Escada acima, escada abaixo, no labirinto das repartições públicas portuguesas
A minha amiga escocesa M. lembrou-se de comprar uma casita lá para os lados da Ria Formosa. Encantada com a realização do seu sonho, não se cansava de me tecer elogios sobre a beleza da região e a simpatia dos vizinhos e portugueses em geral. Faltava-lhe fazer umas obras e proceder a uma série de registos e pagamentos públicos. Logo a avisei, olha que a simpatia dos vizinhos não vai ser a mesma quando chegares a uma repartição pública, vai-te preparando.
Mas ela andava indefectível. E para me contrariar, até as obras lhe correram bem. À distância, sim senhor.
Mas ela andava indefectível. E para me contrariar, até as obras lhe correram bem. À distância, sim senhor.
Um belo dia, a M. que até fala muito bem português, lá foi a Tavira pagar impostos, declarar a morada e outras coisas que tais. E foi aí que o sonho se desfez e a realidade veio à tona. Horas passadas em filas, respostas arrogantes e prepotentes nos guichets que nunca eram os certos. Três ou quatro guichets visitados para dar com as mesmas respostas tortas e sobranceiras de quem tem mais que fazer que estar ali a atender aquele empecilho. No fim do dia a M. voltou a casa sem nada que se pudesse considerar obra feita. Que frustração! Que indignação! Que injustiça! Como é possível? Pois é, querida M., não há bela sem senão. Para ti aqui fica um artigo de hoje do DN. Artigo com uma análise extremamente correcta.
E nós consumidores, quando é que vamos deixar de esperar que o Estado faça algo e nos começamos a manisfestar?


2 Comments:
(estou grogue com o sono)
Bem.. é suposto os serviços públicos terem livro de reclamações, aja coragem de os utilizar - porque o que esta gente não entende, Estado ou empresas privadas, é que o Cidadão/Cliente é que manda, não por um qualquer imperativo divino, mas porque pagamos impostos e o valor dos produtos que consumimos.
Têm de o saber. E isso parte de cada um de nós; Termos a coragem de por uma reclamação numa repartição apesar de termos de aturar o raio do funcionário, deixarmos de consumir um produto que gostamos porque os gajos que o fazem são uns ladrões. Está nas nossas mãos.
Como sempre
Bom dia Irreligious,
Tens toda a razão! Consumidores/clientes responsáveis e cientes dos seus direitos e deveres exigem um serviço melhor. Também acho que está nas nossas mãos.Sofia:-)
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