Olhar para o futuro...
...olhar para o futuro? (eu de olhar perdido) Sim, quando se projecta no futuro, o que vê?...não...não sei...vejo o que vejo agora (levanto os ombros). No futuro não posso ver o que vejo agora, no futuro não serei eternamente assim. (...não sei...). "Olhar par o futuro" ficou-me porém numa qualquer ante-câmara do cérebro, escondida, à espreita do momento certo.
"Olhar para o futuro" assomou de novo, alguns meses passados. O insconsciente agradecido propulsou esta frase despoletando o despertar graças ao acaso oportuno que me trouxe às mãos a revista Science et Vie (nº 1067) onde leio que os Aymara,povo andino, vêem o futuro para trás, para trás das costas digamos assim. Encho-me de espanto, de maravilha, perante a possibilidade única de olhar a vida com olhos de criança outravez. Durante alguns segundos vejo o futuro pela primeira vez como estando atrás. E tem lógica, tudo tem a sua lógica, claro, muito própria. O futuro é o que não se sabe e vê, está atrás onde não o conseguimos ver. Vivemos portanto virados para a frente, para o passado e presente.
...viro-me do avesso...viro-me e experimento o futuro atrás das costas. Não é difícil, e não o vejo, ali de facto, sem esforço não o vejo. Ando sem olhar para trás, esperando aquilo em que vou tropeçar. E quando tropeço vejo o presente, já à minha frente. Até aqui tudo bem.
"Olhar o futuro"... como olho o futuro? Não à frente nem atrás...esforço... como é que eu faço? Pausa. Fecho os olhos. Sim, o meu futuro é para dentro. Algures no cume do lobo frontal, quase na fronteira com o parietal. Eu projecto-me no futuro dentro de mim a 3 dimensões. Projecto e mais tarde encontro o que projectei estilhaçado... pedaços maiores ou menores no presente. Encontro a minha visão 3D entre os retalhos incontroláveis do real. Mas lá estão, os meus desejos de mim alterados pela realidade indiferente,feita de acasos e força irreductível.
E nisto estou eu, nesta divagação enquanto pouso a revista...


8 Comments:
Sabes que eu acho que o futuro é tipo a rede do matrix. Deve haver uma fórmula matemática que junte todas as probabilidades e casualidades e aleatoridades e consiga calcular o acaso e o futuro incerto de todos nós!
Fiquei pasma de admiração! Este post está liiindo!
Beijos
Nokas,
Sim, talvez a coisa passe por aí, pelo menos já chegámos ao grau de abstracção que nos permite imaginar essa hipótese. Eu acho que se apurarmos a nossa intuição e a dosearmos de razão encontramos uma forma, porém falível, de "prever" o futuro, ou melhor o provavel.Resta-nos o aleatório, haverá talvez uma fórmula para ele também, mas ainda não a conhecemos...e ainda bem, acho que ainda não estou preparada;-)))) beijos,Sofia
Pitucha,
Obrigada (tou coradita) ;-)Beijos, Sofia
Olhamos o futuro para fazer avançar o presente.O futuro não existe.O meu presente é um futuro que me lembrei de construir há anos e que nunca mais chegava.Temos é de olhar para hoje porque sem nos darmos conta o futuro já é.
PS O déja-vu é uma lembrança do futuro,uma pista para organizar-mos o presente.
........ talvez se não tivéssemos consciência da morte, provavelmente não necessitaríamos de um futuro.........
Habitante,
trouxeste mais uma acha para a fogueira:-)...a morte uhmm. Ou talvez a mudança, mesmo sem morte.A consciência de que crescemos e mudamos dá-nos a sensação de que algo muda e que somos os mesmos que gatinharam e andarão de bengala, digamos assim. A consciência é uma coisa gira...matéria para um futuro post, quem sabe.Sofia:-)
... olhar para o futuro ... ok ... hum ... posso ver que vou continuar a visitar este blog!
Até breve!
Sinapse
Olá Sinapse,
...e és sempre muito bem-vinda:-)
Beijos,Sofia
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