segunda-feira, dezembro 18, 2006

O que têm em comum a Torre Eiffel e Angkor Vat?


Eu. Eu adoro, admiro e contemplo sempre com igual deslumbramento estas duas criações da humanidade. Estas e outras. Na realidade ia dizer que o que têm em comum é serem belas, mas a verdade é que a beleza é relativa. Por isso, o que têm em comum é serem feitas por nós e serem para mim motivo de prazer porque eu as acho belas.
O fim de semana passado andei por Paris. E para não quebrar a tradição tive segundos de admiração (mais ou menos disfarçada) sempre que vislumbrava aqui num canto, ali num telhado, mais além numa esquina a dita Torre. Aliás, tenho a mesma reacção quando vislumbro inesperadamente o Sacré Coeur ou um qualquer pormenor menos turístico que reúne na minha opinião os requisitos do belo.
Isto parace simples e talvez até fútil. Mas não é. Descobri que não é pelo menos inofensivo.






Descobri que Angkor Vat é para mim um local quase místico. Local onde apesar do calor poderei voltar inúmeras vezes e sentir o tempo, a fragilidade humana, a natureza indiferente. Tudo ao som duma selva omnipresente que se respira.
Para outras pessoas aquele é um monte de pedras. Para outras pessoas a torre Eifel é indiferente. A beleza gratuita que se oferece generosa está no meu olhar. Não está ou deixou de estar no olhar de outro alguém. Que fique claro, não estou presunçosa e pseudo-intelectualmente a criticar quem assim o faz. Pois quem assim o faz viveu os horrores da guerra. A guerra como uma caixa de chumbo, dou por mim a pensar. Um cubo de chumbo que incarcera as almas e já não as deixa expandir. Prisioneiras do medo da morte, imóveis até à sua chegada.
A liberdade de ver beleza apesar do horror, a capacidade de... É um bem precioso que se desfaz num segundo. Viver privada da capacidade de apreciar o belo parece-me insuportável. Será uma forma de sobrevivência... como aquele rapaz cambodjano que nos contava o que vira nos piores anos da guerra e depois vinha para os templos refugiar-se na sua calma e beleza. Fugir ao cubo de chumbo... talvez
*Fotos retiradas da wikipedia

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

"Viver privada da capacidade de apreciar o belo parece-me insuportável. Será uma forma de sobrevivência... como aquele rapaz cambodjano que nos contava o que vira nos piores anos da guerra e depois vinha para os templos refugiar-se na sua calma e beleza."

...é. é. é.

segunda-feira, dezembro 18, 2006 10:37:00 da tarde  
Blogger Pitucha said...

É importante não perdermos a nossa capacidade de nos admirarmos, de admirarmos!
Beijos

terça-feira, dezembro 19, 2006 9:02:00 da manhã  

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