Linhas invisíveis traçadas no espaço
De repente os olhos cruzam um rosto conhecido. Quantas vezes acontece: do outro lado da rua, da sala, do autocarro, do cinema, dum restaurante.
Cara conhecida pode ser muita coisa. No caso é o olhar cúmplice de quem nos reconhece e conhece, biblicamente falando. Sem saudades, nem remorsos. Naquele espaço entre o tecto e as cabeças sentadas cria-se uma linha de cumplicidade. Nem são memórias exactas que povoam a mente. Podem ser, mas não são. Não há palavras, apenas um sorriso ténue. Como quem diz, sem nos conhecermos sabemos onde ficam as nossas curvas, sem nos lembrarmos em tempos soubemos a que sabiam as nossas bocas.
Sem mais, sem lamentos, sem "ses". Com um sorriso fugaz, imperceptível, estamos agora noutro lugar, noutro tempo.Estamos no futuro. No espaço a linha traçada volta a desvanecer-se.


1 Comments:
Essas linhas invisíveis de que falas são as que transportam os sentimentos!
Beijos
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