terça-feira, dezembro 05, 2006

A Santa globalizada...

Recordam-se de Santa Engrácia, aquela das obras que nunca terminam? Quantas vezes invocada com um sorriso azedo ou irónico? Bom, a questão não é o sorriso é sim a sua nacionalidade. Durante anos julguei-a portuguesa. Eu e provavelmente muitos de nós.
Isso durou até por o pé fora do nosso querido rectângulo. A Santa é generosa ou promíscua, é como preferirem. Dá-se com igual ardor e dedicação aos países por onde tenho passado. É portanto uma Santa cidadã do mundo como se costuma dizer, mais actual é impossível.
Senão veja-se o que me sucedeu. Hoje calhou-me na rifa trabalhar no Berlaymont. O Berlaymont é a menina dos olhos da Santa. É um dos seus paradigmas. O edifício é a imagem emblemática da UE em Bruxelas, aquela cruz vista do céu. Foi todo remodelado para lhe retirarem o amianto que trazia entranhadito. As obras ultrapassaram em largos anos o prazo previsto, já não sei se 7 ou 10. Mas foram muitos.
De tantos anos durar a obra, parece-me justo deduzir que ela saíria, pelo menos, perfeita. Escorreita, bom, está bem, não peço muito, digamos que completa.
E digo isto com dois parafusos na mão da maçaneta da porta que por generosidade entendeu vir comigo atrás. Claro que não era preciso tanta generosidade, mas ela insistiu. Quem também é muito curioso são os fios de electricidade que despontam aqui e ali, ou porque falta uma lâmpada ou porque falta um interruptor, coisa "piquena".
Felizmente que estão felizes alguns cidadãos que dela levaram mais do que era suposto custar. Sabe-se lá por que portas e gavetas travessas. Mas no reino dos cortes orçamentais da UE isto é blasfémia, queiram desculpar, que mau feitio o meu, tsss,tsss
Não pensem que é fácil a vida da Santa. Não muito longe daqui anda uma obrita a ver se rouba os louros da antiguidade ao Berlaymont. São as obras na place Flagey que têm, entre outras coisas a vantagem de não terem fim à vista (e já lá vão, quê, 2,3 anos?) , mudarem de forma a cada vez que passo e não fazer ideia da finalidade de tanto camião e lama.
Parece-me que anda ali ciumeira. A Santa de facto deve ter uma grande paciência, paciência de Santa globalizada e poliglota com certeza...

1 Comments:

Blogger Pitucha said...

LOL!
Mas temos que admitir que tanto no caso do Berlaymont como no caso da Praça Flagey, não há monotonia: nunca se sabe qual é o caminho!
Beijos

quarta-feira, dezembro 06, 2006 8:56:00 da manhã  

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