
Blogger S said...

Claudette,

Se vieres a Macau vais sofre um choque estético valente, sobretudo com a tua formação, mas também já deves estar vacinada com os mamarrachos que se podem ver em Portugal (ainda assim não tem comparação). Sofia :-)

sexta-feira, maio 02, 2008 7:54:00 da tarde  

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