Os ratos são sempre os primeiros a abandonar o barco...
Conversa vai, conversa vem demos por nós a discutir a baixa escolaridade dos portugueses e a pouca importância que ainda se dá à instrucção em muitas famílias. Como fomos lá parar, só um raciocínio latino pode explicar. Começou pelo racismo de que são alvo as comunidades emigrantes em certos países, saltámos para a situação de emigrantes portugueses que acabam explorados e discriminados noutros países, quando no fundo, bem ponderadas as prioridades, talvez vivessem melhor se tivessem ficado no seu país, ou se estivessem dispostos a fazer os mesmos esforços.
E depois, mal dei por ela já andavam à solta as costumeiras frases "eu quero ser apátrida", " não passamos duns grunhos", "não muda nada", "somos uns eternos subdesenvolvidos, estou farta deste país", "que vergonha" etc,etc.
Vejo-me obrigada a constatar que me falta o gene luso da auto-flagelação e profundo miserabilismo. Será a minha costela espanhola?
Perante a constatação da realidade difícil não me apetece dar o B.I, apetece-me lutar mais. Dar a cara, o exemplo. E isto irrita bastante os meus compatriotas. Então eu não tenho vergonha, não acho tudo uma merda, não estou farta disto tudo, não os acho todos uns ignorantes???!!!
Respondo, vergonha só teria se não conhecesse os outros países por dentro.
Se não sou demasiado ignorante( lá vou tentando) penso que me cabe a missão de servir de motor, de puxar pelos outros, de não desistir.
Os saloios deslumbrados foram feitos para países prontos a consumir. Esquecem-se de que o que encontram é fruto de muito trabalho, muitos conflitos, lutas, hesitações e contradições constantes. Nunca nada cai do céu aos trambolhões.
Mas há quem tenha sido feito para viver em países onde todas as conquistas foram feitas. Estão no seu pleno direito, reconheço, mas por favor, não encham a boca com a palavra mediocridade...quando falam dos outros. Afinal, vocês era suposto serem a elite...que faz um país e não que desiste dele porque não funciona como gostaríamos.


2 Comments:
Faço minhas as tuas palavras. Aliás não conseguiria ser assim eloquente. Tens toda a razão qdo dizes q se seomos a elite devemos puxar pelos outros... muito frequentemente, esqueço-me disso e faço parte dos q criticam, mas com alguma fraca (eu sei) legitimidade pk tento (deus sabe q tento) puxar...aliás até fiz o percurso inverso!! Eu q cresci no berço da civilização, regressei às berças do sítio onde nasci. E ao ler o teu texto, descobri q amo este sítio mais q tudo e q se critico é pk me dói q ele seja povoado por gente menos atenta a ... tudo! Agradeço por me teres feito descobrir nesta hora q só consigo viver aqui mesmo! Bj . Lu
Lu,
Compreendo-te,a crítica porque dói, compreendo-te tão bem.Aliás, acho que a crítica é necessária e útil, só assim podemos identificar o que não está bem e tentar corrigir. Mas há quem identifique o problema apenas para se dedicar a uma comiseração e auto-flagelação que nunca resultam em acção nenhuma, é só latim, só para inglês ver. Não é nada o teu caso, que te conheço bem e admiro. Um beijoca,Sofia:-)
Enviar um comentário
<< Home