Força Michelle Bachelet!
Ao fim de 91 anos morreu. De morte natural e pacífica, imagino. A morte a que ninguém escapa, morte sem noções de justiça que nos devolves à nossa insignificância.
Na vida não há justiça, a vida não é justa nem injusta, mas os homens são ou podem ser. Os homens pensam "justiça", criam um conceito e depois seria bom que se entendessem com ele. Mas não entendem e , mais tarde ou mais cedo, a morte vem e faz tábua rasa. Limpa tudo.
Nos que ficam sobra vida para sentir a dor, a falta, a injustiça, a incompreensão. Para isso serve a justiça dos homens, para os que ficam poderem viver.
Assim, no dia em que Augusto Pinochet volta à terra que o há-de tragar, com os mesmos vermes que tragaram as suas vítimas, recordo que em vida ninguém fez justiça, a dos homens, a que nós inventámos supostamente para um mundo melhor.
Nesta vida que mais não é que relações de forças, que lutas de poder, o desrespeito pela vida levou a melhor. A hipocrisia ainda levou a melhor.
O meu pensamento vai para as famílias das vítimas que ficam e que terão de aprender a viver num mundo em que viveu impune Augusto Pinochet. Impune perante os olhos de todos. Impune durante várias décadas. Conscientes que estavamos do que se passou. Que tenham forças para gerir o indizível. Que tenham forças para reconstruir um futuro. Que tenham forças perante todos aqueles que se recusam a ver e vos devolvem a dor mesmo passados tantos anos.
Neste dia recordo a memória de quem sofreu durante a ditadura sanguinária de Augusto Pinochet. Que o Chile seja dos seus herdeiros, herdeiros da democracia.
E nós não esqueçamos nunca o que se passou, não esqueçamos que se apoiou, calou e protegeu. Que quem cala consente e que quem protege é conivente.


3 Comments:
Bem dito!
Apoiado!
Beijos
Olá Pitucha:-)
Obrigada;-)beijos,Sofia
Olá Super Heroína!
Concordo em absoluto contigo.
Como eu disse algures por aí na blogosfera ainda agora e relativamente ao mesmo tema, a morte dele diz-me pouco, a vida diz-me muito mais. E não choro nem de alegria nem de tristeza... é mais um bocadinho de revolta por ser sempre tudo tão pacífico! Se eu fosse "má nova" diria: Ca cena meu!
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