segunda-feira, dezembro 04, 2006

Três minutos...

Combinara naquele dia um encontro. Digamos que o encontro era às 15h. Despachou-se e dirigiu-se ao lugar marcado. Estava um bocadinho atrasada, 3 minutos. Os 3 minutos que se deixara ficar a fingir que fazia não sabia bem o quê. Ora 3 minutos não é nada. Mas podia ser tudo. Chegada ao lugar marcado sentou-se e esperou. Os minutos passaram. Procurou o telemóvel que assinalara a chegada duma mensagem...estava sem pilha. Lei de Murphy, claro. Cogitou alternativas. Estará à espera noutro lugar? Já partiu? Teve um impedimento? Não tinha como saber, só voltando a casa.
Posso ainda acrescentar que uma certa irritação inicial tinha entretanto dado lugar a uma grande contrariedade. Bolas, não podia esperar sequer 3 minutos? Não , ela não faria isso...Enganou-se, tenho a certeza que se enganou e venho eu pr'aqui desperdiçar o meu tempo...
O encontro era apenas o início daquela tarde que seria de descoberta. Juntas iriam a uma palestra cuja morada desconhecia. Teve pena. Maldito desencontro. Sentada na viagem de regresso pensou naquilo que poderia fazer e que não era pouco, agora que não ia dedicar a tarde à tal conferência. A ideia ganhou contornos e sobretudo volume. Chegou a casa, pôs o telemóvel a recarregar e avisou a amiga. O telefone tocou. Estou, não me lembrava da hora, desculpa. Enviei-te um sms a perguntar, como não respondeste deduzi que não o tinhas. Acabei por vir sózinha. Olha não perdeste nada, a convidada não veio. Afinal, foi em vão...
A conversa ainda durou mais uns minutos. Os suficientes para desfazer o malentendido, para uns beijinhos e outros inhos.
Desligou, sorriu. Deixou-se levar por um ou dois pensamentos durante 2 ou 3 minutos, pelo menos assim pareceu. É possível que tenha pensado que há "males" que vêm por bem à boa maneira da sabedoria popular. Talvez tenha ido mais longe e tenha recordado o motorista de táxi marroquino que um dia lhe dissera que aqui na Europa não se sabia esperar, às vezes um obstáculo agora é uma felicidade mais tarde, é uma lição. Mas ao certo ninguém sabe o que lhe terá passado pela cabeça. Apanhou as chaves e saiu.

4 Comments:

Blogger Pitucha said...

Gostei muito! E sorri com essa de não saber esperar... Porque odeio esperar! Sobretudo se é num sítio onde nao tenha nada para fazer a não ser esperar!
Beijos

terça-feira, dezembro 05, 2006 9:49:00 da manhã  
Blogger S said...

Olá Pitucha,

Obrigada.Eu também sou assim, tenho mesmo de aprender a saber esperar sem ficar de mau feitio,lol.Beijos,Sofia

terça-feira, dezembro 05, 2006 11:00:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Infelizmente andamos sempre à espera de algo ou de alguém, boa semana.

terça-feira, dezembro 05, 2006 1:23:00 da tarde  
Blogger S said...

Olá barão da tróia,

Não sei será sempre, mas será frequentemente. Talvez o melhor seja optar por outro caminho e não insistir naquele que teimosamente perseguimos. E depois...quantas vezes esperam por nós e não sabemos? Boa semana,Sofia:-)

sexta-feira, dezembro 08, 2006 6:12:00 da tarde  

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