sexta-feira, novembro 24, 2006

A rã fervida

O saber tem para mim o som derradeiro duma sentença. Quando sei não posso fingir que não sei. Quando sei nem a mim me engano, ou seja quando digo que sei está sentenciada a minha sorte. Não se pense que transporto a capacidade de saber como um fardo. Ela é sim um despertador ou um sinal de estrada. No jogo de espelhos entre o consciente e o inconsciente não sei quando comecei a saber mas sei qual o momento em que soube que sabia.
Não desanimem, todo este palavreado chegará a algum lugar.
Pois eu soube há muitos anos que gostava de viver, tenho um apego à vida próprio de qualquer animal com apurado instinto de sobrevivência. Daí que a minha inteligência racional, supostamente, passe não só pela capacidade de acumular factos e de estabelecer relações de sentido entre eles. Ela passa também pela capacidade de me adaptar para sobreviver. Nos ideais sou rígida, no concreto viso os fins e escolho o caminho mais idóneo e respeitador para lá chegar.
Maquiavel não ousaria contradizer-me, em boa verdade, este é provavelmente o retrato de todos nós, ou quase...o talvez não, mesmo nada.
Acontece que estando eu sentada no tram de regresso a casa, acreditem ou não, lembrei-me da história da rã fervida... ou cozida, dá no mesmo. Não é uma fábula é uma experiência. Coloca-se a rã num recipiente com água fria e leva-se ao lume. A água vai aquecendo progressivamente sem que a rã se mexa ou tente saltar. A menos que a salvem coze e morre, passo a redundância pois nunca se viu uma rã cozida e viva.
Sei que assim estamos nós com o nosso recipiente, a Terra, a nossa Gaia mal amada. Procurei calor nos pés e não senti, agora mesmo estou a tentar e...nada. O que é mau sinal, pois a rã também não sente nada, ou pensa que não sente e morre cozidinha sem que lhe cobiçassem sequer as cochinhas.
Recosto-me na cadeira do eléctrico que em sorte me calhou e sei. Sei que não me podia contornar a mim mesma durante muito mais tempo. Da conjugação dos dois saberes que acima citei só podia tomar uma decisão, tendo eu este carácter que me impede de auto-ludibriar quando sei.
Hoje sem chuva e a horas cheguei a todo lado. Amanhã veremos. Mas a decisão ficou tomada. O carro fica na garagem, os pés estão frios e eu estou a tentar "saltar"...porque sei.
Para informações sobre o efeito de estufa e aquecimento do planeta, clicar :

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Desculpa,

eu sei que o assunto é sério, mas:
a saltar trálá lá a correr trálá lá..
:-p

Sofia,

- O teu humor sério, requintado e bem temperado... mas, aguentará Sofia este desafio?
"Não perca os próximos e longos episódios de...
....O ELÉCTRICO DOS DESEJOS.

AH! 3º Acto: Acredito que Maquiavel ter-te-ia dito qualquer coisa... agora, Maquiável, acho que não.
:-p

Conclusão: é realmente um assunto sério.
A terra é lindíssima.
A natureza continua a ser a "coisa" mais bela e mais poderosa que alguma vez pudemos testemunhar.
...de alguma forma a humanidade tem mesmo que se encontrar.

Um grande FdS para ti.

sábado, novembro 25, 2006 1:17:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

olha o balanço energético da Terra! belezura de gráfico...

bom, segunda uma professora minha de Évora (especialista em aerossóis, sendo que aerossol é qq particula sólida existente no ar.... por exemplo, o pólen é um aerossol...), não há aquecimento global, alterações climáticas, buracos do ozono devido aos CFCs, etc! Ela é que sabe.... eu cá tenho as minhas dúvidas!

sábado, novembro 25, 2006 5:44:00 da manhã  
Blogger S said...

Habitante,

oooppps Maquiavel,obrigada;-) E a saltar trálálá,Bom fds também,Sofia:-)

Nokas,

Do buraco do Ozono não sei, mas a poluição dos carros sei o que é, vivo com ela ao lado e resolvi fazer o que posso. É melhor e mais coerente do que queixar-me eternamente. Também dúvido, como tu;-) bom fim de semana, beijos,Sofia

sábado, novembro 25, 2006 10:11:00 da manhã  

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