
Eu sou uma gota de mercúrio
do mercúrio
do grande magma
Sou uma gotinha que se desprende, desprendeu afastou e seguiu o seu caminho
Gota de mercúrio sou e como sou moldei-me, esgueirei-me deslizei para longe
Sempre gota de mercúrio, reflectindo o caminho por onde sigo
Quem sou eu? Sou do grande mercúrio que me veio recordar de que matéria sou feita,
Como me atraiu e me fundi nele
Do grande mercúrio me solto outravez e vou para longe, gota de mercúrio refundida,
...e posso ir longe, afasto-me porque sei de que sou feita...
Eu sou uma caixa de ressonância. Um tambor, o ventre duma guitarra, a espiral dum búzio.
E não tenho fôlego
... andava e não tinha lá.
Andava num grito rouco.
A caixa soou e eu enchi-me de sopro e atravessou-me a voz
Uma voz que não a minha, a voz dela, que foi a nossa
Soltou-se a água, a corrente do rio,
levou-me os demónios numa enxurrada
trouxe-me descanso tépido,
como um duche contínuo depois dum dia difícil
como um banho sem fim ao sabor do ondular do mar num dia fácil.
E eu que andava a ferro e fogo,
E eu que andava a cinzento, preto e vermelho reganhei as minhas côres
Todas as côres
Eu sou uma gota de mercúrio ... do mercúrio
...e posso ir pelo mundo fora porque sei de que sou feita.
Obrigada à Mariza e aos seus músicos pelo concerto de quarta-feira.


2 Comments:
(...............................! :-)
E pronto, assim fica uma pessoa esmagada pela imensidão das palavras!
Lindo
Beijos
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