quinta-feira, novembro 22, 2007

Nunca baixar os braços...

No Libération de hoje surge uma entrevista a Doudou Diène relator especial da ONU sobre o racismo, a discriminação e a xenofobia. Doudou Diène, senegalês, afirma:«Sarkozy s’inscrit dans la dynamique de légitimation du racisme par les élites» . E tem razão. Dá inúmeros exemplos de afirmações recentes de representantes da dita elite, no caso francesa, que corroboram esta conclusão. Vale a pena ler o artigo.
Doudou Diène acrescenta que nunca afirmou que Sarkozy fosse racista, prova disso a escolha de francesas de origem estrangeira para pastas ministeriais. Precisamente noutro dia assisti a uma entrevista a Rama Yade, secretária de estado francesa dos negócios estrangeiros e direitos humanos. Gostei da entrevista e até apreciei o carácter e inteligência de Rama Yade. Só que Rama repetiu várias vezes que a "França, pátria dos direitos humanos..." Disse-o várias vezes e ninguém pestanejou. Ninguém questionou. Será que é só a mim que aquilo soa mal? Há uma pátria dos direitos humanos? Uma única? Rama Yade assimilou bem a cartilha da Haute école onde estudou e se formou com distinção.
Faz-me sempre confusão e desconfio das teorias das nações-exemplo. Qualquer uma delas. Não escapa nenhum país, há sempre a tentação de vislumbrar desígnios superiores de candeia que alumia mais que as outras...não acredito nisso. Vejo a humanidade como uma consciência que vai evoluindo com contributos vários. Aquilo que temos hoje é o resultado duma evolução generalizada para a qual contribuiu tudo, desde a aposição do polegar há milhões de anos atrás, passando pela agricultura, pela invenção da escrita, pela criação dos deuses, da democracia na Grécia, dos estados, das trocas comerciais, das relações laborais, da revolução francesa, a expansão pelo mundo, o renascimento,o iluminismo, o humanismo, as guerras, tudo, tudo aquilo que menciono e muito mais, eu própria menciono sobretudo factos do mundo ocidental.... O conceito de direitos humanos consagrado na ONU no séc.XX é o resultado de todo o movimento da humanidade. Ou melhor o início do resultado que ainda está por concretizar.
Ver Rama Yade, francesa de origem senegalesa a proferir aquela frase é de uma ironia incrível.