Reclamo logo existo...
Não entrei em 2007 reclamando a plenos pulmões como se entra na vida. Não, não foi imediato. Entrei de olhos esbugalhados, boqueaberta e maravilhada com o fogo de artifício do Funchal. Superou de longe as minhas expectativas que eram grandes.No Funchal fomos recebidos com simpatia e profissionalismo no hotel, nos restaurantes e cafés. No "Quinta da Mirabela", pequeno hotel concebido por arquitectos continentais e madeirenses, sentimo-nos em casa graças à atenção inexcedível dos seus funcionários. Aí tivemos o privilégio de usufruir daquela que será provavelmente a melhor vista para o espectáculo pirotécnico que ali nos levou.
Porém tudo tem um fim e chegado o dia 02/01 tivemos de regressar ao "contenente". Ao aeroporto do Funchal chegámos com 2h15 de antecedência. Possivelmente excesso de zelo. Munidos de bilhetes de classe executiva ninguém nos quis informar sobre o guichet para proceder ao check in. Ao fim de meia hora impingimo-nos num qualquer guichet, o tempo passava como é seu hábito. Descobrimos que tínhamos sido brindados com um downgrading. Pague mais e leve menos. Descobrimo-lo não sem antes termos sido agraciados com a arrogância, indisponibilidade e maus modos da empresa Groundforce que a Tap subcontrata para se ocupar destas questões. A escolha dos passageiros que tinham tido a "sorte" de permanecer na classe cujo bilhete tinham pago seguiu critérios que nos escaparam por completo. Fiz finca pé, recusei-me a aceitar o que me propunham e muito depois assinaram documentos comprovativos da nossa involuntariedade naquela situação. Remeteram-nos para Lisboa onde seríamos indemnizados e reembolsados acrescentando que tínhamos sorte, podíamos ter ficado em terra (sic).
Depois de 4 dias fantásticos na Madeira partimos irritados, stressados, desiludidos, mortos por chegar a casa.
Ora a casa fica nas Caldas da Rainha. O "contenente" não é só Lisboa, longe disso. Eis-me portanto em Lisboa de novo ontem para receber o que era nosso de direito. Começou então a valsa da desresponsabilização. Ou melhor, o jogo de ping-pong em que o consumidor, eu, é tomado por uma bola pela parte faltosa, a Tap e a Groundforce. Resumo do jogo: A Tap diz que não é ela que reembolsa e remete-me para a Groundforce caixa. Esta diz que não é da sua responsabilidade e remete-me para a Tap. Primeira interrupção do jogo. Obrigo o funcionário da Groundforce a vir comigo À Tap e repetir a mesma coisa. A Tap pede desculpas, afinal devia ter-me enviado à Groundforce serviço à clientela. Lá vou eu. Uma hora de espera na fila. Tempo para assistir à total falta de organização na resolução dum vôo cancelado para Faro cujos passageiros são tratados abaixo de cão.
Chego ao balcão, respondem-me com desfaçatez que não são responsáveis, devo deslocar-me à Tap. Momento histórico no jogo. Resolvo aplicar uma resolução para 2007: ser uma consumidora consciente, fazer valer os meus direitos. Recuso-me a ir onde quer que seja. Do outro lado do balcão indiferença, má educação e um simples "Reclame, é para isso que existem os Tribunais, olhe vá pr'a lá". Afirmo que quero falar com o/a superior quero reclamar não saio do aeroporto sem o caso resolvido. Oiço pela enésima vez que nada podem fazer. Afirmo que chamo a polícia para fazer valer os meus direitos. Respondem-me então chame. E eu...chamei! Opera-se um milagre: apareceu uma superior que em 10 minutos descobriu o que ninguém me soube dizer em 2 horas. O serviço de reembolsos, que, atenção, fica no Marquês do Pombal, é que é o responsável. Dão-me o número de telefone do dito, dizem-me para telefonar, EM PRINCÌPIO eles resolverão o caso. O polícia recorda-me que posso pedir o livro de reclamações. Não hesito um segundo. Reclamação com citação dos funcionários do outro lado do balcão. Dirijo-me à Tap e peço igualmente o livro de reclamações. Faço o mesmo. Reparo que sempre que o peço ele me é disponibilizado perante olhares de mal-estar. Perguntam-me o que se passou. Conto. Pegam nos documentos comprovativos do sucedido que possuo e em 5 minutos fazem o que devia ter sido feito quando cheguei: encarregam-se do tratamento do dossier.
