sexta-feira, outubro 05, 2007

Cínica I

Arrancou-a aos pensamentos e puxou o assunto sem motivo aparente.

Contava que lhe tinham pedido que ficásse, que de facto o reconheciam na rua, que já tinha fãs, que tudo tinha continuado graças a ele, porque gostavam tanto dele. Ela olhava-o imperturbável disfarçando a gargalhada sonora que ressoava no seu interior. Farta do seu próprio cinismo, afirmou objectiva: "Nessa noite deitáste-te com o ego a rebentar de inchado". Sim, respondeu sorrindo de contente.

A gargalhada voltou a ressoar.