sexta-feira, julho 06, 2007

Para quando?

Acabei dois dias de conferência sobre os biocombustíveis. Na dança das palavras mais frequentes, saltavam alternadamente como pares inevitáveis os "países desenvolvidos" e os "em desenvolvimento". Não vos vou falar do conteúdo da dita conferência que contou com a presença de inúmeros comissários/a, do presidente Lula da Silva, do primeiro-ministro e do presidente da Comissão. Se quiserem mais informação encontram-na aqui. Aproveitarei apenas o mote do dito "mundo desenvolvido" que é o nosso.
Ora neste mundo desenvolvido em que supostamente vivemos prima o sector dos serviços. São elevadas as probabilidades de que quem me lê trabalhe nesse sector. O que significa que tal como eu passa a vida a "prestar um serviço". Curiosamente neste mesmo mundo tenho constatado duas atitudes predominantes. Os que prestam um serviço com sentido de profissionalismo e os que sofrem dum desdém crónico por esta actividade. Há quem atenda numa loja com diligência e há quem o faça com displicência. Há quem dê consultoria jurídica com a mesma atitude, até no sector médico é possível identificar esta dualidade. Ora, a minha profissão não é excepção.
Não querendo soar falsamente modesta, penso contar-me entre aqueles que tentam fazer o melhor que podem e que até sentem brio nesse facto (será que sou a única pessoa que ainda utiliza este conceito? penso que não...).
Durante anos me surpreendi e até indignei com a atitude de quem ostenta o desprezo e desdém que sente pela arte de trabalhar para outrém (a troco de uma remunerção, entenda-se). E durante anos pensei que isso se devia a um qualquer resquício pseudo-aristocrático (para não lhe chamar arrivista rançoso) duma época queirosiana ( Eça de Queirós ainda, depois destes anos todos, mas será possível?!) . Digamos que seria uma espécie de desprezo pelo trabalho, tout court. Uma revolta silenciosa da classe ociosa da corte caída de Versailles que lamentaria desta forma o paraíso perdido do dolce farniente "oisif". Curiosamente, são frequentemente pessoas que deste passado nada têm, lembram-me mais o Dâmaso de " Os Maias" que outra coisa, mas adiante...
Chego agora à conclusão que não é este o motivo. Ele reside tão simplesmente na falta de qualidade do trabalho prestado. Esconde-se a mediocridade com o desprezo, como se se dissesse, eu sei trabalhar bem, só não o faço porque não quero, porque não merecem o chão que piso. Mas afinal, mesmo se quisessem...
Pelo meio ficam todos aqueles que dão o litro e que acabam por ser penalizados pela atitude incompetente de quem se está nas tintas.
Pergunta: se o recrutamento se fizesse exclusivamente com base nas qualidades e capacidades efectivas e comprovadas e não na cunha ou no deslumbramento social, onde andaria o nível de prestações de todo o tipo de serviços deste mundo desenvolvido que é o nosso? Pois é, pois é...para quando?

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

palavras para que?
=/

sexta-feira, julho 06, 2007 9:24:00 da tarde  

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