sexta-feira, setembro 14, 2007

Caro Pimsleur

* Ou carta duma groupie de Línguas

Caro Pimsleur,


Gostaria de imaginar que esta carta é original, mas receio que não seja o caso. Será que me vai sequer ler? Não creio que as cartas de fãs sejam alguma vez lidas pelos seus reais destinatários por isso prefiro dizer-lhe desde já que ainda não sou sua fã. Aliás provavelmente nunca serei. Nunca fui muito atreita a sofrer de admirações sem limites.
A verdade é que nunca o procurei. Foi o senhor que veio até mim . Talvez estivesse destinado, talvez fosse inevitável.
O melhor será explicar-lhe quem sou e onde me encontro. Sou a mulher aranha e a verdade é que o que dizem sobre mim nada se assemelha à realidade. Na realidade, levanto-me todos os dias para ir trabalhar, tenho angústias e alegrias, emoções como todos nós. Vou ao supermercado, vejo televisão, saio com amigos e às vezes sou irascível. Em tudo normal portanto, poupo-lhe outros detalhes, excepto um: uma das minhas paixões : Línguas, idiomas entenda-se.
Encontro-me à beira da imensidão que imagino terá conhecido. Aquela imensidão que tem fim mas que não vislumbramos quando estamos apenas na sua orla olhando para o horizonte . A imensidão disforme que é ...uma nova língua. Esta nova língua é o Mandarim. Neste oceano asiático em que tenho molhado o pé com a amável ajuda dos meus professores, acontece-me apanhar aqui e ali um peixe, mas fica-me a sensação de que mais não é do que isso:um peixe no oceano.
Não pense que isso me retira algum alento. Sou de constituição robusta, de determinação resistente. Com sinceridade lhe confesso que é nesta dificuldade que reside parte da minha motivação.
Gostaria de dizer-lhe que não sei se o seu método funcionará. É possível. O mais importante, Senhor Pimsleur, é que ontem devorei 3 das suas aulas duma só penada. O resultado estava à vista. Apesar do cansaço, apesar da noite ir avançada. De neurónios exaustos dormi o sono dos justos. Esta manhã o cérebro fresco recordou-me o que ouvi ontem, sem falhas, sem dificuldade.
Recuperei o prazer e voltei a acreditar. O prazer, a curiosidade a única coisa que me servirá de motor para esta travessia. Porque por vezes o que interessa é o caminho e não o destino.
Porque "Wo bu hui shuo Putonghua", para já, mas um dia quem sabe?
Xiexie,
MA.

6 Comments:

Blogger Pitucha said...

Texto delicioso.
Beijos

sexta-feira, setembro 14, 2007 2:07:00 da tarde  
Blogger S said...

Pitucha,

Delicioso, delicioso vai ser o geladinho hoje à noite ;-) beijos, Sofia

sexta-feira, setembro 14, 2007 6:00:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Sim! Delicioso.
Quem dera ao menos sequer saber escrever... mas sei fazer outras coisas!

xai tai poyu wa ma (que quer dizer: a claudette chiclette é muito inventora.)

sábado, setembro 15, 2007 2:01:00 da manhã  
Blogger Menestrino said...

Método Pimsleur...muito interessante.

sábado, outubro 13, 2007 7:24:00 da manhã  
Anonymous Marcelo said...

que pimsleur, que nada.
prefiro suas palavras. ordenadas, organizadas, como que embrulhadas pra presente.

fui consultar no google o livro da Sra Didion e cheguei no seu blog.
(acho que não vou conseguir partir daqui tão cedo).

viva a mulher-aranha!

quinta-feira, novembro 01, 2007 8:19:00 da tarde  
Blogger S said...

Marcelo,

Que posso eu dizer a não ser: obrigada:-) Mas não exagere senão eu ainda fico insuportável;-) Volte sempre, Sofia

sexta-feira, novembro 02, 2007 5:47:00 da tarde  

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