Quanto ao "Nuclear" o que é central...
...de facto, é saber que elementos devemos ponderar para chegar a uma conclusão devidamente fundamentada sobre a energia nuclear.
Comecei por ser contra nos meus anos da adolescência e início da idade adulta. Já pelos vintes dentro tomei consciência da realpolitik e sobretudo da dependência energética em que vivemos, sendo que para o consumo de energia não se antevia (vê?) redução. Constatei a incidência dos custos de produção em países com e sem centrais nucleares. Constatei o carácter limpo desta energia, em situação optimal.Mas...
Subsistiam sempre duas questões:
-o que fazer dos resíduos, que como sabemos não sendo perenes é como se fossem à escala das vidas humanas actuais e futuras e
-o que fazer na perspectiva de potenciais acidentes.
Quem responde com um "sim" sincero à pergunta: importava-se de ter um aterro de material radioactivo nas imeadiações?
Quem responde com um "sim" firme e sem hesitações à pergunta: acha que valem a pena as vantagens do nuclear face às repercussões dos acidentes ocorridos na sua produção?
Eu seguramente não sou. A recente fuga radioactiva numa central no Japão na sequência do terramoto de ontem assim como os acidentes em centrais nucleares alemãs que repertoriei recentemente levam-me a questionar a regularidade destes acidentes de que pouco se fala mas que não são tão excepcionais como possa parecer.
Ainda que fossem excepcionais a sua incidência é longa no tempo e na amplitude geográfica. Mais de 800 casos de cancro ocorridos no Norte da Suécia foram considerados por um estudo como consequência do acidente de Tchernobyl de 1986. Já para não falar da dor de cabeça que é dar um destino aos milhares de toneladas de lixo radioactivo que resultam da produção de energia nuclear.
Será legítimo considerar estes "efeitos colaterais" como sendo o preço a pagar pela segurança energética, pelos custos de produção mais baixos, pelo potencial carácter limpo desta fonte energética que já aqui está, não precisa de ser inventada?
Ou será que temos de repensar o nosso consumo energético e racionalizá-lo, i.e diminui-lo, rever o horizonte com que elaboramos as nossas políticas energéticas (muito superior a 50 anos, a meu ver) e rever igualmente esta forma desenfreada como concebemos o mundo aos nossos pés?
Elementos para reflexão...


2 Comments:
Brilhantemente apresentado!
É bom ler pessoas que pensam...para variar!
Beijos
Estou com a Pitucha. O facto é que nunca pensei sequer neste assunto para sequer formar uma opinião. Mas ainda não cheguei aos trintas. Talvez esteja na hora.
=) thanks!
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