Moral da história: a organização da Tap é inexistente. A simpatia e profissionalismo de alguns alterna com a incompetência de outros que ofuscam por completo o valor dos primeiros. O recrutamento assenta seguramente em critérios em que a competência não tem prioridade. A Groundforce é uma grande bosta mais inútil que os testículos do Papa. E, acima de tudo, reclamar, reclamar sempre. Exigir sem hesitação o Livro de reclamações. É um direito, eu diria mesmo um dever. Somos nós que temos de gritar alto e bom som que não aceitamos serviços à clientela desta natureza.
Só mais um apontamento. Com as férias a acabar, não volto às Caldas ufana com o que fiz. Não, volto cansada, triste e revoltada.


8 Comments:
Sofia
Fizeste bem! Se todos os clientes fossem assim o atendimento seria decerto diferente!
Mas não te esqueças que 2007 começou com o fogo de artifício do Funchal...
E sorri.
Beijos
Je t'applaudis haut et fort!!!
Só é pena são as férias acaberem assim...
Olá Pitucha,
Bom ano!!!Já estou a sorrir de novo e tens razão aquele fogo de artifício é maravilhoso, entrámos bem, beijos,Sofia:-)
Olá Nuno,
Bom ano:-) Vejo que mudáste de "look" ;-) estás mais Mastroiani;-) ou será impressão minha?:-) Olha ainda tenho 3 dias de férias, a nuvenzinha negra já passou.Sofia
Mudei, sim :)
Ah, então se a nuvem passou, melhor... Não gostaria que deixasses Portugal com esta impressão!
Bom ano :)
Bela SOFIA!!
É ASSIM MESMO!
(e eu que o diga)
ESTOU MARAVILHOSAMENTE SOLIDÁRIO CONTIGO.
UM "O GRANDE ANO" PARA TI.
E sim...o fogo de meia noite na madeira é fantástico.... e os paquetes e o mar, os reflexos, o eco das luzes e os cheiros... e um belo horizonte.
:-)
Habitante (só agora aqui voltei),
Obrigada! Aquele fogo de artifício é maravilhoso, de ficar arrepiado, o horizonte...sim sem limites. Desejo-te uma ano com horizontes assim.Sofia
Engra�ado ter encontrado este blog. Ainda hoje registei no livro de reclama�es da TAP uma queixa precisamente sobre uma reserva que fix para a minha filha, pela groundforce. O acompanhamento at� correu bem, mas no balc�o 89, onde se trata da papelada, fizeram-me unica e exclusivamente o check-in � crian�a. A colaboradora da TAP n�o me deu papel nenhum para assinar e � chegada ao destino aquilo at� meteu pol�cia. Por sorte, na declara�o autenticada pelo not�rio eu tive o cuidado de p�r os dados do receptor da crian�a, porque se n�o fosse assim ainda ela l� estaria hoje. A groundofrce assumiu o erro e at� a�i tudo bem, apesar de n�o imaginar o que seria da crian�a se algo lhe acontecesse e eu sem papel nenhum de que a tinha entregue � guarda da TAP. Mas, no regeresso, lembraram-se de querer que volt�ssemos a pagar o acompanhamento. Nem os tickets que o comprovavam queriam aceitar. Foi a rebaldaria total e a crian�a quase n�o apanhava o voo. Uma vergonha. Tb acho que devemos sempre fazer uso do livro de reclama�es e a partir de hoje com mais facilidade o farei. UM abra�o.
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