sexta-feira, dezembro 01, 2006

O fundamental

Ao meio-dia e meia tive já o irónico privilégio de assistir à prova cabal de que se pode falar muito e dizer pouco. Não só pelo vazio de sentidos, também pelo embrenhado de ideias feitas que nem com esforço se desembaraçam. E ainda a procissão vai no adro...
Na corrida aos diplomas, na subida dos degraus da sociedade desenvolvida que se mede nas tabelas de notas da OCDE, gostaria de saber qual a importância dada à autonomia de raciocínio. Ao espírito crítico. Ao direito à dúvida. À capacidade de interesse e não apenas de ser interessante.
Criam-se elites que se pavoneam do alto da sua "cultura acumulada", do pedestal de quem sabe por oposição a quem não sabe. E eu pergunto, alguém pergunta o que é pensar? Para acumular factos chega uma boa memória. Analisar com espírito crítico, já é outra história.
Elites fracas as que repetem chavões, cheias de soberba . Inebriadas pelo encaixar de jargão fútil em frases infinitamente subordinadas.
Uma cabeça teimosa, crítica, autónoma, vale mais que mil enciclopédias andantes...